terça-feira, 1 de setembro de 2009

Excreções

"Quer saber como viver mais tranquilo e aproveitar mais a vida?". Sim, eu quero. Como, cara pálida? Não acredito que, fazendo o tal seguro oferecido pela instituição bancária, eu vá ficar mais tranquila e, assim, aproveitar mais a vida. Sim, porque adquirindo tal produto, menos dinheiro em caixa; menos dinheiro em caixa, menos disponibilidade para aproveitar mais a vida. É uma lógica. Não muito aplicada a minha pessoa. Admito - e me atirem a primeira pedra quem não assuma por mais zen e sem que seja - querer mais um tiquim de money-que-é-good-nóis-num-have. Gostaria de viajar para o Chile, livrar-me das dívidas, fazer uma lipo e botar uns peitinhos novos (não nego meu par de cromossomos idênticos). Além de propiciar momentos marcantes aos meus moleques. Não uma viagem à Disney. Isso aí, nem se eu tivesse dinheiro escapando pelo ladrão. Levá-los à Capela Cistina... ver um VanGogh tete-à-tete...
Vamos todos juntos à Ilha de Páscoa!
Bom, se eu não fizer um dia isso tudo, ou parte, ok! Não resignadamente. Apenas não me esquento. Viro a metralhadora para outro lado e sigo adiante.
O que me tira a tranqüilidade, causando ruídos no meu aproveitar a vida, é não saber lidar comigo. Isso não depende de seguros tampouco de grana. É ficar mergulhada em mim mesma, sem conseguir me expressar e querendo achar um sossego à alma. Que anda perturbada por não saber de quem se trata eu. O que quero. Para onde vou. E por que cargas d'água vim parar aqui? Achar, por vezes, que os meus erros me destroem quando, na verdade, eu gosto de praticá-los e ver em qual rio desembocará. As imperfeições me constroem. Preciso ligar o botão do "fodam-se" às vozes que apontam, exigindo algo além das minhas posses, numa atitude cega pois são tão humanos quanto eu. Assim, meus camaradas, ninguém é perfeito e somos distinguidos, justamente, por aquilo que tanto fogem. Esse é o real e não parâmetros descritos e empurrados goela abaixo por livros e idéias infundadas... manuais... Essa sou eu! Opa! Achei-me!
E me deixem aproveitar a vida, porra!
Aliás, não preciso que me deixem. Vou aproveitar a vida! Vão vocês também!
Eu costumo chamá-la de "A fiscal da bosta". A posse no seu novo cargo, tomado para si voluntariamente, foi numa tranqüila tarde quando um dos colegas, para aliviar-se, usou o banheiro como se esperava que fizesse numa situação assim. Sala comercial. Cômodo sem a ventilação devida para que tão logo se dissipasse a prova do feito. E logo veio a voz saída da boca entre risadas, algo mui constrangedor até: "Eita, quem foi? Quem está passando mal? Tá tudo cheirando a merda!". Cheiro de merda, para mim, e não me perguntem por quê, pode ser sinal de bom presságio. Sempre tive disso. Odor captado de forma inesperada me passa tal impressão. Andando na rua, nenhum vestígio visível, e eis o aroma! "Opa! Sorte!" - sinto eu. Nesse caso, não se tratava de bom augúrio. Compadeci-me do respeitável colega (que preferiu manter-se no anonimato) pois, como diria num programa, merda acontece! Por mais tranqüila e relax, como o momento exige da hora; nada melhor que apreciá-lo no seu sacrossanto lar. Acompanhado de uma revistinha, folheto, rótulos de embalagens ou até mesmo uma bula.
Dia desses, o meu intestino pregou-me uma peça. Não adiantou a técnica do "caiu-puxei-a-descarga" no intuito de não me denunciar e nem compartilhar com involuntários um prazer que é somente meu: o cheiro do meu cocô. Lá veio ela. Novamente entre risadas. Atribuindo a autoria do fato a um dos homens qualquer. "Deve ter fulano ou beltrano! Hahahaha!". Levantei os olhos por cima da minha baia. Olhei-a. "Não, não foi. Foi eu!".
Além de defeitos, sou feita de bosta... de mijo... de gases...

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