
Ron Mueck. Joga no google e procure por imagens. Parecem reais suas esculturas. Ao vivo, deve ser coisa de encher os olhos. Gigantes. O que impressiona é a fidelidade... pêlos, veias, dobras da pele... Sim, já pensei em me enfiar, forçosamente, numa academia qualquer. Malhar o bumbum, como me orientou o professor numa destas minhas investidas puxa-ferro. Aliás, quando foi a mim mostrada uma das prioridades femininas dentro de uma academia, broxei. Eu procuro realmente malhar o bumbum? Minha bunda dura me tornará mais feliz? Influi na minha saúde? Talvez a sexual... porém, os homens que se interessariam por uma carne mais rija - gosto é gosto - não me chamariam a atenção. O corpo é bonito assim: com as suas marcas. A vida passa e deixa suas impressões sobre a pessoa. A barriguinha saliente. Os seios que já não são mais pêras frescas. Quando nova, lá pelos meus dois patinhos na lagoa - leia-se 22 - uma colega de trabalho disse que não se importaria com as estrias na barriga por conta da gravidez. No auge da minha tolice - yeah, Wilde, mais uma vez eu o cito: a juventude é disperdiçada nos jovens - havia eu reclamado das linhas brancas adquiridas quando o Guiga estava dentro de mim ainda. Falou-me ela que isso era marca de que tivera um filho. Franzi a testa. Agora, entendo a beleza oculta.
Juliana morreu. Ontem à noite. Enquanto o caçula brincava na garagem e eu tentava dar início à leitura do O Universo Elegante, uma moça dá a notícia a uma vizinha minha lá no meio da rua. A voz ecoou : Juliana morreu. Logo mais, um terceiro morador da rua veio se juntar às duas. Maiores comentários sobre o falecimento. Maiores informações sobre o sepultamento. No exercício da árdua tarefa de encontrar um nome pro bichinho que estava ainda dentro do ventro, jogo as opções no teste final: o nome condiz com a condição senil? Ou seja, ficará adequado quando fulaninho estiver velho? Guilherme cabe. Vovô Guilherme combina. Já Ian, não. Vô Ian? Bom, quando este nome foi escolhido, eu ainda gostava e alimentava uma certa esperança em relação ao pai do moleque. Deixei-me levar. Porém, quando adolescente, assim como é agora, na fase infantil, ficará legal. Vó Giovanna... fica bom. Vô Antônio, serve. Vó Daniela... bom, Danielas me perdoem, mas serão forever young. Juliana... não consegui imaginar uma senhora velhinha. Imaginei-a jovem. E a vida lhe foi levada tão cedo, então! Ééé... foi o que imaginei... Bom, segundo o trio, falecer (sendo jovem ou não) foi sinônimo de alívio. A ela.
Aos próximos também?
Papo barato de butequim, morrer é preciso. Eu preciso me matar para nascer novamente. Não estou falando fisicamente. Não sou egoísta a este ponto de querer me banir da Terra e nem quero castigar alguém pela minha desventura... mas dentro de mim consigo identificar vários consertos a serem feitos. Eu me incomodo. Eu quero alívio.
Os próximos também?
É o 3... este ano 33... eu disse...
Certa vez, os extraterrestres quiseram dominar o planeta através daquelas máquinas cheias de bichinho de pelúcia com uma garra acima para que o mané pudesse mexê-la, através de botões no lado externo, e tentasse pegar alguma bugiganga depósito de poeira. Agora, eu acho que é através do Google.
Nenhum comentário:
Postar um comentário