terça-feira, 24 de novembro de 2009

Substantivo? Adjetivo?

Atendo ao telefone, anunciando o órgão público para o qual trabalho, meu nome e, de quebra, para criar um arzinho de simpatia, um boa tarde. Meu receptor que faz vezes de emissor - durante o contato, trocamos muitas vezes o papel - diz para que veio. Deseja falar com o doutor. Regra imposta - sinceramente, quando sou eu a pessoa que liga, detesto ouvir tal pergunta. Respondo curta e grossamente - indago quem deseja. Ouço: "É o Delegado Fulano de Tal!". Dou uma risadinha muda ao ligar a imponência do título-profissão-ganha-pão à estatura de quem o profere (já vi a figura tete-à-tete). Se fosse alguém ligado a algum caso, ok. Entenderia o porquê de delega, afinal, estaria se identificando dentro de outro contexto... ligado ao seu ofício. Porém, conhecido de roda como julgo ser, esposo (acho breguérrimo este termo... "meu es-pooooooou-so") de uma colega de trabalho do dotô, o termo designativo do cargo em questão, seria desnecessário ao anunciar para o salão da corte, a sua chegada.
Lembrei do cabo da PM. Após apresentação voluntária e não requerida, frisando bem seu posto no corpo policial local, insistiu para pagar minha entrada no bar. Não era falta de grana em cash, ou em cartão de plástico mesmo. Foi puramente por conta de ida não planejada. Compari ao lugar caminhando contra o vento, sem lenço, nem documento. De havaianas, diga-se. 'Gardecida, disse não ser preciso. Sabia muito bem o preço a ser pago e, olhando bem a figura, o valor exigido estava bem além do material oferecido. "Cabo da PM, enfie a entrada no cu, porra! Não vou entrar!". Certamente, não estaria ele exercendo suas funções ali. Certamente, se eu traduzisse fielmente meu sorriso amarelo, seria presa por desacato à autoridade. Pois bem.
Curioso isso. Qual seria o núcleo do sujeito? Em cada dever passado para casa, a professora de português dava umas vinte orações para serem analisadas morfológica e sintaticamente. Núcleo do sujeito, oras, sempre um substantivo. Na luta atual pela sobrevivência, não mais o homem demonstra suas habilidades em passar a perna na natureza, sobrevivendo. Mas sim, o doutor, o delegado, a excelência que demonstram suas inabilidades - sim, pois apoiar-se no adjetivo incorporado a sua estória já demonstra total inaptidão... E passam a perna nos homens.
Hey, é a Humana Maura que gostaria de falar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Amarelo

Pela barba do profeta! Ñão! Chega! 'Xô vir refugiar acá. Continuo terreno fértil às queridas abobrinhas. A disposição para assuntos mais profundos ainda está em viagem, conhecendo terras longíquas, quiçá Conchinchina (a colônia já não existe mais, mas a região sim. Fica uma menção histórica)... ou Ulaanbaatar... Avisou-me querer visitar lugares inusitados, inóspitos, incomuns e ponha outros tantos ins aí. Ou seja, abobrinha recheada é bom pra cacete!
Mesmo assim, não resisti e fui xeretar o tal Ego.com. Valha-me Ea/Enki/Ptah/Khnum/Unkulunkulu (a disposição para assuntos mais profundos estava a conversar comigo sobre a Mongólia. Grande parte de lá, declara-se sem religião - por isso, ela se sentiu em casa; o restante, segue o shamanismo)! "Luisa Mell lança livro com poesias sobre cachorro". Tabefe! Isso não é adubo adequado a minha plantação. Os legumes nascerão todos bichados. Não dá para atualizar o manual do Batman nesse site. Não quero atrapalhar o merecido descanso da disposição que quase veio no primeiro vôo quando se sentiu futucada pela leitura. X. Apertei o x. Bom, que posso eu ler?
Merda! Não... não tô xingando não. É merda mesmo. Lembrei-me de um sonho. Somente alguns ficam marcados e pedem para serem interpretados. Quedê Freud? Ahhh, não era um lance sexual. Ou era, cara. Eu, no sonho, estava nua da cintura para baixo. E não sei por que cargas d'água, ficava tochando buchas de papel no cu. Colocava e tirava. E o apetrecho saía todo sujo de bosta. Ok, alguém vai comentar que é vontade de dar o fiofó, né? Talvez. Porém, bom, se oportunidade surgir, terei meus pés atrás (não é por conta da posição, frise-se aos fãs de trocadilhos como eu): afinal, sonho pode ser aviso. E, bom, com o perdão da expressão popular e grotesca a seguir (aliás, peço em atraso com relação às palavras utilizadas para designar o reto, vulgo toba), assinar cheque é uma situação mui constrangedora, não? Vamos por via normal, então. Tá... tá... com direito a alguns apetrechos, para não dizer que está sem-graça... arroz com feijão... papai-e-mamãe...
Voltando!
Daí, continuei andando como se nada estivesse de diferente, com as partes pudentas ao vento. E ninguém me cutucava quanto a isso também. De repente, estou numa maca e o médico introduzindo um caninho rabo adentro. Uma solução salina escoava para dentro de mim. Splosh! Vi-me toda lambrecada de merda. Muita merda. Amarela. Muito amarela.
Google! Sonhar... fezes... Pimba!
Obrigada, www.sonhos.com.br . Só faço uma ressalva por você não me deixar ler o significado de defecar. Tá, eu compreendo. Todo mundo precisa garantir o seu, por isso tal conteúdo é disponível só para quem assina, depois de ter recebido uma amostra grátis. "Fezes" já elucidou bastante o caso e, bem, como sou dotada de certa inteligência, já presumo o que significa o sinônimo de cagar.
"Sonho em que aparecem fezes é sempre indício de fortuna, lucros, sempre presságio de sorte ligado a ganhos materiais. Se, em sonho, você viu ou tocou em fezes, saiba que é hora de arriscar e investir seu capital; e, se sentiu cheiro de fezes, brevemente receberá dinheiro que considerava perdido. Defecar na cama é sinal de abundância financeira; defecar em público é anúncio de grande êxito financeiro. Quem vê fezes na rua ou pisa nelas em sonho, pode esperar sorte nos jogos. Se, em sonho, você estava sujo de fezes ou se viu alguém sujo de fezes, é presságio de que ganhos inesperados permitirão você fazer a viagem dos seus sonhos."
Ah, disposição! Güenta a sapopemba aí! Tô chegando! Se bem que... hum... não iria ao Vietnã nem à Mongólia não. Ilha de Páscoa, no Chile... ou, ahhhh, uma rota pelos castelos medievais. Há muitos na Alemanha. Taí? Que tal? Afinal de contas, muitos daqueles que te futucam, nasceram por lá e lá escreveram grande parte de sua obra, não?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Santo formol, Batman!

Raios! Preciso (ehhh, mas, bom, preciso mesmo?) começar a botar ordem no barraco que se chama "minha vida" a partir das pequenas coisas. Sim! Talvez alguém (teria sido tu, grande Shyniashiki?) já tenha cantado a pedra: não se organiza o todo logo de cara, mas partes do todo. Vai 1/345 da coisa (fração dependente do tamanho da coisa e, lógico, disposição em ajeitá-la. Como você é o seu próprio credor e, aaara, você pode ser camarada contigo - e deve - parcela-se em não sei quantas vezes. Mas, parcela-se. E cumpra-se. Não vale parcelar a parcela, senão vira putaria). E vamo comendo a barra de chocolate (ou pizza! Depende do método que a professora escolheu para lhe ensinar frações). Pimba! Bucho cheio e um sorriso de satisfação nos lábios. Lógico, um arroto para comemorar. Bom, em suma, comecemos pelas pequenas coisas.

Eu deveria começar solicitando à Sky, a droga de um controle novo. Não vou de esbarrão contra a evolução humana. Morro de preguiça em ir até a televisão, meter meu dedo no decoder (é assim que se chama aquela caixinha preta - ou prateada - receptora dos sinais?) e ir no tec-tec-tec... Ufa! Algo que preste dentre cento e tantas opções. Note mais um motivo anti-retrógado: são mais de cem canais, ou seja, mais de cem tec-tec-tecs, para alienar a mente.

Sky: meu primeiro passo rumo à vida adulta... organizada... sensata...

Mas enquanto a atendente da tv a cabo não escuta minha voz, vou xingando e prometendo pro dia seguinte alguma atitude. E me contenho com o escolha do último que fez uso do aparelho televisivo. Opa! Discovery Kids. Suplico aos deuses: que não esteja passando aquela porra de Backyardgans. Pelarmordeshiva, nem Barney. Arranque-me o útero (até mesmo para não ter que passar por essa experiência, de novo, com outro rebento), mas isso não! Por conta do choro e súplicas do meu caçula, voltei atrás no meu propósito de entrar na tevê e matá-los um a um.

O céu tem ouvidos. Passa um outro. Não me recordo o nome, contudo é assistível. Dá para fumar e tomar café sem perder tempo planejando assassinatos.

Natal batendo na porta, propagandas que atingem em cheio o bolso de grande maioria (se não for pai ou mãe, é outra coisa envolvendo criança). Eita, exclamo eu. Se minha memória não está nublada (fiquem na sua, antitabagistas!), Moranguinho tinha cabelos cacheados, não? Eu tive uma boneca dela. Cabelinhos vermelhos e... cacheados? Já foi a Fátima Bernardes... e, agora, Moranguinho! Nem ela escapou da ditadura do cabelo liso. Ok, tô sentada no meu rabo, doce boneca. Nem eu escapei. Minhas melenas estão comportadas tal como internas num pensionato de freiras. Contudo, por detrás do "comportamento" imposto, são rebeldes que só.

O que importa é a alma (não, Shyniashiki, não pretendo roubar clientes seus. Não tô vendendo nada, então, não há propaganda... palestra... nada. Sou uma reles mortal-mãe-irmã-mulher vomitando minhas abobrinhas em excesso). Tô de cabelo liso, mas, no fundo, cacheados... revoltados... nervosos.

E assim sou também: pareço lisa. Mas olhe mais a fundo. Pegue uma lupa, microscópio, sei lá. Algo que lhe forneça a visão por trás da casca. Ou, vá... dê-me a mão e confie em mim. Cacheada... Revoltada... Nervosa...

Prazer!

Gostou?

domingo, 15 de novembro de 2009

Rá!

Ahhhhh, meu mundico! Tevê... embora não esteja assistindo. Minha cama amassada. Minhas roupas jogadas. A xícara vazia, obrigando-me a abrir a porta e ir enchê-la. Aproveito a ocasião - mais um exemplo da situação "faça do limão, uma limonada" (hoje, não à caipiroska) - e faço um pãozinho com queijo e presunto. Saco vazio não se mantém em pé. Faltou o jornal ruim, com as notícias de ontem, desmantelado. A preguiça não me permitiu ver o sol até agora. 14h06. Ontem, quando resolvi sair à noite, dei-me conta ter passado o dia sem ver o dia. Cheguei em casa, sexta-sábado, no escuro e só saí da tumba quando a lua veio dar o ar de sua graça. Minha doce clausura.
Cigarros acabando. Pombas! Talvez precise sair do meu universo.
Não. Hoje não tô a fim de proferir pérolas da filosofia do ovo colorido. Deixo a cabeça vazia, fertilizando-a para as abobrinhas. Besteiras. Isso! Tô a fim de falar besteiras. Liberdade!
Sim, liberdade. E começo pelas meus peitos. Fora! Vai "Seu Tião"! Junte-se às outras peças ali no canto. Desde que brotaram no meu corpo - e não os fiz cumprirem a sua missão à risca por falta de paciência e sono acumulado por conta do chorinho da pobre criança assustada com o mundo para o qual fora jogada - durmo com o sustenta-peito. Não sei... incomoda-me senti-los livres. Sinto como se estivesse nua. Mais próxima à condição animal. Acomodados, seios. Presos, tetas.
E hoje sou uma bicha-preguiça.
O barulho da televisão incomoda. Não está se adequando ao clima. Ô clipezinho ruim. Como vendem porquera para os terráqueos! Mais de cem pilas para se ter outras opções, sapeio. Oliver cozinhando. Não sei o que de abóbora e pato assado. Pouco me importam as receitas, já que larguei mão de aprender a cozinhar. Sei me virar, já basta. Mas o sotaque britânico me enternece o coração. Ahhhh, Oliver! Que homem perfeito! Sabe cozinhar, abre o apetite (não estou me referindo a sua arte... Ahhhh, Oliver! Você com esse molho ai que está fazendo... azeite e ervas... opa!), mora na Inglaterra... Sr. Jesus, olhai por mim! Quedê? Estou pedindo demais? Ok! Não pedirei tanto. Um cara engraçado, então. Que não invente passeios de índio. E não se importe em ficar trancado no quarto vez ou outra. Prometo dar atenção entre uma voada e outra, aumentando o som da tv. E, opa!, sem ser no Jamie Oliver... para não correr risco de trocar o nome. Tá bom, agora?
Pimenta... alho... Olho o paredão. Janela sem visão alguma. Não reclamo. O reboco mal feito me proporciona imagens interessantes. Rorschach (branco quanto à grafia e preguiça de consultar Google) gratuito).
Viro, aviso ao mais velho que passaremos o dia de hoje a pão, queijo... enjoei de presunto. A tempos não como mortadela. Entrego-lhe o cartão para que vá à padoca e providencie o... almoço? 14h39, lanche. Caçula na casa do pai. Desobriga-me a queimar os miolos e mãos com legumes e afins. Só não posso pedir para comprar um macinho. Fora bebida, não vendem drogas no débito em conta. E, bom, não pegaria bem mandar o filho contribuir com o vício materno. Aos trancos e barrancos, ainda tenho uma postura a manter.
Onde estava eu? Ainda no quarto. Como estariam as coisas lá fora? Bagunçadas. Se os olhos não vêem, o coração não sente. Coração não sentindo, o cérebro não ordena tomar atitude. Fico aqui mesmo. Tetas e alma livres. Pimenta... alho...
Penso. A palavra pimenta realmente é pimenta. Assim como alho. Oliver, por quê? Assim, como surgiu isso? Explico-me melhor. Mas pode continuar aí a sua receita. Agrada-me o tom de sua voz. Chilli and garlic. Hummm... garlic não se encaixa tanto. Não é alho. Chilli consegue traduzir pimenta. Enfim, quando, como e por que, as coisas receberam aquele nome. Traduzir tão perfeitamente algo numa palavra. "Hey, isso aqui tem cara de... de... putz! Pimenta! Claro! Isso aqui é muito pimenta!".
Amarelo tem cara de ensolarado. Ensolarado, tédio. Tédio pela obrigação de fazer algo proveitoso ao tempo. Tem gosto insosso. E essa não era a intenção da cor. Muito pelo contrário. Mas, lamento, é. Cinza tem braços acolhedores. Cheiro frio de neblina. Não há ordem para se fazer algo. Apenas, ficar, sem culpa alguma, na cama. Lugar fechado. Hoje, tô indo de encontro violento contra você, odioso amarelo. Pode tentar entrar à força aqui no meu cubículo. E leve na cara o cinza que fiz instalar aqui.
Pimenta. Alho. Tetas. Cinza.
Café! No tato, chego à cozinha. Não quero ver nada.
Cigarros. Como digo, no bom, há mau. No mau, há bom. Nunca achei a preguiça ruim. É apedrejada injustamente. Para aqueles que não abriram seu coração à ela, ressalto um ponto positivo: hoje, tornarei menos viciada.

domingo, 1 de novembro de 2009

O céu está nos outros.

Sempre me fudi em interpretações. Como cada um é cada um e possui o rabo que lhe convém, não me encafifava com isso. Meta tudo no liquidificador. Bata. Beba. Pode descer macio, estufando a pança e dando aquela preguicinha gostosa que se origina no centro da barriga , irradiando-se para todo o corpo; ou pode dar a dolorida nó-nas-tripas. Corre-se ao banheiro; num ato desesperado, livra-se das calças; senta-se no trono compartilhado com outros tantos; põe-se para fora o produto final. Ou seja, boas ou más, elas resultam em alguma coisa: confortam-me ou cago-as.

Interações.

Voltando à deficiência característica de minha pessoa.

Fodi-me em minhas interpretações? Preciso ruminar isso. Talvez não.

Amarremos.

Li Entre Quatro Paredes, de Sartre. De início, concordei com ele: "O inferno são os outros!". As palavras possuem vida própria na minha mente. Elas são jogadas a mim numa certa ordem. Eu as sorvo. Dentro de mim, elas adquirem dinâmica. Embaralham-se. Reorganizam-se. Dizem-me algo contrário ao que foi dito antes. Passo a acreditar nessa nova estrutura. E, de novo, vuuuuuuuu! O vento passa, "caosística" o ambiente... Céus! Outra vez, preciso traduzi-las! Agora, neste momento, não creio mais que o inferno são os outros. Não posso jogar na cacunda alheia, o fogo interno que me consome. Só quando a verdade se torna por deveras indigesta. Aí, sim, alguém - para alívio da minha consciência - exagerou no sal. Pronto! Resolvido o problema. O que há adiante?

Ultimamente, sinto as pessoas como parte de mim, fora de mim. O que move o cérebro concretizado. Tá ali, na minha cara. A pessoa reage, positiva ou negativamente, frente alguma ação minha, realizada consciente ou inconscientemente. A reação. Interação. Como espelho fosse da minha alma invisível aos meus olhos. Nela, na outra parte, sinto os contornos de mim. A cor.

O gosto. Ando roxa, meio azedinha, porém com um sabor bom.

Há contrapartidas que me infernizam. Verdades que estavam escondidas a sete chaves, nem mesmo a mim reveladas, porém exteriorizadas involuntariamente. Tê-las esfregadas na minha cara, agoniando-me, não quero ver... Ou quero? Preciso? Não, não são os outros. É eu mesma... espelhada... Cortem a cabeça daquele que me obrigou a isso! Que eu siga cegamente tranqüila. Refém de mim mesma, dos meus conceitos, dos meus pensamentos, daquilo que acho ser o correto sem interferências externas. Viver egoisticamente. Meu ninho seguro.

Presa pela minha suposta liberdade...

Não posso viver, principalmente, sem mim. E eu sou resultado de uma infinidade de fatores estranhos ao meu corpo. Dentro do meu caos, tudo está interligado. Os outros são meu inferno pois interagem comigo... que sou meu próprio inferno... eu...

O bater de asas de uma borboleta lá na outra parte do mundo, causa um tufão cá dentro.

Um tijolo colorido numa extensa parede.

Assim sou. Ou, somos...