Talvez eu seja viciada em ruminações. Não é preciso exigir muito da leitura a ser escolhida, caindo nas palavras de Schoppenhauer. Qualquer coisa faz brotar faíscas na massa cinzenta desta pessoa que vos digita. Os meus dizeres prediletos estão estampados em propagandas, pichações-protestos-de-rebelde-sem-causa (não entenda pichação aqui como sendo aqueles rabiscos ininteligíveis, grotescos, que nem de longe cheiram a protesto digno a ser lido), slogans. Muitas dessas frases, até, funcionariam como aforismas. Auto-ajuda grátis, sem enriquecer charlatão algum.
Coma um ovo por dia... segundo o texto fixo, ao lado de tal imperativo, num carro que julgo ser de entrega do produto em questão, o ovo é o segundo alimento mais importante na vida de um ser-humano depois do leite materno. Nem à época propícia, pude ser amamentada por longa data - existe, sim, mulher sem leite; não será a partir de então que tentarei tirar o atraso nas tetas maternas, e ovo... Bom, sob larica causada por bebedeira, um pão com ovo cai bem. Enfim... Não era essa a matutação. Fiquei a pensar se um ovo faria a diferença na minha vida. Se, porventura, aliado a outros tantos atos... Acessórios, concluo. No fim, modificação alguma aconteceria, no entanto. Tirando o predicado e adjuntos, resta o sujeito. Desinencial, inexistente, simples, composto ou indeterminado; mas sujeito.
Algo me inquietou. O que sou no momento presente? Aliás, não é bem ser, mas estar. Ou os dois juntos... ser e estar, em essência, dá na mesma. Se estou é porque sou. E se sou é porque estou. Bão, sei me posicionar, com uma certa perfeição de memória ou planejamentos, no passado e no futuro. E no agora? Fudeu! Sei que, hoje, estou a caminhar para algo que não sei bem ao certo - por isso aprendi a lidar com as frustações - se acontecerá. Porém, esse algo que não aconteceu - e não existe por enquanto - faz parte de mim. Como pode isso fazer parte de mim, agora, se ainda nem se concretizou? E nem sei se vai. O futuro é mais definível que o presente. E vou vivendo a vida, presente a presente, com vistas a um tempo que está por vir e ele nunca chegará. Pois quando meus pés lá fincar, não será mais futuro. Será presente. E eu não sei sobre ele!
Vá ver que eu, atualmente, sou nada além do produto da intersecção entre o passado e o futuro. Só.
Preciso comer mais ovo.
Ou não.
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