Pois é, Dona Priscila, pessoas não mudam. Posição radical, a minha? Falta de fé (e excesso de fezes) na humanidade? Não. Podem elas vestirem-se com armaduras para conterem o que há lá dentro. E aparecendo qualquer rachadura... pimba! Então, sofrendo horrores acá no Distrito Federal, por conta do ex lá em Uberlândia e ele prometendo mudanças para continuarem a trilhar o maravilhoso e tortuoso caminho do casório, dois caminhos não muito animadores abrem-se a sua frente. A escolha recai em qual deles será menos doloroso, sem muitas ilusões em mente (não se iluda... vai doer mesmo... não há escapatória): ou espera, em terra candanga, a dor passar (há o seu lado positivo, porém. Não me contou que perdeu 13 quilos?), pois passa. Aqui vai uma dica minha: não fique olhando fotos, ligando, procurando contato. Neste ponto sim, eu sou radical: ex bom é ex morto. Mato-o e não rezo novena. Vou tocando o bonde, ocupando a mente, cuidando de mim. Ou, bom, alivie uma parte e sobrecarregue outra, já que sentiu na pele serem incompatíveis os estilos de vida (também já fiz isso. Tenho know how, mizifim!). Em miúdos: não dói por estar longe do fulano, mas por sua vida estar um inferno ao lado dele. Talvez esta última opção seja a mais interessante, embora um pouco mais dolorida. Um processo que leva ao mesmo resultado do debandar-se para outro lugar: apagar dentro de si, a pessoa. Só que através de toooodo um processo. Uma dor diluída. Não é no pá-pim-pum como no "eu quero que risque meu nome da sua ageeeenda, esqueça meu telefone, não me ligue maaaaaaais!". Sacou?
Bah, Dona Priscila! Não cometa a auto-embromação (talvez, a auto-embronhação possa ser uma boa terapia auxiliar nesse e em outros tantos casos). Não há como não sofrer. A grande sacada é tornar-se masoquista, gozando a cada fincada no peito que leva. No sofrimento, outros lados seus, interessantes até, saem das trevas.
Se, porventura, há alguém com parte da carga genética em comum (mais suscetíveis, portanto, a sobressaltos), família não se assustem. Sempre fui assim. As ocasiões foram aparecendo e fizeram com que eu puxasse outras de mim lá dentro. Não mudei. Sempre serei assim. É complicado tirar armadura para fazer xixi. E se faço dentro dela, enferruja.
Como amarras, além da Ceilândia, nossa fugitiva buscou as palavras do pastor. E logo após, reclama de um aparelho de celular recém adquirido em uma feira que vende, bem, produtos vindos de forma não mui legal. Não, não. Não é contrabando não. Frutos de roubo mesmo. A Feira do Rolo. Como assim, Priscila? Deus deixa? Gente não muda. Só toma a poção e deixa o Mr. Hyde aflorar.
Um comentário:
Oi Maura! Estou trabalhando de manhã e estudando pra concursos. Troquei de faculdade, estou na Unip. De vez em quando vou pro meio do mato, fiz até um rappel no mês passado. Vou te passar o link das fotos. Ontem li a introdução de um livro sobre Wittgenstein e me lembrei de você. A epígrafe era interessante, dizia algo assim: “em geral, o progresso parece maior do que realmente é”. Interpretei como uma referência ao progresso do porvir. Hoje, pensei se era uma citação ao progresso alcançado. Será que me transformei em um “realista” otimista? Entre em contato, vamos no botiquim blues. Bjs! Guilherme
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