domingo, 27 de janeiro de 2008

Argh!

Muitas vezes pedi fervorosamente a Thor para que não me deixasse transformar numa espécie não rara entre as mulheres. Principalmente, entre aquelas que já morderam a maçã da maternidade. Eu ficava ali, com cara de enfado, batendo o pé direito, em pé, esperando minha vez, escutando que a fulana que se plantou frente à professora anda trabalhando construções textuais com a sua cria, em casa... que fulaninho, filho de fulana, tem dificuldade x; que, oh! que garoto esperto!, fez uma pergunta que, geralmente, criança da sua idade não faria... que, que, que... Céus! Que bundona! Que Buda não me deixe ser uma também, pagando minha língua; pois, já vi e vivi, que o grande barato desta vida é pagar língua! Cacilda, que mulé chata da porra! Não é querendo me colocar como exemplo não, mas... por que não faz como eu: "- Oi, sou a mãe do Guilherme Boaventura. E então, como ele tá? (...) Ah, é? (...) Hummmm!(...) Então tá! Tenho que assinar algo?". Encaro assim: a professora dá a direção, basicamente. Aprofundar e fixar o conteúdo, cabe ao meu filho e a mim, se houver dificuldade. Creio que não tem nada a ver encher os ouvidos da pobre coitada (muito menos os meus) que está trabalhando num sábado, com as táticas educacionais particulares. Isto é entre A, mãe e/ou pai, e B, filho. Será que com todo o discurso desinteressante, ela, a bundona, tenta mostrar que é boa mãe? Que fissura é esta de ser boa mãe? E, principalmente, que necessidade é essa de tornar público que é boa mãe? Olha só, amo demais meus filhos, amor que chega a doer cá dentro quando, no meio da noite, acordo e fico reparando meus moleques dormindo. Uma mistura de medo e amor. Porém, sei não... não entro nesta competição doentia que se instala entre as mães. Protejo demais... faço as vontades demais... sou cuca-fresca demais... Sou humana demais. Não faço questão de competir pelo título A Boa Mãe do Ano. Já fico feliz se, com os meus erros e acertos, meus meninos sairem boas pessoas.

Terei cumprido a tarefa árdua e doce.

Sem ter virado bundona.

E com direito a um asilo de ponta. Não quero torrar a paciência de ninguém! Aliás, eles terão suas vidas para tocarem. É assim que a vida segue.

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