quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Não gosto de jogar rascunho fora, nem deixá-lo às moscas. Vai! Depois, se a cachola cooperar, darei continuidade.

Ok! Atéia como digo ser eu, como posso cair na crendice de nada pronunciar antes do prazo comumente instituído para se guardar em segredo, antes de jogar a bosta ao ventilador? Uma proteção à inveja. Inveja de moá, cara pálida? Hummmmm... não creio! Ou, olho gordo... ou pensamentos ruins... ou... ou... Enfim. À urubizice. Pois bem. 1.º - não acredito; 2.º - muitos talvez considerem ter eu me fudido de vez e bonito. Assim, não se faz mais necessário mandingas sobre a minha pessoa. 3.º - não me vem à mente. Quando vir, volto ao ponto.

Ahhh, céus! Minhas tetas doem. Parecem estar inflando... inflando... sob dor... Meu corpo não mais me pertence. Sua atenção é toda virada para o ventre e me coloca em tal prostração, esquecendo-me. Uma parte do cérebro ainda tenta dar ordem até pouco antes levada a cabo: reaja! Reaja! Reaja! Nada. Eu havia esquecido totalmente esse terrível início de gravidez.

E início é uma bosta mesmo. Não tenho coragem - a barriga mal aparece, para alguns eu engordei por conta das férias - de pegar senha para preferencial. Hoje mesmo, lá no laboratório para fazer uma bateria de testes sempre passados a futuras zumbis, apertei o botão na maquininha correspondente ao atendimento normal. "Ahhh, só estou num mal-estar danado típico da época e um pouco de enjôo, mas 'guento a parada!". Ok! Chega uma típica perua taguatinguense ( = mulher típica moradora classe média da cidade satélite de Taguatinga. Podemos identificá-la, primeiramente, pelas luzes no cabelo. Horror!), acompanhada da filha-franja-alisada. Uma pré-adolescente, a menina uniformizada. A essa altura, eu já estava maldizendo a minha bundice. A senha estancou no 11 (18, a minha) e um monte de preferenciais passaram a ser chamados. E, na nona senha destinada a idosos, gestantes, deficientes e mães com crianças de colo, lá vá a senhora-cabelos-com-mechas-loiras-e-base-de-chocolate. Como assim, mermã? Grávida, não estaria. Digo não estar, pois achei ter sido a cara-de-pau motivada pela pressa mesmo. Sua filha estava uniformizada, logo deveria ir para a escola após exame. Mas, mesmo assim!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Lavar roupa todo dia

Como invariavelmente faz, Dona Helena entrou aqui no meu cubículo, protegido por persianas e uma porta, a qual posso fechar se tudo estiver calmo, encostando minha cabeça sobre a mesa, deixando sobre o móvel a marca indelével da baba "Maura esteve aqui e dormiu". Notei logo estar vestida com um uniforme diferente. Não estava carimbado sobre seu corpo, sua função aqui no edifício: funcionária da limpeza. Sorridente, veio me mostrar toda orgulhosa. Agora, copeira.

Dona Helena é uma mulher admirável. Nossos contatos se resumem tão unicamente às suas vindas aqui na minha sala. Achou-me, ela, simpática por increça que parível. Tenho um probleminha com isso aí: acharem-me próxima logo de primeira. Como todo bom tímido, colocados em um ambiente novo e inexplorado, fecho-me feito tatu-bola quando tocado. O nariz parece estar mais empinado. Fico quieta, analisando o redor, antes de proferir algo. Sentir segurança para abrir a boca. Aliás, para grande parte dos meus atos, preciso sentir os pés no solo antes de concretizá-los. Friso: para grande parte... não tudo...

Trocamos, assim, algumas palavras. Seu horário de almoço não lhe permite ficar mais que dez minutos de prosa. Traz balinha ou paçoca para mim. Ahhh, Dona Helena! Tô tentando cortar esses açúcares, pois sabe né? Depois dos 30, o metabolismo é cruel num corpo feminino. Mas, ok! Dê-me! E troquemos algumas míseras palavras, mas o suficiente para conhecermos uma a outra.
Nas primeiras trocas, notei ser ela uma mulher muito religiosa. Pela insistência em chamar Jesus na causa, evangélica. Pelo olhar inquiridor sobre minhas tatuagens (muitos símbolos e répteis, que não são bem vistos religiosamente), evangélica praticante. Contudo, nossa amizade não ficou abalada pela minha pré-imagem. Quis ela acrescentar-se com minhas idéias e me dar a chance de me acrescentar com as suas.

Seu filho é usuário de crack. Tem uns 16 anos. Ô idade difícil! Bom, talvez todas tenham lá suas dificuldades peculiares. Minha Dona Rita vive me dizendo, quando me encontra num dia muito bom devido aos excessos da noite anterior. E numa espécie de oráculo, prevê sem eu ter solicitado a adivinhação: "Você verá, Maura, quando os seus crescerem!". Como devo me preparar para a fatídica cena? Mato essa versão maurística, bancando, futuramente, a hipócrita? Passo a dica sobre o que se fazer durante uma ressaca infernal (ou seja, nada... só água... ou o tal soro caseiro... e, principalmente, não tentar se lembrar do que, porventura, acontecera durante a noite)? Ou pergunto se posso ir também?

Ah, Dona Helena! Façamos o melhor que está ao nosso alcance, não? Aliás, estando em alcance ou não, é a verdade.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quem arcará?

No melhor estilo "pegue seu banquinho e saia de mansinho", retirei-me. Parecia ter em mim, algo semelhante àquela bomba de encher pneu de bicicleta e ia inflando... inflando... inflando... Antes dos pedaços fumegantes de massa cinzenta grudassem nos cabelos recém feitos luzes e chapinha de muitas, casquei fora.

Passei no moço da pipoca. Fome muita, trocados poucos, tentei engabelar o estômago ranzinza. Antigamente, quando eu comprava só o pacote de dois reais, o senhor oferecia uma manteiguinha derretida por cima. Agora, novamente com a onda de cortar comilança (preciso me enfiar numa academia para voltar a deglutir o mundo... talvez, daqui a algum tempo, essa conclusão se estenda ao outro sentido também), pago o de um. Sem beiços brilhando, moça. Ok! Enfie esse tubo no... Ah, obrigada! Menos calorias ingeridas durante a semana. Eu prefiro à margarina mesmo.

Histórias rondam o estacionamento. Antes fossem referentes a alguma alma penada, ou a alguma Loira do Banheiro perdida de do seu habitat natural. Os fantasmas são de carne e osso mesmo. Às vezes, não tão menos sanguinários quanto ao Freddy Krueger.

Saio, em marcha atlética, rumo ao meu mad max. Se eu não me forço a reparar onde estacionei o carro assim que chego a algum lugar, é uma luta encontrá-lo depois. Já precisei ficar para lá e para cá, entre dois estacionamentos, até encontrar o vermelhinho. Cansada e receosa de que alguém percebesse a barata tonta motorizada, parei, concentrei e refiz, mentalmente, todo o caminho feito desde a minha chegada ao lugar. Pimba! Uma luz se fez.

À luz da noite, não me permito tal esquecimento. A estrada é longa e o caminho é deserto.... e o Lobo Mau anda aqui por perto.

Maura. Rua. 22h30. Isso significa mariposear ou, God, casa! A primeira opção só é marcada quando o dinheiro dá o seu aval e estou pouco me lixando se amanhã, trabalharei. Há pouco, tempo, sob pressão, recordei das propagandas do Ministério da Saúde ensinando a fazer soro caseiro. Na copa, há sal, açúcar e água filtrada. Voilà! Aos goles e sob promessas-que-sei-muito-bem-não-cumprir-alguma, reanimo-me.

Essas mesmas rotas seguidas todo santo dia tiram-me, um pouco, as cores da vida. "No colors anymore I want them to turn black". Tento fazer a minha parte, procurando desobedecer num ato minúsculo diante todo o contexto sufocante. "Hoje, tô que tô e dou dedo pra tudo isso! Vou quebrar por aquele outro caminho e ver de qualé!". Não é de grão em grão que a galinha enche o papo? Se partir logo para modificar um grande todo, a tarefa é mais árdua e corre-se o risco de dar com os burro n'água. Além de enfrentar algo grande e desconhecido, a exposição é maior. Alguém poderia notar. E se, justamente esse alguém, não deseja transformações significativas, tirando-o da sua zona de conforto... Assim, sob a fantasia de moita, pequenos atos são postos em prática, desfazendo, peça por peça, o quebra-cabeça montado. O gigante está ali, sem nem notar. Surpresa!!!

Vou de churrasquinho hoje.

Se eu pedisse um, mais incrementado, haveria farofinha passada na carne, de graça?


Um adendo: a estória se passa, inicialmente, quando estou eu a cascar fora da faculdade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Xeque mate!

E então, escutei: adoro quando a mulher faz um certo jogo. Jogo?!? Sim, jogo... escutei... quando há certa manipulação - sem duplo sentido, embora caiba no assunto aqui escrito. O colega de sala disse ser interessante a mulher não se "render" logo. É mais incitante "quero dar, mas não agora". Pensei. Ruminei. Avaliei. Calma.

Coca-cola zero choca, alguém aceita?

Vai um pastel de queijo murcho também.

Bom. Jogos... do tipo, o cara tá subindo a mão, na hora dos amassos, rumo às tetas e você faz um "ohhhh, não..." e, com as mãos, afasta o tato explorador de campo, porém doida para que lhe aperte os bicos? Se a mulé estiver interessada em algo a mais, então, é melhor fazer isso?

Dei uma golada no traçado.

Né mole impor-se não. Ainda mais quando o comum não é seguido. Quando você pinta sua buceta dentro do surrealismo... ou cubismo... ou outra escola de vanguarda qualquer. Menos barroco. Assim sou: decifra-me ou te devoro. E mando às favas tudo e qualquer gente/situação querendo me diminuir porque me imponho. E assumo. Entendo muitos na sua desconfiança e... e... falha-me o nome. Pé atrás? Sim... ficar sempre na defensiva. Compreendo bem isso.

Dei a mim, hoje, o direito de passar o dia inteiro de camisola, enterrada num colchão jogado no chão da sala. Claro, não poderia me esquecer do edredon. Desliguei-me de tudo. De almoço, até. Nada como uma caixa de nuggets-salva-vidas na geladeira. E um pacote de macarrão. Voilà. O almoço está na mesa. Melhor, na mão. Se quiser, há um pano de prato para servir de apoio e não queimar a mão. Se bem que, no caso, com tal menu, a comida não estaria tão quente.

Adoro desenhos. Se reparar bem, os de hoje em dia não são feitos tão somente para crianças. Meu pequeno adorou a estória dentro daquilo que a sua vivência permite. A minha me permitiu ver outras coisas. Havia um hamster preso num bola transparente... muito fã do protagonista em questão, resolveu, dentro da bolha mesmo, seguir seu ídolo, ajudando-o a cumprir a missão. A certa altura, no auge, ele saiu da prisão plástica e enfrenta, com os próprios punhos, o perigo surgido. Vence. Por conta do costume, volta à proteção esférica.

Saí da minha bolha craniana. Posso concordar contigo num ponto, caro colega. Experiência própria. Dei tanto para quem com a qual gostaria de ter algo. Assim como foi com alguém "de uma noite só" (mas sempre fiz questão de ir deixando bem claro ter ido não por conta de sua lábia - que tal conversarmos sós? Mais à vontade? - fui porque quis e gostaria de que a pessoa soubesse disso. Fora escolha minha. Aliás, diria mais da natureza...). Contudo, digo sem pestanejar: muito melhor quando se há afinidade... algum sentimento... alguma ligação... algum interesse futuro... alguma conectividade, sem trocadilhos à palavra.

Sim, caro colega. Quiçá, possa existir algo além do preferir ao jogo. Ou seja, o jogo se traduz na vontade de ver a moça, ou moço, mais outras tantas vezes. Pode ser. Contudo, como a lua, há outra face. Não ter feito jogo algum e ter se permitido não significa ausência de vontade posterior. Ou respeito. Ou... sei lá! Religião, futebol e sexo são assuntos complexos. Ao menos, com relação ao primeiro, já resolvi. Ele lá. Eu cá. E fiquemos um a rir do outro. Futebol, por mais que eu assista, não entra na minha pobre cabeça quando se dá o impedimento (talvez, nem juízes, a julgar pelos comentaristas). Sexo... a velha pergunta: dar ou não dar logo? Eis a questão.

Mas, se tudo indica que a pessoa aparecerá mais vezes...

Maldita maçã!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Polvo careca

Aqui, denuncio a minha tenra idade: a primeira faz tchan. A segunda, tchun. E tchantchantchaaannnn! Após um trabalho difícil... nada ecológico, conotativamente ou denotativa, já que muitos minutos debaixo da água quente foram utilizados, entre o momento da reflexão e ação... Enxerguei-a. Logicamente, a metade do ciclo vital já percorrido imprimiu sua marca. Nela. E aos meus olhos.
Fiquei no carro enquanto alguém resolveria alguma coisa em alguma barraquinha. Feira da Torre de Tv. Quem foi criança nesta terra donde JK perdeu as botas, há de localizar e entender. Àquele, a sorte de ter nascido e se criado longe deste Planalto Central (desculpem-me os amantes de Brasília, mas nada vejo de atrativo aqui. Podem esfregar meus olhos em um rol extenso de qualidades puxadas às duras penas, mas aqui não hei de espalhar minhas cinzas), tente imaginar uma torre enorme. Ferros e parafusos tocando o céu. Era assim para a criança. Dentro do carro, olhando para cima, tinha a sensação de que ela, tão grande, estaria prestes a cair sobre várias cabeças. Anos... décadas... se passaram. Subi ao almirante, esperando um friozinho na barriga. Vertigem. O mundo ao seus pés. Nada.
Nada além da constatação de que, agora, o tão esperado arrepio e medo de encostar na grade, perderam-se. Donde eu os perdi? Quem me fez perdê-los? Ser adulto é isso? Perder a pança gelada... o tremor... ? Isso me aguçava. Corrigindo o tempo verbal, aguça-me ainda. Sentir-me instigada pelo o que está por vir.
Quis ver como estava. Depois de tanto tempo, tenha lá o meu receio de não mais reconhecê-la. Acompanhamos cada uma o crescimento (por que não chamar desenvolvimento) da outra. Mantinhamos uma certa distância, apesar de estarmos unidas. E, apesar, de novo, o agir de uma influenciasse a ação da outra. Por muito tempo, achei ter sido eu meio déspota, impondo-lhe um pensar racional. Tal pensamento, foi logo embora. Ela expressa perfeitamente a natureza, submissa aos seus instintos. Não é preciso haver luta, necessariamente. Instinto x racional. Um completa o outro. Não há antagonismos, tampouco em um, há a obrigação de suplantar o outro.
Cresci. Ao menos, cronologicamente. Ainda tinha guardada numa das gavetas da cachola, a imagem pura e imaculada. Como não poderia deixar de ser, a contagem regressiva do tempo também llhe imprimiu marcas próprias do avanço.
Não é mais como antes. A sua aparência me transmite uma fome. Vontade de engolir o mundo. Uma expressão de um outro eu. Outra sensação...
De posse dela, ela me dá frio na espinha.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Droga! A técnica do "bateu n'água, descarga apertada" não adiantou bulhufas para não me denunciar. Terminando de limpar o masculino, logo a moça entrará no destinado às mulheres e verá ser eu, sim, um ser-humano comum. Que come, dorme, peida, mija e, flagra, caga também. Pouco me importa e não hei de torcer o rabo da porca. Quer saber? Pouco me importa merrrmo. Bom, quero dizer: um pinguilim, importa-me. No entanto, pus em prática tática furada para não haver constrangimento algum. Mais por parte dela. Produtos meus, os cheiros não me incomodam. Mas tenho disso mesmo: procuro, ao máximo, não criar incômodo algum a outrem. Claro, dentro desse grupo "outrem" há lá sua dicotomização. A alguns, faço questão de imprimir meus maus cheiros mental e verbal.
Ara! Sou filha dessa classificação em reino, filo, classe, ordem, família e espécie! E mais, admito e faço delas meu portifólio, as vicissitudes. Aguente-as quem quiser. Eu quis. Abri meu coração a elas. E aprendi a conviver com elas. Sim, há pessoas com as quais os santos não se cruzam logo de cara. Não é preciso papo algum. Postura, roupa, o jeito de olhar, o jeito de se mover. Ahhhh, prazer! Esquadrinho-na centímetro por centímetro. Tento adivinhar os gostos, ideologia... Tento enxergar seu calcanhar escondido. Cerco-a de palavras. Opiniões contrárias. Futuco. Não com língua curta, mas longa, fina e bipartida. A satisfação em ver seu desconcerto, incentiva-me mais e mais. O rosto trancado e seu ar perturbado dão-me o cinturão. Cheira-me!
O banheiro está livre!
Para uns, a sociedade interfere no homem. Relações humanas são estabelecidas de acordo com o modo de produção adotado. Para outros, a ação humana interfere na construção da realidade. Homem, produto da sociedade ou sociedade, produto do homem? Há intersecção entre essas duas consequências? Sim, há. E é algo em essência. Fluídico. Forte. Obra do homem e, tornando-se um adulto maduro, tomou as rédeas da situação: o sistema. Não dá para imaginá-lo, pois tudo ao nosso redor são expressões concretas de sua vontade. Foi crescendo. Crescendo. Impondo suas vontades. Livre e com o total poder em suas mãos. Não há quem o controle ou que o governe. Como disse, ele assumiu vida própria. E todos, desde o pobre ao mais rico, desde o eleitor ao eleito, servem a ele, seguindo suas leis. Talvez Deus seja o sistema. Onipotente e onisciente.
Não me mate, Senhor! Prometo revelar Teu segredo a poucos. Assim, posso cometer o impropério de atormentar algumas pessoas com tal verdade. Como venho repetindo diante ao espelho, é a minha índole.
Gosto de cagar.

Autótrofo

Já imagino:
- Ehhhh, licença. Boa tarde, Doutor!
- Boa tarde. Sente-se. O que traz você aqui?
"As minhas pernas", penso, mais uma daquelas respostas feitas há trocentos anos e ainda presentes no imaginário coletivo. Olho ao redor. Quadros. Seria um bom começo de conversa dizer ser Vincent VanGogh seu pintor predileto. Sim, diante do caso, psicanalista não faria correlação alguma, já que o caso não é cortar nada, muito menos orelha.
- Bom... "é um longo caminho... se o faço, às escondidas, justamente para não ser preciso justificativas esmiúçadas, tampouco imposição da minha preferência. Aja. Foda-se. Inspire. Respire. Quem seria o pintor? Muito ruim. Ai, eu joguei no Google. Não tive paciência em ler. Será essa a especialidade indicada? Passará ele, algum tratamento psicológico para mim? Mas não sou doida. Pode ser que Freud explica. Ou não..."
- Sim?
Vejo-o bater impacientemente sua caneta chique - provavelmente algum presente do Dia dos Pais ou, hummm, não consigo ler as inscrições nela apostas... pode ser brinde de alguma conferência... costumam dar pastas e canetas como lembranças do evento...
- Pois não?
Ok. Vai ou racha! Tento enfiar na minha mente, desde minha concepção como pessoa, não ter explicações maiores a dar, a não ser a mim mesma. Sim. Isso! Expiro:
- Quero ter um pênis!
Não, senhor da roupa branca, muito pelo contrário. Não desejo, nem nunca desejei, ser um homem. Adoro minhas tetas. A minha boca. Meus traços finos. As curvas do meu corpo delineadas por doses de estrogênio. Freud poderia explicar?
Quero um pau. Meu. Não de outro. Nâo de silicone ou quaisquer outros materiais. De carne, veias, pele e meu. Senti-lo na minha mão em todo extenso comprimento (porque eu não haveria de tê-lo pequeno e sim, grande e vistoso mastro) e sentir o toque da minha mão sobre ele. Reciprocidade. Assim como se faz durante alguns minutos solitários: a mão esfrega e o clitoris se sente esfregado.
Quero uma extensão maior de pele e carne rija penetrando o mundo. Futucá-lo, primeiramente, como se fosse uma inspeção... senti-lo se está maduro o suficiente... sentir sua consistência... Para, depois, comê-lo aos poucos e lentamente, até me satisfazer.

terça-feira, 15 de junho de 2010


"A Maura já está aí?", escuto duas ou três pessoas perguntarem lá da copa. Fico calada, à espera de algum comentário adjunto à interrogativa com um que de exclamativo. Assim, não respondo eu mesma em voz alta: sim estou. Tragam-me café ou mando cortar a cabeça!
Sou uma pessoa sincera, acho. Ou, melhor, sou forçada a ser. A mentira logo é evidenciada pelo meu tom de voz, pescoço rijo ou gaguejadas. Além do indício óbvio e pertencente ao manual Saiba Mentir: não encompride a estória. Dou todos os detalhes meticulosamente elaborados. Horas, pessoas, acontecimentos, tudo. Tudo para a outra pessoa montar dentro de si,o enredo. Imaginar-me dentro da situação fantasiosa e, diante tantos detalhes perfeitamente dispensáveis numa situação verídica, duvidar dela. Não sei por que, mas alguém duvidar de mim é algo extremamente aborrecedor, por isso, o esforço descomunal à minha imaginação.
Não diga ou expresse dúvidas quanto a mim.
Há um canudo dentro da garrafinha de pimenta. "Duvido que você tome o caldinho da pimenta pelo canudo!". Hum, duvida? "Sim, duvido!". E o duvido se aloja no pavilhão auricular em um duuuuuuu (leia-se esse duuuuuu, como se os us fizessem círculos no ar)- viiiiiii - doooooo. Pronto! Minha honra foi mortalmente ferida e assim estarão, também, minha boca e estômago. Chuuuuuup! Não duvide, señor!
Há tantas coisas mais importantes para se provar minha honra. Contudo, de grão em grão, a galinha enche o papo, non? Ou, nas pequenas coisas estão o início das grandes. Uma mãozinha ali, deixada como quem não quer nada, displicente, ops! pode causar grandes turbulências.
Meto a boca no canudo.
O meu tédio e desânimo, caídos feitos bigornas sobre a minha cachola, é muito bem notado por todos aqui. Menos pelo chefe, o que agradeço à Shiva e faz-me rever a minha incapacidade em aplicar lorota. Talvez, e eficiência esteja ligada ao alvo. Voltemos mais tarde a este ponto. Entediada e desanimada, percorro desaceleradamente a roda dentro da qual estou inserida. Para que correr, correr e correr se chegarei ao mesmo ponto? Ok, virá pessoa me dizer ser a falta de foco, ou objetivo, motivo das passadas em câmera lenta. Bom, imaginemos: quero um puta apartamento, carrão, peitos maiores e bunda dura (sim, para este último item, deveria correr mesmo). Para isso, grana. Para grana, foco. Foco, corro-corro-corro. Consigo. E então? Em essência, fechei um ciclo. Dei uma volta completa. Vou recomeçar. O ramster recomeçará o seu ciclo.
Por que é de interesse social essa rotina? Até mesmo os desejos são inseridos em um rotina. Rotina que se confunde com padrão. Os anseios são tão parecidos entre um e outro. Não digo que não há diferenças, pois seria muito radicalismo. Um sim ou um não absolutos não me descem pela goela. Assim como o padrão. Destruir para reconstruir. Primeiro, acaba-se com a provável personalidade original do indivíduo e depois, incuti-lhe desejos de uma classe média típica. Ramsters. Ramsters. E ramsters.
Sim, pessoas, cheguei muito antes do horário previsto hoje. Não para sair logo, pegar minha cor-ne-ta (seja qual for a diferença, recuso-me chamá-la de vuvuzela por conta da televisão) e torcer pela seleção. Façam isso por mim. Quero é logo chegar em casa, tirar meu tênis, botar meu short e dormir o que deixei de dormir nesta madrugada, pensando na cruel mudança de minha rotina, por conta do jogo, fazendo-me acordar muito mais cedo e vir.
Cadê a porra do café?

Ah, a eficiência da potoca condicionada ao alvo dela. Talvez não seja necessário explicar, pois muitos devem ter tal conclusão dentro de si. Aliás, muitas coisas não são necessárias explicar. Basta cagá-las e o mundo solidariezar-se-á: há bosta dentro de todos e, eureka!, todos cagam. Assim, no fundo, é de interesse a lorota ser percebida de imediato. É uma mentira sincera. Você quer gritar a verdade, mas um outro sentimento qualquer - como pena, constrangimento e por aí vai - muda fracamente as palavras, de modo ser perfeitamente perceptível aquelas reais.

Trouxeram o café.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Luz do dia

O corpo é o túmulo da alma.
Sintetizei e traduzi. Tudo e todos existentes aqui dentro de mim, condensados num único ponto: prisão. Não, deslizar a lâmina sobre o meu corpo, rachaduras voluntariamente feitas, não faz desejos escorrerem. Perderem-se. Livrar-me. Sangro durante algum tempo. A dor fina com punhal, me faz esquecer um pouco da inquietação constante. Necessidade de me satisfazer.
Já tentei encher a barriga dessa besta. Logo depois da digestão e do conseqüente mal-estar cravado na alma, ela quer mais. Não se satisfez por completo. Tenho a certeza disfarçada de sensação, para não me apavorar tanto, ser essa fome insaciável. Pergunto-me não estar eu me transformando em escrava de mim mesma. Sinto agonia pelo tempo futuro. Uma tarefa digna às Danaides. Poço sem fundo. Encho, encho, encho.
Fome.
Os estímulos me atormentam. Eletrecutam-me. Logo após a sonolência esperada pelos choques, empurro as paredes internas a fim de me misturar a eles. Uma coisa somente: eu e os cheiros... gostos... superfícies... sons... cores... Tudo, um. Ser constantemente aguçada. Explodir. E, novamente, outra explosão. Mais uma. Outra.
Preciso disso. Prazer. Não, não há mal na palavra. Gozo ao sentir o verde do lodo entrar buceta adentro, substituindo o fluido vermelho por algo mais viscoso. A terra enchendo-me a boca. O gosto dos pequenos grãos... a saliva barrenta escorre queixo abaixo... Sujo-me.
Preciso me sujar. Não é sujar. Minha carcaça é alvo fácil à moral dos outros. Bombardeiem-me. Atirem-me. Quanto mais esfacelada, mais vejo a luz do meu dia. Vejo a porta de entrada a uma outra prisão na qual fiz questão de estar reclusa. Não vivemos tão por si próprios. Indignem-se contra a minha sujeira (assim são vistos meus desejos dentro da cela de vocês) e permitam chafudar-me nela.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bodas

Uma volta. Duas voltas. Pergunto-me se não foi de propósito ter estragado a fechadura tetra, quando insisti para que a chave desse seus giros completos livremente, sob a penumbra, numa dessas noites quando daria o meu reino por uma capa da invisibilidade. Na verdade, não tão somente após as dez badaladas noturnas, bancaria a rainha displicente com o seu povo. Gostaria de ficar invisível durante o dia também. Agora, apenas a fechadura comum apartando-nos do resto do mundo, facilita-me o trabalho feito em carne e ossos evidentes. Sumir, não. Invisível. Ter ainda a presença dentre eles e muitos. Escutar. Embora eu saiba muito bem o que falam. Fala. Ele vai falar o que já sei. Não posso fazer nada. Não quero, na verdade. Antes de desligar o celular, mandei-lhe uma mensagem: estou bem, ponto. Não se preocupe, ponto. Sem bê-jota-esses ou coisa que o valha. Fiz não por amor ou carinho. O send foi apenas uma tentativa de evitar esta cena que se põe, agora, à minha frente. Evitar. Meus olhos daquele que não mais se arrepende dos seus pecados encontram a figura do inquisidor. Burrice, a minha. O que lhe incentivou a perder horas de sono não foi preocupação comigo. Não mais. Ofereci-lhe uma oportunidade de levantar a si próprio, como ser benevolente, justo, honesto, bom pai de família e marido. Ajudei-lhe nisso, reconheça. Sem vilão, não há mocinho. Você é o bom moço. Agradeça-me.
Nada digo. Nada respondo ao suspiro. Tranco a porta. Jogo a bolsa no lugar de costume (de costume). Tiro meus sapatos. Já acho desnecessário ir ao segundo quarto à direita, entrando por aquele corredor. Olhar as crianças dormindo e buscar dentro de mim aquele sentimento pesado capaz de provocar mudanças significativas na vida de tantos, não adianta mais. Se ao menos, sentisse-me culpada por alguma coisa, talvez valeria o martírio. A culpa poderia fazer-me cegar e continuar minha vida de ruminante. Não sinto que estou errada. Desculpem-me, eu, não a mãe de vocês, não está errada.
Outro suspiro. E após este, a fala. Não sei para onde olho. Ou, onde posso desabar meu corpo, enquanto os ouvidos, não a mente, estão ao seu inteiro dispor. É o mínimo.
A casa. As crianças. A vida que muitas gostariam de ter. Privada. Descarga. No fundo, não lhe importa todos esses adereços. Importa a si, somente. Fale. Um homem como você. Seu ego. Assuma. Isso torna o monólogo mais interessante. Dizer-me sobre as coisas em pleno processo de perda, sendo que, no fundo, nunca as tive verdadeiramente, causam-me tédio. Não me importo. Não mais. Difícil de ver?
Sim. Difícil. Talvez eu sempre estive sob o manto.
Um pau maior? Não procurei comparar o seu a algum outro. Sossegue. Não foi essa a causa. Tenho capacidade de me descobrir sozinha, sabia? Talvez não possa crer na minha figura de agora, tão diferente daquela que passava tardes em casa de parentes, forçando-se a rir gentilmente, ou passava horas cheirando cola e verniz, com as mãos ocupadas nas malditas caixinhas, possa lhe fazer sentir mal consigo próprio. As caixas... traidoras! Prometiam-me refúgio e mal me cabiam. Ainda falando sobre você disfarçadamente?
Suspiro eu, colocando os lábios, finalmente, em movimento.
Meus sapatos. Minha bolsa. A chave? Porta aberta. Ela, fechadura. Pouco vejo na penumbra do meu mundo novo, a não ser a sombra de um homem tão perdido quanto eu era. Você se encontra. Procure uma esposa sacramentada.
As crianças? Cuide-as.

Experiências.


Mantendo o título: Uma rapidinha para fechar o dia!

Muito tempo não passo aqui. Vida estancada? Mente paralisada? Saio pela tangente a responder tais questões. Saudade de mim aqui. Acabei esbarrando num rascunho. Texto iniciado em meados de setembro. Ano, 2008. Como sou contra desperdícios, hora de pari-lo. Aliás, maiêutica. Volto.

No orkut deve ter... Ou no google... Uma receitinha pros cabelos crescerem rápido! Desejo tipicamente feminino. Já enjoei da my face.
Well, well e wells. Já profetizei acá que viver é um eterno-até-que-dure reavaliar seus conceitos. Mais uma vez, assino embaixo.
De início, uma idéia contrária a minha me inibe. Não uma inibição de raiva contida. Não, não. É uma inibição de automatutação... introspecção... algo como "pô, cê tem razão!". Isso também vale pras críticas a minha pessoa. Por isso, repetindo-me, fico nua aqui. Críticas boas ou não e, dentro deste não, bem-feitas ou não, acrescentam-me. Força-me a me rever. Paro, de parir, uma Maura nova.
Hoje conversando com uma sobre outra uma pessoa(s) próxima(s), voltei atrás sobre o tempo necessário para que duas pessoas fiquem juntas. Sob o mesmo teto. Hummmmm... sim, sim. Você tem razão, señor! O tempo é relativo, já dizia Eistein. E por que regras? Aliás, regras pra tudo? Ter tanto tempo na bagagem não significa sucesso. Talvez a fórmula seja o contrário. No pa-pim-pum. Conhecer a pessoa no dia-a-dia... ser algo fantástico... Ehhhh, pode ser sim! Mudei.
Sou uma metamorfose ambulante também, Raul. Ainda bem! Graças a Thor!
Hoje, reli-me. Gosto de fazer isso... Mais uma vez, mudei. Já não sei se somente amor de mãe-filho é possível. Talvez entre dois seres que não sejam bonecas matrioshkas, seja possível sim. Se minha reavaliação é resultado de experiência atual e corrente? Bom, o que sinto nessa experiência particular poderia se transformar nesse sentimento maior, amor. E além da tal possibilidade, confesso haver também uma íntima e pura vontade para que isso ocorra. Não porque há a necessidade de... mas a pessoa me faz querer que.
Se acontecerá ou não, realmente não sei, já que não depende unicamente de mim. Porém, uma coisa eu sei: outra Maura. Se não vir à tona, não duvidarei de sua existência nos meus textos futuros. É algo possível sim.
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ... "