terça-feira, 1 de abril de 2008

Rá-tá-tá

Não é filosofia barata não. Aliás, ser barato não tira o barato da cousa. É só saber vasculhar. Como as araras da Riachuelo... tem sempre um trequinho até que usável, faz estilo, por menos de 10 pilas. Bão, não é papo batido... sem fundamentos... no melhor estilo "condolências de enterro"... algo vazio de sentido... Por vezes, é necessário morrer/matar, para que se nasça. Um outro... diferente... não se passa pela morte sem alterações internas alguma. Precisei matar. Matei. Consciente. Sem remorços. Não consegui ser a mesma depois. Alguma coisa de mim se foi junto ralo abaixo. E nem consigo me lembrar como era eu antes. Não sinto saudades alguma.

Há, de fato, outras formas de morte.

Enxergo nu e cru.

Acho que sentirei falta do friozinho na barriga. Acho.

Êpa! Eparrê... mizifim... opa!

Fotolog póstumo incorporado.

Como toda boa criança, eu era má. Sim, porque crianças são más. Tornam-se boas, ou não, quando o processo de domesticação é completado, ou não. Brincando com o meu irmão, coloquei uma panela em sua cabeça. Tinha o menino uns dois anos. Ou menos, pois ainda titubeava nos passinhos e, assim, ele caiu com a panela na cabeça. A borda do utensílio doméstico fez um rasgo em seu olho. Ficou muito feio. O ferimento aliado à bronca materna fizeram-me sentir a pior espécie de gente. Cheguei a esta conclusão aos cinco-quase-seis (então, meu irmão tinha 1 ano ou menos. Nossa diferença de idade é de 5 anos). A culpa aumentou em toneladas o peso da vida a ser levado na cacunda. Fui à cozinha. Peguei uma faquinha qualquer. Estiquei meu pulso frente aos meus olhos. Olhei pra faquinha. Minha mãe, pegando-me no flagra, aplicou-me outra bronca merecida. Como se não bastasse o pequeno-quase-oriental-de-um-olho-só, ainda aparece a maluquinha dramática. Isso funciona até hoje, a percepção do ridículo, pôs-me no lugar. O que me salta às lembranças, quando tal cena emerge das profundezas dos sulcos cerebrais... a imagem marcante imaginada na hora, quando estava com a faca na mão, não para passar manteiga no pão... era o trabalho que seria e o resultado. Segurando o instrumento cortante, imaginei-me serrando... Sim, serrando, pois a faca era de pão... e em seguida, vi meu braço como se fosse uma costela comprada no açougue... os pedaços...

Desde cedo, já eu não funcionava bem...

Já quis eu desaparecer sim. Porém, os motivos nunca foram suficientemente desesperador para que eu quisesse dar cabo de mim. Logo após, chegava a conclusão que eu só sigo adiante aos apertões.

'Cabou sessão, mizifim!

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