Ground Control to Major Tom
Há algum tempo, veio a vontade de escrever abobrinhas novamente. Meu último texto foi em 2018. Vim fuçar aqui (estou escrevendo no meu blog escondido) e me deparei com textos desde 2008. São dois blogs perdidos. Reli alguns textos. Engraçada a sensação. Não me reconheço neles. Tenho a visão de que as Mauras daqueles textos, de anos distintos, de evolução ou involução próprias, bateram fortemente suas cabeças e pimba! Não sei como, todas se unificaram e veio eu. O preço de terem sobrevivido em uma única pessoa: amnésia. Quem são elas?
Voltar a registrar minhas matutações subiu à superficie, justo na hora em que um navio-petroleiro cruzava o mar. Você que me lê agora, saiba que o uso de metáforas é uma das poucas coisas lembradas agora nesta amnésica que vos escreve. Já me deram o toque que elas dificultam a compreensão do texto. Na minha cabeça, há liga entre o real e as palavras escolhidas. Mas, enfim... bateu a vontade de escrever o que penso, e bateu forte! Só que quando vim escrever, pá! Algo grande barrou a coisa.
Gostei não. Adiante, entenderá mais ainda.
Eu preciso da rua para escrever. Era andar de metrô... passar pela rodoviária (como eu adorava!)... é ver o movimento da rua... a pessoa que sempre pede algum trocado no mesmo lugar... o olhador de carros que passa a tarde cantando e eu no 3º andar na Promotoria, escuto... Além de escutá-lo, bato papo. Desconfio que ele tem algo fora do estacionamento. São as pessoas do trabalho... as observações... Minha escrita está nisso.
E aí vem o navio-petroleiro: o tal covid. Ou sars-cov 2. Ou, dá licença da metáfora? Mamoninhas do inferno.
Tudo para. Eu paro. Que linda a combinação do vermelho com o laranja daquelas flores que alinhadas assim no meu campo de visão, espetacular!
Não tenho tanto talento com as palavras para escrever sobre o jardim que me rodeia.
Ontem, fui ao trabalho. Não voltamos ao presencial, mas precisei ir para pegar uns documentos e trabalhos sobre a mesa. Algumas pessoas, o vigia que pegou covid, ficou meio mal, e sobreviveu com menos 5 quilos. Uma loja que fechou. Outra que abriu. Um alterado que grita "A casa caiu! A casa caiu!" e eu o escuto do 3º andar. Eu me desacostumei desse mundo. Eu o temi... entrei em pânico por conta dele. E sem alternativa, precisei enfrentá-lo.
Não doeu. Ainda tenho medo, mas medo racional. Vivi e vivo.
E cá estou, escrevendo. Não doeu. Ainda tenho medo, mas medo racional. Vivi e vivo.
*Como sempre, aviso: não reviso.

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