Ahhhhh, meu mundico! Tevê... embora não esteja assistindo. Minha cama amassada. Minhas roupas jogadas. A xícara vazia, obrigando-me a abrir a porta e ir enchê-la. Aproveito a ocasião - mais um exemplo da situação "faça do limão, uma limonada" (hoje, não à caipiroska) - e faço um pãozinho com queijo e presunto. Saco vazio não se mantém em pé. Faltou o jornal ruim, com as notícias de ontem, desmantelado. A preguiça não me permitiu ver o sol até agora. 14h06. Ontem, quando resolvi sair à noite, dei-me conta ter passado o dia sem ver o dia. Cheguei em casa, sexta-sábado, no escuro e só saí da tumba quando a lua veio dar o ar de sua graça. Minha doce clausura.
Cigarros acabando. Pombas! Talvez precise sair do meu universo.
Não. Hoje não tô a fim de proferir pérolas da filosofia do ovo colorido. Deixo a cabeça vazia, fertilizando-a para as abobrinhas. Besteiras. Isso! Tô a fim de falar besteiras. Liberdade!
Sim, liberdade. E começo pelas meus peitos. Fora! Vai "Seu Tião"! Junte-se às outras peças ali no canto. Desde que brotaram no meu corpo - e não os fiz cumprirem a sua missão à risca por falta de paciência e sono acumulado por conta do chorinho da pobre criança assustada com o mundo para o qual fora jogada - durmo com o sustenta-peito. Não sei... incomoda-me senti-los livres. Sinto como se estivesse nua. Mais próxima à condição animal. Acomodados, seios. Presos, tetas.
E hoje sou uma bicha-preguiça.
O barulho da televisão incomoda. Não está se adequando ao clima. Ô clipezinho ruim. Como vendem porquera para os terráqueos! Mais de cem pilas para se ter outras opções, sapeio. Oliver cozinhando. Não sei o que de abóbora e pato assado. Pouco me importam as receitas, já que larguei mão de aprender a cozinhar. Sei me virar, já basta. Mas o sotaque britânico me enternece o coração. Ahhhh, Oliver! Que homem perfeito! Sabe cozinhar, abre o apetite (não estou me referindo a sua arte... Ahhhh, Oliver! Você com esse molho ai que está fazendo... azeite e ervas... opa!), mora na Inglaterra... Sr. Jesus, olhai por mim! Quedê? Estou pedindo demais? Ok! Não pedirei tanto. Um cara engraçado, então. Que não invente passeios de índio. E não se importe em ficar trancado no quarto vez ou outra. Prometo dar atenção entre uma voada e outra, aumentando o som da tv. E, opa!, sem ser no Jamie Oliver... para não correr risco de trocar o nome. Tá bom, agora?
Pimenta... alho... Olho o paredão. Janela sem visão alguma. Não reclamo. O reboco mal feito me proporciona imagens interessantes. Rorschach (branco quanto à grafia e preguiça de consultar Google) gratuito).
Viro, aviso ao mais velho que passaremos o dia de hoje a pão, queijo... enjoei de presunto. A tempos não como mortadela. Entrego-lhe o cartão para que vá à padoca e providencie o... almoço? 14h39, lanche. Caçula na casa do pai. Desobriga-me a queimar os miolos e mãos com legumes e afins. Só não posso pedir para comprar um macinho. Fora bebida, não vendem drogas no débito em conta. E, bom, não pegaria bem mandar o filho contribuir com o vício materno. Aos trancos e barrancos, ainda tenho uma postura a manter.
Onde estava eu? Ainda no quarto. Como estariam as coisas lá fora? Bagunçadas. Se os olhos não vêem, o coração não sente. Coração não sentindo, o cérebro não ordena tomar atitude. Fico aqui mesmo. Tetas e alma livres. Pimenta... alho...
Penso. A palavra pimenta realmente é pimenta. Assim como alho. Oliver, por quê? Assim, como surgiu isso? Explico-me melhor. Mas pode continuar aí a sua receita. Agrada-me o tom de sua voz. Chilli and garlic. Hummm... garlic não se encaixa tanto. Não é alho. Chilli consegue traduzir pimenta. Enfim, quando, como e por que, as coisas receberam aquele nome. Traduzir tão perfeitamente algo numa palavra. "Hey, isso aqui tem cara de... de... putz! Pimenta! Claro! Isso aqui é muito pimenta!".
Amarelo tem cara de ensolarado. Ensolarado, tédio. Tédio pela obrigação de fazer algo proveitoso ao tempo. Tem gosto insosso. E essa não era a intenção da cor. Muito pelo contrário. Mas, lamento, é. Cinza tem braços acolhedores. Cheiro frio de neblina. Não há ordem para se fazer algo. Apenas, ficar, sem culpa alguma, na cama. Lugar fechado. Hoje, tô indo de encontro violento contra você, odioso amarelo. Pode tentar entrar à força aqui no meu cubículo. E leve na cara o cinza que fiz instalar aqui.
Pimenta. Alho. Tetas. Cinza.
Café! No tato, chego à cozinha. Não quero ver nada.
Cigarros. Como digo, no bom, há mau. No mau, há bom. Nunca achei a preguiça ruim. É apedrejada injustamente. Para aqueles que não abriram seu coração à ela, ressalto um ponto positivo: hoje, tornarei menos viciada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário