quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Lambam o meu clitóris


Sabe duma cousa? Sou uma hiena. Malhada. Com um grande clitóris que mede 20 cm. Por vezes, pensam que sou macho. Mas, no fundo, sou fêmea. Com um clitóris. Grande. Tal qual um cacete, sem levarmos em conta as medidas particulares de cada XY. Anos e anos procurando uma definição a minha pessoa.

Nada mulherzinha. Atraída pelo sexo masculino. Gosto de ter nascido XX. E, sinceramente, na próxima encarnação - essa vida não foi o suficiente para ter aprendido porra nenhuma - que eu venha munida de uma buceta. Não invejo o falo com suas supostas facilidades vindas de brinde pelo fato de tê-lo. Ok, ao homem é dada a vantagem de comer e ser comido. A mim, só resta a última opção. Não posso sentir como é estar dentro de alguém. Mesmo adquirindo uma daquelas cintas vendidas na sexshop.

Taí, corrijo-me. Talvez a única coisa proporcionada ao homem e, naturalmente, vedada a mim, a qual gostaria de sentir, fazendo-me querer, só por um instante - instante, não. Por algumas horas, melhor - é isso: estar dentro de uma outra pessoa. Como será a sensação proporcionada pelo canal vaginal ou pelo reto? Nãããoooo... sexo não combina com termos científicos. Reformulemos: como será a sensação de ter o pau, em toda sua extensão, fincado numa buceta ou em um cu? Eu tenho os dedos, que poderiam me dar uma noção. Sinceramente, um pequena noção. Talvez nada.
Certa vez, fui chamada de machista por dizer que elogiar deveras a raça masculina. Oh, no! Longe disso. Tampouco, feminista. Gosto de ser mulher, admirando muito o sexo masculino. Não pretendo, assim, usurpar papel algum. Acho que a mulher tem uma tendência feladaputa em ser chata. Mesmo aquelas que se encontrem na mesma situação que moá - dotadas de uma excrescência carnuda e eréctil na parte anterior e superior da vulva caralhamente desenvolvida - por vezes, o par de cromossomos característico dá o seu berro de existência.

Daí, é só lamberem o clitóris, para que ele fique duro, vindo à tona o tipo de mulher que sou: hiena malhada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Churrasco a 9,90

Agradeço àqueles que, voluntaria ou involuntariamente, me torraram meus bagos nestes últimos dias. Principalmente ontem. Vai aqui, o meu muito obrigado! Vinha eu me debatendo no poço de uma frescurada sem fim. Um aviso: quem se encontrar ofendido pela minha classificação "frescurada" ao momento passado por esta pessoa que vos digita, pois se encontra em posição análoga, encare tal definição apenas circunscrita a minha pessoa. Quem sou eu para julgar sentimentos e razões alheias? Eu sei de mim e nada posso dizer de você. Voltemos!
Muito grata pelo tapa na cara. Palavras tais como porralouquice, adolescência tardia, maluca, neurótica e por aí vai soaram à minha boca como: "Vai, Maura, vai!". Um reforço à eterna fala interior: "Vai tomar no cu, Maura, vai!". Fuuuuuuuu! Passou! Tô pronta pra mais uma crise, pois sei que não fechei o último ciclo. Haverá outros. Ainda bem!
Eu estava a analisar a minha prole. E notei que cada um tem um traço psicológico marcante. O mais velho, sisudo, tímido, caladão, mergulhado em regras. O caçula, elétrico, impetuoso, carente. Alguns já veriam futuros pacientes de psicólogos, psiquiatras e afins. E diriam - talvez com uma certa dose de razão, pois tratar-se-ia de moá - que a culpa é da mãe. Porém - eis o grande barato de matutar - não sei não... Isso não os define? Assim, minhas mergulhadas no meu poço particular... minhas neuras... meus pensamentos sejam eles bons ou não... não é o que me define individualmente? Por que tenho que digerir a vida seguindo um código? Há código? Jogo-o na privada! Não, na privada não porque há de entupi-la. Taco fogo! No código e em mim. Nele, de fato. Em mim, simbolicamente.
Mania infeliz dos outros tentar encaixar outros outros num perfil julgado adequado e conveniente. Não quero ser encaixada, porra! A não ser quando estiver sendo queimada viva, simbolicamente, pero-no-mucho.
Olha, eu tenho sim, dentro de mim, uma adolescente. Não é novidade alguma para quem aqui passa, abrigar aqui dentro, várias Mauras. E eu as solto de acordo com a necessidade. Do momento. Maura deprê-querendo-ser-suicida (tive que dar um jeito nela! Mais uma vez, thanx!". Maura mamãe-maluquete (sempre na ativa, custe o que custar). Maura cidadã-pagadora-de-contas (tento sempre me manter na ativa, senão, nome no SERASA). Maura hummm-será-que-ele-me-ama? (por vezes, mando-a tomar no cu. Muito chato mulé-mulézinha). E, eis o foco, Maura-adolescente-velha.
A vida adulta pesa sobre a cacunda, fazendo com que várias vezes eu sinta fortemente a vontade de desaparecer. Mas isso é preciso ser enfrentado a qualquer custo, mesmo com o sentimento latente dentro de si. É ir no tal "levanta, sacode a poeira e dê a volta por cima!". Tento fazer isso todo santo dia, com essa penca de responsabilidades que me sufocam. Escolha minha, não? Que eu arque sem dar um pio sequer. Ou dê tantos pios quanto me forem necessários para desabafar, desafogar, desanuviar!
Que eu me acabe em experiências não vividas na época taxada como própria à, pois preciso de uma válvula de escape, mesmo que insandecidamente usada, para me manter nos meus trilhos tortos! É necessário enlouquecer por vezes para se manter sóbria e sã (por isso, amo as contradições). Minha loucura tem um respaldo, um porquê de ser e ninguém tem nada a ver com isso, pois eu sou dona do meu nariz (toma para si, a fala, Maura-cidadã-pagadora-de-contas).
Porraloqueio por minha própria conta e por mim mesma, não para atingir outros fazendo-me com que eu esqueça da minha própria infelicidade e frustração e, principalmente, que estas últimas são culpa exclusivamente minha. Porraloqueio para ser o que sou. E, sinceramente, eu gosto das diversas Mauras.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Deus é fiel e justo

Venha cá: fidelidade não é sentimento de alguém para outro alguém, com uma certa pitada de... de... não, não é submissão não. Nem subalterno. Mas tem sub aí. Me entendes? Assim, afastemo-nos do campo amoroso, pois não é aí que quero tocar. Dá muito pano pra manga e, bom, eu sou fiel e não me sinto subjugada ou podada ou outro sentimento negativo qualquer. Consequência natural. Enfim... talvez o que eu queira dizer seja mais ou menos um senhor e seus escravos. Estes lhe devem fidelidade. É mais ou menos isso aí.

Acabo de perceber que fidelidade tem duas acepções. Nada é absoluto. E há duas interpretações aí também.

Bom. Passo por um carro parado numa oficina de lanternagem. Os remendos feitos com massa, além do fato de estar desmontado, fazem-me supor ser mais uma vítima do trânsito. E leio, na parte superior do vidro traseiro, "Deus é fiel e justo". O fiel eu sempre achei graça. Posso estar errada na minha interpretação, porém creio que quem deve fidelidade alguma é o crente. Este sim, deve amar o grande jogador de The Sims acima de todas as coisas. O justo que me fez sentir cócegas na barriga. Quem grudou em propriedade sua tais dizeres, não merecia tamanha injustiça de ter seu carro batido. Que eu bata 1, 2, 3 vezes é compreensível, afinal de contas Ele não teria por mim o amor que os outros obtém através de muita lambeção de saco. Ou... bom, talvez Ele me veja com bons olhos, pois não fico a lhe torrar a paciência com tantos pedidos, lamúrias, choramingos.

Choramingos... não tenho paciência com eles. Principalmente os meus. Fico agoniada dentro de mim, procurando alguma reação. Não posso perder tempo com eles pois nada resolverão do problema. Lamentar só me faz sentir mais presa à situação crítica.
Ahhhhhh, eis o meu grande problema, caros irmãos! As palavras possuem mais de um sentido para mim. E os sentidos fazem sentido. Mesmo caindo no abismo do paradoxismo, uma coisa é mais de uma porém sendo uma só. Me entendes?
Falei sobre fidelidade a pouco. É algo que pode ter lá sua nuance ruim, mas é bom. Eu concordo com ela, embora muitas vezes eu deixe de ser fiel a mim mesma. Afinal, minha opinião muda e não acho que isso seja ruim. Eu penso, logo existo e eu existo, logo penso. Se assim é, chego a variadas conclusões sem poder me atar a uma delas.
Há pouco, toquei em surpresas. Pronunciei serem elas ruins, mesmo as consideradas boas, pois se cria na alma do surpreso, a obrigatoriedade de retribuir. Porém, repare: sejam maus, os fatos inesperados, eles são bons também. Quebram essa maldita linha contínua sobre a qual temos uma forte tendência em permanecer e caminhar. Crec!
Maura é fiel e justa.
Sou um ser submisso.
Quebrem a minha linha.