quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fotos e nada mais.

Gosto de me inquietar. Por isso, perceber que tudo se acalmou dentro de mim ou ao meu redor... perceber que minha vida se encaixou em uma rotina... tudo me aflige. E aflita, começo um novo ciclo: futucando-me. Algo semelhante à reação inconsciente à dor. Tá doendo? Reaja. E quero que doa, doa, doa...
Algumas vezes, a bebida – até certo ponto – funcionou para mim como algo que pudesse esmiúçar a ferida. Aparentemente legal, só quero relaxar? Aparentemente. Cá dentro, vapores exercendo pressão contra as paredes, criando aumento da temperatura interna, querendo, a qualquer custo, sair... escapar... Piiiiiiiiiiiiii! Sentimentos com os quais não sei lidar afloram. Agora, é a hora do teste. Sinta tudo que lhe foge à razão consciente. Sinta-se perdido com emoções desconhecidas e, por isso mesmo, temidas. E agora?
Capto a real interpretação a este bolo criado dentro do meu estômago. Não é resultado da vodca tomada com o intuito de me cutucar. Tampouco, para alívio da minha honra adulta, medo de enfrentar tete-à-tete a vida. Definitivamente, não é este último. Dá um certo frio na barriga sim, admito. Entretanto, sinto um outro lado meu que julgava não ser tão expressivo: forte, decidido, ao alto e avante!
O desconforto tem origem naquilo que acontece com todos, um dia. Durante muito tempo, não entendia a tristeza da minha mãe ao lembrar de sua infância, das suas irmãs, dos risos, do medo, do pai chegando tarde após mais um dia de trabalho exaustivo na obra. A mim, era apenas uma narração de como era sua infância e adolescência. Eu não sentia aperto no peito algum.
Hoje, com a minha vida em caixas, sinto. Não por sair. Mas por, agora sim, ver que distanciar-se é conseqüência natural. E as lembranças passarão a doer.
Reajo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu tbm nunca imaginei essa dor... mas sinto-a todos os dias.. e ela ainda é mais forte qd visito meus pais e o apt deles, onde morei por 27 anos!
Confesso que ainda não cortei totalmente o cordão umbilical... e não pretendo fazê-lo por completo!
Bjos!

Maçã da Silva disse...

"Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que sei é que ele se torna matéria-prima
Que a vida se encarrega de transformar em raiva
- ou em rima."

Completanto o Leminski, freqüentemente vira um pouquinho dos dois.

Eu sempre soube o que era esse aperto no peito. O que eu não entendo é de onde tiram essa idéia tão bucólica de que a infância é doce.

Talvez quando vc estiver lá na frente vc venha entender o que está acontecendo agora. Como quando vc lembra do que sonhou no meio da tarde. O fato é que está na hora de embalar algumas coisas para levar consigo e jogar fora um tanto de outras coisas.

Mudanças são ainda mais filosóficas do que lavar louça. Joga tudo o que puder fora, para dar espaço para o novo chegar até você. Se abra para as surpresas, para o inesperado, até mesmo para as frustrações.

Não tenha medo de se machucar, porque isso é inevitável. Tenha medo apenas de não ter construído uma carapaça forte o suficiente para agüentar os baques.

Sobe essa entidade, mulé! Agora que o trem tá começando a ficar bão!