quinta-feira, 6 de março de 2008

Sete e pouco da manhã. Estou acá, sentada, frente ao computador, a tevê ligada num jornaleco local. Sempre a mesma coisa. Violência, hospital, reclamação. Sempre.

Os pais de VanGogh deram a ele o mesmo nome do seu irmão já falecido à época do seu nascimento: Vincent VanGogh. O pobre menino sempre tropeçava na lápide com o seu nome inscrito. E ele cresceu. Não se mostrou muito são de cabeça. Cortou sua orelha. Deu um tiro no próprio estômago. Não alcançou, quando vivo, o reconhecimento merecido. Eu o admiro, VanGogh. E a humanidade é sim, deveras burra. Tento imaginar a sensação ao ver um túmulo com o seu nome, sem tirar nem pôr letras. Pessoas digerem diferentemente o que se passa ao seu redor. Uns, passam batido. Outros, sentem algo a mais numa cena corriqueira. Oh, não! Não tento eu me aproximar da genialidade em traduzir o mundo para a sua língua, de Vincent. Infelizmente, não chego a tanto. Talvez seja melhor assim. Isso mantém minha carioteca incólume. Mantém-me dentro do meu limite, mesmo que eu me debata dentro dele. Às vezes, os acontecimentos me tocam de uma outra forma. Uma mulher se arrastando debaixo do sol forte até chegar a algum lugar... o cara do carrão que parou ao meu lado, no sinal... a loucura que se instala nas pessoas em épocas como Natal... Páscoa... Acho tudo muito estranho e triste. E belo. A condição pura de ser humano. Tão diferentes. Tão iguais. Sinto-me como se não fosse feita de carne, ossos, fluidos; mas de sensações que se chocam feito elétrons... cargas iguais... força fraca que as mantém presas ao núcleo... qualquer energia recebida, faz algumas delas aflorarem...

Bão!

Certa vez, eu sonhei que estava num campo... e ventava fortemente... de repente, sinto meus pés saírem do chão... o vento querendo me levar e eu querendo ser levada por ele... minha pobre mãe se agarrava aos meus pés, desesperada, querendo evitar aquilo que eu e o sr. vento queríamos fazer... Tem certos sonhos que ficam marcados. Os meus são sombrios... escuros... sem cor. Freud explica? Não, não quero que explique. Desde pequena tenho disso: deixe-me que eu própria chegue as minhas conclusões. Às vezes, o resultado de tantas matutações chegam a mesma coisa já alcançada por algum pensador conhecido. Não me frustro por não ter sido a primeira a fincar a bandeira em território recém-descoberto. Sonhos... em alguns, alguma cor predomina dentre os tons de cinza, preto e branco. Costumo dizer que eles são ambientados em Gotham City. Eu me sinto bem neles. Talvez, sob R.E.M, eu entre em contato com o meu planeta.

Oh, céus! Hoje eu estou com a macaca. Perguntam-me se tais palavras me traduzem. Bom, sim. Tentei explicar, complicando, que acá sou eu e não sou. Como assim, cara-pálida? Well... iceberg. Permito pegar como exemplo o tal edifício de gelo, que deu cabo no Titanic. Há uma ponta que todo mundo vê (ou não, como o pobre Capitão do navio). Mas debaixo d'água há muita coisa. Para quem me vê, eu existo apenas sob a forma da ponta. A grande parte que não é vista, não existe. Logo, não sou eu. Como posso ser aquilo que não existe? Mas eu tenho ciência de que ela existe. E sei que sou eu. Sou a junção daquilo que sou, perante todo o povo, e daquilo que não sou, mas sou, porque eu sei que há.

E se quer "plus" à complicação, posso dizer que sou aquilo que não vêem (nada, nem a ponta) + aquela porção que vêem + o todo que eu vejo. Já cantei esta pedra, somos muitos dentro de um só.

Entenderam?

Ainda há vaga no Asilo Arkham?

Espero encontrar o Coringa por lá!

Nenhum comentário: