Pelo menos eu acho ser muito chato pessoas 100% alegres, de bom-humor, transpirando felicidade o tempo todo. Assim como também é aquelas que sempre estão tristes, sua vida é uma merda e nada dá certo, o tempo todo. Ontem... não, ontem não. Ontem eu já estava assim. Antes de ontem, Maura era puro entusiasmo. Fodona. Destemida. Sigam-me os maus! Hoje (a partir de ontem), sou um cocô ambulante. Um desânimo. Vontade de chorar. Ou de me chocar contra um carro qualquer. Uma necessidade de impacto e a conseqüente dor para ver se eu reajo. Pois ficar assim continuamente torram-me os ovos!
Já sentiu debater-se dentro do seu próprio corpo? Como se de fato existisse algo fluido - você realmente - que recheasse a carcaça e fosse a energia motriz de todas as funções do organismo. E isso, a uma certa altura, sentindo não caber mais no espaço designado pelos genes para ser sua prisão, começa a exercer pressão nas paredes externas, querendo sair, expandir, estourar. Alcançar todas as possibilidades. Misturar-se ao meio. Deixar de ser. Liberdade.
Preciso que alguém me espete. Pow!
Algumas das muitas vezes observando o mundo que me engole, chego à conclusão de haver outros tantos seres condenados à prisão. O conjunto particular, carne, ossos e fluidos, é nitidamente uma masmorra. Pessoas presas dentro de si próprias, tendo no corpo seu carcereiro particular.
Sim, sim. Ando meio encuzada. E não me venham com TPM. Mesmo que eu dê meu braço a torcer sobre a existência da tão famosa alteração hormonal, não está na época. É... não sei! Ou sei... Medo. Sim, é isso aí: medo. Só preciso encontrar sua causa. E isto está difícil de visualizar. Medo do quê, porra? Motivos há. Peraí, motivo ser igual à causa? Não sei se consigo explicar, mas vejo uma tênue diferença aí. Motivo seria provável causa. O porquê, junto e com acento. Causa seria fato concreto. Não caberia o adjetivo provável aí. Algo munido de base sólida para sê-lo. Causa para o meu medo, no final das contas, não tem. Responsabilidades? Filhos? Contas? Todo mundo tem. Ou parte deles. Não é digno para fincadas de pé no pinico... de noites mal-dormidas... de taquicardia...
Receio de me lançar naquilo que desejo. De dar uma guinada e ir contra tudo e todos e seus caminhos planejados para mim. Ir de impacto contra aquilo que é esperado de mim. Medo de fazer algo propício a discursos baseados em manuais adultos. Baseados em regras do "como deve ser".
Então, medo do quê? Já que o que importa é o meu rabo de porca?
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