quinta-feira, 5 de março de 2009

Yakissoba

Ontem, queria eu escrever acá no auge do meu pileque. Dei-me ao luxo de entornar algumas e outras mais em plena quarta-feira. Prazer não é algo que venha de graça, na grande maioria das vezes. E hoje, quinta, estou com gosto de cabo de guarda-chuva na boca.
Não é sobre ressaca, este texto. É sobre as idéias que pipocam quando estou alterada. Isso, sinto eu, é um perigo. Eu rumino diferentemente as imagens, os cheiros, os gostos, os sons, os toques... gosto de como toda a informação é processada e como sou invadida por um turbilhão de sensações desordenadas. Ok, não é segredo para ninguém que me conhece, ser eu apreciadora da desordem, da bagunça, do caos. Estimula-me. Detesto a pasmaceira, o calmo, o tranqüilo. É necessário tacar fogo na massa cinzenta. Vivo a me futucar e a querer me futucar mais fortemente ainda. Eis o perigo. Doctor Jekyll se contenta com a bebida, apesar do the day after. Mister Hyde quer além, dançando break on through to the other side...
Nunca senti fome após o cigarro que passarinho não fuma. Aliás, não gosto do efeito anestésico dele. Hyde não dançaria Bob Marley. Porém, após uns goles e outros tantos, meu corpo parece querer auto-devorar (preciso estudar as novas regras gramaticais... se antes eu não sabia muito bem de qual era a do hífen, agora fudeu!). Pedi um box de yakissoba com vegetais (firme e forte no vegetarianismo) e de brinde, veio um biscoitinho da sorte.
"Seu coração é puro, sua mente clara e sua alma piedosa."
Eu, cara-corada? Pureza... clareza... piedade?
E logo no verso, há seis números. Sei não... eles têm cara de números bons... aqueles que ganham... um seqüência bem simpática e tentadora. Uma fezinha, fazer-lá-ei (acho mesóclise simpática... gosto de usá-las... algo no meio sempre me soa bem... mas entrei em dúvida: fi-la certamente?). Como todo jogador, imagino o que faria com a grana. Primeiramente, não avisaria a ninguém. Nessas horas, aparecem parentes nunca dantes vistos... amigos de infância... videntes... Ficaria no mocó. Nada de carrão. Talvez, bom, talvez um jipe. E minha motocona estilo I hate Polecats (estilo Ben do FullThrottle - se ainda não ligou o nome à cousa, é um jogo de computador). Talvez uma pusta televisão de plasma, mais um sistema de som e um videogame fodaço. Ninguém suspeitaria...
Pura, clara e piedosa... Não combina com milionária. Rendo-me ao capitalismo selvagem (vai, bate! bate! bate!): prefiro esta última sorte. Vô lá marcar minha cartelinha!
Para o alto e além!

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