segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

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Assisti a um programa de um canal pago qualquer sobre aqueles que se jogaram do World Trade Center quando os aviões já haviam se chocado nas torres gêmeas. Sendo mais específica, a reportagem girava em torno de uma pessoa em específico, capturada pelas lentes das máquinas fotográficas e impressa em várias capas de revistas e jornais. Um homem em queda livre. Quem seria ele e como seus parentes reagiram frente à imagem. Eram essas as questões. Analisando a roupa, ligando as poucas pistas sobre com o provável lugar do seu ponto de partida, chegaram a algumas hipóteses e às famílias. Uma delas, a reação foi negativa. Lançar-se do alto do centésimo e tantos andares era sinal de fraqueza. Ausência de fé. Uma alma fraca e condenada. Escravutando mais a fundo, descobriu-se que não se tratava dos familiares da infeliz pessoa. Numa outra alternativa - esses sim, eram geneticamente ligados ao personagem - o ato foi encarado como ato de bravura. Só sendo forte extra-suficientemente para se jogar do alto de um arranha-céu, livrando-se do inferno terrestre. Por que tenho que ser forte? Por que sou obrigada a lutar, esbravejar, apegar-me a um deus imaginário, engolir uma felicidade inexistente? O que há de mal em me desesperar frente ao vazio, ao absurdo das coisas, às pessoas-robôs? Por que me tiram o direito de fazer corpo mole frente a tudo isso? Não me sinto sem força para reagir a tudo isso (tudo isso... sem definições maiores pois não há definições maiores... o mundo que me cerca é tudo isso... uma massa...). Sinto-me indiferente. A fraqueza seria uma resposta natural do meu corpo ao admitir sua total inabilidade em combater os moinhos. Como poderia sentir-me fraca frente a algo que não existe? Não se trata de fraqueza, então. Trata-se de indiferença. Esfrego meus olhos e nada vejo. Cadê os porquês? Qual o sentido? Viver é por deveras dolorido e não vejo recompensa para tanta dor, desgosto, frustrações, correr... correr...correr... Somente viver. Nascer... crescer... reproduzir-se... envelhecer... morrer. Simples assim. Nu e cru assim. Talvez o desespero me lançasse em queda livre se não fosse o fato de eu mesma não pertencer a mim. O mais provável é que eu aprenda a sobreviver de mãos dadas com ele, passando por ondas de enjôo provocadas por tudo isso.

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