quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Resumido, assim.

Estão ocorrendo falhas no meu desenvolvimento sustentável. Ainda continuo sem saber onde jogo fora as pilhas esgotadas, não estou separando meu lixo e, principalmente, meus banhos continuam longos e quentes. Primeiro, pretendo comprar tão logo, já era pra onte ontem, pilhas recarregáveis. Segundo, semana que vem, providencio minhas lixeiras coloridas (como qualquer país que procura se enquadrar no ecologicamente correto, é preciso verba. E verba, só depois do segundo dia útil depois do dia 20 de cada mês). Terceiro. Ah, o terceiro está complicado de seguir. Minha relutância é tal qual o Tio Sam frente ao protocolo de Kyoto. Como é bom agüinha quente e idéias escorrendo. Quisera eu ter um gravador conectado à mente para que gravasse tudo sem precisar abrir a boca ou traduzir-me com os dedos sob o teclado. Como no teste de Rorschach, procuro decifrar quais imagens surgem em meio ao vapor d’água e qual o significado delas para mim, naquele momento.

Não, não. Não faço uso de substância natural ou sintética alguma, aviso.

Geralmente, eu vejo feições, embora as letrinhas embaralhadas impressas no acrílico do box estejam tão nítidas (e ninguém mais consegue ver. Chamei mãe, filho e mandaram-me mostrá-las às suas mãos, no típico “fale com a minha mão”). Esqueçamos o caos alfabético e concentremo-nos nas feições. Não foi um rosto somente. Meu personagem de gibi predileto saltou da cerâmica: o Curinga. Não sei por que mas sempre achei mais interessante o lado negro da força. Só assisti ao A Vingança dos Sith, pois finalmente Darth Vader apareceria (lógico, não incluindo os primeiros episódios da saga, aqueles com Harrison Ford). Na pré-escola, Maurinha já demonstrava tal interesse quando ficou exultante com o papel conquistado na pecinha a ser encenada para o desespero dos pais: a bruxa má. Geralmente, a ciência é associada ao diabo. Talvez por isso, nas ficções, os maus são mais astutos. Mais inteligentes. Maquinam. Executam. E por sorte do destino, força muscular ou devido a alguma força incomum ao ser-humano, os bonzinhos (eca!) vencem. Enfim, o Curinga, que está ótimo em O Asilo Arkham.

Bão, quando enxerguei a Medusa, realmente tinha uma relação de ser há algum tempo. Curinga... bom, se minha interpretação não me trair, creio que esteja ligado a encafifamento. E eu estou deveras encafifada. Por vezes, acho que saber demais não faz bem à saúde. Porém, viver superficialmente também não é benéfico. Tal como os físicos que procuram leis que preencham lacunas, enquanto não se alcança uma lei geral, que unifique tudo; penso que gente procura viver tão desordenadamente pois não consegue encontrar uma lei que explique sua razão de existir. Dopar-se para que não se desiluda com a simplicidade das coisas. Nascer. Crescer. Reproduzir. Envelhecer. Morrer. Eis o meu porquê. Sim, sim. Pode haver os adornos à sobrevivência. Ou, o suco de laranja para que o comprimido desça mais facilmente. Meus filhos. Minha família. Amigos. Diversão. Isto distrai a mente e nos livra do sofrimento de constatar como a coisa é tão resumida assim. Choro... rio... corro... adoeço... caio... vivo, ou seja, formulo diversas leis que regem meu espaço-tempo apenas para que os genes se propaguem tempo afora.

Sinto-me numa corrida de revezamento!

Nenhum comentário: