Eita! A água! Pausa.
Sim, eu realmente me levantei. Fui à cozinha e trouxe um copo d'água. Copo descartável. Já tá na hora de Dona Adelaide pegar o caminho da roça e, justamente, aos 45 minutos do segundo tempo, eu aparecer com um copo de vidro para que seja lavado é muita sacanagem. É como eu atender a um telefonema quando já estou com a bolsa pendurada no ombro. Bão, eu poderia lavar o copo... Aliás, sempre faço isso. Se sujo uma louça qualquer, eu mesma vou à pia e limpo minha sujeira. Incomoda-me dar trabalho aos outros. Mantenho Dona Ieda lá em casa por conta do pequenino, pois não posso passar o dia inteiro com ele. Graças às mulheres que queimaram sutiãs! Hoje, era pr'eu estar bem casada, dondoca, sabendo cozinhar, talvez não sabendo cuzinhar, mas, enfim... Enfim? Ehhhhh... Viva os sutiãs queimados!!!
Água. Tá aqui o copo. 200ml. Metade já engolida. Lanço a campanha: "Maura, beba água!". Ontem, fui mais ativa. 1 litro, acredito. 1 litro de H20 purinha. Chego lá.
Eu sou uma espécie de mulher-cacto. Realmente, não sinto falta alguma. Faço só por questão de saúde. Tô numa idade que já começo a me preocupar com o avanço dela. Tenho pavor de velhinhas reclamonas. Será genético? A grande maioria das portadoras de XX, quando mais velhas, viram ranzinzas... reclamonas... cheias de dores... Forçosamente, girei o botão. Seguindo sugestão, mudei o pinico de lugar. Problemas? O grande lance é aprender a conviver com eles e, bem, é meio frescurada minha mesmo. Sempre são os mesmos. Sempre esquento a cabeça. Sempre passo por cima. Assim, vou flutuando.
Mulher-cacto... mulher-seca... isso não é mui atraente!
Definitivamente, não sei o que deu na cabeça de quem pintou o cano do chuveiro de amarelo-gema-de-ovo. Em nada combina com o amarelo-sorvete-sebinho-de-milho-verde do azulejo (eu uso o termo azulejo. Há azulejo. Há cerâmica. Não é tudo cerâmica.). Combina... combina... Por que combinar? Daí. lembrei-me de algumas ocasiões em que tecia algum comentário maldoso da moça que combinou rosa com vermelho. E o quê que tem, Maura? Deveriam ter me perguntado isso, ao invés de ter concordado. Eu precisava deste chacoalho. Ela, a moça, combinou. Quem sou eu pra interferir na combinação alheia? Na verdade de outros? Combinemos listrado com bolinha, azul com verde (minha predileta), rosa com vermelho, alto com baixo... Hoje mesmo, queria botar um par de tênis dentro da manga para sacá-lo assim que o expediente terminasse, dando um maior conforto aos pés (lembrem-se: sou uma mulher que preza o conforto!). Minha irmã, ao ver, disse que nada combinaria com o vestido vermelho (estou mocinha sensual hoje). Mais uma vez, dei ouvidos a conselhos. Próxima lição: ser surda.
Outro copo.
O chato de beber tanto líquido é fazer tanto xixi. Se bem que... bom, eu sou admiradora dos mecanismos de limpeza corporal. Fazer xixi é gostoso. Assim como outros atos que já expus aqui. Fazer cocô, soltar pum, tomar banho, além de tirar meleca e remela. Vá ver, o sentimento imbutido "estou me limpando... estou retirando de mim, as impurezas" provoque o bem-estar. Ou, contrariamente, contato com o sujo... borrocar a existência que deveria ser imaculada, resguardada, seja a fonte do prazer. Dois extremos. Não sei apontar a resposta. Conhecendo um outro eu, para mim seria mais a segunda opção.
Segundo copo já foi. Vai, Maura, vai! Sim, sim, sim... eu vou... vou... vou...
Algumas vezes, minha vaidade me ordena para que releia o texto antes de publicá-lo (noutras, minha preguiça é mais forte). Nessa revisão, vejo a contradição gritante entre as primeiras linhas e as últimas. Não chego a ficar irritada, pois sei que sou assim mesma. Disse? Contradigo. Não possuo opinião firme e forte sobre algo. Até pode haver uma para me contradizer. Já me senti perdida no meio disso tudo, dos extremos, das anulações. Quando há espaço entre elas, as contradições, é fácil se situar em algum lugar. Quando esse intervalo diminui, tocando tangencialmente uma na outra, é complicado saber o seu lugar...
A grande saída é flutuar...
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