terça-feira, 24 de novembro de 2009

Substantivo? Adjetivo?

Atendo ao telefone, anunciando o órgão público para o qual trabalho, meu nome e, de quebra, para criar um arzinho de simpatia, um boa tarde. Meu receptor que faz vezes de emissor - durante o contato, trocamos muitas vezes o papel - diz para que veio. Deseja falar com o doutor. Regra imposta - sinceramente, quando sou eu a pessoa que liga, detesto ouvir tal pergunta. Respondo curta e grossamente - indago quem deseja. Ouço: "É o Delegado Fulano de Tal!". Dou uma risadinha muda ao ligar a imponência do título-profissão-ganha-pão à estatura de quem o profere (já vi a figura tete-à-tete). Se fosse alguém ligado a algum caso, ok. Entenderia o porquê de delega, afinal, estaria se identificando dentro de outro contexto... ligado ao seu ofício. Porém, conhecido de roda como julgo ser, esposo (acho breguérrimo este termo... "meu es-pooooooou-so") de uma colega de trabalho do dotô, o termo designativo do cargo em questão, seria desnecessário ao anunciar para o salão da corte, a sua chegada.
Lembrei do cabo da PM. Após apresentação voluntária e não requerida, frisando bem seu posto no corpo policial local, insistiu para pagar minha entrada no bar. Não era falta de grana em cash, ou em cartão de plástico mesmo. Foi puramente por conta de ida não planejada. Compari ao lugar caminhando contra o vento, sem lenço, nem documento. De havaianas, diga-se. 'Gardecida, disse não ser preciso. Sabia muito bem o preço a ser pago e, olhando bem a figura, o valor exigido estava bem além do material oferecido. "Cabo da PM, enfie a entrada no cu, porra! Não vou entrar!". Certamente, não estaria ele exercendo suas funções ali. Certamente, se eu traduzisse fielmente meu sorriso amarelo, seria presa por desacato à autoridade. Pois bem.
Curioso isso. Qual seria o núcleo do sujeito? Em cada dever passado para casa, a professora de português dava umas vinte orações para serem analisadas morfológica e sintaticamente. Núcleo do sujeito, oras, sempre um substantivo. Na luta atual pela sobrevivência, não mais o homem demonstra suas habilidades em passar a perna na natureza, sobrevivendo. Mas sim, o doutor, o delegado, a excelência que demonstram suas inabilidades - sim, pois apoiar-se no adjetivo incorporado a sua estória já demonstra total inaptidão... E passam a perna nos homens.
Hey, é a Humana Maura que gostaria de falar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Amarelo

Pela barba do profeta! Ñão! Chega! 'Xô vir refugiar acá. Continuo terreno fértil às queridas abobrinhas. A disposição para assuntos mais profundos ainda está em viagem, conhecendo terras longíquas, quiçá Conchinchina (a colônia já não existe mais, mas a região sim. Fica uma menção histórica)... ou Ulaanbaatar... Avisou-me querer visitar lugares inusitados, inóspitos, incomuns e ponha outros tantos ins aí. Ou seja, abobrinha recheada é bom pra cacete!
Mesmo assim, não resisti e fui xeretar o tal Ego.com. Valha-me Ea/Enki/Ptah/Khnum/Unkulunkulu (a disposição para assuntos mais profundos estava a conversar comigo sobre a Mongólia. Grande parte de lá, declara-se sem religião - por isso, ela se sentiu em casa; o restante, segue o shamanismo)! "Luisa Mell lança livro com poesias sobre cachorro". Tabefe! Isso não é adubo adequado a minha plantação. Os legumes nascerão todos bichados. Não dá para atualizar o manual do Batman nesse site. Não quero atrapalhar o merecido descanso da disposição que quase veio no primeiro vôo quando se sentiu futucada pela leitura. X. Apertei o x. Bom, que posso eu ler?
Merda! Não... não tô xingando não. É merda mesmo. Lembrei-me de um sonho. Somente alguns ficam marcados e pedem para serem interpretados. Quedê Freud? Ahhh, não era um lance sexual. Ou era, cara. Eu, no sonho, estava nua da cintura para baixo. E não sei por que cargas d'água, ficava tochando buchas de papel no cu. Colocava e tirava. E o apetrecho saía todo sujo de bosta. Ok, alguém vai comentar que é vontade de dar o fiofó, né? Talvez. Porém, bom, se oportunidade surgir, terei meus pés atrás (não é por conta da posição, frise-se aos fãs de trocadilhos como eu): afinal, sonho pode ser aviso. E, bom, com o perdão da expressão popular e grotesca a seguir (aliás, peço em atraso com relação às palavras utilizadas para designar o reto, vulgo toba), assinar cheque é uma situação mui constrangedora, não? Vamos por via normal, então. Tá... tá... com direito a alguns apetrechos, para não dizer que está sem-graça... arroz com feijão... papai-e-mamãe...
Voltando!
Daí, continuei andando como se nada estivesse de diferente, com as partes pudentas ao vento. E ninguém me cutucava quanto a isso também. De repente, estou numa maca e o médico introduzindo um caninho rabo adentro. Uma solução salina escoava para dentro de mim. Splosh! Vi-me toda lambrecada de merda. Muita merda. Amarela. Muito amarela.
Google! Sonhar... fezes... Pimba!
Obrigada, www.sonhos.com.br . Só faço uma ressalva por você não me deixar ler o significado de defecar. Tá, eu compreendo. Todo mundo precisa garantir o seu, por isso tal conteúdo é disponível só para quem assina, depois de ter recebido uma amostra grátis. "Fezes" já elucidou bastante o caso e, bem, como sou dotada de certa inteligência, já presumo o que significa o sinônimo de cagar.
"Sonho em que aparecem fezes é sempre indício de fortuna, lucros, sempre presságio de sorte ligado a ganhos materiais. Se, em sonho, você viu ou tocou em fezes, saiba que é hora de arriscar e investir seu capital; e, se sentiu cheiro de fezes, brevemente receberá dinheiro que considerava perdido. Defecar na cama é sinal de abundância financeira; defecar em público é anúncio de grande êxito financeiro. Quem vê fezes na rua ou pisa nelas em sonho, pode esperar sorte nos jogos. Se, em sonho, você estava sujo de fezes ou se viu alguém sujo de fezes, é presságio de que ganhos inesperados permitirão você fazer a viagem dos seus sonhos."
Ah, disposição! Güenta a sapopemba aí! Tô chegando! Se bem que... hum... não iria ao Vietnã nem à Mongólia não. Ilha de Páscoa, no Chile... ou, ahhhh, uma rota pelos castelos medievais. Há muitos na Alemanha. Taí? Que tal? Afinal de contas, muitos daqueles que te futucam, nasceram por lá e lá escreveram grande parte de sua obra, não?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Santo formol, Batman!

Raios! Preciso (ehhh, mas, bom, preciso mesmo?) começar a botar ordem no barraco que se chama "minha vida" a partir das pequenas coisas. Sim! Talvez alguém (teria sido tu, grande Shyniashiki?) já tenha cantado a pedra: não se organiza o todo logo de cara, mas partes do todo. Vai 1/345 da coisa (fração dependente do tamanho da coisa e, lógico, disposição em ajeitá-la. Como você é o seu próprio credor e, aaara, você pode ser camarada contigo - e deve - parcela-se em não sei quantas vezes. Mas, parcela-se. E cumpra-se. Não vale parcelar a parcela, senão vira putaria). E vamo comendo a barra de chocolate (ou pizza! Depende do método que a professora escolheu para lhe ensinar frações). Pimba! Bucho cheio e um sorriso de satisfação nos lábios. Lógico, um arroto para comemorar. Bom, em suma, comecemos pelas pequenas coisas.

Eu deveria começar solicitando à Sky, a droga de um controle novo. Não vou de esbarrão contra a evolução humana. Morro de preguiça em ir até a televisão, meter meu dedo no decoder (é assim que se chama aquela caixinha preta - ou prateada - receptora dos sinais?) e ir no tec-tec-tec... Ufa! Algo que preste dentre cento e tantas opções. Note mais um motivo anti-retrógado: são mais de cem canais, ou seja, mais de cem tec-tec-tecs, para alienar a mente.

Sky: meu primeiro passo rumo à vida adulta... organizada... sensata...

Mas enquanto a atendente da tv a cabo não escuta minha voz, vou xingando e prometendo pro dia seguinte alguma atitude. E me contenho com o escolha do último que fez uso do aparelho televisivo. Opa! Discovery Kids. Suplico aos deuses: que não esteja passando aquela porra de Backyardgans. Pelarmordeshiva, nem Barney. Arranque-me o útero (até mesmo para não ter que passar por essa experiência, de novo, com outro rebento), mas isso não! Por conta do choro e súplicas do meu caçula, voltei atrás no meu propósito de entrar na tevê e matá-los um a um.

O céu tem ouvidos. Passa um outro. Não me recordo o nome, contudo é assistível. Dá para fumar e tomar café sem perder tempo planejando assassinatos.

Natal batendo na porta, propagandas que atingem em cheio o bolso de grande maioria (se não for pai ou mãe, é outra coisa envolvendo criança). Eita, exclamo eu. Se minha memória não está nublada (fiquem na sua, antitabagistas!), Moranguinho tinha cabelos cacheados, não? Eu tive uma boneca dela. Cabelinhos vermelhos e... cacheados? Já foi a Fátima Bernardes... e, agora, Moranguinho! Nem ela escapou da ditadura do cabelo liso. Ok, tô sentada no meu rabo, doce boneca. Nem eu escapei. Minhas melenas estão comportadas tal como internas num pensionato de freiras. Contudo, por detrás do "comportamento" imposto, são rebeldes que só.

O que importa é a alma (não, Shyniashiki, não pretendo roubar clientes seus. Não tô vendendo nada, então, não há propaganda... palestra... nada. Sou uma reles mortal-mãe-irmã-mulher vomitando minhas abobrinhas em excesso). Tô de cabelo liso, mas, no fundo, cacheados... revoltados... nervosos.

E assim sou também: pareço lisa. Mas olhe mais a fundo. Pegue uma lupa, microscópio, sei lá. Algo que lhe forneça a visão por trás da casca. Ou, vá... dê-me a mão e confie em mim. Cacheada... Revoltada... Nervosa...

Prazer!

Gostou?

domingo, 15 de novembro de 2009

Rá!

Ahhhhh, meu mundico! Tevê... embora não esteja assistindo. Minha cama amassada. Minhas roupas jogadas. A xícara vazia, obrigando-me a abrir a porta e ir enchê-la. Aproveito a ocasião - mais um exemplo da situação "faça do limão, uma limonada" (hoje, não à caipiroska) - e faço um pãozinho com queijo e presunto. Saco vazio não se mantém em pé. Faltou o jornal ruim, com as notícias de ontem, desmantelado. A preguiça não me permitiu ver o sol até agora. 14h06. Ontem, quando resolvi sair à noite, dei-me conta ter passado o dia sem ver o dia. Cheguei em casa, sexta-sábado, no escuro e só saí da tumba quando a lua veio dar o ar de sua graça. Minha doce clausura.
Cigarros acabando. Pombas! Talvez precise sair do meu universo.
Não. Hoje não tô a fim de proferir pérolas da filosofia do ovo colorido. Deixo a cabeça vazia, fertilizando-a para as abobrinhas. Besteiras. Isso! Tô a fim de falar besteiras. Liberdade!
Sim, liberdade. E começo pelas meus peitos. Fora! Vai "Seu Tião"! Junte-se às outras peças ali no canto. Desde que brotaram no meu corpo - e não os fiz cumprirem a sua missão à risca por falta de paciência e sono acumulado por conta do chorinho da pobre criança assustada com o mundo para o qual fora jogada - durmo com o sustenta-peito. Não sei... incomoda-me senti-los livres. Sinto como se estivesse nua. Mais próxima à condição animal. Acomodados, seios. Presos, tetas.
E hoje sou uma bicha-preguiça.
O barulho da televisão incomoda. Não está se adequando ao clima. Ô clipezinho ruim. Como vendem porquera para os terráqueos! Mais de cem pilas para se ter outras opções, sapeio. Oliver cozinhando. Não sei o que de abóbora e pato assado. Pouco me importam as receitas, já que larguei mão de aprender a cozinhar. Sei me virar, já basta. Mas o sotaque britânico me enternece o coração. Ahhhh, Oliver! Que homem perfeito! Sabe cozinhar, abre o apetite (não estou me referindo a sua arte... Ahhhh, Oliver! Você com esse molho ai que está fazendo... azeite e ervas... opa!), mora na Inglaterra... Sr. Jesus, olhai por mim! Quedê? Estou pedindo demais? Ok! Não pedirei tanto. Um cara engraçado, então. Que não invente passeios de índio. E não se importe em ficar trancado no quarto vez ou outra. Prometo dar atenção entre uma voada e outra, aumentando o som da tv. E, opa!, sem ser no Jamie Oliver... para não correr risco de trocar o nome. Tá bom, agora?
Pimenta... alho... Olho o paredão. Janela sem visão alguma. Não reclamo. O reboco mal feito me proporciona imagens interessantes. Rorschach (branco quanto à grafia e preguiça de consultar Google) gratuito).
Viro, aviso ao mais velho que passaremos o dia de hoje a pão, queijo... enjoei de presunto. A tempos não como mortadela. Entrego-lhe o cartão para que vá à padoca e providencie o... almoço? 14h39, lanche. Caçula na casa do pai. Desobriga-me a queimar os miolos e mãos com legumes e afins. Só não posso pedir para comprar um macinho. Fora bebida, não vendem drogas no débito em conta. E, bom, não pegaria bem mandar o filho contribuir com o vício materno. Aos trancos e barrancos, ainda tenho uma postura a manter.
Onde estava eu? Ainda no quarto. Como estariam as coisas lá fora? Bagunçadas. Se os olhos não vêem, o coração não sente. Coração não sentindo, o cérebro não ordena tomar atitude. Fico aqui mesmo. Tetas e alma livres. Pimenta... alho...
Penso. A palavra pimenta realmente é pimenta. Assim como alho. Oliver, por quê? Assim, como surgiu isso? Explico-me melhor. Mas pode continuar aí a sua receita. Agrada-me o tom de sua voz. Chilli and garlic. Hummm... garlic não se encaixa tanto. Não é alho. Chilli consegue traduzir pimenta. Enfim, quando, como e por que, as coisas receberam aquele nome. Traduzir tão perfeitamente algo numa palavra. "Hey, isso aqui tem cara de... de... putz! Pimenta! Claro! Isso aqui é muito pimenta!".
Amarelo tem cara de ensolarado. Ensolarado, tédio. Tédio pela obrigação de fazer algo proveitoso ao tempo. Tem gosto insosso. E essa não era a intenção da cor. Muito pelo contrário. Mas, lamento, é. Cinza tem braços acolhedores. Cheiro frio de neblina. Não há ordem para se fazer algo. Apenas, ficar, sem culpa alguma, na cama. Lugar fechado. Hoje, tô indo de encontro violento contra você, odioso amarelo. Pode tentar entrar à força aqui no meu cubículo. E leve na cara o cinza que fiz instalar aqui.
Pimenta. Alho. Tetas. Cinza.
Café! No tato, chego à cozinha. Não quero ver nada.
Cigarros. Como digo, no bom, há mau. No mau, há bom. Nunca achei a preguiça ruim. É apedrejada injustamente. Para aqueles que não abriram seu coração à ela, ressalto um ponto positivo: hoje, tornarei menos viciada.

domingo, 1 de novembro de 2009

O céu está nos outros.

Sempre me fudi em interpretações. Como cada um é cada um e possui o rabo que lhe convém, não me encafifava com isso. Meta tudo no liquidificador. Bata. Beba. Pode descer macio, estufando a pança e dando aquela preguicinha gostosa que se origina no centro da barriga , irradiando-se para todo o corpo; ou pode dar a dolorida nó-nas-tripas. Corre-se ao banheiro; num ato desesperado, livra-se das calças; senta-se no trono compartilhado com outros tantos; põe-se para fora o produto final. Ou seja, boas ou más, elas resultam em alguma coisa: confortam-me ou cago-as.

Interações.

Voltando à deficiência característica de minha pessoa.

Fodi-me em minhas interpretações? Preciso ruminar isso. Talvez não.

Amarremos.

Li Entre Quatro Paredes, de Sartre. De início, concordei com ele: "O inferno são os outros!". As palavras possuem vida própria na minha mente. Elas são jogadas a mim numa certa ordem. Eu as sorvo. Dentro de mim, elas adquirem dinâmica. Embaralham-se. Reorganizam-se. Dizem-me algo contrário ao que foi dito antes. Passo a acreditar nessa nova estrutura. E, de novo, vuuuuuuuu! O vento passa, "caosística" o ambiente... Céus! Outra vez, preciso traduzi-las! Agora, neste momento, não creio mais que o inferno são os outros. Não posso jogar na cacunda alheia, o fogo interno que me consome. Só quando a verdade se torna por deveras indigesta. Aí, sim, alguém - para alívio da minha consciência - exagerou no sal. Pronto! Resolvido o problema. O que há adiante?

Ultimamente, sinto as pessoas como parte de mim, fora de mim. O que move o cérebro concretizado. Tá ali, na minha cara. A pessoa reage, positiva ou negativamente, frente alguma ação minha, realizada consciente ou inconscientemente. A reação. Interação. Como espelho fosse da minha alma invisível aos meus olhos. Nela, na outra parte, sinto os contornos de mim. A cor.

O gosto. Ando roxa, meio azedinha, porém com um sabor bom.

Há contrapartidas que me infernizam. Verdades que estavam escondidas a sete chaves, nem mesmo a mim reveladas, porém exteriorizadas involuntariamente. Tê-las esfregadas na minha cara, agoniando-me, não quero ver... Ou quero? Preciso? Não, não são os outros. É eu mesma... espelhada... Cortem a cabeça daquele que me obrigou a isso! Que eu siga cegamente tranqüila. Refém de mim mesma, dos meus conceitos, dos meus pensamentos, daquilo que acho ser o correto sem interferências externas. Viver egoisticamente. Meu ninho seguro.

Presa pela minha suposta liberdade...

Não posso viver, principalmente, sem mim. E eu sou resultado de uma infinidade de fatores estranhos ao meu corpo. Dentro do meu caos, tudo está interligado. Os outros são meu inferno pois interagem comigo... que sou meu próprio inferno... eu...

O bater de asas de uma borboleta lá na outra parte do mundo, causa um tufão cá dentro.

Um tijolo colorido numa extensa parede.

Assim sou. Ou, somos...


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Capa de invisibilidade

E aí, anônimo? Há dias que estou ensaiando sentar minha bunda cá frente à tela e dedicar algumas palavras a Vossa Senhoria. Contudo, minha vida não anda permitindo. Sim, locução verbal conjugada no presente do indicativo mesmo. Não anda. É o doce lado normal da vida. Caminhando e cantando e seguindo um padrão... somos todos iguais...

Por mais que eu lute contra esse aspecto inerente ao respirar-expirar, não há como escorregar dele. O jeito é pegar o meu banquinho e sair de fininho, para um refúgio onde eu possa soltar meu doce animalzinho a quem chamo de loucura. Deixá-la correr, brincar, cagar (sou uma dona consciente... procuro sempre limpar as cagadas para que um outro inocente não venha sentar o pé na bosta), sentir-se um pouco mais liberta. Depois de extravazar, ponho-a de novo sob coleira e volto para o mundo normal.
Nascer, crescer, multiplicar, envelhecer e morrer. De preferência, deslizar a semi-reta seguindo passos há tempos propagados e implantados na mente, impondo-se seguir como manda o figurino, para que não haja desordem no sistema e tudo funcione numa perfeita e sincronizada engrenagem. Se não conseguir a auto-imposição, não há preocupação maior. Seus companheiros de tabuleiro impõem a conduta certa e adequada a você. Criança agir como criança; adolescente como adolescente; adulto como adulto e por aí deslizamos. Inadmissíveis ao mundo encantador ações estranhas a sua fase ou aquelas mesmas que tão somente servem para construir sua individualidade.
Não queremos uma pedra sendo lançada no rio calmo, queremos? Ahhhh, um lugar seguro a todos. Sem ameaça alguma vinda com as malditas idéias novas (geralmente, aqueles que não contêm sua loucura é que são autores destas. Deixam o pensamento voar longe e se permitem voar com ele...), que só servem para bagunçar o coreto e, porventura, provocar mudanças que não queremos, queremos? Ataquemos com conceitos rígidos quaisquer um que ouse dizer ou soltar seu animal. A liberdade é para ser aspirada dentro fortes muros de proteção.
E ai de alguém se atrever a ameaçar essa segurança! Cortem-lhe a cabeça!
Ainda bem que temos vigilantes como você, querido Anônimo Ás de Copas!
OBS.: cagando e andando... conectivo e leva à simultaneidade. Hummmm... cagar e andar... inevitavelmente, as ações conjuntas hão de provocar alguma sujeira nas pernas. Assim, impossível ficar indiferente. Preciso é limpá-las. ;)








domingo, 27 de setembro de 2009

C'est moi

Mentira. Tenho um animal de estimação sim. A minha loucura. Cansei de escondê-la dos olhos críticos e ignorantes. Estes, mando-a arrancar nacos. Quem sabe, sentindo dor, não encontrem neles, os que julgam, animal semelhante? Morde! Morde! Morde!

Não se engane: mantê-la custa. Sim, há de mantê-la. Custa seu convívio com os demais. Custa a sua imagem perante muitos (para lhe ser sincera, item para o qual cago e ando). Custa seu raciocínio para interpretá-la e não cair na dela. Bichinho manhoso como é, a loucura quer sua inteira atenção. Você entra dentro de si mesmo, senta num confortável puff, acomoda-a sobre o seu colo, faz cosquinhas... deixa-se ser lambido... trava um diálogo débil com algo que não lhe trará resposta alguma... "Ô, loucurinha de mamãe! Vem cá, vem! Upa! Upa!"... Mas, garanto, esse momento relaxa e afirma a sua posição de dono da loucura(e, creia-me, isso é muito importante: você é quem manda!). Enquanto isso, lá fora, um aviso aos demais: "Não perturbe!".

E como quaisquer animalzinhos, além da atenção, é necessário alimentá-la. Livros, arte, música... qualquer coisa que aguce os 5 e mais órgãos do sentido, ela se dá por satisfeita. Quanto mais alimentada, mais fome sente. É prazeroso esse processo de satisfazê-la: a minha loucura, por exemplo, sempre me exige mais e mais. Sou obrigada a buscar rações das mais variadas fontes para vê-la crescer forte e feliz.

Finalizo com uma dica a quem quiser assumir a sua (pois todos já a têm): não invente de domesticá-la. Tampouco adestrá-la. Nem pense amordaçá-la.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cabeça vazia, oficina do capeta?

Bom, se bem que, olhando bem pertinho, minha mente não está vazia não. Apenas não estou ocupando-a com temas mais, como diria, eruditos. Com crítica, tudo vale a pena. Inclusive sites pornôs e blogs de "artistas".
Olha só: tô enrolona mesmo. Não sei se o sol quente me afetou sobremaneira. Ou isso é apenas uma desculpa-disfarce a minha mole preguiça. Confesso: é esta última. Fato jogado ao ventilador, meu organismo não reage muito bem ao dia-a-dia. O mesmo caminho... o mesmo lugar... as mesmas pessoas... mesmo... mesma... mesmo... Talvez, por isso, eu pegue, duma lapada só, 3 a 4 livros para ler. Cada dia, um pouquinho de um. E assim, vou caminhando contra o vento. Até os mesmos sites. Por que cargas d'água sempre xereto o orkut? Não agüento participar daqueles joguinhos feitos em comunidades. "Com quem o fulano de cima se parece?". Sinceramente, um cão chupando manga. Uai, se uma pessoa propõe um "joga na fogueira" é porque tá a fim de se desnudar perante muitos. "O rei está nu! O rei está nu!". Se eu me expusesse dessa forma, estaria pronta para o que desse e viesse. Confabulando com os meus miolos, não deixo de estar nua aqui. Sou um cu fazendo bico? Realço minhas outras qualidades. Meto medo na machaiada? Não tenho apetrechos penianos para serem usados em determinadas horas; tampouco faço fio-terra... a não ser que me peça também. O que me possibilita pedir cousas também. Escrevo só imbecilidades? Pare de ser um chato-pseudo-cult e adquira um Manual do Batman. Há inteligência na besteira. Enfim...
Ahhh, Leandra. De nada adiantou o véu. Seu nome tatuado no peritoba (para quem não sabe, é aquela região no final das costas, quase chegando à bunda... acho horrível tatuagens ali... só faria uma, somente: a de uma tomada!) e as estrelas denunciaram quem você era. Mas, assuma para o mundo que gosta de uma sacanagem. E eu a respeitarei se as fotos tiradas, você também as quis. Fazer só para satisfazer o macho não vale. Mulher tem tara também, oras! Também respeito outras tantas lá no sitezinho de entretenimento vespertino (mulher vê pornografia também, oras!). Amarro-me em fotos caseiras. Não com aquele intuito com que muitas pessoas acessam sítios do tipo. Aflora-me o instinto quando lembro de alguma experiência ou algo que eu queira fazer. Ou seja, eu sou personagem das minhas fantasias e não pego outras imagens para ficar "pode vir quente que estou fervendo". Bão, às fotos caseiras...
Fico a observar o cenário... os corpos... Noutro dia, suruba rolando. Mulher de quatro num colchão sobre o chão. E um inocente berço ao lado. Com certeza, fizeram uso da avó. E eu recomendo o tal site às outras fêmeas que, porventura, apresentem problemas ao trepar. Não estão satisfeitas consigo mesma... "Oh, eu tenho barriga!"; "Minha bunda é caída!"; "Sou uma laranja de celulites". Mulé é altamente broxável se fica a matutar sobre isso. Assim, larguem os manuais, revistas Novas, Claudias e por aí vai. Vejam sandrinha.com.br... XX's normais. Gente como a gente. Humanas suscetíveis a g = P / m (leizinha básica: gravidade é igual ao peso sobre a massa... Hummmm, será por conta disso, pessoas mais magras podem demorar a envelhecer, fisicamente falando? Assim, somos corpos... corpos, peso... peso, massa... se há menos peso, haverá menos gravidade... Alguém aí vai negar que sofremos com o efeito dela?).
Ah, sobre os blogs de "artistas"... Después, escrevinho. Tenho que garantir o leitinho das crianças. E o meu também!
Tô acá a pensar: mesmo que pusesse foto minha aqui, peladaça, não estaria tão nua quanto tenho andado por aí. Principalmente, fincando o pé no pinico.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Secções

Por que cargas d'água o indivíduo apertou o 13º sendo que desceria no mesmo andar que eu, no 6º? Poder-se-ia responder por engano. Não foi. Assim que o elevador parou no andar desejado, ele apertou o último andar. Será por isso que esses raios de elevadores sempre demoram pra chegar? Hora de bater o ponto da libertação, doida para cascar fora, perco 3 minutos esperando a joça para descer. Ao menos, agora, tenho alguém para culpar e xingar "filho-da-puta". Muito ruim sentir raiva irracional sem ter uma imagem para direcionar os xingamentos. Agora, eu a tenho. Menor que eu; vestindo um uniforme azul; homem... Obrigada, sua mula!
Criei o costume (isso me apavora, o costume) de toda tarde descer, ao menos duas vezes, da torre. Sento-me cá embaixo. Perco-me durante uns 10 minutinhos. Subo um pouco mais aliviada. Faltou-me um café. No quiosque, logo próximo à entrada/saída, vende um espresso. Vez ou outra, enterro 1,50 e me revolto diante a tamanha blasfêmia com o pó preto. Resolvi, forçosamente, economizar. Hoje, mudei de lugar. Aliada ao sol de rachar mamona, minha agonia ao perceber estar fazendo as mesmas coisas, todos os dias, metodicamente, fez com que eu mudasse de lugar. Ele deve ter notado a diferença, porque sempre sigo mais ou menos um determinado horário (preciso mudar isso também) . Confortavelmente instalada ao ar livre, ergo tão somente os olhos, sem mexer um músculo sequer do pescoço, e o vejo lá, sentado frente à janela, a espreitar-me. Ao menos, passa-me tal impressão. O corpo inclinado, sobre uma cadeira de escritório, fica a me observar. Acho isso engraçado e intrigante ao mesmo tempo. Entretanto, causa-me um certo desconforto, admito. A pessoa totalmente desconhecida por mim, sabe sobre minha figura. Uma pontinha apenas. Segundo andar, constato ao fazer as contas. Torre B. Não estou em desvantagem, também sei uma pontinha ínfima sobre ele. Uma companhia involuntária e não requisitada nos meus momentos de refúgio. Interferindo no meu mundico.
Tanto um caso quanto o outro aguçam minha massa cinzenta. O segundo, vou chamá-lo de mula não.
Mula e não-mula. Como diria o tempo, nada melhor que um dia após o outro. Já o xinguei por diversas vezes. Não peguei sua imagem aleatoriamente para descontar uma raiva qualquer. Desde o início, já sabia quem era o alvo para aliviar a pressão criada aqui dentro do peito. Filho-da-puta. Cretino. Volúvel. Instável. Besta. Ufa! Culpa não minha, mas da anta. Toquemos o barco. E a nave foi indo, seguindo seu curso, ora atravessando águas calmas; ora, turbulentas. Problemas com a tripulação, outro comandante posto no lugar. Contudo, o remo ainda guardava impressões do antigo e o barco, como se tivesse gravado no seu maquinário a rota outrora seguida, quis seguir o mesmo caminho. Compreendi a carta de navegação. Não, não era filho-da-puta. Nem cretino. Nem volúvel. Nem instável. Tampouco besta. Era (ou é) como eu fui (ou sou). Não posso mais xingá-lo sem me colocar no mesmo saco.
Ou ser colocada no mesmo saco por outro que, provavelmente, estará atribuindo a mim tais adjetivos raivosos. E, não sei se ajuda a aliviar juntamente com as alcunhas negativas, posso concordar contigo. Também me acho filha-da-puta, cretina, volúvel, instável e besta. Sobretudo, besta.
Fiquei a observar e apertei o andar onde não desejava descer.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Porra, mas por quê?

Ok, já saquei que a vida é um eterno-enquanto-dure rever de conceitos. Até hoje, meu braço anda dolorido por conta da TPM (tive que dá-lo à torção... não acreditava nela... contudo, como las brujas, ela existe, existe). Agora...

Peguei o catálogo do plano de saúde. Corri meu dedo indicador sobre os nomes e endereços. Sem indicação alguma, fui guiada pelo nome e pelo endereço. Tendo o primeiro em mente, extraí aqueles mais, digamos, pomposos. Aqui peço perdão aos Silvas (reneguei meu próprio sobrenome), aos Santos, aos Pereiras. Resquício colonial. Os filhos com nomes imponentes tinham oportunidade de estudarem no exterior. Serem dotô. Dar continuidade ao valor impregnado em sua graça. Oh, não me julguem aí. Sou Silva Santos e provo ser tal motivação à escolha uma tremenda balela. Cá entre nós, sou foda! Peneirei os escolhidos pela proximidade ao meu trabalho. O trânsito está me matando. Além de estar minha barra mais suja que poleiro de galinha. Andei "faiando" no serviço. Não sei lidar com o tédio e qualquer brecha vizualizada para uma possível saída pela esquerda não me escapa às garras. Assim, algo pertinho da torre não significaria atrasos para bater o ponto.

Jogando as coordenadas num plano cartesiano, pimba! Seria naquele, então. Liguei. Marquei. Peguei autorização com o plano de saúde. Dirigi-me, com frio no estômago, ao consultório.

Sempre relutei contra esse lance de consulta com psicólogo. Assim como era minha relutância em relação à filosofia (eu teria minhas próprias idéias, sem influência externa alguma... toda influência é maléfica... tira a essência alheia), não queria alguém fora de mim dando pitacos sobre quem eu sou. Oras, eu sou a dona da máquina e como tal, é obrigação minha saber como operá-la. Ledo engano, Dona Maura.

Comecei a sentir necessidade de contatar alguém com mais knowhow sobre almas humanas. São muitas Mauras aqui dentro, dando pitacos em um mesmo tom, porém com palavras diversas. Minha voz enfraquecida não conseguia colocar ordem na bagunça. Precisei buscar alguém para me dar dicas a tal árdua tarefa e assim, escolher qual delas ouvir, tocando o bonde. Um dos meus problemas: ficar perdida dentre várias opções.

Fui. Sentei-me. E respondi à fatídica pergunta: "o que está acontecendo com você, Maura?".

Por Odin, não sabia eu que tanta coisa está acontecendo! Precisou de alguém me mostrar isso? Como assim? Eu tô bem no meio do turbilhão e não enxergava? Maura, Maura... enfie isso na sua cabeça, ó jumenta: ninguém é auto-suficiente. Mesmo em momentos sós e calientes, você precisa duma imagem alheia. Povo, eu preciso de vocês! Aprocheguem-se... peguem-me no colo... lambam meu pau (descobri ter um lado masculino maior que o feminino... mas, ói, eu gosto, atrativamente falando, de homem, frise-se)... adorem-me...

Notei um certo espanto quando respondi quem eram meus ídolos. Um deles, Van Gogh. "Você é louca?", fui indagada. "Um pouco!", retruquei.

Um pouco...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Excreções

"Quer saber como viver mais tranquilo e aproveitar mais a vida?". Sim, eu quero. Como, cara pálida? Não acredito que, fazendo o tal seguro oferecido pela instituição bancária, eu vá ficar mais tranquila e, assim, aproveitar mais a vida. Sim, porque adquirindo tal produto, menos dinheiro em caixa; menos dinheiro em caixa, menos disponibilidade para aproveitar mais a vida. É uma lógica. Não muito aplicada a minha pessoa. Admito - e me atirem a primeira pedra quem não assuma por mais zen e sem que seja - querer mais um tiquim de money-que-é-good-nóis-num-have. Gostaria de viajar para o Chile, livrar-me das dívidas, fazer uma lipo e botar uns peitinhos novos (não nego meu par de cromossomos idênticos). Além de propiciar momentos marcantes aos meus moleques. Não uma viagem à Disney. Isso aí, nem se eu tivesse dinheiro escapando pelo ladrão. Levá-los à Capela Cistina... ver um VanGogh tete-à-tete...
Vamos todos juntos à Ilha de Páscoa!
Bom, se eu não fizer um dia isso tudo, ou parte, ok! Não resignadamente. Apenas não me esquento. Viro a metralhadora para outro lado e sigo adiante.
O que me tira a tranqüilidade, causando ruídos no meu aproveitar a vida, é não saber lidar comigo. Isso não depende de seguros tampouco de grana. É ficar mergulhada em mim mesma, sem conseguir me expressar e querendo achar um sossego à alma. Que anda perturbada por não saber de quem se trata eu. O que quero. Para onde vou. E por que cargas d'água vim parar aqui? Achar, por vezes, que os meus erros me destroem quando, na verdade, eu gosto de praticá-los e ver em qual rio desembocará. As imperfeições me constroem. Preciso ligar o botão do "fodam-se" às vozes que apontam, exigindo algo além das minhas posses, numa atitude cega pois são tão humanos quanto eu. Assim, meus camaradas, ninguém é perfeito e somos distinguidos, justamente, por aquilo que tanto fogem. Esse é o real e não parâmetros descritos e empurrados goela abaixo por livros e idéias infundadas... manuais... Essa sou eu! Opa! Achei-me!
E me deixem aproveitar a vida, porra!
Aliás, não preciso que me deixem. Vou aproveitar a vida! Vão vocês também!
Eu costumo chamá-la de "A fiscal da bosta". A posse no seu novo cargo, tomado para si voluntariamente, foi numa tranqüila tarde quando um dos colegas, para aliviar-se, usou o banheiro como se esperava que fizesse numa situação assim. Sala comercial. Cômodo sem a ventilação devida para que tão logo se dissipasse a prova do feito. E logo veio a voz saída da boca entre risadas, algo mui constrangedor até: "Eita, quem foi? Quem está passando mal? Tá tudo cheirando a merda!". Cheiro de merda, para mim, e não me perguntem por quê, pode ser sinal de bom presságio. Sempre tive disso. Odor captado de forma inesperada me passa tal impressão. Andando na rua, nenhum vestígio visível, e eis o aroma! "Opa! Sorte!" - sinto eu. Nesse caso, não se tratava de bom augúrio. Compadeci-me do respeitável colega (que preferiu manter-se no anonimato) pois, como diria num programa, merda acontece! Por mais tranqüila e relax, como o momento exige da hora; nada melhor que apreciá-lo no seu sacrossanto lar. Acompanhado de uma revistinha, folheto, rótulos de embalagens ou até mesmo uma bula.
Dia desses, o meu intestino pregou-me uma peça. Não adiantou a técnica do "caiu-puxei-a-descarga" no intuito de não me denunciar e nem compartilhar com involuntários um prazer que é somente meu: o cheiro do meu cocô. Lá veio ela. Novamente entre risadas. Atribuindo a autoria do fato a um dos homens qualquer. "Deve ter fulano ou beltrano! Hahahaha!". Levantei os olhos por cima da minha baia. Olhei-a. "Não, não foi. Foi eu!".
Além de defeitos, sou feita de bosta... de mijo... de gases...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Povo que me cerca!

Passei os olhos rapidamente sobre a minha sorte orkuteana. Na grande maioria das vezes (para não dizer todas. Aliás, por que não dizer já que todas?), é uma grande baboseira. Mas tem lá a sua utilidade. Assim como o tarô. Cética ferrenha como sou, porém vejo sempre os dois lados da moeda (ou da lua, se tiver uma pitada de romantismo). Não acredito e bato meu pezinho três vezes no chão, que exista alguma prática a mostrar-me, no aqui e agora, o meu futuro. A minha sorte (com pitada de azar... mas já repararam, o azar pode trazer sorte? O contrário também tá valendo). Porém, a cousa lhe faz matutar a respeito. "Uai, o que tem a ver cu com rola? Isso aí não se encaixa em nada na minha pacata e turbulenta vidinha!" (ok, a expressão, "o que tem a ver cu com rola, no fundo, tem lá o seu encaixe; contudo, não questionemos o bordão popular). E naquilo de tentar encontrar alguma conexão com a realidade concreta, você acaba mergulhando em si e encontrando respostas para muitas indagações. Talvez aí sim, o futuro vai sendo delineado.
Bão, li lá: "o homem arquiteta a sua morte". Opa! Está hoje mais cru e ferrenho, ó grande oráculo? Achei a mensagem a mim dirigida por deveras encafifadora. E mais significante às demais já lidas quando se abre o perfil. O homem arquiteta a sua morte... Sim, posso concordar com o augúrio internético. Dia após dia, consciente ou inconscientemente, vou construindo o meu fim. Se acostumo-me a bebericar água que passarinho no toma todo santo final-de-semana, já é uma ação colaboradora ao meu desfecho; se me mantenho geração-saúde-uhuuuu, meu fim já será outro; se me afasto de tudo e de todos, ninguém pra puxar uma novena no meu velório (aliás, mesmo que não me afaste, puxo o pé de quem rezar. Não sou Deus pra agüentar ladainha nas zoreias).
Li o que não estava escrito na realidade. A rapidez inerente ao meu sentido da visão pregou-me uma peça. Válida, friso. O escrito era "o homem arquiteta a sua sorte". O que não deixa de ter um paralelo à primeira leitura. Se acostumo-me a bebericar água que passarinho no toma todo santo final-de-semana, já é uma ação colaboradora a minha sorte futura; se me mantenho geração-saúde-uhuuuu, meu fim já serei agraciada de outra forma; se me afasto de tudo e de todos, ninguém pra puxar uma novena no meu velório... vou para outra dimensão sem ter aquelas vozes insistentes martelando na minha cabeça... O inferno são os outros. Até mesmo enquanto você está se dirigindo para algum círculo infernal.
Outra sentença válida, lida não sei onde: "Para ser popular é preciso ser medíocre."
Se eu soubesse me equilibrar sobre saltos, usar-los-ia. Ficam bonito nos pés, além de ter lá o seu apelo sexual. Sim... venho chegando à conclusão que tudo feito pelo homem (no geral, incluindo na saca a mulher também) tem em vista o prazeroso ato de trepar, sem rococoamente falando. Vá me dizer que não, mizifim? Lá dentro, pode ser que haja um interesse instintivo de passar adiante os genes (vida eterna até que se perpetue). Porém, de acordo com cada gosto que lhe convém, é bom ser atraente a outra pessoa. E atração é o quê? Prelúdio à dança do acasalamento. Fazer amor... Ahhhhhhh! Que horror! Fazer amor... prefiro Fazer terror.
Bom, aos saltos. Mulheres, minhas queridas: se não sabem andar nas alturas, não inventem. Faça como moá: a boa e velha sapatilha. Ou, um tenisinho básico, leve e, de preferência, já meio gasto pelo tempo. As pernas dobradas ao andar... os passos dados como se a rua estivesse infestada de baratas... Nada bonito! Ou motivo de riso, ou motivo de compadecimento, pois a imagem transfigurada pela dor causada pelo incômodo instalado nos pés deixa evidente a via sacra. Além do fato de atrapalharem o trânsito de pedestres. Quantas vezes, firulei atrás de uma elegante e sofrível dama pois esta dava passos de tartaruga? Ligava a seta e nada de conseguir ultrapassar. Time is money, honey! No meu caso, o dinheiro não se tem feito tão presente assim, mas tempo é para ser gasto, em sua grande maioria, com algo interessante à alma. Não vacilando na rua, sob um sol de rachar mamona. É válida sua intenção, mesmo feita de modo doloroso (cá entre nós, uma caminhada de 10 minutos, mais ou menos, tendo apenas uma parte da sola do pé como apoio a toda máquina, não deve ser mui confortável). Porém fazê-la, sem observações maiores sobre a sua capacidade ou oportunidade, apenas por que a grande maioria faz transformando a atitude em lei geral, é ser popular.
Para ser medíocre é preciso não arquitar a sorte. Ou morte. O homem arquiteta ser popular. Isso é morte, longe de sorte.
OBS.: ainda sobre orkut. Meu caro, jogo ao ventilador: a minha nudez só interessa a mim. Não quero retratá-la tampouco mostrá-la ao mundo. Pelo menos, algum segredo há de ser só meu; cabendo a mim a quem revelá-lo. Um apenas. Quanto a retratá-la, tão somente, não quero ter nada gravado meu, atrapalhando-me a saborear minha decadência. Ficarei presa àquela imagem do que um dia já fui.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Otsoga

(Paul Klee)




Oh, céus! Um momento de silêncio. Tudo que anseio agora. Contudo, a voz insiste. Tento, entre bocejos, prestar atenção. Necessidades como as minhas. Ser falante como eu. E uma das válvulas de escape à alma é falar. Um dos.


Foi-se. Com um peso de consciência, agradeço o girar dos ponteiros. Agora eu e vocês: mãos, teclado, tela, massa cinzenta. Minha tão desgastada válvula. Uma das.
Paul Klee. Um dos (sim, estou na minha fase "um dos"... "uma das") meus artistas prediletos. Tenho um desenho dele tatuado no antebraço esquerdo. Uma caricatura (ele é muito bom nisso) de anjo. Se reparar bem e a sua sensibilidade o permitir, verá que as asas do anjo se assemelham a dois chifres. Assim o assimilei e gostei. Talvez não tenha sido essa a intenção do artista ao retratar o ser angélico, acentuando exageradamente algumas características dele. Contudo, com uma pitada do meu momento e visão sobre tudo e todos, fiz ressaltar aos meus olhos o lado dúbio dele. Ele e não-ele, nele. Bondade com traços de maldade. O inverso também vale. Assim como eu. E do mesmo modo, muitas coisas se processam assim nesta pacata vida terrestre (nem tão pacata assim).
E sobre esse trilho, caminha a morte também. Interessante isso. Caboclo só se faz lembrado quando bate as canelas. Mesmo que durante um lapso pequeno de tempo, mas sua presença, que era insípida, inodora e incolor para muitos, torna-se forte e repleta de significados quando já não se pode contar com ele fisicamente. Aquilo que se buscou durante boa parte do ciclo vital, só é alcançado com o natural, provocado ou não, desfecho destinado a todos. Ser reconhecido... pensado... lembrado... Não há como escapar do "o melhor, está no fim?".
Bão, não dá para escapar da vida.
Eu lembrei hoje, enquanto fumava cá sentada frente ao prédio onde faço-me ser incluída nas pesquisas econômicas, do Homem-Pássaro. Mergulhou, andares abaixo, no piso de cimento. Fez-se lembrado por alguns que nem o conheciam. Relembrado pelos anônimos... que nem sabiam de sua história, tampouco da dor com que a encenava. Apenas procuravam um lugar não-proibido para fumar, ou deixar os pensamentos flutuarem perante seus olhos. Forçados a conclusões apavorantes por conta da triste cena.
Por isso, por vezes, evito o contato social. Você acaba sendo forçado a pensar e agir contra você mesmo.
Eu e não-eu, em mim.












terça-feira, 18 de agosto de 2009

Raios!

Ô gente, né brincadeira não! Meu aniversário tá chegando. Minha visão sobre o assunto mudou muito ao longo dos anos. Tentei me agarrar àquela balela "Oh! Mais um ano de vida! Você tá viva!!!". Logo, minha razão sopra: "Maura, veja bem, é menos um ano de vida! Sua vela tá queimando rapá!".

Ahhhh... meu bolinho com glacê. Com confetes de chocolate colorindo a massa doce assada. Meus presentinhos singelos. Nunca tive muita coragem de esfaquear minha mãe nessa data. Ou queria eu um kit para desenho, composto de cartolinas, giz-de-cera, canetinhas, tesoura e por aí vai; ou queria um kit pequena perua: um aventalzinho com bolsos e dentro destes, um esmaltinho para lambrecar as unhas, um batonzinho, espelhinho, pozinho rosa pra rosear as bochechas... E Maura Luiza estava feliz!

Hoje em dia, nem faço questão de presentes não. Propago por aí, querer sumir na tal data. "Esqueçam de moá! Nâo me venham esfregar na cara tal data a toda santa hora!". Querem lembrar de mim, lembrem num dia qualquer. Aceito, de bom grado, que me venham desejar sorte (apesar d'eu não acreditar nela, mas pensamento positivo é sempre válido), que me venham dizer o tão especial e legal ser eu (além de modesta) e, por isso, coisas boas são reservadas a mim. Melhor, digam-me que sou foda mesmo! Mas isso tudo, não esporadicamente. Tão só no dia registrado na certidão. Talvez, sendo reconhecida não somente na data natal, eu mastigue, dez vezes de cada lado da boca, o meu nascimento. Vejo que, opa!, fiz a diferença!

Peraí... à merda o reconhecimento. O grande pimba na gorduchinha é eu me reconhecer. Arrepia-me os cabelinhos, estejam donde estiverem, depender de outro seja lá para o que for. Até para elogio. Auto-reeconhecimento. Auto-afirmação. Isso aí é tarefa minha, sô! Que mané delegar ato tão importante, que afeta meu eguinho, para outros que nem bem me conhecem, pois, dãããã, não sou eu?

Maura, tu é foda mesmo! Fodástica, como me disse um amigo meu. E, viva meu aniversário! Cada dia, ficando melhor!

Ok, tentei lançar o movimento "Boicote elogio alheio, pois o que vale é o seu próprio elogio a você mesmo", porém não posso deixar de registrar um dos melhores que já escutei sobre minha pacata pessoa: expressiva. Gostei disso! Expressiiiiiva... Isso se adquire com o passar dos anos, não? Viva!

Bão... se é para enganar, que eu mesma me engane.
Mandei às favas, a preocupação com a silhueta e sentei-me à mesa amarela do boteco. Umas cinco cervejas descidas goela abaixo. Uma generosa porção de mandioca frita, regada com manteiga derretida. Papo furado, ou não, jogado ao ar. Ahhhh, doce vida! Falamos muito mais sobre as preocupações que nos afligiam. Mas, falando-se sob essa vestimenta, parecem-nos serem mais "resolvíveis", vamos assim dizer. "Engolíveis". "Ultrapassáveis". No final das contas, toda preocupação e problema são superáveis. Há de passarem, deixando um vergão no rosto. Mas passam.
Prestamos atenção nos dois casais sentados logo a frente. Era explícito serem homens casados. Somente esses. E tão gritante era sua intenção ao propor à mulher, que não era casada, irem a um lugar mais calmo e confortável. Comentei para minha companhia: "Por que não diz logo que está a fim de ir a um motel?". Teríamos, seja natural ou culturalmente inculcados dentro da nossa cachola, esse dom de florear tudo e todos? Por que não somos diretos? Se o assunto é chato, não é bom ter um resumo à mão? "Olha cá, mulher! Não vou te engabelar não! Sou casado... minha intenção não é largar minha esposa, tampouco te sustentar paralelamente. Tô a fim mesmo é de te comer. Vamos embora?".
Bom, talvez a razão do lenga-lenga resida justamente aí. Sendo franco e direto, se o desejo para ser concretizado necessita de outro, não se obtém boa parte daquilo que se quer. Então, o que se quer é o que realmente se faz importante, justificando os meios empregados para se obter a coisa? O fim justifica os meios, maquiavelicamente falando.
O nosso desejo. Acho que ele vem num pacote, com a ilusão de brinde. Iludamos outrem; iludamos a nós mesmos. Duas vias que partem de um tronco só: satisfazer-se. Colocar rococós no discurso para obter aquilo que se anseia... ou no próprio outro alguém, para mais se assemelhar àquilo ansiado para si...
Ahhhhh... I can't get no... satisfaction... I can't get no... satisfaction... 'Cause I try... try... and I try...
Bão, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!
E eu vi que mulher é bicho besta pra caramba! Bom, por outro lado, admito, ela é mais racional, embora a cultura insista dizendo que nós somos movidas pelo emocional que nos cega. Mas digo que mulher é besta por ficar em casa, pleno domingão, preparando almoço pra família. Estressada. Xingando as panelas e quem estiver em volta. Bah! O grande barato, mizinfinhada, é acordar... tomar um café... calçar um chinelo... e descer pro boteco, abrindo relaxadamente o domingo que, invariavelmente, termina meio cinza. Ô dia depressivo é o domingo! Será que é por conta da segunda batendo na porta?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pau do cão!

Ok! Me amarro num pornozão. Tá olhando o quê? É pecado? Fica feio? Foda-se. E de preferência, filme e mande para mim... mandapramaura@uol.com.br. Well, aos filmes de sacanazem, assisto com intenção de me empolgar mesmo (vai me condenar por querer sentir tesão? Pô, mais uma vez, foda-se - e não se esqueça da câmera), ou para ter idéias sobre posições e me indagar como se fazem possíveis? Yoga ajudaria? (ainda a me criticar? Tá precisando, hein? Foda-se! E não vá me fazer papai-e-mamãe simplesmente, ok?)... Ou rir simplesmente.
Alguns são bem engraçados. As expressões faciais tão verdadeiras quanto a cor do cabelo da Carla Perez. O "ah... ah... ah... vou gozar... vou gozar...". Tá certo, algumas dão, sem trocadilho ordinário, suspiro sincero e realmente avisam o gozo iminente. Não me refiro às atrizes. Mas às anônimas mesmo. Por que avisa-se estar chegando lá? "Hey, preste atenção, tô gozando... vê se sente no pau aí!". Vá ver, matuto eu, o cara dizer que sentiu deverasmente as pulsadas bucetais é uma das maiores demonstrações de que ele realmente presta atenção e está em sincronia perfeita com a figura (pensa assim, a figura). Voltando. Como é que aquelas unhas não arranham a buceta? Nenhuma lasquinha pro pentelho ficar preso? Os caras são justos: se não dá para gozar numa e depois gozar na outra, põe os dois rostos juntinhos, frente ao dito-cujo, pro jato ser fraternalmente dividido. Bão.
Gosto mais daqueles que mostram gente como a gente. Barriguinha... uns peitinhos naturais e já balançados pela lei da gravidade... homem com pentelho... um lombinho acá... maquiagem meio borrocada... Os superproduzidos não causam efeitos quaisquer. Tudo mui artificial. Tetas cabaças. Tiram toda a graça que lhe é peculiar no sexo. Caras e bocas. Trepada ki-suco. A cousa deixa de ser uma necessidade animal, que é o grande lance.
Tenho a visão meio européia. Ou, totalmente européia. Para moá, "aquela coisa" é vista naturalmente. Sem aquela pressão pornográfica. Sem lorotas feministas, homem e mulher estariam pau-a-pau. Satisfazer um prazer de modo natural e, why not?, animal. Sem rodeios estéticos ou conceitos sufocantes. Keep It Simple, Stupid! Simples. E visceral. Carne quente... úmida... frágil... macia... dentadas... gosto salgado do suor na boca... Sem fala alguma para ver se o trem pega no tranco, forçando ser além algo que não necessitaria de tais enzimas verbais... Simples, porra, simples! Mas intenso.
Ai, ai... Sabe, quando fizer minha operação e transformar meu clitóris num belo pau (Freud explica? Não maldigo eu ter nascido mulher. Gosto de ser do séquissu feminino. Aliás, como já escrevi tempos atrás, agradeço a minha buceta por ser quem eu sou. Seria uma mudança temporária. Era só pra saber e sentir como é estar dentro de alguém. A sensação na pele. Mesmo que eu compre apetrechos, não me daria sensação semelhante. Não entraria em simbiose com a borracha. Prosa pr'um outro dia!)... Donde tava? Oh, sim... quando transformar meu clitóris num belo e vistoso, acrescente-se, pau, não o meteria numa mulher-Tang. Gosto dum bom suco de manga... com fiapinhos, por favor!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Bagaço da laranja

Vamos espremer! Taí, espremer... verbinho legal. Soa-me bem aos ouvidos. Espremer. Ser espremida... Bão, sinceramente, nada de interessante ou que eu ache valer a pena ficar aqui registrado, tem me pipocado na mente. Mas sinto uma necessidade enorme de acá passar e me registrar. Fico a matutar sobre temas ou assuntos (no fim, não dão na mesma cousa?), e numa lixeira mental, vou descartando as idéias. Por vezes, quis ter algum tipo de gravador acoplado à massa cinzenta. Baboseira ou não, ficariam registrados. Não se perderiam entre os sulcos cerebrais. Num grande bolo, juntaria tudo e pá! Jogava ao ventilador. A vocês - ou até mesmo a mim somente - caberia a conclusão final. Conclusão? Hummmm... não. Idéia inicial. Já disse neste blog de meu deus que algumas palavras vem a mim como sentenças finais. Conclusão é fim de estrada. Não acredito em puff, acabou! A vida - parte dela ou tudo, isso aí não concluo - é um eterno processo até que a morte os separe. Vai e vem... vem e vai... é a mesma coisa de antes, só que com alguns adereços a mais... e vai e vem... vem e vai...

Uél. Retornei hoje ao trabalho. O que isso interessa? A mim, muito. Volta tudo como dantes. A rotina, realmente, tem efeito maléfico sobre a minha pessoa. O mesmo caminho. O mesmo horário. As mesmas pessoas. E, o pior, os mesmos assuntos. Até de mim eu enjôo. Parecem-me ser sempre as mesmas questões. Os mesmos problemas. As mesmas dúvidas. Já tô meio de saco cheio disso. Preciso me futucar. Encarar novidades. Ou fazê-las. Ok, talvez deveria eu concentrar esforços para resolver os perrengues atuais. Porém, eles já são tão conhecidos por mim que nem me provoca mais forças para resolvê-los. Não sei se isso é bom no fundo. Estou aprendendo a conviver com eles. Vestidos de fantasmas, vêm me assombrar quando estou pegando no sono, visualizando seres surreais com os olhos fechados (estou pegando no sono quando imagens insólitas aparecem). Empurro-os para o lado e continuo a me entregar a Morfeus. Se eu os enfrentasse, outros apareceriam. Novos. Devo me apegar aos antigos, enjoando-me as entranhas, contudo conhecidos e não mais temidos? Ou deve liquidá-los, jogando-me num outro poço, perdendo o sono, procurando saber como proceder ao embate? Confortable numb ou jogo-me na tempestade?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aguias

Vem cá! A palavra desavermelhar ecziste? Soltei essa ontem, no melhor estilo mineirês, e a minha ouvinte achou graça do meu manejo da língua pátria. Fiquei encafifada. Falei errado eu? Essa minha mania de inventar palavras aliada a minha característica de ter o pensamento mais rápido que a fala deixam-me em maus lençóis. Trupico ao soltar as palavras ao vento. Sim, trupico. Não tropeço, trupico mesmo.
Ontem, enquanto as aguias estavam espetadas no meu pobre pé torcido (aguuuuuias, não águias), em um dos poucos momentos relax da minha pacata vida terrestre, veio-me uma constatação. Eureka! Sente aí. Veja se não estou certa. Tá... tá... pode haver uma ou outra contestação ao meu momento filosófico brilhante. Se, por acaso, algum outro notório já havia sacado a grande sacada, por favor, deixe-me ignorante a esse fato. Permita-me iludir a mim mesma ter sido moá fantástica ao chegar a tal ponto, fazendo-me acreditar no potencial desta pessoa que vos digita. Vai uma chávena de café? Vamos lá!
Passado. Passado não existe mais. Até aí, tudo óbvio, não? Futuro. Futuro não existe ainda. Pare! Não existe mais... não existe ainda... Pegou? Não existem!!! Não me importam o mais e o ainda, mas o produto da intersecção dos dois tempos: não existem. E por que cargas d'águas me encasqueto (eu e muitos outros) com eles? Por que me tiram horas preciosas de sono? Por que me criam cá dentro do peito uma ansiedade angustiante? É como se eu tivesse medo de olhar debaixo da cama, no meio da madrugada, e me deparar, fuça-a-fuça, com um jacaré. Que eu deixe a vida me sugar um dia de cada vez, na melhor política dos grupos anônimos por aí. Um dia de cada vez... Só por hoje... Isso! Só por hoje, não vou matutar sobre o passado tampouco sobre o futuro. Farei o melhor, talvez o pior também, a cada 24 horas que me são apresentadas. E assim, meu futuro vai se revelando a mim aos poucos como uma moça, em busca de alguns grandes trocados, na boate Queens. Primeiro, as luvas. Uma rebolada. As meias. Mais uma rebolada. O primeiro colchete do "seu tião". Tchá... tchará... tcharááá... Após mais algumas encenações, pimba! Os dias nus e crus reservados a mim, mostram-se por inteiro.
Viva eu o presente!
Outra matutação e aqui faço explícito o meu equívoco. Não, não. Não é, a grande maioria, vazia como enxergava eu. Grande parte das pessoas são cheias. Repletas de afazeres, diversões e pensamentos que as fazem esquecerem de si mesmas. Vazia sou eu. O que me obriga a lutar, dia-a-dia, no ringue, comigo própria.
Soc! Tóin! Crash! Powwwww!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bailan sin Cesar

E eu estava a matutar sobre a liberdade. Esta que nos foi imposta como castigo, vestida com o nome de "livre arbítrio". Dois caminhos: optando por um, a recompensa; por outro, um preço a ser pago. Ruminando mais um pouco, não somos tão livres assim. Podemos até nos enganar, chegando-se à conclusão que, sim, há liberdade sim. Sou livre porque faço escolhas - sejam elas boas ou ruins. Eis o meu vento nos cabelos a todo o vapor. Não sou conseqüência daquilo que me foi imposto externamente, mas daquilo que me impus conscientemente. E arco com os resultados positivos e/ou negativos. Reflexo daquilo que eu gostaria que fosse. Ou acho que assim o é, como mecanismo de autodefesa. De alguma forma, preciso lutar contra o mundo ao qual estou circunscrita e uma das minhas táticas de guerrilha é ver-me singular. Única. Apoiada na minha suposta liberdade.
Blá... blá... blá... Não sou livre droga nenhuma. Qual a porcentagem para se entender libertae dona absoluta do meu nariz? Se eu disser que sou uns 80%, sou livre? Tal qualidade só se aplica a 100%? Conceitos absolutos não entram em minha cabeça sem uma refutação qualquer. Para mim, absoluto não existe. Nem o sim, nem o não. Sou do partido do talvez, dando-me asas a reflexões maiores e nunca encaixando uma situação numa dicotomia rígida.
A janela me mostra um rebuliço a metros de distância. Escuto Dona Adelaide esclarecer de que se trata de um defunto. Ela o viu quando descia pro trabalho. Parecia ser morador de rua. Corpo coberto por um lençol branco, apenas os pés calçados e parte do cabelo ficaram à mostra (indaguei-me sobre quais indícios evidentes, a moça da copa concluiu tratar de algum mendigo). Entre um gole de café e uma tragada, tento imaginar o que houve com o moço. Assassinato? Mal-estar súbito e fatal? Auto-extermínio? A visão não me oferece mais dados sobre o acontecido. Tampouco carrego comigo um binóculo. Vivos ou mortos, as histórias pessoais me interessam. Não que eu tenha xeretice aguda. Melhor, quiçá eu a tenha mesmo. Interesso-me pela sorte humana e o que se faz para esquecer o único propósito da existência: passar, num desconta senão fede, a carga genética herdada involuntariamente. Tornar-se imortal, assim como os pais, avós, bisavós e por aí vai, até onde for possível. Pronto! Fui jogada para este mundo de cá. E agora, José? Que faço eu? Corro... corro... corro... trepo... engravido... dou a luz... Participação cumprida. E agora? Corro... corro... corro... procuro saber se há mais alguma coisa a ser feita. Aliás, preciso saber. Como ficar acá sem nenhum propósito maior? Correr me faz esquecer da falta de razão.
Deixo o morto em paz. Vou ao banheiro. "- Adelaide, donde está o papel higiênico?". Livro-me da dor insistente que me acompanhou desde minha casa até o trabalho. Lavo as minhas mãos com aquele sabonete horrível fornecido pela empresa que aqui presta serviços. A pele sai ressecada, suplicando que a unte o mais rápido possível. Olho-me no espelho. A luz interfere na maneira como meus olhos captam sua dona. No gabinete higiênico mais próximo a minha sala, a claridade faz-me admirar alguns pontos. A boca, os olhos, o nariz... ainda têm lá a sua graça, mesmo não multiplicando as células, o organismo, como fizera há 10 ou mais anos atrás. Lá no outro, pelo qual escolhi por ser mais longe de todos, dando-me um pouco mais de liberdade a um momento íntimo e animal - as necessidade é que me ligam à natureza e toda a sua influência sobre mim - o ambiente é um pouco mais escuro. Vejo-me de outra forma. Como se, agora, defeitos ficam muito mais evidentes. A visão não agrada meu ego, mas futuca minha massa cinzenta.
É errado pensar que sou uma pessoa vaidosa. Nunca fui. As vezes nas quais fui impelida a fazer algo em relação a minha aparência foram nada mais que uma resposta ao meio. Não posso negar que sou, também, resultado dessas interações eu-outros-mundo. Por mais que se diga estar cagando e andando pra tudo e pra todos, de alguma forma somos atingidos pela realidade projetada por cada um. Sempre achei ser a inteligência, a pena colorida da indumentária. Como só isso não basta, acabo por me preocupar com outros lados não tão importantes assim, mas que contam quando se trata de satisfazer outras necessidade humanas.
80%. Calcularia por volta deste número. Absoluta ou relativa, a liberdade? Dançar conforme a música? Ou eu é que escolho se danço ou não? Passar o creme nas mãos porque o clima me impõe... ajustar-me fisicamente porque a necessidade de procriar - não necessariamente, mas a vontade nasce daí - me impõe... deparar-me com um morto, porque o ato de outra pessoa me impõe...
Teoria dos jogos. Decisões alheias afetam as minhas. Ou forçam as minhas. Mesmo que eu não as queira.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não sei se caso ou compro uma bicicleta

Resolvi ficar milionária. Já que estou na roda mesmo, o negócio é girar. Não tenho vocação alguma para me enfiar no mato e plantar batatas, cantando leeeeeet the sun shiiiine... leeeeet the sun shiiiine, yeah! Talvez enxergando a cousa por outro ângulo, o capital desça mais redondo goela abaixo. É no tal "egoísmo benéfico" que vou dançando. Faço algo de bom para alguém, esperando algum retorno para mim (sem cobranças ou opressões, frise-se... feedback vindo de forma natural). Se eu ganhar na megasena amanhã, ajudo parcela da parentada e mais algumas pessoas fora desse círculo genético. Todos ficam bem. Parentes, esquecem da falta de juízo acá (daí, fico bem) e pessoas ficam contentes (acabando refletindo em moá também). E todos ficamos felizes, comprando as batatas num hipermercado.
O número sem-fim (item na lista de resoluções para 2010: estudar a maledita revisão ortográfica. Hífen sempre foi a pedrinha no meu all star) de opções é a causa da angústia de muitos. Conjunto de 60 números (se não me faia a memória... há tempos não jogo), dentro do qual 6 são os escolhidos. Céus! Quais? Esqueço de dormir com caneta ao lado para anotar números que, por vezes, me aparecem sob REM. Utilizo-me da contradição: semana passada, tive um prejuízo daqueles por conta do carro. Enrolada que sou, deixei de pagar o raio do licenciamento. Resultado: sujismóvel apreendido. Mil reaus para soltá-lo. Assim, numa manobra matemática, escolho tomando por base o renavam, placa e chassi. Ripa na chulipa! Tô sentindo que agora é a minha vez! Nada de Luís Vitão. Angústias ainda existirão diante a várias encruzilhadas, porém, estarei mais embasada para tomar outro caminho, desajuizadamente, além daqueles que me são apresentados.
Fase capitalista, Dona Moura? Apresente-me outro sistema de produção que realmente suplante o capitalismo e eu escolho qual seguir. Afinal de contas, tenho duas bocas, além da minha, para alimentar.
Vamos vivendo abraçados na esperança, que é o último mal saído da caixinha de Pandora. Projetar-se num futuro incerto, impulsionados por sonho concreto agora ("isso vai acontecer... aaara, se vai!), é o que faz muitos percorrerem círculos e mais círculos. "Foco, Maura, foco!". Já estou meio cansada de tal conselho. Mudo a direção da minha lente de tempos em tempos. O mundo é muito vasto para digerir somente um lado seu. Eis o meu combustível. Quero tudo e ao mesmo tempo não quero nada. Sim, porque para sentir a vontade de tudo, faz-se necessário envolver-se no nada. O contrário também existe: tendo tudo, por vezes, bate o desejo de ter nada e ser livre. Mas tudo, nada, livre são conceitos complicados. Não são absolutos. Sempre haverá algo que falte. Sempre haverá algo que se faça presente. Sempre haverá algo que o prenda. Como a esperança que fixa os pés num trajeto determinado (ou não).
Quer saber? Não me importa que a mula manque! O que eu quero é rosetar!
Um adendo: coisa interessante e que não havia me passado pela massa cinzenta antes. Para se sentir o gosto doce, a língua precisa ter sobre si, o amargo. Hummmm!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Baba

Quando estava eu prenha do meu último filhote, na sala de espera do médico, ficava a observar as fêmeas que me cercavam, escutando seus papos. Barriga pesada, não via a hora de parir logo, o marido que perdia a paciência, os enjôos... Matutava eu: nunca haveria de namorar um especialista em xoxotas. Além das reclamações comuns a quem passa por uma gravidez, ouvia declarações implícitas de uma certa paixão pelo doutor. Mulher é um bicho frágil, ainda mais passando por determinadas fases. O cara chega, todo gentil, parece entender dos seus problemas (os físicos, na verdade, mas que acabam andando de mãos dadas aos emocionais), conversa, sorri e ainda pega dos seus peitos de uma maneira tão gentil! Toca de leve, aperta os bicos... sem contar outro exame mais íntimo. Como ele consegue ser tão delicado ao introduzir aquela espátula até o colo do útero? Era tudo que a mizifinha pediu a Buda, naquele momento difícil e carente! Não, não. Não teria confiança o suficiente para agüentar o bando de mulherada apaixonada pelo meu quinhão.

Generalizar não é o meu negócio. Bem como foi gritado pelo megafone aqui, prezo pela individualidade, custe o que custar! Bão, mas, não sei se ouso dizer que todos, temos uma mania feladaputa de depositar no outro, a solução de quase (por vezes, todos) os problemas particulares. Um certo filósofo das antigas, dizia que a incapacidade de digerir os males mundanos e espirituais, leva o sicrano à loucura. Ou seja, ruminar o que se passa, finca nossos pés na realidade, sem sofrimentos maiores (sempre há de doer, mizifim... respirar, dói!). Não sei. Em algumas situações, sou, voluntariamente, trancafiada no meu mundico particular. Onde tudo é verde com bolinhas azuis e eu converso com as minhas pedrinhas. Elas sacam de mim. Assim, eu consigo me manter sã. Mas, porém, contudo e entretanto, em algumas situações, costumo fugir para alguém mesmo. E isso me faz esquecer um pouco de mim e de toda a bagagem que carrego na cacunda. Tomo da outra pessoa, as suas angústias, tentando resolvê-las. Afinal de contas, quem tá de fora não tem uma visão mais ampla? Assim, tenho pra mim um tempinho meio away... desvencilho-me das minhas balas feito o Neo... e, toc! toc! toc! Quem bate? Os seus fantasmas! Ok, vamos lá! Sou eu mesma, não dá para ficar fugindo. Que eu seja uma caça-fantasma!
Cadê meu aspirador de espectros?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Toco cru pegando fuego... toco cru pegando fuego...

Aê, vamos nos sentar aqui! Sim, sim... aqui na rua mesmo. No meio-fio. Passa-me a garrafa. Sempre achei meio charmoso bebida enrolada num saco plástico, já que não existem mais aqueles sacos de papel para embalagem. E aí, o que me conta de novo? Ou de velho mesmo. Falar sobre o antigo puxa revisões. Revisar pode ser algo interessante e revelador. Eu vivo me revisando. Às vezes, vejo que o sujeito não combina com o predicado... ou pus uma vírgula donde não deveria (fracasso até com os ponto-final)... acrescentei advérbios demais, dificultando a compreensão... parágrafos longos em demasia... frases dúbias...
Dê cá mais um gole. Preciso liberar o Mr. Hyde. Não deveria apelar para a bebida a fim de soltá-lo. Mas, admito, assim fica mais fácil. Posso ser quem eu realmente sou com a mente aguçada. Não digo adormecida, pois ela sempre está a fumegar. Tem coisas que digo ou faço, quando meu anjinho filha-da-puta se cala, jogado num canto. Deixo o diabinho assumir o controle e dar descanço que a minha alma e corpo tanto pedem. E o descanço provém exatamente da exaustão. Elevar todos os sentidos e sentimentos. Sentir-se perdida dentre eles, procurando, de alguma forma, por ordem no galinheiro. Isso me faz andar. Progredir. Revisar.
Mais um gole.
Hipérboles. Gosto delas. Exagero intencionalmente na idéia que tento expressar. É minha pitada de cor à tela branca. Acentuo dramaticamente aquilo que ero dizer, deixando transparecer uma imagem ampliada do real. Isso não é enganar. Não me entenda assim. Isso é tornar a realidade mais interessante, fazendo-me, que Thor queira, apaixonar-me por ela.
Mais um gole.
Reviso-me para acentuar, concluo, meus erros. Eles é que me fazem.
Burrrrp!

domingo, 31 de maio de 2009

Como?

Lá estava eu, olhando os prédios que me cercam, tomando um cafezinho, perdida lá fora, quando me deparo com uma questão assaz intrigante: como é que aquelas plantas com folhas vermelhas fazem fotossíntese? Hein? Se não me falha a memória, é a clorofila - essencial à sintetização - que dá cor verde às folhas... Ué?
Antes minha cabeça entretida com perguntas bobas-pero-no-mucho (a dúvida quanto à fotossíntese tem lá seu valor científico), agora, que com questões mais profundas, vamos dizer assim. Abro meu orkut, no bom sentido, é claro. Ou, no mal, dependendo do ponto de vista, pois o bom poderia ser o que é considerado mal... Enfim, abro lá a página e... pimba!

A auto-confiança é o primeiro requisito para grandes realizações.
Ai, cara-pálida! Não era isso que eu estava precisando. A auto-confiança... Ora eu não confio em ninguém, como haveria confiar em mim mesma? Ora, eu confio demais e me estrepo. Posso me estrepar comigo também! Os inimigos não são os outros, Sartre, mas eu mesma. Ou, eu sou a mim mesma porque é resultado de como eu digiro os outros? Sim, pois minha existência não depende unicamente de mim, é afetada por decisões alheias também. A teoria dos jogos se faz presente em mim...

Ahhhhhhhhh... voltemos à planta!

O grande oráculo Google me diz que mais pessoas tiveram a mesma dúvida.
As clorofilas são os pigmentos naturais mais abundantes presentes nas plantas e ocorrem nos cloroplastos das folhas e em outros tecidos vegetais. Estudos em uma grande variedade de plantas caracterizaram que os pigmentos clorofilianos são os mesmos. As diferenças aparentes na cor do vegetal são devidas à presença e distribuição variável de outros pigmentos associados, tais pigmentos podem mascarar" a clorofila, dando outra cor a folha, no caso da questão a cor vermelha, mas isso não quer dizer que utilizam outro pigmento para realizar a fotossíntese. O que confere a cor verde a maioria dos vegetais são pigmentos presentes no cloroplasto denominados clorofilas. Isto contece porque estes pigmentos absorvem luz principalmente nos comprimentos de onda azul, violeta, vermelho e refletem a luz verde.
Eu não sou verde. E, camufladamente, sintetizo aquilo que me alimenta. Não do modo como as pessoas esperam, pois estou inserida num contexto social e há regras dentro dele. Mas do meu modo. O que não me deixa de ser gente também.
Isso, de certa forma, me emputece. Não queria ser gente. Desprezo alguns ensinamentos que me sobrecarregam por tal nascido nessa condição. Queria ser uma planta. De folhas vermelhas. E auto-confiante na sua clorofila não evidente.
Ahhhhhhhh!


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sapos e pererecas

Que eu sou uma pessoa contraditória e ambígua (entenda isso em vários sentidos), isso já foi jogado várias vezes ao ventilador acá. Não pretenda enxergar em mim uma pessoa decidida e firme em seus ideais. Eles dançam conforme a maré. O que há dentro de mim que me faz deslizar entre dois opostos? Talvez o resultado do choque me chame atenção. Ou, sou uma pessoa viciada em turbilhões, que embora me façam fechar-me em mim, presa dentro desta carcaça por algum tempo, eles me põem em movimento. "Reaga, Maura, reaga!". E assim, vou inspirando e expirando.
Que eu tenho um sério problema com a humanidade, também é fato mais que esfregado na cara voluntária ou involuntariamente. A multidão me cansa, embora goste de observá-la, inserindo-me dentro dela. Eis uns dos motivos do meu desejo latente (e, espero, daqui a pouco realizado) de me esconder em Sum Paulo.
Que eu sinto um tédio tecnológico quando acesso o orkut e não sei por que cargas d'água fiz uma conta no twitter já foi falado a tantos outros ouvidos. Por que eu os tenho se nada, nadica, me acrescentam? Talvez, fonte de material humano. Xereto e analiso mesmo, como muitos devem fazer comigo (tenho uma curiosidade quanto a essas análises sobre moá). Mas, cá matuto...
Controlo meu impulso de fazer uma conta no tal facebook. Já sei de antemão que será tão chato quanto os outros dois (aliás, se não me falha a memória, não são somente dois... acho que tenho perdidos nessa rede, um myspace e um lastfm... esqueci as senhas). Porém, tenho lá minha vontade. E fico ruminando quais seriam os motivos que levam tantos a se inscreverem num mar sem fim de sites de relacionamento. Necessidade de se verem cercados de gente, mesmo virtualmente? Ou se destacar dentre vários tijolos no muro (escutei muito Pink Floyd quando criança)? Hey, hey... estoy acá! Alguém me veja por favor!
Estar mergulhado e ser um. Não apenas um, mas o um. Tarefa hercúlea.
Às vezes, tanto virtual quanto fisicamente, cerca-se de pessoas é meio... meio... meio opressor. A obrigação de estar sempre à vista... ou de estar bem, para que outros não te enxerguem como um chato de galocha e afastem... estar sempre à mão... não conseguir se ver só. Eu sou só, mas cercada. E, assumo, gosto de estar assim. Rodeada de gente que sabe da minha chatura à flor-da-pele, dos meus enclausuramentos repentinos, e não se importam com isso. Continuam me cercando e que assim permaneçam. Eu também os cerco.
Só, igual à um. O tal "o" um.
Opa! Que ser isso? Última tendência fashion? Peraí... essa camisa tá meio estranha... os braços não saem para fora das mangas? Hã... o jeito de vesti-la é cruzando os braços na frente? Hummm... peraí... por que estão amarrando as mangas aí atrás? Uai... amarrar, eu gosto... mas isso tá meio esquisito aí... Hey!!!!
Opa, café pronto! Puta merda! Como é bom esse líquido preto fumegante escorrendo garganta abaixo! Chego à conclusão que toda necessidade satisfeita há sua recompensa: o prazer. Sim, café é necessidade para mim (e veneno para meu estômago gastritenicamente atacado). Gozo a cada golada. Comer... cagar... mijar... trepar... dormir... até mesmo respirar... Vá me dizer que não é muito bom o alívio sentido quando matamos a "sede"?
Bom... vestida com pele de tigre, pegarei minha clava e sairei batendo nos cocurutos pela rua. Quem me interessar, levo para casa.
Má rapá! Num blog de uma grande amiga minha, deparei-me com outra descrição desta pessoa que vos digita. Eis o link: http://igrejadoodio.blogspot.com/2009/05/o-homem-odio-por-felipe-aka-comediante.html
Daqui a pouco, volto!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Vai... vai... vai... Não vou! Vai... vai... vai...

Pois é, Dona Priscila, pessoas não mudam. Posição radical, a minha? Falta de fé (e excesso de fezes) na humanidade? Não. Podem elas vestirem-se com armaduras para conterem o que há lá dentro. E aparecendo qualquer rachadura... pimba! Então, sofrendo horrores acá no Distrito Federal, por conta do ex lá em Uberlândia e ele prometendo mudanças para continuarem a trilhar o maravilhoso e tortuoso caminho do casório, dois caminhos não muito animadores abrem-se a sua frente. A escolha recai em qual deles será menos doloroso, sem muitas ilusões em mente (não se iluda... vai doer mesmo... não há escapatória): ou espera, em terra candanga, a dor passar (há o seu lado positivo, porém. Não me contou que perdeu 13 quilos?), pois passa. Aqui vai uma dica minha: não fique olhando fotos, ligando, procurando contato. Neste ponto sim, eu sou radical: ex bom é ex morto. Mato-o e não rezo novena. Vou tocando o bonde, ocupando a mente, cuidando de mim. Ou, bom, alivie uma parte e sobrecarregue outra, já que sentiu na pele serem incompatíveis os estilos de vida (também já fiz isso. Tenho know how, mizifim!). Em miúdos: não dói por estar longe do fulano, mas por sua vida estar um inferno ao lado dele. Talvez esta última opção seja a mais interessante, embora um pouco mais dolorida. Um processo que leva ao mesmo resultado do debandar-se para outro lugar: apagar dentro de si, a pessoa. Só que através de toooodo um processo. Uma dor diluída. Não é no pá-pim-pum como no "eu quero que risque meu nome da sua ageeeenda, esqueça meu telefone, não me ligue maaaaaaais!". Sacou?
Bah, Dona Priscila! Não cometa a auto-embromação (talvez, a auto-embronhação possa ser uma boa terapia auxiliar nesse e em outros tantos casos). Não há como não sofrer. A grande sacada é tornar-se masoquista, gozando a cada fincada no peito que leva. No sofrimento, outros lados seus, interessantes até, saem das trevas.
Se, porventura, há alguém com parte da carga genética em comum (mais suscetíveis, portanto, a sobressaltos), família não se assustem. Sempre fui assim. As ocasiões foram aparecendo e fizeram com que eu puxasse outras de mim lá dentro. Não mudei. Sempre serei assim. É complicado tirar armadura para fazer xixi. E se faço dentro dela, enferruja.
Como amarras, além da Ceilândia, nossa fugitiva buscou as palavras do pastor. E logo após, reclama de um aparelho de celular recém adquirido em uma feira que vende, bem, produtos vindos de forma não mui legal. Não, não. Não é contrabando não. Frutos de roubo mesmo. A Feira do Rolo. Como assim, Priscila? Deus deixa? Gente não muda. Só toma a poção e deixa o Mr. Hyde aflorar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eu me rendo!

(Imagem tirada do site http://www.brianmviveros.com)

Tá! Tá! Tá! E tá! Eu já te assumi, caralho! Dei meu lindo bracinho bronzeado contra a minha vontade (membro que, invariavelmente, toma sol quando venho ao trabalho, dirigindo... esqueço sempre de passar a droga do protetor solar), a torcer na esperança de que assim, encarando-a de peito aberto, pudesse amenizar as coisas pro meu lado. Encarar o problema de frente. Você não sabe quanto me custou voltar atrás nos meus conceitos. Ainda mais quando se trata de uma possível crítica às mulheres (e eu adoro ser mulher), por sua frescurada sem motivo e gritante, por suas neuras descabidas, pelo seu tatibitati nhém-nhém-nhém... Mas, tá, caralho! Você existe deverasmente. Não pude negar o lado bioquímico da coisa e a sensibilidade do organismo quanto aos produtos da equação. Minha massa cinzenta ainda luta e eis aqui um reflexo dessa batalha. Um pedido encarecidamente feito por aquele que já não agüenta mais lidar, tentando dar a volta por cima, reagir, com os hormônios burbulhando: me deixe em paz, TPM!!!
Putaquepariu. Odeio me sentir mulherzinha. E tô assim hoje: um cocô. Tô sem lugar. Achando-me feia (bom, nunca me achei, na boa parte do tempo, bonita mesmo... sempre me achei mais inteligente que dotada de atributos físicos... pulemos para fora dos parênteses). Até burra tô me achando! Aí, break! Não dá... na minha inteligência, não meta pitaco. Que crie caraminholas infinitas. Dou um jeito de contorná-las (mantendo a razão íntegra, sem sua influência).
Ao menos, admito, há algumas resoluções interessantes. Meta de agora: ficar quinem PJ Harvey. Magrelona o tanto. O cabelo tá quase igual. Opa! Você criou em mim a necessidade de querer ser outra pessoa? Que merda é essa, porra? Ahhhhhh, não!
Apesar das críticas constantes, gosto de ser mulher. E gosto de algumas mulheres, admito. Um ponto bom que vi em ser portadora do XX é em relação ao trânsito. Infalível. Quer entrar numa via? É só mostrar o rosto... uma carinha de pidona... e o moço lhe dá passagem. Mulher não dá nem a pau! Engraçado... eu sou gentil com as mulheres. Algumas. As peruas, não.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ser mãe foi foda... é foda... e sempre será foda...

Compreendes?
A vida materna começa com uma foda, literalmente. E nunca mais sairá disso, dentro de outras acepções dadas à palavra. Assunto bem propício à semana, já que o fatídico Dia das Mães tá aí, batendo na porta. Chovem propagandas: a mãe dedicada, a mãe que passa por cima de si mesmo por conta dos filhos, a mãe anulada. Como recompensa à anulação, pede-se tão somente um presentinho. Bom, é só isso por conta da data comercial. Na verdade, a mãe exige bem mais. Como preço de toda a sua dedicação desinteressada-pero-no-mucho, ela quer que os filhos lhe saiam melhor que a encomenda. Que sejam seres super. Melhores alunos, melhores homens, melhores perfeitos.
Aaaaaara, vãosefudê!
Não espero superlativos dos meus moleques. From deep of my heart. Quero que eles sejam humanos com toda a carga de defeitos que é inerente à condição. Tenham lá os seus vícios, medos, sonhos, agonias... Quero, sim, que saibam lidar com isso e não deixar que nada os atinjam violentamente. Ou se atingir, que saibam juntar os cacos e sair da situação. Que saibam que ninguém é super e não se pode cobrar tal qualidade inexiste de si mesmos, muito menos dos outros que os cercam. Incluída aí no saco de farinha, a mãe deles.
Nunca quis eu me mostrar, além das minhas posses, a eles. Até mesmo, como poderia eu? Tenho porão e nele há fantasmas que não chegam a me assustar, pois por vezes, preciso e converso com almas penadas. Estão lá, guardados só para mim. Não acho que devam ser mostrados em público quando não solicitado. Se futucada, mostro na boa, sem receio algum.
Uma ocasião dessa pipocou pouco tempo atrás. Filho com os dois pés fincados na adolescência, perguntou-me se já havia experimentado alguma droga. Faço uma correção a minha fala anterior: mostro na boa, algum fantasminha meu, sem receio algum; porém, posso pisar em ovos ao responder, na lata, por conta da outra pessoa que me faz a pergunta. Fazer o quê agora, Sr. Richfield? Minto? Mas eu prego ser a mentira algo ruim, como de fato é. Eu não sei mentir. Não desejo me montar em cima de ilusões... sobre uma realidade maquiada e falsa. Como sendo filosofia de vida que entendo ser válida à humanidade (por isso a sigo tão veementemente), passo adiante para os meus genes personificados.
Fiquei a pensar... quis mudar de assunto... A pergunta permaneceu. Tentei intimidá-lo, virando a indagação contra ele: "Por que a pergunta, Guilherme? Tá a fim de usar? Tem algum amigo seu usando?". Não adiantou. Como responderia?
Várias vezes, já virei pro menino e disse: "Gui, eu não sou santa. Mas sou uma diaba que ama muito você e quer vê-lo bem! E se depender de mim isso, farei de tudo para que esteja chuchu-beleza!". Vou me mostrando pouco a pouco. Não deliberadamente. Não tem cabimento, para me mostrar amante da alma humana dúbia, o que faz de mim afinal, do nada, dizer sobre minha experiência com outra mulher... ou que queria ir a um daqueles clubes da Holanda... que às vezes gostaria de abrir outras portas e soltar os jacarés azuis... Opa! Escrevi demais. Bão, mas aí está, não posso me fazer de imaculada se eu não sou e nem quero.
Respondi à pergunta sinceramente. Escolhendo as palavras e como as soltaria ao vento. Não queria que fosse um incentivo a. Minha intenção era que elas soassem como fruto de uma escolha, à época, minha. Ciente dos prós e dos muitos contras. Não foi algo tão legal, pois não só a questão física - a saúde - está envolvida; mas toda uma dinâmica social. Algo bem Tropa de Elite que não deixa de ser verdade.
Ahhhhhhh, por que ele não me perguntou se eu era virgem?
Fácil de responder: nasci no dia 7 de setembro!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Rrrrrrr...

Paz e amor de cu, é rola! Boa tarde!
Isso, com palavras chulas mesmo para me fazer bem entendida. Sou a favor da guerra. Afinal de contas, quem não é um poço de antagonismos? Porém, contudo e entretanto, prego uma guerra pacífica. Sem derramamento de sangue algum. Um embate em cima da crítica e da razão. Vence quem melhor coordenar suas idéias e souber mostrar que elas são o caminho a ser seguido, convencendo o opositor (que acabará, convencido e não vencido, a se juntar ao vencedor, acreditando - temporariamente - na superiodade dos argumentos alheios). Guerra racional. E não menos motivada por sentimentos fortes, agressivos e latentes que ficam à flor-da-pele durante debate travado entre as partes.
Eu sou um campo de batalha ambulante. Por vezes, o salve-salve lado racional tenta, aos trancos e barrancos, sobrepor-se ao emocional. Não gosto de floreios e rococós. Eles deprimem e são, sem sombra de dúvida, uma rica fonte para ataques de chatura explícita e burra. Digo mais, o emocional é uma algema à alma, pois quase sempre anda de mãos dadas com a moral. E com os bons costumes. À merda! Moral e bons costumes comparados a quem? A quem não conheço, com certeza. Se conheço, faço questão de fingir não ter reconhecido ao cruzar no supermercado.
Tomo por parâmetro, aquele que admiro. Ou seja, eu. Eis a minha liberdade pessoal. Sigo, às duras penas, leis e costumes impostos em nome do bom andamento da sociedade. Essa não sou eu. Apenas um reflexo de mim. Quero testar cada parte de mim livremente. Sentir o que gosto e o que não gosto. Limpar a bunda com as folhas do manual de regras sociais para o bom convívio. Quero me livrar de quaisquer resquícios da moral arquitetada por outros.
Poder ser, de fato, o produto desta guerra travada com os mundos exterior e interior, dentro dos quais levo a minha existência.
Gostem, as pessoas, da soma final ou não.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Super Mouse, seu amigo, vai salvá-lo do perigo!

Olha só: hoje fiquei a fim de me masturbar. Eu já ando fazendo isso há algum tempo, quando tomei consciência do meu poder. Na verdade, sabia no fundo de tal poderio. Só que, sabe cumé que é: a sociedade não vê isso com bons olhos. Mas os maus olhos me excitam, futucam e se me vêem assim é por que incomodo. E se incomodo, distancio-me dos demais. E das demais. Principalmente estas. Algumas, eu gosto. Conseguem sair do lugar comum. Jogam à fogueira, aquele maldito manual de como deve ser uma mulher. Aliás, não sei se isso é passado automatica e inconscientemente de mãe pra filha. Cultura inútil transmitida. Ou se faz parte, realmente, do pacote genético. A maldição do X duplo. Se assim for, um dos dois casos, agradeço a Dona Rita por ter sido diferente em algumas ocasiões (noutras, o mérito é meu: resposta àquilo que não concordava e assim fui me fazendo) e/ou constato que sou eu uma mutante. Não, não é revolta contra aquelas que são bibelôs e, no fundo, eu gostaria de ser parte da trupe. Estou bem no meu lugar e gosto de ser assim. Não, também não é revolta de quem é feio. Recuso-me a avaliar as pessoas pela beleza que detém por algum tempo. Porém, mesmo assim, bem... não sou feia. Assim, não é por isso o meu ataque às mulheres-bibelôs. Sou bonita. E mais do que isso, sou super!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, gozei! Meu eguinho ficou molhadinho!
Mas é isso mesmo! Sou A mulher. Não estou escrevendo isso para me afirmar. Apenas para salvar outras tantas por aí que podem ser tanto assim como moá. Inteligente, desencucada, educada, respeita o espaço alheio, aversa a fru-frus (pelamordedeus, muié véia com um monte de penduricalhos no carro, querendo bancar a meninota...), autêntica, não danço conforme a música (se trocaram e não me agrada, continuo nos mesmos passinhos de antes), não somente mãe, mas pai também (inclusive com os defeitos característicos), adora os defeitos e não pede para fazerem a troca, reconhece e valoriza outros lados seus (não me faço somente mãe... sou outras coisas também, dependendo da situação ou das luzes estarem apagadas), prefiro esparramar-me sobre minha cama a ficar horas a fio cuidando de almoço ou casa (entretanto, frise-se, não moro num chiqueiro... apenas sei dividir o tempo para e não exagerar na dose), não banca o estereótipo de adulta... e vou ao show do Depeche! É só espalhar os filhos e go west!!!Enfim...
Mulheres, vinde a mim e eu lhes mostrarei o caminho da verdade. E a salvação!
Sou a messias do mundo mulheril!
Oh! Oh! Yes! Yes! Yeessssssssssssss! De novo... eu vou... vou.... vou gozaaaaaaaaaarrrrr de novo!
Ah!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Coma um ovo por dia

Talvez eu seja viciada em ruminações. Não é preciso exigir muito da leitura a ser escolhida, caindo nas palavras de Schoppenhauer. Qualquer coisa faz brotar faíscas na massa cinzenta desta pessoa que vos digita. Os meus dizeres prediletos estão estampados em propagandas, pichações-protestos-de-rebelde-sem-causa (não entenda pichação aqui como sendo aqueles rabiscos ininteligíveis, grotescos, que nem de longe cheiram a protesto digno a ser lido), slogans. Muitas dessas frases, até, funcionariam como aforismas. Auto-ajuda grátis, sem enriquecer charlatão algum.
Coma um ovo por dia... segundo o texto fixo, ao lado de tal imperativo, num carro que julgo ser de entrega do produto em questão, o ovo é o segundo alimento mais importante na vida de um ser-humano depois do leite materno. Nem à época propícia, pude ser amamentada por longa data - existe, sim, mulher sem leite; não será a partir de então que tentarei tirar o atraso nas tetas maternas, e ovo... Bom, sob larica causada por bebedeira, um pão com ovo cai bem. Enfim... Não era essa a matutação. Fiquei a pensar se um ovo faria a diferença na minha vida. Se, porventura, aliado a outros tantos atos... Acessórios, concluo. No fim, modificação alguma aconteceria, no entanto. Tirando o predicado e adjuntos, resta o sujeito. Desinencial, inexistente, simples, composto ou indeterminado; mas sujeito.
Algo me inquietou. O que sou no momento presente? Aliás, não é bem ser, mas estar. Ou os dois juntos... ser e estar, em essência, dá na mesma. Se estou é porque sou. E se sou é porque estou. Bão, sei me posicionar, com uma certa perfeição de memória ou planejamentos, no passado e no futuro. E no agora? Fudeu! Sei que, hoje, estou a caminhar para algo que não sei bem ao certo - por isso aprendi a lidar com as frustações - se acontecerá. Porém, esse algo que não aconteceu - e não existe por enquanto - faz parte de mim. Como pode isso fazer parte de mim, agora, se ainda nem se concretizou? E nem sei se vai. O futuro é mais definível que o presente. E vou vivendo a vida, presente a presente, com vistas a um tempo que está por vir e ele nunca chegará. Pois quando meus pés lá fincar, não será mais futuro. Será presente. E eu não sei sobre ele!
Vá ver que eu, atualmente, sou nada além do produto da intersecção entre o passado e o futuro. Só.
Preciso comer mais ovo.
Ou não.