terça-feira, 28 de outubro de 2008

Poetando


Estou no barato de não jogar meus resumos fora. Eis um último rabisco. Não o último daqui e pronto, acabô blog. Não, não. O mais recente, vamos colocar assim. Taí, tô mesmo numa fase meio shinyashiky mesmo. Filosofia de buteco sem-vergonha. Com ovos coloridos pra mó da gente beliscar, no bom sentido!
Tá aqui:
Depois, veremos se consigo continuá-lo.
Então. Tô enrolando descaradamente mermo. A noite mal dormida (somente umas 5 horas de soninho). A terça com cara de segunda (reclamando e cantando e seguindo a canção). Uma preguiça da vida. Dá um desconto! Tentei angariar alguns partícipes ao meu crime, não obtive êxito. Prevendo tais ações, o messenger verdadeiro é bloqueado e o genérico, usado por aqueles que não engolem a regra, é um teste à paciência. Ora trava. Ora desconecta. Ora-ora. A gente pula pro Google Talk. Mesma coisa.


Recuso-me. Soy re-bééél-di!


Acessei o orkut (também através de meios burlescos). Xeretei uma comunidade (algo como "escrever é minha terapia"). Lá, há um tópico no fórum para que pessoas comentem textos enviados pelos participantes. Por que poesia? E por que poesia xumbrega? Ou chumbrega? Nadica de prosa. Prosa não é legal? Eu acho... Aliás, uma outra revelação aqui.


Comecei, há meses, quando abri o blog (no bom sentido) dizendo que chutaria o balde. Saíria do armário. Diria o que sinto, sem dó nem piedade. Acabei confessando que não gostava de Björk. Sim, eu não agüento uma musiquinha só. Tentei, para me sentir incluída no grupo. Não rola. Também não gosto de sushis, sashimis e outros is. Não desce. É chique? Pode ser. Não dá. Minha única experiência com rango japonês fez-me afundar na certeza da minha sexualidade: o cheiro do peixe cru mostrou-me ser incapaz de encostar minha boca em outros grandes lábios. Que mais que não gosto? Que mais? Praia. Não gosto. Só se estiver nublado e sem gente. Tem outras coisas, porém o que quero destacar para enlaçar o ponto dado lá no começo é: não gosto de poesia. Sim, meus senhores e minhas senhoras, não gosto de poesia. Como nada é absoluto, vamos corrigir e dizer que grande parte da poesia não me enche a alma. Não toca a medula.


Quando se adentra na esfera sentimental, é quase 100% de ser kitsh. Brega. Cheio de floreios. Uma tentativa frustrada de se enfeitar ainda mais o pavão.


Tão mais verdadeiro e bonito dizer que o amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa! Ou, a vida é bela, vamos olhar pela janela.
Então. Sou partidária dos não fru-frus. Direto. Um soco no queixo. Pow! Soc! Sem floreios. Sem pieguice. Sem enfeitar o pavão.
Ah, mas isso não é tão radical não! Às vezes, uns rococós fazem bem à alma.
Poesia... tá, tá... só não gosto dos muitos açucarados.
Açúcar engorda!

Coffee and Tv

Uma pequeña pausa já no início: Dona Adelaide me avisa que o café está prontinho.

Este café adquirido em licitação é uma blasfêmia com o sagrado pó preto. Nem novinho dá o barato que se espera. E não é culpa da moça que o fez. É ruim mesmo. Ordinário.

Bom.

Há algumas músicas que gostaria ouvir ao pé do meu ouvido. Ou cantá-las ao pé do ouvido de outro, esperando o resultado desejado: a pessoa adorar assim como eu adoraria se o pavilhão auricular fosse meu.

1. "So give me coffee and tv easily

I've seen so much, I'm going blind

and i'm braindead virtually

Sociability is hard enough for me

Take me away from this big bad world

and agree to marry me

So we can start over again"

Sociabilização é difícil para mim... Sim, sim, é sim! Tire-me deste mundo mau e grande... dê-me café e televisão... Ahhhhh! Eu sempre imaginei algo assim, quando delirava eu sobre relacionamento ideal para minha pessoa. Eu sou uma ave machucada... cuide-me e eu cuido também de você.

Ok, mas tudo muito quieto cansa a alma. Podemos tocar esta também na vitrola:

2. "want to fuck you like an animal

I want to feel you from the inside

I want to fuck you like an animal

My whole existence is flawed

You get me closer to god"

Ideal. Melhor, ideais. Melhor fugir deles? Grandes chances de frustrar-se? Eu sou apegada a ideais? Sou eu frustrada? Talvez eu tenha alguns conceitos pré-formulados. Porém, não exergá-los na realidade que me é imposta, não me faz o último dos moicanos. Eu ando praticando muito a política do "Ah, então tá!". Se não foi como eu queria, "Ah, então tá!" e sigamos adiante. Vá ver lá na frente há algo mais legal.

Shhhhhhhhh... shhhhhhhhhhh.... Mudemos a estação do rádio, estou tangenciando o limite da auto-ajuda. Gosto não, senhô!

Auto-ajuda... não me pergunte donde tirei tal associação, mas o termo não faz brotar algo como um manual que ensine a pessoa a se masturbar? Sei lá. A mim parece. Uma auto-ajuda... Não, certamente muitos não verão o liame entre os dois termos como eu vejo. Experiência pessoal? Talvez. Entretanto, não estou a fim de me martasuplicyar agora. Bom, mas o termo auto-ajuda é errado pois a solução do causo não partiu de você mesmo. Uma idéia saída de outra cachola é posta em prática por você, motivado por uma experiência pessoal de outro, sem avaliar se tal roupa lhe cabe. Agora concorda?

Não me recordo se já escrevi sobre isso em algum blog assassinado por minhas próprias mãos. Sempre me esquivei da filosofia. Achava eu ser mais interessante eu própria chegar as minhas conclusões. Futucar-me. Vasculhar-me. Bagunçar-me. Espremer-me. Tcharaaaan! Eis minha conclusão nem tão conclusiva assim, pois penso (e não existirei enquanto pense). Saber dos pensamentos íntimos alheios importaria em nunca saber quem sou eu realmente. Sou o que penso. E se penso várias coisas, sou várias pessoas. E aí, não dá pra existir eu só.

Ahhh, meu mundico particular! Tenho receio de sair dele!

Daí... bem daí que não consegui ficar longe da filosofia. Acabei mergulhando nela e esbarrei em alguns iguais. As mesmas matutações, só que de uma forma mais bem elaborada.

Porém, auto-ajuda me esquivo veementemente. Ninguém melhor que eu para saber o que há de errado cá dentro e como me curar. Se é que quero me curar, porque o que possa existir de errado pode me distinguir no meio dos demais.

Peça de uma grande engrenagem sempre foi um conceito muito angustiante sobre a existência.

Talvez seja hora de aceitá-la.

Ou lutar infrutiferamente contra é que dá razão?

Coffe! Por favor!

And tv!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Close to me II.

Padeço deste mal: se saio em busca de algo com uma idéia pré-formulada desse algo e não acho, casadinho com a pretensão incutida anteriormente, o algo... broxo! Quantas vezes já não fui à loja de tecidos e voltei de lá com as mãos abanando, com uma cara xoxa? Preciso inspirar, expirar e dizer: se não foi assim, vai assado!
Com batatas!
Não, não estou aqui novamente, para explicar sobre a grande máxima (pleonasmo-mo-mo-mo!): "Só é traído quem quer!". Aliás, acho que já está na hora d'eu parar de salvar almas involuntariamente. Voluntariamente, salvar-las-ei mediante uma pequena paga: lançarei um livro de auto-ajuda. Embora, advirta que pensar como penso pode ser deveras perigoso. É preciso uma certo traquejo, uma falta de vergonha, um molejo na cintura e falta de pudores maiores. Não, não... continuarei aqui mesmo. Minha obra mais dará prejuízos que o tão querido objeto do desejo dentro de um sistema de produção capitalista: lucro!
Só é traído quem quer... aguardem!
Falaremos, então, de algo pueril, fofo, azul com bolinhas verdes. Close to me!
Além dos instintos, de algumas palavras, sou também apreciadora das pequenas e imperceptíveis fontes de prazer. Saber onde posso encontrá-las, dá-me poder tamanho. Sinto-me superior àquelas pessoas que imaginam precisar de um esforço tamanho para dizer um "Ahhhhhh! Putz! Que gostoso!". Abrir todas as janelas do carro, quando estou voltando pra casa, e sentir a corrente de ar frio eriçar os pelinhos do braço, bagunçando os meus cabelos... Sob um sol de rachar coquinho, andar contra o ventinho com os braços abertos (ventinho no sovaco)... Utilizar-se de chantagem emocional e fazer com que a irmã caçula lhe coce a cabeça... e encostar os braços.
Procurar algum contato com uma outra pessoa. Imperceptivelmente, fazer com que a mão trisque nela... ou, se a ocasião é propícia, tocar com uma maior extensão do seu corpo, uma maior extensão do outro corpo, ou seja, encostar os braços. Simples. Poderoso. Ui! Sentir o calor. Proximidade.
Não me vejo casada. Sinceramente - e não foi por falta de oportunidades, antes que alguém espírito-de-porco possa alegar ausência delas - não consigo me imaginar metida num casório. Porém, o por acaso sexual não me enche os olhos. É preciso haver historinha. Um antes, durante e depois, sem que isso signifique alguém amarrado, anulado e preso a mim. Não duas metades, dois inteiros. Com vidas distintas. Com liberdades individuais. Sartre e Simone. Contraditório, mas assim é.
Opa! Já comecei a falar um pouco sobre "Só é traído quem quer".

Close to me.

Figurinha! Sim, vamos abrir hoje - fiquei alguns dias sem colocar - com uma figura. Pausa.
Não era bem isso o que eu tinha em mente, mas achei o desenho simpático. Tinha muita vontade de encontrar e pagar para que ficasse registrado, até que a terra coma, a figura tida na cabeça para acá jogar agora. Joguei no santo google de cada dia: caveira, México. E várias opções, nenhuma batia com o imaginado. Duas me chamaram a atenção. Salvei-as. Escolhi uma para ilus
trar. Gosto muito de preto e branco. Além das caveirinhas aparentarem felizes. Alegres.
- Responda a primeira coisa que lhe subir à tona!
- Ok!
- Animal?
- Cobra.
- Café?
- Quente.
- Mar?
- Muito.
Animal é como você se vê. Café, como enxerga a morte. Mar representa sua vida sexual. Uiá!
Poder-se-ia explicar o porquê da imagem ser-me agradável, já que atribuí à morte, o aspecto quente. O lado sexual da questão ainda carece de maiores matutações. A cobra... Se continuasse com o ponto de interrogação, Cobra?, responderia: traição. Ligo-me a ela? Há vários outras palavras amarradas ao verbo trair substantivado: maçã, pecado, astúcia. Assim, pode-se conjugar tal verbo sob diferentes focos, além daquele usualmente empregado aliado ao machucar uma outra pessoa, criando a oportunidade aos demais de apontarem-lhe o dedo e deliciarem-se de sua marca distintiva: os chifres escarlates.
Cobrem-me, depois, de falar sobre isso: traição. Só é traído quem quer. Eu acho.
Bom. Cobra-trair-maçã-pecado. Enxerga os elos entre eles? Num outra perspectiva, sim... talvez a cobra traduza um pouco de mim. Trair é deixar deliberadamente de cumprir, dar a conhecer por acaso ou por imprudência, não corresponder a, contrariar...
Eu não sigo o que se espera que eu siga. Um teste proposto por mim a mim mesma... a uma certa altura, preciso subverter a ordem, bagunçar, para que eu me sinta. Para que eu me destaque entre a massa. Para que eu não seja somente mais um tijolo no muro. Seguir puramente o script torna-me previsível. Não só aos outros; principalmente a mim. Necessito descobrir a cada momento uma nova Maura para não perder o interesse por ela. Só consigo isso se eu a traio.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Guru Roque.

O nome dele era Roque. De Rock Balboa mesmo, o famoso lutador cinematográfico. Talvez uma referência inconsciente à cena na qual o personagem, treinando para uma grande luta, sai atrás de galinha-galinha-mesmo. Já o seu harém era composto por Cacilda, Carmélia, Carolina, Conchita, Cacilda e mais umas duas, com nomes também começados com a letra C. Eu os batizava. Vez ou outra, havia palpite alheio, quando minha lembrança (Cláudia, nunca me lembrei de Cláudia) não fazia surgir a inspiração. Criados com muito amor e carinho desde a mais tenra idade. Conversava (Conchita era a predileta). Por vezes, fazia experiência macabra, dando um resto de strogonoff para comerem. Nunca fui 100% sã. Assim era o meu galinheiro. Meus bichinhos de estimação. Corrompida por este sistema que passa por cima dos sentimentos mais nobres, vendi-os ao vizinho da frente. A história pára por aí. Não quero pensar que fim levou Roque e suas fêmeas. Minha culpa. Minha máxima culpa. Deveria pesar...

Roque era um galinho vistoso. Peito estufado. Belo canto (gosto de ouvir galo cantar). Porém, algo mudou para ele quando adquiriu mais idade. De repente, não mais reconheci aquele bichinho meigo que vi crescer. Passando uma galinha a sua frente, ele andava atrás, arrastando a asa, montava duma vez só na cacunda da pobrezinha, dando bicadas em sua cabeça para que ficasse quieta. Uma revolta crescia dentro do meu peito de 12-para-13 anos. Como pôde fazer ele isso com a Conchita? E ela saía disso como se nada houvesse acontecido?

Interessante é o instinto, não? Ele tá aqui, quietinho, e quando surge a oportunidade, ele aparece com toda a sua força, sobrepondo-se à razão. Acho isso de uma beleza ímpar. Aproxima-nos daquilo que somos essencialmente e que a razão fez embaralhar as idéias. Tornou-se condenável qualquer traço que nos aproxime da condição animal. Outra palavra forte. Anoto: carne. língua, animal. A lista vai aumentando.

Eu reconheço alguns traços instintivos em mim e não me obrigo a reprimi-los. Que venham à tona com toda a sua força, mostrando-me haver saída à racionalidade angustiante... opressora... Ajo com total liberdade, sem que voz interna alguma que condene ou coordene. Entrego-me àquilo liberto pelo toque sem culpa alguma.

Algumas vezes disse ou concordei com elas, palavras pontes para a consciência, quando o mais desejoso no momento era justamente correr dela, entregando todos os sentidos à fala animal. Palavras sujas não fazem com que meu corpo reaja mais vorazmente à fome. A visão do nu. O gosto salgado do suor. O cheiro da pele. Mãos que exploram e apertam o outro, num desejo impossível à física de dois corpos ocuparem o mesmo espaço... ou se debatem... Os ouvidos que captam os ruídos, os suspiros, os gemidos. Nada semelhante às expressões racionalmente pensadas e avaliadas sobre a oportunidade em dizê-las. Um "sou sua puta" quebra todas as sensações próprias da natureza, lembrando que há uma sociedade, que há relações conscientes nela, que há obrigação em se ter prazer e, infelizmente, há um manual para isso. Não quero sussurros planejadamente ordinários. Quero atos involuntariamente sujos, dignamente humanos. Dor.

À época, mal sabia eu, Roque dava de 10 a 0 em Novas, Cláudias e afins. Instinto.

Bique-me.

Penso, logo não existo!

Eita! A água! Pausa.
Sim, eu realmente me levantei. Fui à cozinha e trouxe um copo d'água. Copo descartável. Já tá na hora de Dona Adelaide pegar o caminho da roça e, justamente, aos 45 minutos do segundo tempo, eu aparecer com um copo de vidro para que seja lavado é muita sacanagem. É como eu atender a um telefonema quando já estou com a bolsa pendurada no ombro. Bão, eu poderia lavar o copo... Aliás, sempre faço isso. Se sujo uma louça qualquer, eu mesma vou à pia e limpo minha sujeira. Incomoda-me dar trabalho aos outros. Mantenho Dona Ieda lá em casa por conta do pequenino, pois não posso passar o dia inteiro com ele. Graças às mulheres que queimaram sutiãs! Hoje, era pr'eu estar bem casada, dondoca, sabendo cozinhar, talvez não sabendo cuzinhar, mas, enfim... Enfim? Ehhhhh... Viva os sutiãs queimados!!!
Água. Tá aqui o copo. 200ml. Metade já engolida. Lanço a campanha: "Maura, beba água!". Ontem, fui mais ativa. 1 litro, acredito. 1 litro de H20 purinha. Chego lá.
Eu sou uma espécie de mulher-cacto. Realmente, não sinto falta alguma. Faço só por questão de saúde. Tô numa idade que já começo a me preocupar com o avanço dela. Tenho pavor de velhinhas reclamonas. Será genético? A grande maioria das portadoras de XX, quando mais velhas, viram ranzinzas... reclamonas... cheias de dores... Forçosamente, girei o botão. Seguindo sugestão, mudei o pinico de lugar. Problemas? O grande lance é aprender a conviver com eles e, bem, é meio frescurada minha mesmo. Sempre são os mesmos. Sempre esquento a cabeça. Sempre passo por cima. Assim, vou flutuando.
Mulher-cacto... mulher-seca... isso não é mui atraente!
Definitivamente, não sei o que deu na cabeça de quem pintou o cano do chuveiro de amarelo-gema-de-ovo. Em nada combina com o amarelo-sorvete-sebinho-de-milho-verde do azulejo (eu uso o termo azulejo. Há azulejo. Há cerâmica. Não é tudo cerâmica.). Combina... combina... Por que combinar? Daí. lembrei-me de algumas ocasiões em que tecia algum comentário maldoso da moça que combinou rosa com vermelho. E o quê que tem, Maura? Deveriam ter me perguntado isso, ao invés de ter concordado. Eu precisava deste chacoalho. Ela, a moça, combinou. Quem sou eu pra interferir na combinação alheia? Na verdade de outros? Combinemos listrado com bolinha, azul com verde (minha predileta), rosa com vermelho, alto com baixo... Hoje mesmo, queria botar um par de tênis dentro da manga para sacá-lo assim que o expediente terminasse, dando um maior conforto aos pés (lembrem-se: sou uma mulher que preza o conforto!). Minha irmã, ao ver, disse que nada combinaria com o vestido vermelho (estou mocinha sensual hoje). Mais uma vez, dei ouvidos a conselhos. Próxima lição: ser surda.
Outro copo.
O chato de beber tanto líquido é fazer tanto xixi. Se bem que... bom, eu sou admiradora dos mecanismos de limpeza corporal. Fazer xixi é gostoso. Assim como outros atos que já expus aqui. Fazer cocô, soltar pum, tomar banho, além de tirar meleca e remela. Vá ver, o sentimento imbutido "estou me limpando... estou retirando de mim, as impurezas" provoque o bem-estar. Ou, contrariamente, contato com o sujo... borrocar a existência que deveria ser imaculada, resguardada, seja a fonte do prazer. Dois extremos. Não sei apontar a resposta. Conhecendo um outro eu, para mim seria mais a segunda opção.
Segundo copo já foi. Vai, Maura, vai! Sim, sim, sim... eu vou... vou... vou...
Algumas vezes, minha vaidade me ordena para que releia o texto antes de publicá-lo (noutras, minha preguiça é mais forte). Nessa revisão, vejo a contradição gritante entre as primeiras linhas e as últimas. Não chego a ficar irritada, pois sei que sou assim mesma. Disse? Contradigo. Não possuo opinião firme e forte sobre algo. Até pode haver uma para me contradizer. Já me senti perdida no meio disso tudo, dos extremos, das anulações. Quando há espaço entre elas, as contradições, é fácil se situar em algum lugar. Quando esse intervalo diminui, tocando tangencialmente uma na outra, é complicado saber o seu lugar...
A grande saída é flutuar...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

H2Ohhhhhhhhhh!

Irc! Que coisinha ruim água! Meu corpo anda reclamando, sentindo-se seco, meus lábios não estão úmidos... Primeiro copo já foi. O segundo, tá aqui na minha frente. Já empurrei mais da metade pra dentro.
"- Meu segredo de beleza? Ahhhh, só bebo 3 litros de água por dia. A genética, o fato de já ter nascido assim, não conta muito. O grande segredo é a água!" E a mulherada corre pra torneira.
Acá estou, vendendo minha força de trabalho, embora ele, o trabalho, não exija muita força. Porém, exige um certo sacrifício, pois sendo como é, acaba matando um pouco da espiritualidade, do ânimo, do azul com bolinhas verdes. Acreditem, queria que as cousas fossem mais movimentadas aqui para que eu pudesse me envolver. Ahhhhhhhhh! Bocejo. Coisa mais chata são os ofícios. A Sua Excelência o Senhor... Respeitosamente, ... Sinto uma bigorna sob minha cabeça. Um sono incrível, mesmo passando por uma noite tranqüila de sono, com minhas 8 horinhas sagradas.
Aliás, muitos riem por eu tentar manter meu intervalo de sono. Pelo menos, 480 minutos. Se não for isso, fico um caco.
Hoje eu tô um caco... Fico a me vasculhar por dentro por que cargas d'água estou assim. Sofro disso: preciso saber do porquê das coisas. Não consigo achar. Simplesmente, desde ontem, o pinico tá ali, ao lado da minha cama, para que, assim que me levanto, meta o pé em cheio nele. Isso me irrita! Tem que haver motivo. E se eu meter o dedo na tomada? Hummmmm! Mandar-me tomar no cu? Não, não resolverá. O choque é mais eficiente.
Já estou sentindo... o dia se arrastará hoje. E eu, no mesmo ritmo.
Tomando banho, pergunto-me: por que pintaram o cano do chuveiro de amarelo?
Por quê?
2º copo de água vazio. Vou lá enchê-lo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Incomodada ficava sua avó

Tô muito a fim de falar sobre cousas mais sérias não, mizifim! Desde o boom da crise econômica mundial, desliguei-me deliberadamente do mundo. Tortura! Ahhh, porque as taxas aumentarão! Ahhhh, a inflação voltará! Ahhhhhhh, Brasil tá preparado pra crise! Ahhhhhhhh, fudeu! Tenho financiamentos; às duras penas tento me manter fora do cheque-especial (anos atolada nele); décimo terceiro já comprometido com os cartões. Então, se eu não fizer nada para manter minha saúde psicológica - somente deixo-me ser acometida por distúrbios saudáveis - não mais ouço rádio de notícias, não leio jornal, tampouco vejo-o. E vou vivendo, alheia, por fora. Não mais por fora que bunda de índio, pois índio se vestiu com Adidas e pôs Havaianas nos pés. Juro que até ontem, não estava sabendo sobre aquele seqüestro da mocinha pelo ex, lá em Sum Paulo.
Tsc... tsc... tsc... 15 anos e já pendurada em pescoço de marmanjo. Que maturidade há em alguém uma década e meia afastada de seu nascimento? Eu, com 33, creio não ter alguma. Não que sacaneie com quem se candidata. Ou, bem, sacaneio, se for perguntar a quem se candidata. Mas, não sacaneio não. Respeito. Uma coisa que não posso ser acusada é de ter desrespeitado o outro. Por respeito, terminava assim que sentia, cá dentro, algo não muito legal para ser ingrediente de um grande amor: dúvida, aliada a medo... à vontade de ser livre novamente (isso não significa querer ir pro baile sem calcinha, frise-se! Porém, direito a ir prum show, cinema ou querer simplesmente ficar só, estatelada na minha cama, olhando pro teto, sem ter que se explicar minuciosamente a alguém)... à constatação que não era pra tanto. Sabe, acho que agora, aos 33, estou pronta pra tanto. Ou, pronta pro pouco tanto. Melhor pouco tanto que tanto pouco, não? Quero admirar alguém... Olhar pra pessoa e pensar: "putz, tô com ele?"...
Eh, tenho uma parte humana sim! Embora me ache muito meio Dr. House.
Sou fã de séries não. Mas Dr. House é o que há!
Então. Maravilhas do mundo moderno. O absorvente foi sim, um grande passo. Toda vez que vejo um filme de época, ponho-me a imaginar como seria naqueles tempos. A falta de sutiã não deveria ser tão incômodo quanto aos panodess (paninho feito de modess). Confesso sentir falta da sustentação artificial aos meus lindos e formosos seios. Durmo vestida com ele. Sinto-me mais segura. Minhas almofadinhas (uma homenagem à Carrie, a Estranha. Legal o livro!) protegidas da volúpia implícita no roçar dos bicos no tecido fino da camisola branca!... ????... Hahahahaha... Voltando: sua versão interna, vulgo O.B., já não foi tããããõooo grande passo assim, em relação ao conforto e à segurança feminina. Poderia até ser, antes dos maravilhosos lenços umedecidos femininos. Sou uma outra mulher. Alguns dias, preciso passar a maior parte das 24 horas a mim disponíveis fora de casa. Ou seja, banho mesmo... chuác-chuác-chuác eficiente e completo só pela manhãzinha. Isso é um terror para a mulher. Este órgão interno, quente e úmido dá trabalho para mantê-lo. Fonte da grande parte das inseguranças mulheris. Três vivas aos lenços úmidos de higiene íntima! Viva! Viva! Viva!
Comunicando a quem possa interessar e tenha lido o texto logo abaixo: não fudeu não! Colocaram-me como partícipe na trama. Pediram-me para ligar. Falei com a mãe da mocinha. Usei todo o meu arsenal de vocábulos impositores de respeito. Vamos todos ao show!
Ou a mãe mudou seu conceito sobre mim. Ou tenho mania de perseguição. A julgar-me eu mesma, tendo mais à segunda opção. Várias vezes, sou assombrada pelo sentimento de que tem gente querendo bater prego em mim.
Entendam como quiserem, no cara ou coroa! Depois dos lenços úmidos...
Hahahahahahahaahahhahahahaha

Sigam-me os maus!

Ouvia muito sobre como eram os pais da menina. Aos olhos genitores, seu irmão menor, bem mais novo, merecia toda a atenção e carinho. Ainda me baseando em relatos ouvidos aqui em casa, ela era considerada problemática ao demonstrar desinteresse em freqüentar a missa. Ou querer passar a tarde papeando com minha irmã. Ou querer participar de um time melhor patrocinado de voleibol. Pais complicados. Pessoas que, não digo com certeza, pois como haveria de tê-la se nada é 100%?... pessoas que presumidamente não me veriam como alguém que pudesse acrescentar algo de positivo a sua cria. E, presumidamente, não me viram. O ponto de referência para análises conclusivas sobre minha pessoa é incompatível com aquele que tomo para minhas concepções e ações. Escolheram um péssimo momento para passar lá em casa, levando a mocinha para desejar feliz ano novo a sua amiga, que é minha irmã. Ainda dividindo meio-a-meio todas as despesas do lar, minha mãe havia viajado. Fiquei eu cuidando da patota num pré-teste a nossa atual vida. Incorporando adolescente que tenta enganar os pais, estava tomando uma coca-cola adulterada. Calça jeans velha transformada em short. Camiseta regata velha. Pezão no chão. O quê mais um ser-humano pode querer? Várias outras coisas, é certo. Porém, dadas as possíveis opções, eu estava feliz. E tonta.
Alguém vem me avisar que a menina chegou. Ok! Ela já veio outras vezes. A notícia, de primeiro, não me abalou em nada. Já é de casa. O complemento que me fez soltar um putaquepariu. Seus pais vieram também. Eu tô zonza. Eu tô descabelada. Eu tô... tô... Oi, prazer! (estarei eu com um certo bafinho?).
Depois da cena reveillonística, novamente através de comentários captados, a vinda da pobre moça a minha casa, para passar tempinho coçando o saco e tricotando com a minha irmã, não é livre de reprimenda, bronca, horário para voltar e vigília. Acredito ter a minha figura contribuído um pouco com isso. Como se fosse eu um perigo, ideologicamente falando, às boas meninas de família.
Que perigo ofereço eu? Minhas idéias são ruins? Sinceramente, se tivesse uma filha, gostaria que fosse como a mãe. Que cometa os mesmos erros! Que não tenha pena da mão e esmurre pontas de facas! Que não seja perfeita e conviva em paz com os seus defeitos, cultivando-os até. Pois, dependendo da situação, as mazelas da alma são poderosas armas. Pareço não ter moral? O que é moral? Por que cargas d'água tenho que seguir a dos outros se é algo tão pessoal? Sei lá... não me julgo ser uma péssima influência. Até mesmo porque, butiquim-namente falando, todas as influências são ruins a partir do momento que a pessoa influenciada não consegue ser ela mesma. Ahhhhhhhhhhhh... sei lá! Só sei que, bem, ao bem da verdade, cago e ando para quem me condena em seu julgamento particular sem conhecimento profundo da causa. Sinto pela menina, pois, para que possa ser liberada a assistir a um show, minha irmã foi até sua casa conversar com o pai, dizendo, para garantir o bom andar da carruagem noite adentro, que tudo estará ok pois eu vou levá-las ao tal evento. Fudeu!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ensaboa, mulata, ensaboooa...

Todos os dias são 1º de janeiro pra mim. Se não me trai a memória, é nesse dia que rituais e mais rituais para atrair bons frutos o resto dos 364 dias (ou 365, se bissexto) são praticados por aqueles que não se conformam que a vida é uma bosta.
Opa! Não encare isso negativamente. Confesse: (vamos adentrar num terreno escatológico, aviso) a menos que esteja com algum distúrbio que prejudique o andar natural da cousa, não é ruim cagar, não é? Vá. Una-se a mim, que já chutei o balde da discrição, autopreservação, privação e outros çãos. Sentar-se no trono. Pegar qualquer papel que contenha letras. Silêncio. Nada lá fora que faça quebrar esse momento íntimo. Nem outros querendo usar o gabinete. Ou que possam usar logo assim que saia, causando-lhe um certo constrangimento por conta do vestígio aromático. É bom fazer cocô! Tão bom e necessário é que muitos, agoniados, apelam para ameixas, mamão, leite de magnésia, iogurte... Assim, é a vida. Necessária. Bom vivê-la. Pô-la pra fora. Mesmo se deparando com algumas características desagradáveis que lhe são inerentes.
Então, muitos encharcam-se de desinfetante espiritual tentando burlar acontecimentos ruins que estão gravados para acontecer na sua existência. Como etê procurando se adaptar ao comportamento humano, que sou (quero participar das rodinhas de conversa), todo dia lavo minha escadaria. Toda espuminha grudada na parede do banheiro é lavada. Vá, minha sujeira, vá ralo abaixo. Termino abstraída. Checo se há algum vestígio da minha sujeira cerâmica acima ou abaixo. Pronto, tô pronta para mais uma batalha.
Que venham os mouros! Para que eu possa passar pro lado deles...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

É sim e não!

Yes, baby... vamos a elas novamente. Meu assunto predileto. Minha fonte de encafifações: contradição. Para ficar melhor, pois são várias pipocando, e para concordar com o início do texto ("vamos a elas novamente"): contradições. Ahhhhh, terreno fértil! Fonte de neuroses e conflitos. Como já havia dito, fazendo uma leve e profunda alteração na fala shakepeariana, ser E não ser, heis a questão!
Não assumo o posto de rainha das contradições, pois todos as detém em maior ou na mesma quantidade que eu. Impossível mensurar para ver quem merece o posto. Só que não assumem. Ou batem de frente com elas. Isso aí é um erro fatal, mizifim. Elas são fortes. Têm o poder de desnorteá-lo. Tiram-lhe o chão sob os pés. Fazem-no querer sumir por não saber lidar consigo mesmo, afinal, elas são você. Somos todos uma santa trindade sem pé nem cabeça. Nunca entendi aquele lance de Filho, Espírito Santo e Deus serem três e um ao mesmo tempo. Muito contraditório isso. Porém, ao constatar e digerir minha santíssima trindade particular, Minha Carne, Minhas Contradições e Eu, essencialmente falando, compreendo melhor tal dogma católico. Minha Carne age por vezes comandada por algo que não sou eu. É algum resquício ou ele em sua totalidade, mostrando que anos e anos de evolução em nada o abalou: o instinto. Não sou eu, mas sou eu. Minhas Contradições fazem-me dizer e me contradizer logo depois, ficando em suspenso uma conclusão decisiva. Talvez elas não queiram conclusões-ponto-final e, assim, forçam-me a sempre lutar com os moinhos, procurando uma idéia exata que não existe de fato. Não sou eu (como hei de me definir entre sim e não?), mas sou eu. E por fim, Eu, que é constituído de vários eus (trindade já não cabe aí. Centenariedade... Milenariedade... ). Não sou eu, mas sou eu.
Até em atos tão inculcados, em relação aos quais não nos colocamos sentados sob uma árvore, mastigando um galhinho e matutando. Roupa. Por que usamos roupa? Qual a lógica? Proteção? Pudor? Moral? Como foi tirada a decisão entre a vontade de se cobrir (ou necessidade) e a vontade de se mostrar? Sim, por que para muitos a roupa serve para se mostrar aos outros para que os admirem. Para a grande maioria. Porém, não se daria exposição maior andando nu? Talvez a roupa sirva para esconder não a carcaça que nos cobre, mas sim o que há dentro... uma infinita bagunça que nos deixa desorientados. Nu, não só a carne está despida.
Sou eu.

I'm high but I'm grounded

Às vezes, no intuito de me proteger, procuro não ler. Não vi. Tampouco quero ouvir nem falar nada. As palavras vão sendo digeridas, incrustadas na carne cá dentro e me envenena. Meus olhos continuam vendo como sempre viram. Porém, os dados são processados de forma dolorida ao peito. Cada vez dói mais quando se constata que nada pode ser feito. Sou inútil diante daquilo que tanto me incomoda e aflige. Não adianta sacolejar os braços, pois não se trata de uma inofensiva mosca. É algo maior e muito mais poderoso: o ser-humano.
Já citei outras tantas vezes o meu desejo de viver isolada. Não, não quero que as pessoas se afastem de mim. Que continuem no meu campo de visão, esses seres escolhidos para pertencerem ao meu círculo. O quê, por vezes, gostaria é não ter contato com aqueles desconhecidos que me trazem desconforto em notá-los. Fazer algo como um dotô faz: casa-carro-garagem privativa-gabinete-garagem privativa-carro-casa. Uma bolha ambulante. Fecham-se os vidros. Liga-se o ar-condicionado. Coloca-se música para desviar a atenção dos olhos e ouvidos. Pensar nos cocktails. Na viagem ao exterior. No meu rabo.
Parei no sinal. Como sempre, eu, eu mesma e Maura no carro. Musiquinha incapaz de desviar-me de mim. Janelas abertas. O mesmo menino que outras tantas vezes eu já vi vendendo jujubas no semáforo. A imagem dele já havia me cutucado todos os outros momentos. Antes, ele vinha acompanhado por um outro, que deve ter mais ou menos a mesma idade, que não creio ser irmão dele. Diferem muito um do outro. Havia me fixado neles pois além do aspecto físico, algo incorpóreo captado. Alguma coisa que me fazia esquecer a minha espera pela luz verde... algo que pesava dentro do peito, causava desconforto, e era belo ao mesmo tempo. Talvez fosse a amizade explicitamente implícita entre os dois moleques. Não... talvez, sim, fosse a solidariedade entre ambos, na miséria, que me fez querer poder colocar tal sentimento nobre num contexto menos penoso. Hoje, ao revê-lo só, cabelinho penteado, decência mantida na medida do possível, carregando a caixa com os doces, sob um sol escaldante, contive-me para não chorar, deixando externar aquele peso que tal imagem criou em mim. Chorar por quê? Não é filho meu doente... não é parente... qual o motivo do meu choro, que até agora ainda resta dentro de mim?... Sinto a garganta se fechar... os olhos umedecerem... Não é meu rabo!!! Quero minha bolha. Ou não... talvez não queira perder o que há de humano dentro de mim.
Sentimentos são belos e doloridos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

There's blood in my spoon

Algo como entrevista bate-e-volta típica de programas de auditório com público não seleto, respondo a quem possa me perguntar "O que faz escondido que morre de vergonha?": xereto ego.com.br (site de celebridades. Irc! Ce-le-bri-da-de... ô terminho brega! Cheira a "fazer amor", "sexy", "meu esposo" e por aí vai. Há vocábulos que merecem música do Wando de fundo, ao serem pronunciados) e venho somente eu dentro do carro quando me dirijo à faculdade ou ao trabalho. Duas coisas que sujam o meu currículo. Gostar de sentir o cheiro do próprio pum não é nada diante desses dois fatos.
Aliás, por que me envergonharia confessar que gosto do cheiro do meu pum? Taí, EU GOSTO DO CHEIRO DO MEU PUM! Orgulho-me dele! Fui eu quem fiz! Obra minha e merece toda a minha admiração como ato não depreciativo. Eu me amo!
Friso: do meu. De outro ou outros, é nojento! Sinto dizer!
Mudei-me. Casa nova. Maura nova. Bom, não se trata de um novo eu, porém, permissão para que um outro eu, desconhecido por mim, viesse à tona. Esse eu sempre esteve acá dentro, só não tinha desabrochado. Saí do armário. Aliás, saí, desmontei, carreguei e montei o armário. Não entendam isso sexualmente falando. Desde uma comparação visualmente falando com a Samantha Ronson - dá-lhe Ego! Ô vergonha! :( - dito e repito para quem julga baseado na aparência, que eu gosto de meninos. Aliás, para quem julga com base no exterior, foda-se! E nessa, incluo eu também: fodo-me.
Por falar em foda, comprei Calígula. Não comprei o filme por conta das trepas, digo. Foi por conta do ator, Malcom McDowell, aquele do Laranja Mecânica. Sim, sim... o sexo explícito no dvd chama a atenção. Aliás, diria que chama muito. É mais interessante que filme pornô propriamente dito e fabricado. Não vejo graça em filmes eróticos. Peraí, vejo sim: são por deveras engraçados. O finjimento é cômico. As cenas tão falsas... Definitivamente, filmes de sacanagem não surtem efeitos colaterais algum em minha pessoa. A não ser o riso. Não seria boa idéia assistir na hora H. O moço se sentiria constrangido e não entenderia minhas gargalhadas.
Bão. Voltemos à foda. Não à foda em si. Porém, a foda do "Eu sou foda!". Cada vez mais, vejo-me de tal modo. Tô chutando mesmo o balde da modéstia. Tal vestimenta nunca coube perfeitamente em mim.
Não consigo me lembrar se já comentei ou não... Ando seguindo muito o modo shinyashiki de viver: faça do limão, uma caipiroska (não gosto de limonada. Suco, respondo eu perante a platéia, só se for de mamão, melão, laranja... E, bem, caipiroska e não caipirinha, pois vodca émenos calórico que aguardente). Inevitavelmente, pego um trânsito congestionado (putz! E eu só dentro do carro!). Estou aprendendo a gostar deste tempo eu, eu mesma e Maura. Momento introspectivo. Canto em voz alta sem ter filho por perto rindo da minha voz... falo sozinha... matuto. Principalmente, matuto. E, analisando sobre minha pacata-nem-tão-pacata existência, vi que de um ano pra cá, venho atravessando um furacão. Sinceramente, não sei se a teoria do caos aplicar-se-á no meu caso. Não sei se diante à bagunça aparente, haverá ordem. Talvez, a ordem é a desordem... Nessa bagunça, tiro-me... construo-me... admiro-me... Porra, eu sou uma pusta mulher! Tenho sim, meus momentos mulé-zinha de ser. Afinal, carrego os cromossomos XX. Entretanto... sou forte, sou inteligente, sou não-bundona, sou mãezona, sou dona de mim... Sou, sou... Sou fodasticamente foda!!! Isso me orgulha!
9h06... depois de bater uma punheta em público (eu sei que tal termo não se aplica às mulheres, mas, pelamordedeus, siririca é horrível! Soa-me como alguém que tá subindo pelas paredes. Bater punheta vem aos meus ouvidos como um ato deliberado. Algo movido não tão somente pela necessidade, mas pela vontade explícita do prazer solitário. O poder de poder dar prazer a si próprio. Olha só que poderoso!), vou-me. O dever me chama!
Ao alto e avante!
Sigam-me os maus!
Ahhhh... não comprei Calígula pra ver Malcom nuzinho não. Gosto desse ator pela sua cara de desajustado. Por conta disso, tenho curiosidade sobre ele.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fotos e nada mais.

Gosto de me inquietar. Por isso, perceber que tudo se acalmou dentro de mim ou ao meu redor... perceber que minha vida se encaixou em uma rotina... tudo me aflige. E aflita, começo um novo ciclo: futucando-me. Algo semelhante à reação inconsciente à dor. Tá doendo? Reaja. E quero que doa, doa, doa...
Algumas vezes, a bebida – até certo ponto – funcionou para mim como algo que pudesse esmiúçar a ferida. Aparentemente legal, só quero relaxar? Aparentemente. Cá dentro, vapores exercendo pressão contra as paredes, criando aumento da temperatura interna, querendo, a qualquer custo, sair... escapar... Piiiiiiiiiiiiii! Sentimentos com os quais não sei lidar afloram. Agora, é a hora do teste. Sinta tudo que lhe foge à razão consciente. Sinta-se perdido com emoções desconhecidas e, por isso mesmo, temidas. E agora?
Capto a real interpretação a este bolo criado dentro do meu estômago. Não é resultado da vodca tomada com o intuito de me cutucar. Tampouco, para alívio da minha honra adulta, medo de enfrentar tete-à-tete a vida. Definitivamente, não é este último. Dá um certo frio na barriga sim, admito. Entretanto, sinto um outro lado meu que julgava não ser tão expressivo: forte, decidido, ao alto e avante!
O desconforto tem origem naquilo que acontece com todos, um dia. Durante muito tempo, não entendia a tristeza da minha mãe ao lembrar de sua infância, das suas irmãs, dos risos, do medo, do pai chegando tarde após mais um dia de trabalho exaustivo na obra. A mim, era apenas uma narração de como era sua infância e adolescência. Eu não sentia aperto no peito algum.
Hoje, com a minha vida em caixas, sinto. Não por sair. Mas por, agora sim, ver que distanciar-se é conseqüência natural. E as lembranças passarão a doer.
Reajo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Batida em retirada


Já que o amigo não pôde me levar dentro da mala, ao menos ele me enviou fotos de lugares que, com certeza, eu visitaria em Paris. À tona, um ladinho meio bocó meu: emocionar-me por tocar, ver, imaginar que ali, no lugar onde eu estaria no momento, figuras célebres passaram por lá. Assim foi numa exposição cá nesta terra donde JK perdeu as botas. Um pedaço de coluna do palácio romano. "- Eiiiiita, imperador Fulano de Tal passou acá!". E a imagem do cidadão vem-me à mente, a sua toga, as sandálias, cercado por funcionários, amigos ou puxa-sacos, discutindo uma importante decisão a ser tomada. Perco-me na minha imaginação. Assim foi, também, com a foto, embora o frio na barriga não tenha vindo pois eu não estava tete-à-tete com a lápide. Seis anos depois, morria Simone. Terá ela sofrido muito com a partida de Sartre? Ou a idéia nua e crua da nossa existência nos tira um pouco a dor? Anos de nascimento tão próximos, assim como os de morte. Olhá só, nascimento, diferença de 3 anos (se a minha visão não me trair. Esqueci o óculos. Estou cegueta total!). Morte, 6. São múltiplos!!! Ohhhh! O que isso conta? Bom, não conta nada, mas nessa arte de decorar números de telefones porque não há caneta por perto, desenvolvi a técnica de achar alguma relação entre eles, facilitando a memorização. Néctar, distribuidora de bebidas, que entrega coca-cola geladinha em casa, mesmo na compra de uma somente: 3032-2005. 30, idade que eu tinha em 2005 (matei dois coelhos com uma machadada só). 32... 32... Bom, 32, idade que eu tinha quando decorei tal número. Pronto! 30 32 2005.
Encaixotando minha existência, encontrei uma cópia da certidão de nascimento do meu pai numa pasta de documentos. Não fazia a mínima idéia sobre os nomes dos meus bisavós paternos e maternos. Mesmo lendo, não os decobrei, exceto de um bisavô... que também me falta à memória se era por parte do pai ou da mãe... Mauro Santos. Então, minha graça não adveio diretamente do meu pai, mas do meu bisavô. E como terá sido essa figura? Faltam-me mais bases para imaginá-lo. Ou não! Imagino-o meio Maura-bisneta... meio Mauro-neto... Afinal, foi onde seus genes tocaram.
Caixas... mudança... fase nova. Ou, novo modo de olhar a fase. Sei lá! Só sei que eu não tinha a mínima idéia de tanta quinquilharia que carrego comigo!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Vendaval

Ahhhh, Full Throttle! Alguém sabe me informar onde consigo tal jogo? Ele é das antigas (bem, não tanto das antigas assim). Queria jogá-lo novamente. Se bem que... Bom, queria de novo pois à época que o zerei, eram tempos agradáveis. Agradável me cheira a meia-bomba (tá bom? ahhhh... está agradável!). Reformulemos: eram dias legais. Fase platônica que não se esmoreceu diante à confusão particular instaurada na minha vida. Ainda desempregada. Guiga com 1 ou 2 aninhos. E o ventinho de liberdade, um mundão a frente para ser organizado, batendo-me no rosto. Recém separada graças a lampejo de racionalidade. Não estava dando certo, para quê encompridar o causo? Bater na mesma tecla sendo que não havia possibilidade alguma de dar certo? Pelo menino? Mais vale cada um prum lado feliz... Creio que isso sim, faz a diferença.
Ao bem da verdade, não sei se o cara está feliz. Sumiu.
Eu tô. O quê? Feliz. Problemas pipocando, cansaço, correndo, mas contente da vida. Aproveitando seja lá como for cada instante da minha passagem pela terra antes de virar uma árvore (já avisei, quero que plantem uma sobre o meu túmulo. Quero ser árvore!). Seja momento bom ou ruim... alguma coisa sobra. Não digo que dos tempos esquenta-cuca, tiro uma grande lição de vida. Porra nenhuma! Daqui a pouco, tô pronta pra outro baque, só que pouco mais gabaritada, vamos assim dizer.
E vou dançando sobre a terra. Conforme a música.
Quero Full Throttle! Ou não. É, melhor não. Deixe Maura de 1990 e poucos quietinha lá. Subindo ao almirante da Torre de Tv, vi ser melhor lembrar, apenas, das sensações boas de outrora. Não procurar reativá-las, pois o mesmo frio na barriga não ressurgirá. Certeza! Lembrando da Maura titubeando em encostar as mãos na grade e ver Brasília lááááááá embaixo, broxei quando vi que nenhum bambear de pernas brotaria. Que saco! Esse trem não era tão alto?
Quando finalmente consegui As Sete Faces do Dr. Lao, não o consegui enxergá-lo como antes... Céus! Não quero perder isso!
Assim como não quero perder meus acasos. Eles, os fatos inesperados, que dão uma signifação maior aos acontecimentos que são, no fundo, bobos. Se eu não tivesse me aboletado na porta de casa, para ver a banda passar, teria eu, hoje, o meu Guilherme? Não. E eu sou o que sou por causa dele também. O acaso... O que será que esta minha ação de agora, seja escrever acá, ou xeretar ali, ou tomar outro caminho rumo pra casa, modificará lá pra frente? Bom, se houver algo a ser modificado - o que enseja a determinação, desde já, do futuro... destino - pois, para mim, o maior exemplo de como a vida é e anda, é aquela pluminha no filme Forrest Gump. A gente vai indo... vai indo... tomando rumo de acordo com a direção do vento... ou de quem assopra...
Fuuuuuuuuuuu!