sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Youth is wasted on the young

Soltei sua mão. Ian saiu correndo à frente, enquanto procurávamos o lugar certo. Sempre precisei de exemplos para que idéias se confirmassem e eu passasse a tomá-las como verdadeiras. Talvez por isso, Deus não me entra na cabeça. Os crédulos poderiam apontar vários acontecimentos na minha pacata vida como demonstrações do Seu poderio. Prova cabal de sua existência. E se, por acaso, eu me ajoelhasse diante Dele, ato praticado pelo vencido, ergueria minha cabeça. Encarar-Lo-ia e diria: belo jogador de The Sims, Você o é! Enfim... opção religiosa (ou a não opção por ela), opção sexual, opção futebolística, opção financeira, ou seja, OPÇÕES não se discutem. Como eu estava escrevendo: observar meu pequeno dentre tantas vidas passadas; sentir que o observavam não por ser um menino ativo e falador, mas por ter tanta vida, fez-me enxergar sobremaneira o cruel nascer-crescer-reproduzir-envelhecer-morrer. Duas pontas da corda.

Outro ponto que atrapalha meu desenvolvimento sustentável: ir ao trabalho (e, sempre espero, retornar pra casa) sozinha dentro do meu carro. Bom, só o fato de utilizar tanto o carro já depõe contra. Não tenho culpa se o sistema de transporte público não funciona satisfatoriamente. Já tentei eu, honrando minha carteirinha do Greenpeace, me enfiar num ônibus, ou até mesmo metrô. Não dá, gente! Há pontos positivos, como colocar a leitura em dia durante o trajeto, deixar a imaginação voar com as histórias captadas ao redor... Mas, porém, todavia, contudo, entretando e todas as adversativas, não dá! Chego amarrotada... meu trabalho exige certo formalismo... as pessoas me irritam profundamente... Vou de carro mesmo! Adianta se disser que prefiro o álcool à gasolina? Voltando, deveria eu oferecer carona, arrigementar pessoas que seguem o mesmo destino, cumprindo com a minha parte para diminuir o número de veículos emissores de CO2 à atmosfera... Porém e, de novo, todas as conjunções contrárias à primeira sentença, gosto de ir só. Canto e lamento não ter montado uma banda quando a idade permitia... Penso na vida (sempre ela)... Observo o quão sem-educação é o povo do carro da frente que arremessa lixo pela janela (tô dizendo, o povo me irrita!)... E matuto. E numa dessas matutações, cheguei à conclusão que o grande barato é digerir o tempo devagar. Cheguei nisso antes mesmo de começar a ler o livro sobre relatividade. E olha que, se meu entendimento não me beijar e trair, o tempo se dilata e o espaço se contrai quando a velocidade aumenta. Minha conclusão contraria tal regra. Senti que, se não fosse tão rápido, tão afobada, tão pé no acelerador para que logo chegue ao trabalho, que logo passe o expediente, que logo retorne pra casa e que logo termine o dia, bom, se eu fosse mais slow, o tempo espicharia. Acusem-me de louca ou não, quando tal idéia brotou dentre os sulcos da massa cinzenta e eu tirei o pé do acelerador, senti concretamente o tempo mais elástico, por assim dizer.

Mastigar as horas vinte vezes de cada lado.

Depois, escovar e passar fio-dental, retirando as sujeiras entranhadas.

Sabe, digo e é verdade: não tenho medo de envelhecer. Só me amedronta perder a lucidez.

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