quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Hooke

Tocar com os olhos. Sentir o gosto com as mãos. Cheirar com os ouvidos. Ouvir com o nariz. Ver com a boca. Arrepiar a alma e entristecer a carne. Assim, tudo trocado, sem sentido para que tudo faça mais sentido para mim. Sinto ter chegado às coordenadas máximas do ponto elástico do meu limite. Limite... algumas palavras são processadas negativamente por mim. Limite. Tentar. Forçar. Ser. Outras, embora torçam-se narizes diante delas, apresentam-se positivas. Dentre exemplos, destaco agora o talvez. Talvez... nem sim... nem não. Nada absolutamente resolvido (achou não exister outras palavras negativas por falta de tantos exemplos quanto às positivas? Absoluto. Repare! Boa coisa não é!). Flexível. É e não é. Sim e não. Dança-se conforme a música. Diga-me você: não é bom assim?
Ontem, não querendo saber quem eu sou, mas como estou, fiz um teste de personalidade num site que oferecia tal préstimo. Antes de começar a responder as cinqüenta e tantas questões, sou avisada para escolher de acordo com o que sou e não como gostaria de ser. Pimba! Esse site andou me espionando enquanto eu respondia a outros tantos de outros tantos sites. Ao longo das questões, já dá para saber em qual perfil se encaixará de acordo com as suas respostas. Assim, quando estou com a minha auto-estima dando bom dia ao japonês cá embaixo dos meus pés, procuro incorporar uma mulher fodona e desejo vê-la concretizada na análise jogada à tela. Bom, responder de acordo com o que sou e não como gostaria de ser. O gostaria de ser não faz parte do que sou também não? Cá entre nós, eu acho. Todo mundo precisa de uma fantasia. E não enxergue isso como algo mau: se analisar bem a fantasia, saberá de quem se trata na verdade. Não há engano algum.
Senti uma dificuldade tamanha ao tentar escolher dentre as opções. Ser e não querer ser. É isso ou aquilo. Só que eu deslizo sobre a corda que liga os dois extremos. Depende. Ando diferentemente sobre a chapa quente ou fria. Não sou absoluta e imutavelmente constante.
Sendo W a Força aplicada, tem-se:
W = - Fel
Fel = - k.Δl
W = k.Δl
A lei de Hooke pode ser utilizada desde que o limite elástico do material não seja excedido. O comportamento elástico dos materiais segue o regime elástico na lei de Hooke apenas até um determinado valor de força, após este valor, a relação de proporcionalidade deixa de ser definida (embora o corpo volte ao seu comprimento inicial após remoção da respectiva força). Se essa força continuar a aumentar, o corpo perde a sua elasticidade e a deformação passa a ser permanente (inelástico), chegando à ruptura do material.
E jogo, então, meus sentidos na fórmula. Embaralhadamente... desordenadamente... aguçando-os e forçando-os a assumirem papel que não lhes são originais. Espero romper e nunca mais voltar ao estado original.

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