terça-feira, 15 de setembro de 2009

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Por que cargas d'água o indivíduo apertou o 13º sendo que desceria no mesmo andar que eu, no 6º? Poder-se-ia responder por engano. Não foi. Assim que o elevador parou no andar desejado, ele apertou o último andar. Será por isso que esses raios de elevadores sempre demoram pra chegar? Hora de bater o ponto da libertação, doida para cascar fora, perco 3 minutos esperando a joça para descer. Ao menos, agora, tenho alguém para culpar e xingar "filho-da-puta". Muito ruim sentir raiva irracional sem ter uma imagem para direcionar os xingamentos. Agora, eu a tenho. Menor que eu; vestindo um uniforme azul; homem... Obrigada, sua mula!
Criei o costume (isso me apavora, o costume) de toda tarde descer, ao menos duas vezes, da torre. Sento-me cá embaixo. Perco-me durante uns 10 minutinhos. Subo um pouco mais aliviada. Faltou-me um café. No quiosque, logo próximo à entrada/saída, vende um espresso. Vez ou outra, enterro 1,50 e me revolto diante a tamanha blasfêmia com o pó preto. Resolvi, forçosamente, economizar. Hoje, mudei de lugar. Aliada ao sol de rachar mamona, minha agonia ao perceber estar fazendo as mesmas coisas, todos os dias, metodicamente, fez com que eu mudasse de lugar. Ele deve ter notado a diferença, porque sempre sigo mais ou menos um determinado horário (preciso mudar isso também) . Confortavelmente instalada ao ar livre, ergo tão somente os olhos, sem mexer um músculo sequer do pescoço, e o vejo lá, sentado frente à janela, a espreitar-me. Ao menos, passa-me tal impressão. O corpo inclinado, sobre uma cadeira de escritório, fica a me observar. Acho isso engraçado e intrigante ao mesmo tempo. Entretanto, causa-me um certo desconforto, admito. A pessoa totalmente desconhecida por mim, sabe sobre minha figura. Uma pontinha apenas. Segundo andar, constato ao fazer as contas. Torre B. Não estou em desvantagem, também sei uma pontinha ínfima sobre ele. Uma companhia involuntária e não requisitada nos meus momentos de refúgio. Interferindo no meu mundico.
Tanto um caso quanto o outro aguçam minha massa cinzenta. O segundo, vou chamá-lo de mula não.
Mula e não-mula. Como diria o tempo, nada melhor que um dia após o outro. Já o xinguei por diversas vezes. Não peguei sua imagem aleatoriamente para descontar uma raiva qualquer. Desde o início, já sabia quem era o alvo para aliviar a pressão criada aqui dentro do peito. Filho-da-puta. Cretino. Volúvel. Instável. Besta. Ufa! Culpa não minha, mas da anta. Toquemos o barco. E a nave foi indo, seguindo seu curso, ora atravessando águas calmas; ora, turbulentas. Problemas com a tripulação, outro comandante posto no lugar. Contudo, o remo ainda guardava impressões do antigo e o barco, como se tivesse gravado no seu maquinário a rota outrora seguida, quis seguir o mesmo caminho. Compreendi a carta de navegação. Não, não era filho-da-puta. Nem cretino. Nem volúvel. Nem instável. Tampouco besta. Era (ou é) como eu fui (ou sou). Não posso mais xingá-lo sem me colocar no mesmo saco.
Ou ser colocada no mesmo saco por outro que, provavelmente, estará atribuindo a mim tais adjetivos raivosos. E, não sei se ajuda a aliviar juntamente com as alcunhas negativas, posso concordar contigo. Também me acho filha-da-puta, cretina, volúvel, instável e besta. Sobretudo, besta.
Fiquei a observar e apertei o andar onde não desejava descer.

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