Yes, baby... vamos a elas novamente. Meu assunto predileto. Minha fonte de encafifações: contradição. Para ficar melhor, pois são várias pipocando, e para concordar com o início do texto ("vamos a elas novamente"): contradições. Ahhhhh, terreno fértil! Fonte de neuroses e conflitos. Como já havia dito, fazendo uma leve e profunda alteração na fala shakepeariana, ser E não ser, heis a questão!
Não assumo o posto de rainha das contradições, pois todos as detém em maior ou na mesma quantidade que eu. Impossível mensurar para ver quem merece o posto. Só que não assumem. Ou batem de frente com elas. Isso aí é um erro fatal, mizifim. Elas são fortes. Têm o poder de desnorteá-lo. Tiram-lhe o chão sob os pés. Fazem-no querer sumir por não saber lidar consigo mesmo, afinal, elas são você. Somos todos uma santa trindade sem pé nem cabeça. Nunca entendi aquele lance de Filho, Espírito Santo e Deus serem três e um ao mesmo tempo. Muito contraditório isso. Porém, ao constatar e digerir minha santíssima trindade particular, Minha Carne, Minhas Contradições e Eu, essencialmente falando, compreendo melhor tal dogma católico. Minha Carne age por vezes comandada por algo que não sou eu. É algum resquício ou ele em sua totalidade, mostrando que anos e anos de evolução em nada o abalou: o instinto. Não sou eu, mas sou eu. Minhas Contradições fazem-me dizer e me contradizer logo depois, ficando em suspenso uma conclusão decisiva. Talvez elas não queiram conclusões-ponto-final e, assim, forçam-me a sempre lutar com os moinhos, procurando uma idéia exata que não existe de fato. Não sou eu (como hei de me definir entre sim e não?), mas sou eu. E por fim, Eu, que é constituído de vários eus (trindade já não cabe aí. Centenariedade... Milenariedade... ). Não sou eu, mas sou eu.
Até em atos tão inculcados, em relação aos quais não nos colocamos sentados sob uma árvore, mastigando um galhinho e matutando. Roupa. Por que usamos roupa? Qual a lógica? Proteção? Pudor? Moral? Como foi tirada a decisão entre a vontade de se cobrir (ou necessidade) e a vontade de se mostrar? Sim, por que para muitos a roupa serve para se mostrar aos outros para que os admirem. Para a grande maioria. Porém, não se daria exposição maior andando nu? Talvez a roupa sirva para esconder não a carcaça que nos cobre, mas sim o que há dentro... uma infinita bagunça que nos deixa desorientados. Nu, não só a carne está despida.
Sou eu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário