quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ensaboa, mulata, ensaboooa...

Todos os dias são 1º de janeiro pra mim. Se não me trai a memória, é nesse dia que rituais e mais rituais para atrair bons frutos o resto dos 364 dias (ou 365, se bissexto) são praticados por aqueles que não se conformam que a vida é uma bosta.
Opa! Não encare isso negativamente. Confesse: (vamos adentrar num terreno escatológico, aviso) a menos que esteja com algum distúrbio que prejudique o andar natural da cousa, não é ruim cagar, não é? Vá. Una-se a mim, que já chutei o balde da discrição, autopreservação, privação e outros çãos. Sentar-se no trono. Pegar qualquer papel que contenha letras. Silêncio. Nada lá fora que faça quebrar esse momento íntimo. Nem outros querendo usar o gabinete. Ou que possam usar logo assim que saia, causando-lhe um certo constrangimento por conta do vestígio aromático. É bom fazer cocô! Tão bom e necessário é que muitos, agoniados, apelam para ameixas, mamão, leite de magnésia, iogurte... Assim, é a vida. Necessária. Bom vivê-la. Pô-la pra fora. Mesmo se deparando com algumas características desagradáveis que lhe são inerentes.
Então, muitos encharcam-se de desinfetante espiritual tentando burlar acontecimentos ruins que estão gravados para acontecer na sua existência. Como etê procurando se adaptar ao comportamento humano, que sou (quero participar das rodinhas de conversa), todo dia lavo minha escadaria. Toda espuminha grudada na parede do banheiro é lavada. Vá, minha sujeira, vá ralo abaixo. Termino abstraída. Checo se há algum vestígio da minha sujeira cerâmica acima ou abaixo. Pronto, tô pronta para mais uma batalha.
Que venham os mouros! Para que eu possa passar pro lado deles...

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