sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não sei se caso ou compro uma bicicleta

Resolvi ficar milionária. Já que estou na roda mesmo, o negócio é girar. Não tenho vocação alguma para me enfiar no mato e plantar batatas, cantando leeeeeet the sun shiiiine... leeeeet the sun shiiiine, yeah! Talvez enxergando a cousa por outro ângulo, o capital desça mais redondo goela abaixo. É no tal "egoísmo benéfico" que vou dançando. Faço algo de bom para alguém, esperando algum retorno para mim (sem cobranças ou opressões, frise-se... feedback vindo de forma natural). Se eu ganhar na megasena amanhã, ajudo parcela da parentada e mais algumas pessoas fora desse círculo genético. Todos ficam bem. Parentes, esquecem da falta de juízo acá (daí, fico bem) e pessoas ficam contentes (acabando refletindo em moá também). E todos ficamos felizes, comprando as batatas num hipermercado.
O número sem-fim (item na lista de resoluções para 2010: estudar a maledita revisão ortográfica. Hífen sempre foi a pedrinha no meu all star) de opções é a causa da angústia de muitos. Conjunto de 60 números (se não me faia a memória... há tempos não jogo), dentro do qual 6 são os escolhidos. Céus! Quais? Esqueço de dormir com caneta ao lado para anotar números que, por vezes, me aparecem sob REM. Utilizo-me da contradição: semana passada, tive um prejuízo daqueles por conta do carro. Enrolada que sou, deixei de pagar o raio do licenciamento. Resultado: sujismóvel apreendido. Mil reaus para soltá-lo. Assim, numa manobra matemática, escolho tomando por base o renavam, placa e chassi. Ripa na chulipa! Tô sentindo que agora é a minha vez! Nada de Luís Vitão. Angústias ainda existirão diante a várias encruzilhadas, porém, estarei mais embasada para tomar outro caminho, desajuizadamente, além daqueles que me são apresentados.
Fase capitalista, Dona Moura? Apresente-me outro sistema de produção que realmente suplante o capitalismo e eu escolho qual seguir. Afinal de contas, tenho duas bocas, além da minha, para alimentar.
Vamos vivendo abraçados na esperança, que é o último mal saído da caixinha de Pandora. Projetar-se num futuro incerto, impulsionados por sonho concreto agora ("isso vai acontecer... aaara, se vai!), é o que faz muitos percorrerem círculos e mais círculos. "Foco, Maura, foco!". Já estou meio cansada de tal conselho. Mudo a direção da minha lente de tempos em tempos. O mundo é muito vasto para digerir somente um lado seu. Eis o meu combustível. Quero tudo e ao mesmo tempo não quero nada. Sim, porque para sentir a vontade de tudo, faz-se necessário envolver-se no nada. O contrário também existe: tendo tudo, por vezes, bate o desejo de ter nada e ser livre. Mas tudo, nada, livre são conceitos complicados. Não são absolutos. Sempre haverá algo que falte. Sempre haverá algo que se faça presente. Sempre haverá algo que o prenda. Como a esperança que fixa os pés num trajeto determinado (ou não).
Quer saber? Não me importa que a mula manque! O que eu quero é rosetar!
Um adendo: coisa interessante e que não havia me passado pela massa cinzenta antes. Para se sentir o gosto doce, a língua precisa ter sobre si, o amargo. Hummmm!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Baba

Quando estava eu prenha do meu último filhote, na sala de espera do médico, ficava a observar as fêmeas que me cercavam, escutando seus papos. Barriga pesada, não via a hora de parir logo, o marido que perdia a paciência, os enjôos... Matutava eu: nunca haveria de namorar um especialista em xoxotas. Além das reclamações comuns a quem passa por uma gravidez, ouvia declarações implícitas de uma certa paixão pelo doutor. Mulher é um bicho frágil, ainda mais passando por determinadas fases. O cara chega, todo gentil, parece entender dos seus problemas (os físicos, na verdade, mas que acabam andando de mãos dadas aos emocionais), conversa, sorri e ainda pega dos seus peitos de uma maneira tão gentil! Toca de leve, aperta os bicos... sem contar outro exame mais íntimo. Como ele consegue ser tão delicado ao introduzir aquela espátula até o colo do útero? Era tudo que a mizifinha pediu a Buda, naquele momento difícil e carente! Não, não. Não teria confiança o suficiente para agüentar o bando de mulherada apaixonada pelo meu quinhão.

Generalizar não é o meu negócio. Bem como foi gritado pelo megafone aqui, prezo pela individualidade, custe o que custar! Bão, mas, não sei se ouso dizer que todos, temos uma mania feladaputa de depositar no outro, a solução de quase (por vezes, todos) os problemas particulares. Um certo filósofo das antigas, dizia que a incapacidade de digerir os males mundanos e espirituais, leva o sicrano à loucura. Ou seja, ruminar o que se passa, finca nossos pés na realidade, sem sofrimentos maiores (sempre há de doer, mizifim... respirar, dói!). Não sei. Em algumas situações, sou, voluntariamente, trancafiada no meu mundico particular. Onde tudo é verde com bolinhas azuis e eu converso com as minhas pedrinhas. Elas sacam de mim. Assim, eu consigo me manter sã. Mas, porém, contudo e entretanto, em algumas situações, costumo fugir para alguém mesmo. E isso me faz esquecer um pouco de mim e de toda a bagagem que carrego na cacunda. Tomo da outra pessoa, as suas angústias, tentando resolvê-las. Afinal de contas, quem tá de fora não tem uma visão mais ampla? Assim, tenho pra mim um tempinho meio away... desvencilho-me das minhas balas feito o Neo... e, toc! toc! toc! Quem bate? Os seus fantasmas! Ok, vamos lá! Sou eu mesma, não dá para ficar fugindo. Que eu seja uma caça-fantasma!
Cadê meu aspirador de espectros?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Toco cru pegando fuego... toco cru pegando fuego...

Aê, vamos nos sentar aqui! Sim, sim... aqui na rua mesmo. No meio-fio. Passa-me a garrafa. Sempre achei meio charmoso bebida enrolada num saco plástico, já que não existem mais aqueles sacos de papel para embalagem. E aí, o que me conta de novo? Ou de velho mesmo. Falar sobre o antigo puxa revisões. Revisar pode ser algo interessante e revelador. Eu vivo me revisando. Às vezes, vejo que o sujeito não combina com o predicado... ou pus uma vírgula donde não deveria (fracasso até com os ponto-final)... acrescentei advérbios demais, dificultando a compreensão... parágrafos longos em demasia... frases dúbias...
Dê cá mais um gole. Preciso liberar o Mr. Hyde. Não deveria apelar para a bebida a fim de soltá-lo. Mas, admito, assim fica mais fácil. Posso ser quem eu realmente sou com a mente aguçada. Não digo adormecida, pois ela sempre está a fumegar. Tem coisas que digo ou faço, quando meu anjinho filha-da-puta se cala, jogado num canto. Deixo o diabinho assumir o controle e dar descanço que a minha alma e corpo tanto pedem. E o descanço provém exatamente da exaustão. Elevar todos os sentidos e sentimentos. Sentir-se perdida dentre eles, procurando, de alguma forma, por ordem no galinheiro. Isso me faz andar. Progredir. Revisar.
Mais um gole.
Hipérboles. Gosto delas. Exagero intencionalmente na idéia que tento expressar. É minha pitada de cor à tela branca. Acentuo dramaticamente aquilo que ero dizer, deixando transparecer uma imagem ampliada do real. Isso não é enganar. Não me entenda assim. Isso é tornar a realidade mais interessante, fazendo-me, que Thor queira, apaixonar-me por ela.
Mais um gole.
Reviso-me para acentuar, concluo, meus erros. Eles é que me fazem.
Burrrrp!