domingo, 27 de janeiro de 2008

Argh!

Muitas vezes pedi fervorosamente a Thor para que não me deixasse transformar numa espécie não rara entre as mulheres. Principalmente, entre aquelas que já morderam a maçã da maternidade. Eu ficava ali, com cara de enfado, batendo o pé direito, em pé, esperando minha vez, escutando que a fulana que se plantou frente à professora anda trabalhando construções textuais com a sua cria, em casa... que fulaninho, filho de fulana, tem dificuldade x; que, oh! que garoto esperto!, fez uma pergunta que, geralmente, criança da sua idade não faria... que, que, que... Céus! Que bundona! Que Buda não me deixe ser uma também, pagando minha língua; pois, já vi e vivi, que o grande barato desta vida é pagar língua! Cacilda, que mulé chata da porra! Não é querendo me colocar como exemplo não, mas... por que não faz como eu: "- Oi, sou a mãe do Guilherme Boaventura. E então, como ele tá? (...) Ah, é? (...) Hummmm!(...) Então tá! Tenho que assinar algo?". Encaro assim: a professora dá a direção, basicamente. Aprofundar e fixar o conteúdo, cabe ao meu filho e a mim, se houver dificuldade. Creio que não tem nada a ver encher os ouvidos da pobre coitada (muito menos os meus) que está trabalhando num sábado, com as táticas educacionais particulares. Isto é entre A, mãe e/ou pai, e B, filho. Será que com todo o discurso desinteressante, ela, a bundona, tenta mostrar que é boa mãe? Que fissura é esta de ser boa mãe? E, principalmente, que necessidade é essa de tornar público que é boa mãe? Olha só, amo demais meus filhos, amor que chega a doer cá dentro quando, no meio da noite, acordo e fico reparando meus moleques dormindo. Uma mistura de medo e amor. Porém, sei não... não entro nesta competição doentia que se instala entre as mães. Protejo demais... faço as vontades demais... sou cuca-fresca demais... Sou humana demais. Não faço questão de competir pelo título A Boa Mãe do Ano. Já fico feliz se, com os meus erros e acertos, meus meninos sairem boas pessoas.

Terei cumprido a tarefa árdua e doce.

Sem ter virado bundona.

E com direito a um asilo de ponta. Não quero torrar a paciência de ninguém! Aliás, eles terão suas vidas para tocarem. É assim que a vida segue.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Oh, céus!

Então tá, ei-las, as abobrinhas!
Eu as prefiro recheadas. Refogadas simplesmente também é bom. Recheadas, ao forno, é melhor. Que venham a mim assim, prontinhas, no ponto de serem degustadas. Detesto escolhê-las, pois detesto supermercado e afins. Via crucis do consumo, para a sobrevivência ou não. Falta-me paciência. Aliás, creio que seja saltitante aos olhos, minha paciência se dá ao trabalho por poucas coisas. Preciso me enfiar num ioga. Acalmar-me. Meu caçula já aprendeu alguns palavrões enquanto dirijo. Tsc... tsc... tsc... Mas, olha, eu chego em casa tão mais leve! Voltemos: detesto supermercado. Minha mãe me pergunta como farei caso peça divórcio dela. Bom, há o Pão-de-Açúcar online. Ok, ok. Para verduras, legumes e frutas fica meio complicado escolher. Hummm... a empregada, então? Ahhhhh, que horror! Não da minha falta de disposição às compras. Não gosto e foda-se. É empregada. Tão... tão... tão sinhá! Miiiinha empregada. Que horror! Não sirvo pra ser patroa de ninguém. Não sei dar ordens e peno no meu cargo de chefia lá no meu ganha pão. Empregada é diferente também. Muitas confundem: tirar o salário do seu bolso não significa posse e, conseqüentemente, outorga a abusos. Conheci gente que, a partir do almoço de domingo, não lava mais louça alguma para que sua secretária a lave na segunda. Ô terminho brega: secretária. Não tenho empregada. Não tenho secretária. Conto com a Ieda para me ajudar. E lavo os pratos toda noite, assim como depois do rango dominical.

Rango... Lembrei dum colega de trabalho, quando eu ainda estava na sede. Ao telefone, não me lembro com quem, referi ao almoço como rango. Ele, o colega, após eu ter desligado, riu do termo, insinuando que ele era um tanto não-romântico. Bolou até um diálogo entre eu e um suposto namorado. Minha fala: "- E aí, fulano, vamos bater um rango?". Não digo que ri amarelo, pois não foi. O riso foi mais de: "Oh, mas que besta!". Rango. Rango. Rango. Já jantei à la carte. Detestei. Esse trem da gente ter que brigar com o garçon para poder partir o próprio bife é... é... é sinhá! Assim como não conseguir se servir do vinho, do suco, seja lá o que for. Sou mais ao rango. Aliás, aceito um convite ao cachorro-quente ou ao hamburgão.

Ai, ai... chega um dia que é preciso largar mão da calcinha de bolinhas azuis. Fico com pena de largá-la: é tão mais confortável. Talvez um dia tenha eu que ter uma empregada. Jantar. Ou almoçar. Mais vinho por favor!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Eu adoro pudim de repolho. Nâo, não. Não o imagine assim, sob o formato dum pudim convencional. Aliás, o nome pudim não combina muito. Talvez, repolho ao molho. Repolho ao forno. Pudim já faz o caro ouvinte (ou leitor) exclamar um "eco!". Adoro pratos feitos com legumes. No meu gosto, são mais apetitosos que massas... Pavê! Não consigo desenvolver uma tara por tal doce. Belisco, sem me empanturrar. Eu queria saber cozinhar, porém, para tanto, era preciso eu querer aprender. Como assim, querer saber sem querer aprender? Incoerente. Põe incoerência nisto. Melhor não querer saber. Almoços de domingo ficariam por minha conta. A tarde desse dia é sagrada: nada de movimentos bruscos, muito menos arrumação de cozinha. Momento relax pré-segunda. Hora de se jogar sobre a cama, cercar-se de jornais, revistas e livros... ou ligar a tevê num programa qualquer para não pensar... e esperar calmamente pelo segundo dia da semana. Na minha incansante luta em não ser mais uma, nadar contra a maré, ser a ovelha negra, enfim, ser do contra, trabalhei interiormente a idéia de Segunda-feira. Muito batido odiá-la. Porém, ela é mais forte que eu e a idéia de tuuuudo de novo é desanimador. No fundo, não é tuuuuudo de novo. Cada um é cada um. Cada história é cada história. Cada caso é cada caso. E, como não poderia deixar de ser, cada dia é cada dia. Mas, sabe, é esta sensação incrustada: início do ciclo. Se fosse algo contínuo, não se faria necessario pausa para respirar e captar energia para tuuuuudo de novo. Reabastecer a energia demanda mais energia... mais energia é puxada para dar arranque... É como desligar o carro num congestionamento para economizar combustível, enquanto a fila não anda. Disseram-me que isso não adianta bulhufas. Pelo contrário, ao religar o carro, um tantico mais de combustível é usado para acioná-lo.

Recomeçar... é desgastante.

Mas, por vezes, necessário.

Geralmente citam os números 1 - o começo; 7 - tempo de trabalho divino na construção de tudo (acho eu que seja por isso); 13... 13... sei lá... azar? Enfim, há números que fortemente representam algo no mundo místico. Eu apontaria o 3. Para namoro passar a ser considerado sério, 3 meses; para gravidez ser considerada séria, 3 meses; para o trabalho ser considerado sério, 3 meses... 3... 3... 3... Então, a partir deste ano, depois do meu aniversário, passo a ser considerada séria? 33 anos.

Cansaço. Levar criança ao Hot Zone deveria ter sido o 13º trabalho de Hércules.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Nos círculos do inferno


Dando origem à figura, Lúcifer, gravura do A Divina Comédia, em http://www.stelle.com.br/ .
As moças então bateram cá no portão de casa. Maria Rita atendeu. Sentiu logo do que se tratava. Admirável duas moças, numa tarde de terça-feira, sob um sol de rachar coquinho, bater de portão em portão para professar sua fé religiosa. Poucas coisas me fariam, de livre e espontânea vontade, cumprir tal tarefa hercúlea. Um pagamento muito bom. Alguma promessa muito recompensadora (não entenda como promessa pra santo). Enfim, algum motivo atrelado ao advérbio MUITO. Minha irmã disse já vai. Eu disse, "quer que eu vá? Ou vá e diga logo qual é a sua, a minha, a nossa!". Ela foi. E não disse. Postou-se frente às pregadoras da santa palavra. Com hum-huns, deu a entender que a comunicação havia se estabelecido entre as três. E soube do triste fim reservado a sua alma: o inferno. O capeta espera ansiosamente pelos ateus. Eis o seu, o meu, o nosso fim!
Pobres moças! Cheias de fé. Vazias em argumentos. A perspectiva infernal é para que um possível ateu que, em ato extremo de camaradagem em escutar tanta lorota, fique com medo do futuro quente pra sua alma e mude de opinião? Opa, mas Deus e Diabo andam de mãos dadas e se não acredita no primeiro, como acreditar no segundo? Não dá. Isso não me meteu medo. O que me dá medo é a intolerância religiosa. E, pior, a intolerância aos não religiosos. Há algumas idéias já preconcebidas relacionadas a algumas características. Ou gostos. Declarar-se ateu e buscar paciência no fundo do baú para agüentar indagações sobre o porquê da sua não-fé. Ou ver sua imagem emissário-do-demo refletido nos olhos de quem escuta tal declaração. Ateu é mau. Come crianças com batata. Assim como insinuar (ou declarar, chutando o balde rumo aos hipócritas) que gosta de sexo. Conseqüência pior se o declarante for portador da dupla genética XX: passa-se a ser promíscua, dá fácil, desmerecedora de boa-fé.
Melhor, a intolerância me mete medo, seja ela qual for.
Não serão outros terráqueos que guiarão a minha pacata vidinha. Minha.
Eu sou atéia e gosto de sexo. E sei mandar gente pra puta-que-o-pariu!

P.S.: Não, não, antes que alguém proponha, ou pense ser eu praticante, não aprecio T's sexuais (sabe aquele T de tomada, então), melhor, um pode ser bom, dependendo da imaginação e força manual; dois é melhor; mas três, não dá, não dou, não damos. O dois, no caso, na minha declaração (e vão pra puta-que-o-pariu) se refere a parceiro fixo... ao namorado... àquela pessoa para a qual se olha e lá vem um apertinho no coração: "Oh, ele é meu e eu sou sua!". Sim, sim. Romantismo é o melhor lubrificante.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Youth is wasted on the young

Soltei sua mão. Ian saiu correndo à frente, enquanto procurávamos o lugar certo. Sempre precisei de exemplos para que idéias se confirmassem e eu passasse a tomá-las como verdadeiras. Talvez por isso, Deus não me entra na cabeça. Os crédulos poderiam apontar vários acontecimentos na minha pacata vida como demonstrações do Seu poderio. Prova cabal de sua existência. E se, por acaso, eu me ajoelhasse diante Dele, ato praticado pelo vencido, ergueria minha cabeça. Encarar-Lo-ia e diria: belo jogador de The Sims, Você o é! Enfim... opção religiosa (ou a não opção por ela), opção sexual, opção futebolística, opção financeira, ou seja, OPÇÕES não se discutem. Como eu estava escrevendo: observar meu pequeno dentre tantas vidas passadas; sentir que o observavam não por ser um menino ativo e falador, mas por ter tanta vida, fez-me enxergar sobremaneira o cruel nascer-crescer-reproduzir-envelhecer-morrer. Duas pontas da corda.

Outro ponto que atrapalha meu desenvolvimento sustentável: ir ao trabalho (e, sempre espero, retornar pra casa) sozinha dentro do meu carro. Bom, só o fato de utilizar tanto o carro já depõe contra. Não tenho culpa se o sistema de transporte público não funciona satisfatoriamente. Já tentei eu, honrando minha carteirinha do Greenpeace, me enfiar num ônibus, ou até mesmo metrô. Não dá, gente! Há pontos positivos, como colocar a leitura em dia durante o trajeto, deixar a imaginação voar com as histórias captadas ao redor... Mas, porém, todavia, contudo, entretando e todas as adversativas, não dá! Chego amarrotada... meu trabalho exige certo formalismo... as pessoas me irritam profundamente... Vou de carro mesmo! Adianta se disser que prefiro o álcool à gasolina? Voltando, deveria eu oferecer carona, arrigementar pessoas que seguem o mesmo destino, cumprindo com a minha parte para diminuir o número de veículos emissores de CO2 à atmosfera... Porém e, de novo, todas as conjunções contrárias à primeira sentença, gosto de ir só. Canto e lamento não ter montado uma banda quando a idade permitia... Penso na vida (sempre ela)... Observo o quão sem-educação é o povo do carro da frente que arremessa lixo pela janela (tô dizendo, o povo me irrita!)... E matuto. E numa dessas matutações, cheguei à conclusão que o grande barato é digerir o tempo devagar. Cheguei nisso antes mesmo de começar a ler o livro sobre relatividade. E olha que, se meu entendimento não me beijar e trair, o tempo se dilata e o espaço se contrai quando a velocidade aumenta. Minha conclusão contraria tal regra. Senti que, se não fosse tão rápido, tão afobada, tão pé no acelerador para que logo chegue ao trabalho, que logo passe o expediente, que logo retorne pra casa e que logo termine o dia, bom, se eu fosse mais slow, o tempo espicharia. Acusem-me de louca ou não, quando tal idéia brotou dentre os sulcos da massa cinzenta e eu tirei o pé do acelerador, senti concretamente o tempo mais elástico, por assim dizer.

Mastigar as horas vinte vezes de cada lado.

Depois, escovar e passar fio-dental, retirando as sujeiras entranhadas.

Sabe, digo e é verdade: não tenho medo de envelhecer. Só me amedronta perder a lucidez.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Resumido, assim.

Estão ocorrendo falhas no meu desenvolvimento sustentável. Ainda continuo sem saber onde jogo fora as pilhas esgotadas, não estou separando meu lixo e, principalmente, meus banhos continuam longos e quentes. Primeiro, pretendo comprar tão logo, já era pra onte ontem, pilhas recarregáveis. Segundo, semana que vem, providencio minhas lixeiras coloridas (como qualquer país que procura se enquadrar no ecologicamente correto, é preciso verba. E verba, só depois do segundo dia útil depois do dia 20 de cada mês). Terceiro. Ah, o terceiro está complicado de seguir. Minha relutância é tal qual o Tio Sam frente ao protocolo de Kyoto. Como é bom agüinha quente e idéias escorrendo. Quisera eu ter um gravador conectado à mente para que gravasse tudo sem precisar abrir a boca ou traduzir-me com os dedos sob o teclado. Como no teste de Rorschach, procuro decifrar quais imagens surgem em meio ao vapor d’água e qual o significado delas para mim, naquele momento.

Não, não. Não faço uso de substância natural ou sintética alguma, aviso.

Geralmente, eu vejo feições, embora as letrinhas embaralhadas impressas no acrílico do box estejam tão nítidas (e ninguém mais consegue ver. Chamei mãe, filho e mandaram-me mostrá-las às suas mãos, no típico “fale com a minha mão”). Esqueçamos o caos alfabético e concentremo-nos nas feições. Não foi um rosto somente. Meu personagem de gibi predileto saltou da cerâmica: o Curinga. Não sei por que mas sempre achei mais interessante o lado negro da força. Só assisti ao A Vingança dos Sith, pois finalmente Darth Vader apareceria (lógico, não incluindo os primeiros episódios da saga, aqueles com Harrison Ford). Na pré-escola, Maurinha já demonstrava tal interesse quando ficou exultante com o papel conquistado na pecinha a ser encenada para o desespero dos pais: a bruxa má. Geralmente, a ciência é associada ao diabo. Talvez por isso, nas ficções, os maus são mais astutos. Mais inteligentes. Maquinam. Executam. E por sorte do destino, força muscular ou devido a alguma força incomum ao ser-humano, os bonzinhos (eca!) vencem. Enfim, o Curinga, que está ótimo em O Asilo Arkham.

Bão, quando enxerguei a Medusa, realmente tinha uma relação de ser há algum tempo. Curinga... bom, se minha interpretação não me trair, creio que esteja ligado a encafifamento. E eu estou deveras encafifada. Por vezes, acho que saber demais não faz bem à saúde. Porém, viver superficialmente também não é benéfico. Tal como os físicos que procuram leis que preencham lacunas, enquanto não se alcança uma lei geral, que unifique tudo; penso que gente procura viver tão desordenadamente pois não consegue encontrar uma lei que explique sua razão de existir. Dopar-se para que não se desiluda com a simplicidade das coisas. Nascer. Crescer. Reproduzir. Envelhecer. Morrer. Eis o meu porquê. Sim, sim. Pode haver os adornos à sobrevivência. Ou, o suco de laranja para que o comprimido desça mais facilmente. Meus filhos. Minha família. Amigos. Diversão. Isto distrai a mente e nos livra do sofrimento de constatar como a coisa é tão resumida assim. Choro... rio... corro... adoeço... caio... vivo, ou seja, formulo diversas leis que regem meu espaço-tempo apenas para que os genes se propaguem tempo afora.

Sinto-me numa corrida de revezamento!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Nem só de caviar vive o homem!

Então. Bateu-me saudade de ser docinho-de-coco. Melhor, coxinha com catupiry. Sou mais salgados a doces. Enfim, senti saudade de mim inspirada, com uma flecha do cupido fincada no peito. Uma das minhas declarações mais bonitas foi inspirada na Era do Gelo. Disse eu termos nos conhecido há muito mais tempo, em vidas passadas. Estava eu a caminhar, seguindo o grupo, um frio infernal, e, de repente, caio. Cabeça baixa, só vejo uma mão sendo estendida em meu socorro. Seguro-a. Apoio-me. Levanto a cabeça e o vejo. Era fulano. Ahhhh... eu gostaria de receber algo assim. Tão criativo, não? É isso! Falta me faz de ser assim. Entendam-me, é algo egoista mesmo. Não é falta de alguém, mas de mim. Do prazer que dá quando se está neste estágio apaixonado.

“Eu te amo porque não amobastante ou demais a mim”

Escreveu Drummond. Gosto desta parte do poema. Sou muito de poemas não. Aliás, nada. Assumo: não gosto de poemas. Quer outra revelação? Não gosto de sushi também! Mais uma? Arroto depois que espirro... acho bonito homem com barba... e não acho legal depilação total. Sei lá, tal como a subida ao topo (nem tanto) da Torre de TV, nada comparável ao friozinho na barriga sentido quando criança, estraga-se a imagem que eu tinha, sem marcas do crescimento ou inocência acabada. Foram três revelações. Duas de brinde.

Vou voltar ao livro sobre Relatividade. Assuntos mais interessantes, sem filosofar. Por increça que parível, acho filosofia um saco! Tô com preguiça de reler tudo aí pra baixo pra me certificar de que já comentei sobre isso, mas sempre me esquivei de filósofos (só falhei com Nietzche e de certa forma, Sartre). Prefiro ter meu próprio pensamento, mesmo que apontem ter sido minha descoberta descoberta há tempos por outro que tem a fama. Não me importo. Cheguei eu mesma lá. Auto-suficiente, já me acusaram. Isso é ruim? Talvez, pois tendo ao isolamento. Problema na minha vida estudantil: acho perda de tempo ficar sentada, durante horas, escutando blá-blá-blás. Prefiro grudar minha bunda na cadeira e matutar sobre a matéria.

Bão, chega por hoje, não? Tô tão terráquea!

Oh, yes...yes...yeeeeessss!

Escreveram num fotolog já falecido meu, assim, poucas palavras, seco e direto: “Todo castigo pra corno é pouco!”. Pá! Todo castigo pra corno é pouco... fiquei a regurgitar. À época, eu estava apaixonada e, analisando todo o antes, durante e depois, creio que eu era corno mesmo. Contudo, como toda apaixonada, isso nem passou pela minha cabeça. Melhor, passou e ficou, mas eu não senti peso algum por isso, utilizando-se de termo mais apropriado, nem desconfiei. Bah! Algum invejoso traduziu sua inveja em tais palavras pra me azucrinar, pensei de imediato. Olha, assino embaixo, todo castigo pra corno é pouco. E eu merecia toda a oscilação emocional... o sofrimento... bancar e ser tratada como a chorona, alugando ouvidos, melhor, olhos para que despejasse toda a minha dor cornífera. E haja saco! Corno, senti eu é aquele que no fundo sabe do par de chifres e sofre por medo de perder a pessoa, choramingando pelos cantos, querendo saber por quê, meu Deus? Sou uma pessoa legal, inteligente, dotada de certa beleza, dou... POR QUÊ???? Não faça isso! Volte! A gente se resolve. Ficou bem explícito o que é corno, não? Agora, nem todo traído é corno. Há um subconjunto no qual estão inseridas pessoas que prezam o seu rabo, que foram traídas sim, mas não se dão por vencidas. Na mesma semana, aparece com outra pessoa, querendo mostrar que se não lhe foi dado o devido valor, tem quem dê! Tática furada, pois por dentro, tá tudo destroçado. Seu ego fora metralhado. E isso dói. A dor queima por dentro, querendo que tudo dê errado ao traidor. Ah, vingança! Porém, o tempo, sempre ele, mostra que isso também é tática furada. O emocional cega a razão. E esta lhe diz (aliás, sempre, só que não é escutada por vezes) diz que, bah! Foda-se. Foda-se a pessoa! Foda-se eu! Não foi. Não era pra ser. Gênios incompatíveis. Você se livrou duma boa. Sei lá. Vá viver, sô! Enfim...

Missão 007 ou Impossível (não sei em qual dos dois se sua mais a camisa para cumprir tarefas dadas pela agência. Não cultivo fantasias com quaisquer James Bond’s e acho Tom Cruise muito baixo) abrir e-mail que contenha material “educativo” depois que se é mãe. Ainda mais quando o filho já tem ciência dos perigos que sua santa mãezinha corre quando sai com um “amigo”. Sinceramente, não há revolução hormonal alguma cá dentro deste organismo, quando vejo os “ai, ai, ai... isso! Isso! Isso! Vai! Vai! Vai! Tô quaaase...”. Não. Por que abro? Bom, acho engraçado. Sim, tal como filme de terror trash, filmes pornôs são engraçados. Tão notório o fingimento da moça ao ser confundida com o T de tomada. Sei lá... Posso estar sendo rígida demais. Mas... poxa, se um namorado meu precisasse assistir a algum Butman antes de vir pra mim, isso me soaria como “vá e imagine a Angelina Jolie!”. Sei lá... Sei lá...

Para mim, eu assistir antes, broxa-me.

Preciso tirar o sei lá, sei lá do meu vocabulário. Tal como a conjugação na primeira pessoa do singular no presente do indicativo do verbo achar. Eu quero alguma coisa e solto: eu acho que vou querer... RRrrrr... Que merda! Assim como as locuções verbais... “Amanhã, eu vou me consultar...”. Por que não “amanhã, eu me consultarei”? Tenho dificuldade em ser direta. Pá-pim-pum. Todo castigo pra corno é pouco!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Enforquem o último padre com as tripas do último capitalista!

Olha, só: cansei! Lutei até onde pude contra o sistema. Tentei enxergar a real intenção dos dirigentes. Nada mais somos que massa de manobra. Se querem vender algo, jogam ao rebanho tal necessidade. Repare na onda da tevê digital. Guerrilheira que sou (ou era, depois das próximas linhas de redenção), quando senti necessidade em adquirir outro aparelho teletransmissor em 2006, optei pela a tela plana. Modelo já considerado ultrapassado... bom, não tão ultrapassado quanto àquelas com o tubo de imagem ainda curvo, mas enfim... poderia ter comprado lcd, não? Mas, porém, contudo... ahhhh, coisinhas eletrônicas me fascinam, sabe? O celular que tira foto, filma, grava sons, acessa internet e, ainda, realiza e recebe ligações... o computador de última geração... aquela televisãozona pendurada feito quadro na parede... imagine um pusta video game nela? Chateada com a minha exclusão tecnológica, fui xeretar meus e-mails. Oooopa! Beto Lee aceitou meu convite orkuteano para ser meu amigo. Ah, o orkut. Encurtando caminhos. Donde eu teria um contato mais... mais... mais próximo com tal pessoa? Não, não me parece ser fake. Emoção! E agora, convido-o prum cinema? Passemos adiante. Hummmm... aprenda a investir na bolsa de valores. Oh, yes! Yes! Yeeessss! Tô a fim de que dentro de minha bolsa tenha algum valor. Aliás, há algum tempo, cultivo lá um interesse em aprender sobre esta poderosa ferramenta capitalista. Afinal, minha pacata vidinha terrestre sofre influência dela. O que pude captar em minhas leituras, é que o lance não é tão óbvio assim. Digo, tem todo um conhecimento amplo por trás da compra-e-venda de ações. É preciso estar informado... ter uma análise filha-da-mãe... Pausa (café). Calor de 30 graus. Eu não consigo ficar sem meu precioso líquido preto fumegante. E olha que não fumo. Eu não bebo, não fumo e não... É. Eu não bebo e não fumo. Voltemos. Minha máquina de café expresso. Acrescente-a à lista. Que mané capuccino o quê? É café preto. Quente. Forte. Acorda bebum. Enfim... as coisas não são como parecem ser (aliás, isso se aplica não só na Bolsa de Valores). Por exemplo, eu, Maura Luiza, se me dissessem pra injetar uns "real" numa empresa ligada ao biocombustível, eu não hesitaria. Pois os papéis referentes a uma empresa assim tiveram uma queda notável em 2007. Taí, sinto que terei os poderes de Grayskull se souber investir em ações. Mais um pra lista 2008: ser acionista de algo.

E quer saber? Beto Lee é meu amigo, e nada poderá comigo!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pantagruélico


Mesmo ciente de que não me faz bem, entreguei-me de boca e alma ao pecado da gula. Faz-me mal, não por conta da consciência pesada por ter ultrapassado o limite do razoável... da satisfação. Aliás, saber qual é esse ponto, o do "estou satisfeita" (então paro), torna-se um tanto complicado quando a exaustão (na falta de uma palavra melhor que conceitue o estado "ai, tô lotada") é a linha de chegada. Assim, o ponto politicamente aceitável está um tanto distante daquele que me impus. E peco. Isso vale para todos os atos pecaminosos que pratico. A única desvantagem de habitar algum círculo subterrâneo é o imenso calor ao qual submete-se o pecador. Segundo Dante, há, porém, o círculo do gelo. Mas gelo queima também.


Rodei e não expliquei: meu organismo reage mal à comilança. Fico lenta. Pareço transpirar a gordura ingerida. Sim, porque não haveria de me entupir de folhas, flores e frutos. Deposito minha esperança num copo de coca ao qual meu cérebro interpreta como sendo um legítimo Diabo Verde. Desentope tudo que está obstruído.


Tão bom quando filho começa a entender bem a gente. Meu quadro de escravos está sendo renovado. O mais velho, na porta da adolescência, arrisca-se a negar, ou argumentar, meus pedidos: um copo de coca, minha toalha que esqueci no quarto, procurar o controle remoto pra mamãe. Porém, carrego comigo herança transmitida geneticamente e cultura adquirida: a velha e boa e eficiente chantagem emocional. "- Poxa, Batata, mamãe tá tão cansada! Trabalho tanto... procuro ser tão legal contigo...". Nojento isso, admito. "- Iaaaan, leva joga este papel pro lixo pra mamãe!". E lá vai o pequeno, todo solícito e feliz, sem retrucar (por enquanto).


Privar algum órgão do sentido de captar sensações exteriores, aguça os demais. Eles ficam mais sensíveis e eficazes, eu li. E não existem somente aqueles que conhecemos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Há mais sentidos entre o céu e a terra, do que aqueles cinco que julga a nossa vã filosofia. Captamos o que nos cerca, usando outros instrumentos também. A pele, por exemplo. Quando se vai ao cinema pela primeira vez com a presa pretendida e, ops, o braços se tocam, não sobe um arrepio? Bom, em mim, sim. Há algum tempo, li um conto de Guy de Maupassant. Creio já ter comentado sobre em algum blog finado, mas nesse texto, ele argumenta que deve haver coisas que nos cercam mas não as sentimos (ou sentimos, daí explicam-se os calafrios). Nada de cair no poço da religiosidade para explicar. Pega-se a ciência: é comprovado que determinadas freqüências sonoras, nossos ouvidos não escutam. Que algumas cores, alguns colegas do Reino Animal não enxergam. E por que dizer que nós, humanos, enxergaríamos tudo? Pode existir algo que nossos olhos não vêem...


Amarrem-me!!! Quero testar minhas percepções!


Papo mais break on through, to the other side!


Agitemos a coca-cola, então!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Livro sobre...

Acordei com vontade de escrever um livro. Idéias aparecem aos borbotões. Um papo captado no metrô. Uma observação feita no trânsito. Uma olhada com olhos do Superman na moça que anda mancando e ao que pude observar, por causa dos sapatos novos comprados sob o desejo de se tornar mais sexy. Aliás, por que é sexy apoiar-se sobre os pobres cinco dedos dos pés e parte da sola? Sou uma pessoa que preza muito o conforto desde que inventou, lá no segundo grau, ir a uma aula, num pleno sábado, calçada com modelito novo, mas detonador de pés. Liguei pra casa, pedindo pelamordedeus para alguém levar chinelos. Não falam que não há nada mais pauendurecedor que uma mulher que acaba de sair do banho, enrolada numa toalha e com os cabelos molhados (lá vem eles, cabelos...)? Então, banho é um dos momentos mais relax do dia. Assim, quem acaba de sair, de certa forma, está se sentindo confortável. Assim, ponto pra confortabilidade. Sentir-se confortável é suuuuuperséquissi! Mas não é sobre isso que quero escrever...

Meu livro. Sobre quem? Sobre ele? Ela? Tu? Eu???? Baseado em mim, então. Não que a heroína vá se chamar Maura, mas algumas experiências dela serão retrato das minhas. A ficção traduz a realidade. Matuto. Que experiência marcante vou retratar? A perda da virgindade? Ah, clichê demais! Além do que, bom, a única sensação que me vem, quando lembro do inevitável dia, foi sair do local do crime com a nítida impressão que alguém havia esquecido algo dentre as minhas pernas, se é que vocês me entendem. Não digo que deveria ter esperado mais pois, na época em que aconteceu, ainda tive tempo de consertar as coisas e não mais ficar cismada de que estavam reparando o meu modo esquisito de andar depois do ato. Levou uns 10 anos. Imagine se tivesse sido mais tarde? E mais dez anos trabalhando na superação? Foi válido matar a Inês o quanto antes.

Uma ressalva: não entendam ser o coadjuvante bem guarnecido.

Bom, as outras lembranças.

Murchei. A vida é tão comum. Corriqueira. Simples.

E pensar nela, no nascer-crescer-reproduzir-envelhecer-morrer (não, necessariamente, obedecendo rigorosamente a ordem), veio à tona um inquérito que li.

Ele acordou decidido. Leu trechos prediletos da Bíblia. Deu conselhos ao irmão. Um beijo na mãe. E saiu. A mãe, achou estranho ele resolver sair, assim, de súbito. Nunca foi de farra noturna. Sempre foi um rapaz caseiro, ajuizado e de Deus. O pai passa mais tempo fora, no trabalho, que em casa. Não tem muito a dizer sobre o filho. Sobre os filhos. O caçula, meses atrás, tomou veneno para rato. A mãe diz que foi por engano. Ele tem, desde pequeno, a mania de misturar alpiste no arroz-e-feijão. Pegou por engano o veneno e foram longos e sufocantes dias no hospital. Isso mexeu sobremaneira o irmão mais velho. O pai nada soube mais profundamente. Estava fora. A mãe retribuiu o beijo e recomendou cuidado. A noite era perigosa, ainda mais onde moravam. Saiu. Sentiu-se cheio de vida. Hoje, aliás, ele a usaria intensamente. Encontrou os amigos. Bebeu. Fumou. Aspirou ao pó branco. A vida tão ansiada correndo violentamente dentro das veias. Andou de moto. Cutucou a morte. Pagou para usar o corpo de uma mulher. Voltou pra casa com confusas imagens gravadas na cabeça. Estava feliz. Acordou. Foi pro trabalho. Contou pros amigos as aventuras da noite anterior. Disse aos ouvidos desatentos que aproveitara a vida ao máximo. E ainda avisou que outra coisa grandiosa estava por vir. Que a partir daquele dia, tudo seria diferente. Ele marcaria aquela data para sempre. Seguiu para a guarita. Pegou a arma. Engatilhou-a. Apontou para a cabeça. No inquérito, testemunha alguma depôs sem utilitar o “eu acho”. Nenhuma certeza sobre o moço. Nenhuma transcrição fiel do que havia falado. Ninguém sabia dele ao certo. Nem amigos. Nem irmão. Nem mãe. Muito menos o pai.

De tudo e de todos, talvez eu, que não lembro do seu nome, tenha me envolvido mais com a sua estória. E tenha marcado somente a mim. A vida tão comum... corriqueira... simples...

Vá ver, sermos ratinhos de laboratório seja um modo de nos protegermos de nós mesmos.

E eu corro, satisfeita e serelepe, dentro da minha rodinha de ferro.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Hoje, tô um cu!

Xeretando, e cantando e seguindo a canção, pude observar que, geralmente, as pessoas complementam seus nomes com alguma referência ao seu estado de humor, fase da vida, experiências. Fulana Amando Demais. Beltrano Agora Papai de Sicrana. Bom, apenas lanço mão do advérbio, verbo e adjetivo, sem mencionar o substantivo, que no caso é próprio e sou eu. Hoje, tô um cu! Não sei por quanto tempo serei um. Talvez enquanto toda a merda que acá dentro se concentra (e não estou me referindo ao excremento propriamente dito) saia, e, assim, volto a ser boca, devorando a tudo e a todos, para novamente iniciar o ciclo de digestão e expulsão daquilo que não foi aproveitado pelo meu organismo. Então, tô um cu!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Vou me assumir!

Sabe, não acredito em promessas de Ano Novo. Aliás, não acredito em ano novo. Tiro suas letras maiúsculas, pois pra mim não passa de um dia normal, no qual fico sem saber por que as pessoas perdem a cabeça, e lotam supermercados, lotam as ruas, gritam, soltam foguetes, comemoram. Talvez, seja a idéia de uma nova chance e todo mundo quer uma nova chance. Eu queria. Um monte de novas chances, porém, com o passar dos anos, o dia primeiro me decepcionou e me mostrou, ao longo dos outros 364 dias (365 se for bissexto) que meu sentimento mor em relação a ele era verdadeiro: não passa de uma balela. Enfim... Mas, tomando-se o fatídico dia como ponto de partida para várias decisões, decidi voltar a escrever estas besteiras íntimas. Doa a quem doer. Mesmo que doa em mim. Assumo meu lado besta, boca-suja e outras cositas que não combinam com o modo dama de ser. Definitivamente, não sou. Gosto de mim assim como sou e se gosto, por que me podo? Sempre achei aquelas arvorezinhas podadas, redondinhas, tão antinatural. Lá vou eu!

Noutro dia, fiquei orgulhosa de mim. Admito que, geralmente, fico mesmo. Não é por nada não, mas me considero uma pessoa interessante. Não me jogue pedras por causa da falta de modéstia. Como dizem, se eu não me amar, quem me amará? Bom, vi meu abre aspas por increça que parível fecha aspas sendo usado. Poxa! Não consegui segurar o riso de satisfação em meus lábios. Agora, minha meta é difundir o abre aspas trupicar fecha aspas. Eu não tropeço, trupico. Ok, ok. Não é de minha autoria tal palavra, assumo e aviso logo para que não me culpem de plágio. Trupicar. Eu trupico. Tu trupicas. Ele trupica. Nós trupicamos. Vós trupicais. Eles trupicam. Conjugação perfeita. Verbo charmosinho.

Ahhh, que falta me faz minhas aspas. Sou uma mulher entre aspas. Teclado quebrado, elas estão de férias. Opa, mulher entre aspas pegou mal. Sou mulher mermo. Não levo jeito para outras práticas sexuais. Já me encafifei outras tantas vezes por achar fulana de tal bonita, analisando-me internamente e ver se não havia mesmo alguma pontinha homossexual. Não, não. Como sempre brado: mulher é um bicho chato. Não me relacionaria com uma. Digamos que há um homem homossexual dentro de mim. Em lugares próprios, elas mostram a sua cara e me enojam. Salão de beleza, por exemplo. - Aiiiii, esta água tá fria!. Ai, meus ovos! Enfim...

Aspas. Sinto falta delas.

Interjeição também é legal.

Inté!