segunda-feira, 28 de junho de 2010

Droga! A técnica do "bateu n'água, descarga apertada" não adiantou bulhufas para não me denunciar. Terminando de limpar o masculino, logo a moça entrará no destinado às mulheres e verá ser eu, sim, um ser-humano comum. Que come, dorme, peida, mija e, flagra, caga também. Pouco me importa e não hei de torcer o rabo da porca. Quer saber? Pouco me importa merrrmo. Bom, quero dizer: um pinguilim, importa-me. No entanto, pus em prática tática furada para não haver constrangimento algum. Mais por parte dela. Produtos meus, os cheiros não me incomodam. Mas tenho disso mesmo: procuro, ao máximo, não criar incômodo algum a outrem. Claro, dentro desse grupo "outrem" há lá sua dicotomização. A alguns, faço questão de imprimir meus maus cheiros mental e verbal.
Ara! Sou filha dessa classificação em reino, filo, classe, ordem, família e espécie! E mais, admito e faço delas meu portifólio, as vicissitudes. Aguente-as quem quiser. Eu quis. Abri meu coração a elas. E aprendi a conviver com elas. Sim, há pessoas com as quais os santos não se cruzam logo de cara. Não é preciso papo algum. Postura, roupa, o jeito de olhar, o jeito de se mover. Ahhhh, prazer! Esquadrinho-na centímetro por centímetro. Tento adivinhar os gostos, ideologia... Tento enxergar seu calcanhar escondido. Cerco-a de palavras. Opiniões contrárias. Futuco. Não com língua curta, mas longa, fina e bipartida. A satisfação em ver seu desconcerto, incentiva-me mais e mais. O rosto trancado e seu ar perturbado dão-me o cinturão. Cheira-me!
O banheiro está livre!
Para uns, a sociedade interfere no homem. Relações humanas são estabelecidas de acordo com o modo de produção adotado. Para outros, a ação humana interfere na construção da realidade. Homem, produto da sociedade ou sociedade, produto do homem? Há intersecção entre essas duas consequências? Sim, há. E é algo em essência. Fluídico. Forte. Obra do homem e, tornando-se um adulto maduro, tomou as rédeas da situação: o sistema. Não dá para imaginá-lo, pois tudo ao nosso redor são expressões concretas de sua vontade. Foi crescendo. Crescendo. Impondo suas vontades. Livre e com o total poder em suas mãos. Não há quem o controle ou que o governe. Como disse, ele assumiu vida própria. E todos, desde o pobre ao mais rico, desde o eleitor ao eleito, servem a ele, seguindo suas leis. Talvez Deus seja o sistema. Onipotente e onisciente.
Não me mate, Senhor! Prometo revelar Teu segredo a poucos. Assim, posso cometer o impropério de atormentar algumas pessoas com tal verdade. Como venho repetindo diante ao espelho, é a minha índole.
Gosto de cagar.

Autótrofo

Já imagino:
- Ehhhh, licença. Boa tarde, Doutor!
- Boa tarde. Sente-se. O que traz você aqui?
"As minhas pernas", penso, mais uma daquelas respostas feitas há trocentos anos e ainda presentes no imaginário coletivo. Olho ao redor. Quadros. Seria um bom começo de conversa dizer ser Vincent VanGogh seu pintor predileto. Sim, diante do caso, psicanalista não faria correlação alguma, já que o caso não é cortar nada, muito menos orelha.
- Bom... "é um longo caminho... se o faço, às escondidas, justamente para não ser preciso justificativas esmiúçadas, tampouco imposição da minha preferência. Aja. Foda-se. Inspire. Respire. Quem seria o pintor? Muito ruim. Ai, eu joguei no Google. Não tive paciência em ler. Será essa a especialidade indicada? Passará ele, algum tratamento psicológico para mim? Mas não sou doida. Pode ser que Freud explica. Ou não..."
- Sim?
Vejo-o bater impacientemente sua caneta chique - provavelmente algum presente do Dia dos Pais ou, hummm, não consigo ler as inscrições nela apostas... pode ser brinde de alguma conferência... costumam dar pastas e canetas como lembranças do evento...
- Pois não?
Ok. Vai ou racha! Tento enfiar na minha mente, desde minha concepção como pessoa, não ter explicações maiores a dar, a não ser a mim mesma. Sim. Isso! Expiro:
- Quero ter um pênis!
Não, senhor da roupa branca, muito pelo contrário. Não desejo, nem nunca desejei, ser um homem. Adoro minhas tetas. A minha boca. Meus traços finos. As curvas do meu corpo delineadas por doses de estrogênio. Freud poderia explicar?
Quero um pau. Meu. Não de outro. Nâo de silicone ou quaisquer outros materiais. De carne, veias, pele e meu. Senti-lo na minha mão em todo extenso comprimento (porque eu não haveria de tê-lo pequeno e sim, grande e vistoso mastro) e sentir o toque da minha mão sobre ele. Reciprocidade. Assim como se faz durante alguns minutos solitários: a mão esfrega e o clitoris se sente esfregado.
Quero uma extensão maior de pele e carne rija penetrando o mundo. Futucá-lo, primeiramente, como se fosse uma inspeção... senti-lo se está maduro o suficiente... sentir sua consistência... Para, depois, comê-lo aos poucos e lentamente, até me satisfazer.

terça-feira, 15 de junho de 2010


"A Maura já está aí?", escuto duas ou três pessoas perguntarem lá da copa. Fico calada, à espera de algum comentário adjunto à interrogativa com um que de exclamativo. Assim, não respondo eu mesma em voz alta: sim estou. Tragam-me café ou mando cortar a cabeça!
Sou uma pessoa sincera, acho. Ou, melhor, sou forçada a ser. A mentira logo é evidenciada pelo meu tom de voz, pescoço rijo ou gaguejadas. Além do indício óbvio e pertencente ao manual Saiba Mentir: não encompride a estória. Dou todos os detalhes meticulosamente elaborados. Horas, pessoas, acontecimentos, tudo. Tudo para a outra pessoa montar dentro de si,o enredo. Imaginar-me dentro da situação fantasiosa e, diante tantos detalhes perfeitamente dispensáveis numa situação verídica, duvidar dela. Não sei por que, mas alguém duvidar de mim é algo extremamente aborrecedor, por isso, o esforço descomunal à minha imaginação.
Não diga ou expresse dúvidas quanto a mim.
Há um canudo dentro da garrafinha de pimenta. "Duvido que você tome o caldinho da pimenta pelo canudo!". Hum, duvida? "Sim, duvido!". E o duvido se aloja no pavilhão auricular em um duuuuuuu (leia-se esse duuuuuu, como se os us fizessem círculos no ar)- viiiiiii - doooooo. Pronto! Minha honra foi mortalmente ferida e assim estarão, também, minha boca e estômago. Chuuuuuup! Não duvide, señor!
Há tantas coisas mais importantes para se provar minha honra. Contudo, de grão em grão, a galinha enche o papo, non? Ou, nas pequenas coisas estão o início das grandes. Uma mãozinha ali, deixada como quem não quer nada, displicente, ops! pode causar grandes turbulências.
Meto a boca no canudo.
O meu tédio e desânimo, caídos feitos bigornas sobre a minha cachola, é muito bem notado por todos aqui. Menos pelo chefe, o que agradeço à Shiva e faz-me rever a minha incapacidade em aplicar lorota. Talvez, e eficiência esteja ligada ao alvo. Voltemos mais tarde a este ponto. Entediada e desanimada, percorro desaceleradamente a roda dentro da qual estou inserida. Para que correr, correr e correr se chegarei ao mesmo ponto? Ok, virá pessoa me dizer ser a falta de foco, ou objetivo, motivo das passadas em câmera lenta. Bom, imaginemos: quero um puta apartamento, carrão, peitos maiores e bunda dura (sim, para este último item, deveria correr mesmo). Para isso, grana. Para grana, foco. Foco, corro-corro-corro. Consigo. E então? Em essência, fechei um ciclo. Dei uma volta completa. Vou recomeçar. O ramster recomeçará o seu ciclo.
Por que é de interesse social essa rotina? Até mesmo os desejos são inseridos em um rotina. Rotina que se confunde com padrão. Os anseios são tão parecidos entre um e outro. Não digo que não há diferenças, pois seria muito radicalismo. Um sim ou um não absolutos não me descem pela goela. Assim como o padrão. Destruir para reconstruir. Primeiro, acaba-se com a provável personalidade original do indivíduo e depois, incuti-lhe desejos de uma classe média típica. Ramsters. Ramsters. E ramsters.
Sim, pessoas, cheguei muito antes do horário previsto hoje. Não para sair logo, pegar minha cor-ne-ta (seja qual for a diferença, recuso-me chamá-la de vuvuzela por conta da televisão) e torcer pela seleção. Façam isso por mim. Quero é logo chegar em casa, tirar meu tênis, botar meu short e dormir o que deixei de dormir nesta madrugada, pensando na cruel mudança de minha rotina, por conta do jogo, fazendo-me acordar muito mais cedo e vir.
Cadê a porra do café?

Ah, a eficiência da potoca condicionada ao alvo dela. Talvez não seja necessário explicar, pois muitos devem ter tal conclusão dentro de si. Aliás, muitas coisas não são necessárias explicar. Basta cagá-las e o mundo solidariezar-se-á: há bosta dentro de todos e, eureka!, todos cagam. Assim, no fundo, é de interesse a lorota ser percebida de imediato. É uma mentira sincera. Você quer gritar a verdade, mas um outro sentimento qualquer - como pena, constrangimento e por aí vai - muda fracamente as palavras, de modo ser perfeitamente perceptível aquelas reais.

Trouxeram o café.