segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
...
Assisti a um programa de um canal pago qualquer sobre aqueles que se jogaram do World Trade Center quando os aviões já haviam se chocado nas torres gêmeas. Sendo mais específica, a reportagem girava em torno de uma pessoa em específico, capturada pelas lentes das máquinas fotográficas e impressa em várias capas de revistas e jornais. Um homem em queda livre. Quem seria ele e como seus parentes reagiram frente à imagem. Eram essas as questões. Analisando a roupa, ligando as poucas pistas sobre com o provável lugar do seu ponto de partida, chegaram a algumas hipóteses e às famílias. Uma delas, a reação foi negativa. Lançar-se do alto do centésimo e tantos andares era sinal de fraqueza. Ausência de fé. Uma alma fraca e condenada. Escravutando mais a fundo, descobriu-se que não se tratava dos familiares da infeliz pessoa. Numa outra alternativa - esses sim, eram geneticamente ligados ao personagem - o ato foi encarado como ato de bravura. Só sendo forte extra-suficientemente para se jogar do alto de um arranha-céu, livrando-se do inferno terrestre. Por que tenho que ser forte? Por que sou obrigada a lutar, esbravejar, apegar-me a um deus imaginário, engolir uma felicidade inexistente? O que há de mal em me desesperar frente ao vazio, ao absurdo das coisas, às pessoas-robôs? Por que me tiram o direito de fazer corpo mole frente a tudo isso? Não me sinto sem força para reagir a tudo isso (tudo isso... sem definições maiores pois não há definições maiores... o mundo que me cerca é tudo isso... uma massa...). Sinto-me indiferente. A fraqueza seria uma resposta natural do meu corpo ao admitir sua total inabilidade em combater os moinhos. Como poderia sentir-me fraca frente a algo que não existe? Não se trata de fraqueza, então. Trata-se de indiferença. Esfrego meus olhos e nada vejo. Cadê os porquês? Qual o sentido? Viver é por deveras dolorido e não vejo recompensa para tanta dor, desgosto, frustrações, correr... correr...correr... Somente viver. Nascer... crescer... reproduzir-se... envelhecer... morrer. Simples assim. Nu e cru assim. Talvez o desespero me lançasse em queda livre se não fosse o fato de eu mesma não pertencer a mim. O mais provável é que eu aprenda a sobreviver de mãos dadas com ele, passando por ondas de enjôo provocadas por tudo isso.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Talvez, não uma só coisa, ou outras poucas dela, tão igualmente grandes e notáveis, nos definam. Os pequenos pedaços. Eu nunca prestei atenção neles. Pode ter sido ao extenso conjunto deles. Deu-me preguiça de analisá-los. Entretante, esses sim, são os que me desenham e, se der uma olhadinha aos que já estão sendo julgados no pretérito perfeito do indicativo, é possível ver-me no futuro do presente.
Como não prestei atenção ao sagrado café com leite tomado assim que chegava da escola? Era batata: ao meio-dia e pouco, entrava sala adentro, guiava-me à cozinha, pegava um copo de requeijão escalonado, após o consumo total de seu conteúdo original, para outra função, abria a geladeira, pegava o leite frio, pegava a garrafa térmica, completava o volume com café quente. Eis a Maura!
Para que me enfiar numa terapia se as respostas estão dentro de mim? Basta me chafurdar. E pra isso, é necessário que algo doa. Não é papo de masoquista não, embora eu admita alguns traços em mim de Leopold von Sacher Masoch. Doer é necessário. Perdoa-me se estou fazendo chover no molhado. Se já está com o bolo pronto e eu ainda estou levando a farinha. A dor sempre me instigou, por isso é pauta constante de minhas matutações. E, por causa disso, vira-e-mexe, bato na mesma tecla. Dor. Lembro dos castigos divinos. Prometeu e suas vísceras devoradas diariamente por uma águia. As Danaides e o seu poço sem fundo. A dor de Cristo... e por aí, vai. Dor. Dor, então, é educativo. Faz-nos lembrar dos erros cometidos. E enquanto está doendo, a ferida aberta, somos obrigados a enxergar donde o angu começou a encaroçar. Não incomodando mais, guarda-se alguma fatia para casos futuros.
Muito lógico. Tão evidente que se torna tão vergonhoso quanto jogar acá a grande descoberta: para toda ação, ecziste uma reação.
Dor.
Café com leite.
Eu.
Há uma linha que liga dois opostos. Para alguns, essa linha é longa. Sabem, sem confusão alguma, em qual parte se situar. O quente e o frio são como água e óleo. Não se misturam. É fácil e reconfortante distinguir. A outros, aí eu me incluo, a distância entre dois extremos quase não há. Penso acreditar em algo, porém o contra-algo toca meu braço e já não sei se o primeiro é tão convincente assim. Então, avalio eu que os dois podem viver harmoniosamente juntos. Cada um dando o seu pitaco, sem que confusão alguma se crie e desenvolva entre os sulcos da minha massa cinzenta. É uma questão de costume. Ou, resignação.
Não é tão fácil assim, cara-corada! Um pé no quente e a mão no frio e o meu cérebro no meio. E isso, dói. Doendo, lembro-me da causa. A causa, sou eu. Devia eu tentar o impossível (que muitas vezes, é possível sim), fugir de mim, escapando da sensação dolorosa. Porém, a inquietude faz-me com que eu mergulhe ainda mais dentro das minhas contradições. Expondo-me nua e cruamente a mim mesma. Perdendo-me dentro de mim para que, enfim, eu me encontre.
Não procuro fugir dela, a tal dor. Eu a procuro insistentemente para que eu possa me enxergar e saber o que faço de mim.
Como não prestei atenção ao sagrado café com leite tomado assim que chegava da escola? Era batata: ao meio-dia e pouco, entrava sala adentro, guiava-me à cozinha, pegava um copo de requeijão escalonado, após o consumo total de seu conteúdo original, para outra função, abria a geladeira, pegava o leite frio, pegava a garrafa térmica, completava o volume com café quente. Eis a Maura!
Para que me enfiar numa terapia se as respostas estão dentro de mim? Basta me chafurdar. E pra isso, é necessário que algo doa. Não é papo de masoquista não, embora eu admita alguns traços em mim de Leopold von Sacher Masoch. Doer é necessário. Perdoa-me se estou fazendo chover no molhado. Se já está com o bolo pronto e eu ainda estou levando a farinha. A dor sempre me instigou, por isso é pauta constante de minhas matutações. E, por causa disso, vira-e-mexe, bato na mesma tecla. Dor. Lembro dos castigos divinos. Prometeu e suas vísceras devoradas diariamente por uma águia. As Danaides e o seu poço sem fundo. A dor de Cristo... e por aí, vai. Dor. Dor, então, é educativo. Faz-nos lembrar dos erros cometidos. E enquanto está doendo, a ferida aberta, somos obrigados a enxergar donde o angu começou a encaroçar. Não incomodando mais, guarda-se alguma fatia para casos futuros.
Muito lógico. Tão evidente que se torna tão vergonhoso quanto jogar acá a grande descoberta: para toda ação, ecziste uma reação.
Dor.
Café com leite.
Eu.
Há uma linha que liga dois opostos. Para alguns, essa linha é longa. Sabem, sem confusão alguma, em qual parte se situar. O quente e o frio são como água e óleo. Não se misturam. É fácil e reconfortante distinguir. A outros, aí eu me incluo, a distância entre dois extremos quase não há. Penso acreditar em algo, porém o contra-algo toca meu braço e já não sei se o primeiro é tão convincente assim. Então, avalio eu que os dois podem viver harmoniosamente juntos. Cada um dando o seu pitaco, sem que confusão alguma se crie e desenvolva entre os sulcos da minha massa cinzenta. É uma questão de costume. Ou, resignação.
Não é tão fácil assim, cara-corada! Um pé no quente e a mão no frio e o meu cérebro no meio. E isso, dói. Doendo, lembro-me da causa. A causa, sou eu. Devia eu tentar o impossível (que muitas vezes, é possível sim), fugir de mim, escapando da sensação dolorosa. Porém, a inquietude faz-me com que eu mergulhe ainda mais dentro das minhas contradições. Expondo-me nua e cruamente a mim mesma. Perdendo-me dentro de mim para que, enfim, eu me encontre.
Não procuro fugir dela, a tal dor. Eu a procuro insistentemente para que eu possa me enxergar e saber o que faço de mim.
Moá
Sente aí!A fim de um café? Não? Eu tô. Pera. Pronto. O quê? Quem sou eu? Sou... sou... Sou tudo e nada ao mesmo tempo. Um curto caminho entre vários pares de contradições o que me deixa bastante confusa. Se isso é bom? Ser confusa? Acho e não acho. Gosto de me sentir perdida dentre várias opções pois, assim, eu as vejo. Não acho pois não sei qual delas agarrar. Se quero agarrar? Sim! Quero. Gary Oldman, John Cusak... Brincadeira. Quando a resposta não vai satisfazer quem me interpela, fujo pela tangente. Anote aí mais um pedaço de mim. Bom, não agarro. Fujo. Vôo. Caio. Ralo. Se eu a pego, a opção escolhida, outras deixarão de ser. E quero eu tê-las ao meu redor, dando-me um poder latente. Eu decido na hora que quero. Tem certeza que não quer café? Eu quero. Outro. Olha só. Resumindo: sou uma pluminha solta do 106º andar, num dia de muito vento. Certeza que não quer um café?
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Japón
REAJA, Maura, reaja. E assim, anos atrás, pus ponto final num casório que nunca deveria ter acontecido. Pulando à frente, a colocação de drenos em meu pulmões foi evitada. Levei uma gravidez na boa quando, ao final dela, o namorado arrumou outra namorada. Com os ossos ainda fraturados, pus-me ao alto e avante. Ri dos pés-na-bunda tomados. Acordei e fui trabalhar. Não agüento me ver prostada, enfraquecida, inerte. REAJA, Maura, reaja. E assim vou caminhando, cantando e seguindo a canção. Isso é tremendamente sufocante. Não me permito cair, chorar, lançar-me num beco sem saída. Por vezes, sinto que curtir uma fossazinha talvez seja bom à alma. Por mais que um outro eu queira, não sou heroína e sucumbir esfrega isso na cara. Tenho sentimentos aos turbilhões com os quais, por vezes, não sei lidar. Não consigo reagir tão prontamente... e fico com um gosto amargo do fracasso na boca. Eu broxo também, porra!
E tenho TPM! Sim... eu a tenho. Confesso aqui diante de... de... quantas pessoas devem me ler? Bom, diante de todas as pessoas que porventura passem por acá. A alteração hormonal me pegou em cheio. Senti um azedume latente. Uma irritabilidade sem motivo palpável. Premonições catastróficas. Achar-me uma péssima companhia. Reaja, Maura, reaja. Mas como? Por quê? Donde? Adonde? Os problemas visíveis não são merecedores de preocupações maiores. De onde veio toda essa encheção de saco? O borrãozinho de sangue indicou o caminho. Que faço eu agora? Reajo? Ou entrego-me àquilo que sempre acreditei ser frescurada mulheril? Recuso-me terminantemente a usar isso como desculpa. Muito sem imaginação... batido... "Rrrrrr... não brinque pois estou de tê-pê-eme!". Urgh!
Pode brincar. Se eu avançar, avance também. Se a reação não partir de mim, que parta de outra pessoa.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Sem pé nem cabeça
Rascunhos.
Não quero descartá-los. Também não quero continuá-los.
Complicado dar nome ao texto. Batizá-lo com um título que dê liga e o conduza. Sou muito indecisa ao dar nomes. Nomes a tudo, diga-se. Aliás, sou muito indecisa em definir pessoas e coisas. Uma hora, eu os vejo assim. Noutra, assado. Guilherme tem cara jeito de Guilherme, porém, às vezes, tem um quê de Álvaro. Ou até mesmo de Astolfo. Esses dias aí é uma luta não lançar o filho janela afora.
Catei a sentença identificadora na capa de uma revista que trouxe para ler. Como estou com um pouco de sono, resolvi adiar a leitura para não babar sobre a minha mesa de trabalho. Sim, acredito eu que babe durante a dormida sim. Taí outra hora na qual desligo-me do socialmente bem visto e aceito. Babo. Falo. Giro os olhos à là O Exorcista. Talvez peide... Mas isso é certeza se tomo um copo de leite antes de dormir. Alguém que tenha dormido comigo possa confirmar isso... bom, espero que não. Não por assim ficar com vergonha tardia. Mas pela pessoa não ter se lançado de corpo e alma aos braços de Morfeu. Atestado maior de uma fase ruim atravessada por alguém é dizer ter dormido mal. Ou não ter dormido.
Quando algo simples consegue plantar uma sementinha da discórdia entre os sulcos da massa cinzenta, acredito eu estar próxima a um grande abismo sem fim. Encucar-me com as 10 dimensões... o que há depois do buraco negro... Cadê o hádron?... Bom, isso aí já é esperado devido à complexidade do assunto. Agora, enxergar relações ocultas em fatos tão banais, posso constatar que tudo conspira contra. No que poderia eu acreditar?
O branco.
Bão. O fio da meada foi mais ou menos perdido. Influenciada por um prograva de tevê, comecei a enxergar a má índole do branco. Minha meta de vida, desde então, é lutar contra a ausência de cor. Ausência de cor... Ausência... Branco... cor que retira toda a individualidade... cor das massas...
Fico devendo essa! Já estou anos-luz a frente.
Encontrei-a por acaso. Adoro descobertas no acaso! Com um monte de coisas pra fazer e sem vontade alguma em fazê-las, fui navegar aleatoriamente. Esbarro numa reportagem sobre o novo filme de Nicole Kidman.
"Em "The Danish Girl", Nicole Kidman vive um transexual em plena década de 1930. O fime chegará aos cinemas em 2009 e segundo informação do “Hollywood Repórter”, ela se casará com a personagem interpretada por Charlize Theron. No longa, Nicole será Einar, um artista que posa como modelo feminino para Charlize, que fará o papel de Greta. O quadro torna-se famoso e Greta incentiva Einar a assumir a personalidade feminina para a sociedade de Copenhague. "
Gosto da Nicole não. E tenho o hábito de, geralmente, boicotar os filmes daqueles atores com os quais não cruzei os bigodes. Porém, parece-me ser interessante o filme. E a história do tal artista, chamou-me a atenção. Trocar de sexo em 1930? Coisa pra macho!
Não quero descartá-los. Também não quero continuá-los.
Complicado dar nome ao texto. Batizá-lo com um título que dê liga e o conduza. Sou muito indecisa ao dar nomes. Nomes a tudo, diga-se. Aliás, sou muito indecisa em definir pessoas e coisas. Uma hora, eu os vejo assim. Noutra, assado. Guilherme tem cara jeito de Guilherme, porém, às vezes, tem um quê de Álvaro. Ou até mesmo de Astolfo. Esses dias aí é uma luta não lançar o filho janela afora.
Catei a sentença identificadora na capa de uma revista que trouxe para ler. Como estou com um pouco de sono, resolvi adiar a leitura para não babar sobre a minha mesa de trabalho. Sim, acredito eu que babe durante a dormida sim. Taí outra hora na qual desligo-me do socialmente bem visto e aceito. Babo. Falo. Giro os olhos à là O Exorcista. Talvez peide... Mas isso é certeza se tomo um copo de leite antes de dormir. Alguém que tenha dormido comigo possa confirmar isso... bom, espero que não. Não por assim ficar com vergonha tardia. Mas pela pessoa não ter se lançado de corpo e alma aos braços de Morfeu. Atestado maior de uma fase ruim atravessada por alguém é dizer ter dormido mal. Ou não ter dormido.
Quando algo simples consegue plantar uma sementinha da discórdia entre os sulcos da massa cinzenta, acredito eu estar próxima a um grande abismo sem fim. Encucar-me com as 10 dimensões... o que há depois do buraco negro... Cadê o hádron?... Bom, isso aí já é esperado devido à complexidade do assunto. Agora, enxergar relações ocultas em fatos tão banais, posso constatar que tudo conspira contra. No que poderia eu acreditar?
O branco.
Bão. O fio da meada foi mais ou menos perdido. Influenciada por um prograva de tevê, comecei a enxergar a má índole do branco. Minha meta de vida, desde então, é lutar contra a ausência de cor. Ausência de cor... Ausência... Branco... cor que retira toda a individualidade... cor das massas...
Fico devendo essa! Já estou anos-luz a frente.
Encontrei-a por acaso. Adoro descobertas no acaso! Com um monte de coisas pra fazer e sem vontade alguma em fazê-las, fui navegar aleatoriamente. Esbarro numa reportagem sobre o novo filme de Nicole Kidman.
"Em "The Danish Girl", Nicole Kidman vive um transexual em plena década de 1930. O fime chegará aos cinemas em 2009 e segundo informação do “Hollywood Repórter”, ela se casará com a personagem interpretada por Charlize Theron. No longa, Nicole será Einar, um artista que posa como modelo feminino para Charlize, que fará o papel de Greta. O quadro torna-se famoso e Greta incentiva Einar a assumir a personalidade feminina para a sociedade de Copenhague. "
Gosto da Nicole não. E tenho o hábito de, geralmente, boicotar os filmes daqueles atores com os quais não cruzei os bigodes. Porém, parece-me ser interessante o filme. E a história do tal artista, chamou-me a atenção. Trocar de sexo em 1930? Coisa pra macho!
Filosofia do ovo colorido
Apesar do desejo de passar 1000 anos dormindo e, quiçá, não chutaria o fê-dê-pê do príncipe que viesse me acordar, dormir por um longo período não me faz bem. O meio. O meio termo. Merda de meio termo! E essa porquêra é com hífen ou sem hífen? Dormir pouco me fere a alma. E passar um longo tempo com as pestanas cerradas também não me cai bem. Soma-se e divida por dois: é o ideal. Ideal... o que é ideal? Minha visão hoje está meio turva: não capto devidamente as palavras. Elas me parecem a lua: há um campo escuro não visível a todos.
Meu irmão ligou. Que bom! Isso significa que a sua raiva em relação a mim já passou um pouco. Apesar do tempo estar nos separando, ele me faz muita falta. Vontade de cutucá-lo, perto das 12 badaladas noturnas, e propor para que vejamos a fauna. Camisa do pijama, casaco, calça e tênis. Íamos os dois, andando pela rua, com uma garrafinha de cerveja em punho, imaginando como seriam as nossas vidas quando adultos. Posso lhe responder agora com mais exatidão, Davi: nós, adultos, não somos nada daquilo que imaginávamos. Talvez não assistamos, como planejamos entre um gole e outro, os clipes de nossa época, aboletados no sofá, vendo os filhos passarem de um lado para o outro, dizendo "Já vou!", ou "Dá pra me arrumar algum?", ou, para afundarmos ainda mais na nossa triste nostalgia, "Cara, isso é velho, hein?". Talvez seja pretensão humana imaginar que seríamos tão diferentes do restante dos bichos. Aprendemos a voar e o ninho já não existe mais. Hoje, imagino que sejamos lembranças boas e doloridas lá na frente. E tenho esperança de que, tal como vislumbrei durante as nossas caminhadas noturnas, eu esteja errada.
Logo após, empolgada com o contato fraternal, telefonei para minha mãe. Pela primeira vez, precisei pensar em assuntos para não ter que desligar logo o telefone. Queria - e precisava - conversar mais. O ninho... Não há, Maura, não há.
Ligo para casa. Sem muita paciência para espichar prosa com a Ieda - não, hoje não... não quero saber se fulano não leva a louça suja pra pia... se está bagunçada a casa... se o Ian não comeu direito... Hoje, não - procuro pela minha prima que lá está. Talvez me entenda um pouco mais ou me diga algo que eu queira escutar. Sim, neste dia, procurava eu palavras que me fossem apropriadas ao momento. Que fizessem ponte entre alguma coisa encalacrada cá dentro e o exterior. Acabamos nos pontos negativos da vida. E solto algo semelhante a "o que seria do branco se não fosse o preto?". Se na existência, só fatos bons acontecessem, como identificá-los dessa forma, já que não saberíamos que o bom é bom, pois não haveria o ruim para contrapô-lo? Filosofia de buteco. E buteco do mais sem-vergonha. Daqueles com ovos coloridos para tira-gosto.
Inauguro a Filosofia do ovo colorido.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Logística
Copiando de algum lugar o qual não me recordo (acredito eu ter visto num filme qualquer), tentaremos eleger uma palavra por dia. Talvez ela faça alguma conexão explícita com o momento respirado por esta humilde pessoa que vos digita. Ou, é preciso chafudar-se dentro de mim para que a escolha faça sentido. Comecemos: logística. Li pintada num baú de caminhão. Segundo o http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/, tal palavra nada mais é que:
"logística lo.gís.ti.ca sf (gr logistiké) 1 ant Aritmética aplicada. 2 ant Álgebra elementar. 3 ant Lógica simbólica. 4 Mil Ciência militar que trata do alojamento, equipamento e transporte de tropas, produção, distribuição, manutenção e transporte de material e de outras atividades não combatentes relacionadas."
Chafurdar-me-ei.
Por que logística? É. Eu sei por que (preciso dar uma revisada nos porquês juntos, amasiados, separados, acompanhados...). Não é preciso mergulhar a ponto de ver seres abissais dentro de mim para que resgate a resposta, embora não esteja tão superficialmente exposto. Ou está, quando se nota meu aspecto cansado, desanimado, encolhido.
Sim, o dedo no cu não adiantou muito e continuo no cinza.
O foda é que gosto de cinza.
O mais foda ainda é que gosto de me sentir assim, pois força-me a reagir. E o tri-foda é que, desta vez, não estou conseguindo. Sinto-me atada por algo invisível e não identificável, deixando-me deverasmente puta.
Logística.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Dedo no cu
Pelo menos eu acho ser muito chato pessoas 100% alegres, de bom-humor, transpirando felicidade o tempo todo. Assim como também é aquelas que sempre estão tristes, sua vida é uma merda e nada dá certo, o tempo todo. Ontem... não, ontem não. Ontem eu já estava assim. Antes de ontem, Maura era puro entusiasmo. Fodona. Destemida. Sigam-me os maus! Hoje (a partir de ontem), sou um cocô ambulante. Um desânimo. Vontade de chorar. Ou de me chocar contra um carro qualquer. Uma necessidade de impacto e a conseqüente dor para ver se eu reajo. Pois ficar assim continuamente torram-me os ovos!
Já sentiu debater-se dentro do seu próprio corpo? Como se de fato existisse algo fluido - você realmente - que recheasse a carcaça e fosse a energia motriz de todas as funções do organismo. E isso, a uma certa altura, sentindo não caber mais no espaço designado pelos genes para ser sua prisão, começa a exercer pressão nas paredes externas, querendo sair, expandir, estourar. Alcançar todas as possibilidades. Misturar-se ao meio. Deixar de ser. Liberdade.
Preciso que alguém me espete. Pow!
Algumas das muitas vezes observando o mundo que me engole, chego à conclusão de haver outros tantos seres condenados à prisão. O conjunto particular, carne, ossos e fluidos, é nitidamente uma masmorra. Pessoas presas dentro de si próprias, tendo no corpo seu carcereiro particular.
Sim, sim. Ando meio encuzada. E não me venham com TPM. Mesmo que eu dê meu braço a torcer sobre a existência da tão famosa alteração hormonal, não está na época. É... não sei! Ou sei... Medo. Sim, é isso aí: medo. Só preciso encontrar sua causa. E isto está difícil de visualizar. Medo do quê, porra? Motivos há. Peraí, motivo ser igual à causa? Não sei se consigo explicar, mas vejo uma tênue diferença aí. Motivo seria provável causa. O porquê, junto e com acento. Causa seria fato concreto. Não caberia o adjetivo provável aí. Algo munido de base sólida para sê-lo. Causa para o meu medo, no final das contas, não tem. Responsabilidades? Filhos? Contas? Todo mundo tem. Ou parte deles. Não é digno para fincadas de pé no pinico... de noites mal-dormidas... de taquicardia...
Receio de me lançar naquilo que desejo. De dar uma guinada e ir contra tudo e todos e seus caminhos planejados para mim. Ir de impacto contra aquilo que é esperado de mim. Medo de fazer algo propício a discursos baseados em manuais adultos. Baseados em regras do "como deve ser".
Então, medo do quê? Já que o que importa é o meu rabo de porca?
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Poetando

Estou no barato de não jogar meus resumos fora. Eis um último rabisco. Não o último daqui e pronto, acabô blog. Não, não. O mais recente, vamos colocar assim. Taí, tô mesmo numa fase meio shinyashiky mesmo. Filosofia de buteco sem-vergonha. Com ovos coloridos pra mó da gente beliscar, no bom sentido!
Tá aqui:
Depois, veremos se consigo continuá-lo.
Então. Tô enrolando descaradamente mermo. A noite mal dormida (somente umas 5 horas de soninho). A terça com cara de segunda (reclamando e cantando e seguindo a canção). Uma preguiça da vida. Dá um desconto! Tentei angariar alguns partícipes ao meu crime, não obtive êxito. Prevendo tais ações, o messenger verdadeiro é bloqueado e o genérico, usado por aqueles que não engolem a regra, é um teste à paciência. Ora trava. Ora desconecta. Ora-ora. A gente pula pro Google Talk. Mesma coisa.
Recuso-me. Soy re-bééél-di!
Acessei o orkut (também através de meios burlescos). Xeretei uma comunidade (algo como "escrever é minha terapia"). Lá, há um tópico no fórum para que pessoas comentem textos enviados pelos participantes. Por que poesia? E por que poesia xumbrega? Ou chumbrega? Nadica de prosa. Prosa não é legal? Eu acho... Aliás, uma outra revelação aqui.
Comecei, há meses, quando abri o blog (no bom sentido) dizendo que chutaria o balde. Saíria do armário. Diria o que sinto, sem dó nem piedade. Acabei confessando que não gostava de Björk. Sim, eu não agüento uma musiquinha só. Tentei, para me sentir incluída no grupo. Não rola. Também não gosto de sushis, sashimis e outros is. Não desce. É chique? Pode ser. Não dá. Minha única experiência com rango japonês fez-me afundar na certeza da minha sexualidade: o cheiro do peixe cru mostrou-me ser incapaz de encostar minha boca em outros grandes lábios. Que mais que não gosto? Que mais? Praia. Não gosto. Só se estiver nublado e sem gente. Tem outras coisas, porém o que quero destacar para enlaçar o ponto dado lá no começo é: não gosto de poesia. Sim, meus senhores e minhas senhoras, não gosto de poesia. Como nada é absoluto, vamos corrigir e dizer que grande parte da poesia não me enche a alma. Não toca a medula.
Quando se adentra na esfera sentimental, é quase 100% de ser kitsh. Brega. Cheio de floreios. Uma tentativa frustrada de se enfeitar ainda mais o pavão.
Tão mais verdadeiro e bonito dizer que o amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa! Ou, a vida é bela, vamos olhar pela janela.
Então. Sou partidária dos não fru-frus. Direto. Um soco no queixo. Pow! Soc! Sem floreios. Sem pieguice. Sem enfeitar o pavão.
Ah, mas isso não é tão radical não! Às vezes, uns rococós fazem bem à alma.
Poesia... tá, tá... só não gosto dos muitos açucarados.
Açúcar engorda!
Coffee and Tv
Uma pequeña pausa já no início: Dona Adelaide me avisa que o café está prontinho.
Este café adquirido em licitação é uma blasfêmia com o sagrado pó preto. Nem novinho dá o barato que se espera. E não é culpa da moça que o fez. É ruim mesmo. Ordinário.
Bom.
Há algumas músicas que gostaria ouvir ao pé do meu ouvido. Ou cantá-las ao pé do ouvido de outro, esperando o resultado desejado: a pessoa adorar assim como eu adoraria se o pavilhão auricular fosse meu.
1. "So give me coffee and tv easily
I've seen so much, I'm going blind
and i'm braindead virtually
Sociability is hard enough for me
Take me away from this big bad world
and agree to marry me
So we can start over again"
Sociabilização é difícil para mim... Sim, sim, é sim! Tire-me deste mundo mau e grande... dê-me café e televisão... Ahhhhh! Eu sempre imaginei algo assim, quando delirava eu sobre relacionamento ideal para minha pessoa. Eu sou uma ave machucada... cuide-me e eu cuido também de você.
Ok, mas tudo muito quieto cansa a alma. Podemos tocar esta também na vitrola:
2. "want to fuck you like an animal
I want to feel you from the inside
I want to fuck you like an animal
My whole existence is flawed
You get me closer to god"
Ideal. Melhor, ideais. Melhor fugir deles? Grandes chances de frustrar-se? Eu sou apegada a ideais? Sou eu frustrada? Talvez eu tenha alguns conceitos pré-formulados. Porém, não exergá-los na realidade que me é imposta, não me faz o último dos moicanos. Eu ando praticando muito a política do "Ah, então tá!". Se não foi como eu queria, "Ah, então tá!" e sigamos adiante. Vá ver lá na frente há algo mais legal.
Shhhhhhhhh... shhhhhhhhhhh.... Mudemos a estação do rádio, estou tangenciando o limite da auto-ajuda. Gosto não, senhô!
Auto-ajuda... não me pergunte donde tirei tal associação, mas o termo não faz brotar algo como um manual que ensine a pessoa a se masturbar? Sei lá. A mim parece. Uma auto-ajuda... Não, certamente muitos não verão o liame entre os dois termos como eu vejo. Experiência pessoal? Talvez. Entretanto, não estou a fim de me martasuplicyar agora. Bom, mas o termo auto-ajuda é errado pois a solução do causo não partiu de você mesmo. Uma idéia saída de outra cachola é posta em prática por você, motivado por uma experiência pessoal de outro, sem avaliar se tal roupa lhe cabe. Agora concorda?
Não me recordo se já escrevi sobre isso em algum blog assassinado por minhas próprias mãos. Sempre me esquivei da filosofia. Achava eu ser mais interessante eu própria chegar as minhas conclusões. Futucar-me. Vasculhar-me. Bagunçar-me. Espremer-me. Tcharaaaan! Eis minha conclusão nem tão conclusiva assim, pois penso (e não existirei enquanto pense). Saber dos pensamentos íntimos alheios importaria em nunca saber quem sou eu realmente. Sou o que penso. E se penso várias coisas, sou várias pessoas. E aí, não dá pra existir eu só.
Ahhh, meu mundico particular! Tenho receio de sair dele!
Daí... bem daí que não consegui ficar longe da filosofia. Acabei mergulhando nela e esbarrei em alguns iguais. As mesmas matutações, só que de uma forma mais bem elaborada.
Porém, auto-ajuda me esquivo veementemente. Ninguém melhor que eu para saber o que há de errado cá dentro e como me curar. Se é que quero me curar, porque o que possa existir de errado pode me distinguir no meio dos demais.
Peça de uma grande engrenagem sempre foi um conceito muito angustiante sobre a existência.
Talvez seja hora de aceitá-la.
Ou lutar infrutiferamente contra é que dá razão?
Coffe! Por favor!
And tv!
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Close to me II.
Com batatas!
Não, não estou aqui novamente, para explicar sobre a grande máxima (pleonasmo-mo-mo-mo!): "Só é traído quem quer!". Aliás, acho que já está na hora d'eu parar de salvar almas involuntariamente. Voluntariamente, salvar-las-ei mediante uma pequena paga: lançarei um livro de auto-ajuda. Embora, advirta que pensar como penso pode ser deveras perigoso. É preciso uma certo traquejo, uma falta de vergonha, um molejo na cintura e falta de pudores maiores. Não, não... continuarei aqui mesmo. Minha obra mais dará prejuízos que o tão querido objeto do desejo dentro de um sistema de produção capitalista: lucro!
Só é traído quem quer... aguardem!
Falaremos, então, de algo pueril, fofo, azul com bolinhas verdes. Close to me!
Além dos instintos, de algumas palavras, sou também apreciadora das pequenas e imperceptíveis fontes de prazer. Saber onde posso encontrá-las, dá-me poder tamanho. Sinto-me superior àquelas pessoas que imaginam precisar de um esforço tamanho para dizer um "Ahhhhhh! Putz! Que gostoso!". Abrir todas as janelas do carro, quando estou voltando pra casa, e sentir a corrente de ar frio eriçar os pelinhos do braço, bagunçando os meus cabelos... Sob um sol de rachar coquinho, andar contra o ventinho com os braços abertos (ventinho no sovaco)... Utilizar-se de chantagem emocional e fazer com que a irmã caçula lhe coce a cabeça... e encostar os braços.
Procurar algum contato com uma outra pessoa. Imperceptivelmente, fazer com que a mão trisque nela... ou, se a ocasião é propícia, tocar com uma maior extensão do seu corpo, uma maior extensão do outro corpo, ou seja, encostar os braços. Simples. Poderoso. Ui! Sentir o calor. Proximidade.
Não me vejo casada. Sinceramente - e não foi por falta de oportunidades, antes que alguém espírito-de-porco possa alegar ausência delas - não consigo me imaginar metida num casório. Porém, o por acaso sexual não me enche os olhos. É preciso haver historinha. Um antes, durante e depois, sem que isso signifique alguém amarrado, anulado e preso a mim. Não duas metades, dois inteiros. Com vidas distintas. Com liberdades individuais. Sartre e Simone. Contraditório, mas assim é.
Opa! Já comecei a falar um pouco sobre "Só é traído quem quer".
Close to me.
Figurinha! Sim, vamos abrir hoje - fiquei alguns dias sem colocar - com uma figura. Pausa.
- Ok!
- Animal?
- Cobra.
- Café?
- Quente.
- Mar?
- Muito.
Animal é como você se vê. Café, como enxerga a morte. Mar representa sua vida sexual. Uiá!
Não era bem isso o que eu tinha em mente, mas achei o desenho simpático. Tinha muita vontade de encontrar e pagar para que ficasse registrado, até que a terra coma, a figura tida na cabeça para acá jogar agora. Joguei no santo google de cada dia: caveira, México. E várias opções, nenhuma batia com o imaginado. Duas me chamaram a atenção. Salvei-as. Escolhi uma para ilus
trar. Gosto muito de preto e branco. Além das caveirinhas aparentarem felizes. Alegres.
- Responda a primeira coisa que lhe subir à tona!- Ok!
- Animal?
- Cobra.
- Café?
- Quente.
- Mar?
- Muito.
Animal é como você se vê. Café, como enxerga a morte. Mar representa sua vida sexual. Uiá!
Poder-se-ia explicar o porquê da imagem ser-me agradável, já que atribuí à morte, o aspecto quente. O lado sexual da questão ainda carece de maiores matutações. A cobra... Se continuasse com o ponto de interrogação, Cobra?, responderia: traição. Ligo-me a ela? Há vários outras palavras amarradas ao verbo trair substantivado: maçã, pecado, astúcia. Assim, pode-se conjugar tal verbo sob diferentes focos, além daquele usualmente empregado aliado ao machucar uma outra pessoa, criando a oportunidade aos demais de apontarem-lhe o dedo e deliciarem-se de sua marca distintiva: os chifres escarlates.
Cobrem-me, depois, de falar sobre isso: traição. Só é traído quem quer. Eu acho.
Bom. Cobra-trair-maçã-pecado. Enxerga os elos entre eles? Num outra perspectiva, sim... talvez a cobra traduza um pouco de mim. Trair é deixar deliberadamente de cumprir, dar a conhecer por acaso ou por imprudência, não corresponder a, contrariar...
Eu não sigo o que se espera que eu siga. Um teste proposto por mim a mim mesma... a uma certa altura, preciso subverter a ordem, bagunçar, para que eu me sinta. Para que eu me destaque entre a massa. Para que eu não seja somente mais um tijolo no muro. Seguir puramente o script torna-me previsível. Não só aos outros; principalmente a mim. Necessito descobrir a cada momento uma nova Maura para não perder o interesse por ela. Só consigo isso se eu a traio.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Guru Roque.
O nome dele era Roque. De Rock Balboa mesmo, o famoso lutador cinematográfico. Talvez uma referência inconsciente à cena na qual o personagem, treinando para uma grande luta, sai atrás de galinha-galinha-mesmo. Já o seu harém era composto por Cacilda, Carmélia, Carolina, Conchita, Cacilda e mais umas duas, com nomes também começados com a letra C. Eu os batizava. Vez ou outra, havia palpite alheio, quando minha lembrança (Cláudia, nunca me lembrei de Cláudia) não fazia surgir a inspiração. Criados com muito amor e carinho desde a mais tenra idade. Conversava (Conchita era a predileta). Por vezes, fazia experiência macabra, dando um resto de strogonoff para comerem. Nunca fui 100% sã. Assim era o meu galinheiro. Meus bichinhos de estimação. Corrompida por este sistema que passa por cima dos sentimentos mais nobres, vendi-os ao vizinho da frente. A história pára por aí. Não quero pensar que fim levou Roque e suas fêmeas. Minha culpa. Minha máxima culpa. Deveria pesar...
Roque era um galinho vistoso. Peito estufado. Belo canto (gosto de ouvir galo cantar). Porém, algo mudou para ele quando adquiriu mais idade. De repente, não mais reconheci aquele bichinho meigo que vi crescer. Passando uma galinha a sua frente, ele andava atrás, arrastando a asa, montava duma vez só na cacunda da pobrezinha, dando bicadas em sua cabeça para que ficasse quieta. Uma revolta crescia dentro do meu peito de 12-para-13 anos. Como pôde fazer ele isso com a Conchita? E ela saía disso como se nada houvesse acontecido?
Interessante é o instinto, não? Ele tá aqui, quietinho, e quando surge a oportunidade, ele aparece com toda a sua força, sobrepondo-se à razão. Acho isso de uma beleza ímpar. Aproxima-nos daquilo que somos essencialmente e que a razão fez embaralhar as idéias. Tornou-se condenável qualquer traço que nos aproxime da condição animal. Outra palavra forte. Anoto: carne. língua, animal. A lista vai aumentando.
Eu reconheço alguns traços instintivos em mim e não me obrigo a reprimi-los. Que venham à tona com toda a sua força, mostrando-me haver saída à racionalidade angustiante... opressora... Ajo com total liberdade, sem que voz interna alguma que condene ou coordene. Entrego-me àquilo liberto pelo toque sem culpa alguma.
Algumas vezes disse ou concordei com elas, palavras pontes para a consciência, quando o mais desejoso no momento era justamente correr dela, entregando todos os sentidos à fala animal. Palavras sujas não fazem com que meu corpo reaja mais vorazmente à fome. A visão do nu. O gosto salgado do suor. O cheiro da pele. Mãos que exploram e apertam o outro, num desejo impossível à física de dois corpos ocuparem o mesmo espaço... ou se debatem... Os ouvidos que captam os ruídos, os suspiros, os gemidos. Nada semelhante às expressões racionalmente pensadas e avaliadas sobre a oportunidade em dizê-las. Um "sou sua puta" quebra todas as sensações próprias da natureza, lembrando que há uma sociedade, que há relações conscientes nela, que há obrigação em se ter prazer e, infelizmente, há um manual para isso. Não quero sussurros planejadamente ordinários. Quero atos involuntariamente sujos, dignamente humanos. Dor.
À época, mal sabia eu, Roque dava de 10 a 0 em Novas, Cláudias e afins. Instinto.
Bique-me.
Penso, logo não existo!
Eita! A água! Pausa.
Sim, eu realmente me levantei. Fui à cozinha e trouxe um copo d'água. Copo descartável. Já tá na hora de Dona Adelaide pegar o caminho da roça e, justamente, aos 45 minutos do segundo tempo, eu aparecer com um copo de vidro para que seja lavado é muita sacanagem. É como eu atender a um telefonema quando já estou com a bolsa pendurada no ombro. Bão, eu poderia lavar o copo... Aliás, sempre faço isso. Se sujo uma louça qualquer, eu mesma vou à pia e limpo minha sujeira. Incomoda-me dar trabalho aos outros. Mantenho Dona Ieda lá em casa por conta do pequenino, pois não posso passar o dia inteiro com ele. Graças às mulheres que queimaram sutiãs! Hoje, era pr'eu estar bem casada, dondoca, sabendo cozinhar, talvez não sabendo cuzinhar, mas, enfim... Enfim? Ehhhhh... Viva os sutiãs queimados!!!
Água. Tá aqui o copo. 200ml. Metade já engolida. Lanço a campanha: "Maura, beba água!". Ontem, fui mais ativa. 1 litro, acredito. 1 litro de H20 purinha. Chego lá.
Eu sou uma espécie de mulher-cacto. Realmente, não sinto falta alguma. Faço só por questão de saúde. Tô numa idade que já começo a me preocupar com o avanço dela. Tenho pavor de velhinhas reclamonas. Será genético? A grande maioria das portadoras de XX, quando mais velhas, viram ranzinzas... reclamonas... cheias de dores... Forçosamente, girei o botão. Seguindo sugestão, mudei o pinico de lugar. Problemas? O grande lance é aprender a conviver com eles e, bem, é meio frescurada minha mesmo. Sempre são os mesmos. Sempre esquento a cabeça. Sempre passo por cima. Assim, vou flutuando.
Mulher-cacto... mulher-seca... isso não é mui atraente!
Definitivamente, não sei o que deu na cabeça de quem pintou o cano do chuveiro de amarelo-gema-de-ovo. Em nada combina com o amarelo-sorvete-sebinho-de-milho-verde do azulejo (eu uso o termo azulejo. Há azulejo. Há cerâmica. Não é tudo cerâmica.). Combina... combina... Por que combinar? Daí. lembrei-me de algumas ocasiões em que tecia algum comentário maldoso da moça que combinou rosa com vermelho. E o quê que tem, Maura? Deveriam ter me perguntado isso, ao invés de ter concordado. Eu precisava deste chacoalho. Ela, a moça, combinou. Quem sou eu pra interferir na combinação alheia? Na verdade de outros? Combinemos listrado com bolinha, azul com verde (minha predileta), rosa com vermelho, alto com baixo... Hoje mesmo, queria botar um par de tênis dentro da manga para sacá-lo assim que o expediente terminasse, dando um maior conforto aos pés (lembrem-se: sou uma mulher que preza o conforto!). Minha irmã, ao ver, disse que nada combinaria com o vestido vermelho (estou mocinha sensual hoje). Mais uma vez, dei ouvidos a conselhos. Próxima lição: ser surda.
Outro copo.
O chato de beber tanto líquido é fazer tanto xixi. Se bem que... bom, eu sou admiradora dos mecanismos de limpeza corporal. Fazer xixi é gostoso. Assim como outros atos que já expus aqui. Fazer cocô, soltar pum, tomar banho, além de tirar meleca e remela. Vá ver, o sentimento imbutido "estou me limpando... estou retirando de mim, as impurezas" provoque o bem-estar. Ou, contrariamente, contato com o sujo... borrocar a existência que deveria ser imaculada, resguardada, seja a fonte do prazer. Dois extremos. Não sei apontar a resposta. Conhecendo um outro eu, para mim seria mais a segunda opção.
Segundo copo já foi. Vai, Maura, vai! Sim, sim, sim... eu vou... vou... vou...
Algumas vezes, minha vaidade me ordena para que releia o texto antes de publicá-lo (noutras, minha preguiça é mais forte). Nessa revisão, vejo a contradição gritante entre as primeiras linhas e as últimas. Não chego a ficar irritada, pois sei que sou assim mesma. Disse? Contradigo. Não possuo opinião firme e forte sobre algo. Até pode haver uma para me contradizer. Já me senti perdida no meio disso tudo, dos extremos, das anulações. Quando há espaço entre elas, as contradições, é fácil se situar em algum lugar. Quando esse intervalo diminui, tocando tangencialmente uma na outra, é complicado saber o seu lugar...
A grande saída é flutuar...
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
H2Ohhhhhhhhhh!
Irc! Que coisinha ruim água! Meu corpo anda reclamando, sentindo-se seco, meus lábios não estão úmidos... Primeiro copo já foi. O segundo, tá aqui na minha frente. Já empurrei mais da metade pra dentro.
"- Meu segredo de beleza? Ahhhh, só bebo 3 litros de água por dia. A genética, o fato de já ter nascido assim, não conta muito. O grande segredo é a água!" E a mulherada corre pra torneira.
Acá estou, vendendo minha força de trabalho, embora ele, o trabalho, não exija muita força. Porém, exige um certo sacrifício, pois sendo como é, acaba matando um pouco da espiritualidade, do ânimo, do azul com bolinhas verdes. Acreditem, queria que as cousas fossem mais movimentadas aqui para que eu pudesse me envolver. Ahhhhhhhhh! Bocejo. Coisa mais chata são os ofícios. A Sua Excelência o Senhor... Respeitosamente, ... Sinto uma bigorna sob minha cabeça. Um sono incrível, mesmo passando por uma noite tranqüila de sono, com minhas 8 horinhas sagradas.
Aliás, muitos riem por eu tentar manter meu intervalo de sono. Pelo menos, 480 minutos. Se não for isso, fico um caco.
Hoje eu tô um caco... Fico a me vasculhar por dentro por que cargas d'água estou assim. Sofro disso: preciso saber do porquê das coisas. Não consigo achar. Simplesmente, desde ontem, o pinico tá ali, ao lado da minha cama, para que, assim que me levanto, meta o pé em cheio nele. Isso me irrita! Tem que haver motivo. E se eu meter o dedo na tomada? Hummmmm! Mandar-me tomar no cu? Não, não resolverá. O choque é mais eficiente.
Já estou sentindo... o dia se arrastará hoje. E eu, no mesmo ritmo.
Tomando banho, pergunto-me: por que pintaram o cano do chuveiro de amarelo?
Por quê?
2º copo de água vazio. Vou lá enchê-lo.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Incomodada ficava sua avó
Tô muito a fim de falar sobre cousas mais sérias não, mizifim! Desde o boom da crise econômica mundial, desliguei-me deliberadamente do mundo. Tortura! Ahhh, porque as taxas aumentarão! Ahhhh, a inflação voltará! Ahhhhhhh, Brasil tá preparado pra crise! Ahhhhhhhh, fudeu! Tenho financiamentos; às duras penas tento me manter fora do cheque-especial (anos atolada nele); décimo terceiro já comprometido com os cartões. Então, se eu não fizer nada para manter minha saúde psicológica - somente deixo-me ser acometida por distúrbios saudáveis - não mais ouço rádio de notícias, não leio jornal, tampouco vejo-o. E vou vivendo, alheia, por fora. Não mais por fora que bunda de índio, pois índio se vestiu com Adidas e pôs Havaianas nos pés. Juro que até ontem, não estava sabendo sobre aquele seqüestro da mocinha pelo ex, lá em Sum Paulo.
Tsc... tsc... tsc... 15 anos e já pendurada em pescoço de marmanjo. Que maturidade há em alguém uma década e meia afastada de seu nascimento? Eu, com 33, creio não ter alguma. Não que sacaneie com quem se candidata. Ou, bem, sacaneio, se for perguntar a quem se candidata. Mas, não sacaneio não. Respeito. Uma coisa que não posso ser acusada é de ter desrespeitado o outro. Por respeito, terminava assim que sentia, cá dentro, algo não muito legal para ser ingrediente de um grande amor: dúvida, aliada a medo... à vontade de ser livre novamente (isso não significa querer ir pro baile sem calcinha, frise-se! Porém, direito a ir prum show, cinema ou querer simplesmente ficar só, estatelada na minha cama, olhando pro teto, sem ter que se explicar minuciosamente a alguém)... à constatação que não era pra tanto. Sabe, acho que agora, aos 33, estou pronta pra tanto. Ou, pronta pro pouco tanto. Melhor pouco tanto que tanto pouco, não? Quero admirar alguém... Olhar pra pessoa e pensar: "putz, tô com ele?"...
Eh, tenho uma parte humana sim! Embora me ache muito meio Dr. House.
Sou fã de séries não. Mas Dr. House é o que há!
Então. Maravilhas do mundo moderno. O absorvente foi sim, um grande passo. Toda vez que vejo um filme de época, ponho-me a imaginar como seria naqueles tempos. A falta de sutiã não deveria ser tão incômodo quanto aos panodess (paninho feito de modess). Confesso sentir falta da sustentação artificial aos meus lindos e formosos seios. Durmo vestida com ele. Sinto-me mais segura. Minhas almofadinhas (uma homenagem à Carrie, a Estranha. Legal o livro!) protegidas da volúpia implícita no roçar dos bicos no tecido fino da camisola branca!... ????... Hahahahaha... Voltando: sua versão interna, vulgo O.B., já não foi tããããõooo grande passo assim, em relação ao conforto e à segurança feminina. Poderia até ser, antes dos maravilhosos lenços umedecidos femininos. Sou uma outra mulher. Alguns dias, preciso passar a maior parte das 24 horas a mim disponíveis fora de casa. Ou seja, banho mesmo... chuác-chuác-chuác eficiente e completo só pela manhãzinha. Isso é um terror para a mulher. Este órgão interno, quente e úmido dá trabalho para mantê-lo. Fonte da grande parte das inseguranças mulheris. Três vivas aos lenços úmidos de higiene íntima! Viva! Viva! Viva!
Comunicando a quem possa interessar e tenha lido o texto logo abaixo: não fudeu não! Colocaram-me como partícipe na trama. Pediram-me para ligar. Falei com a mãe da mocinha. Usei todo o meu arsenal de vocábulos impositores de respeito. Vamos todos ao show!
Ou a mãe mudou seu conceito sobre mim. Ou tenho mania de perseguição. A julgar-me eu mesma, tendo mais à segunda opção. Várias vezes, sou assombrada pelo sentimento de que tem gente querendo bater prego em mim.
Entendam como quiserem, no cara ou coroa! Depois dos lenços úmidos...
Hahahahahahahaahahhahahahaha
Sigam-me os maus!
Ouvia muito sobre como eram os pais da menina. Aos olhos genitores, seu irmão menor, bem mais novo, merecia toda a atenção e carinho. Ainda me baseando em relatos ouvidos aqui em casa, ela era considerada problemática ao demonstrar desinteresse em freqüentar a missa. Ou querer passar a tarde papeando com minha irmã. Ou querer participar de um time melhor patrocinado de voleibol. Pais complicados. Pessoas que, não digo com certeza, pois como haveria de tê-la se nada é 100%?... pessoas que presumidamente não me veriam como alguém que pudesse acrescentar algo de positivo a sua cria. E, presumidamente, não me viram. O ponto de referência para análises conclusivas sobre minha pessoa é incompatível com aquele que tomo para minhas concepções e ações. Escolheram um péssimo momento para passar lá em casa, levando a mocinha para desejar feliz ano novo a sua amiga, que é minha irmã. Ainda dividindo meio-a-meio todas as despesas do lar, minha mãe havia viajado. Fiquei eu cuidando da patota num pré-teste a nossa atual vida. Incorporando adolescente que tenta enganar os pais, estava tomando uma coca-cola adulterada. Calça jeans velha transformada em short. Camiseta regata velha. Pezão no chão. O quê mais um ser-humano pode querer? Várias outras coisas, é certo. Porém, dadas as possíveis opções, eu estava feliz. E tonta.
Alguém vem me avisar que a menina chegou. Ok! Ela já veio outras vezes. A notícia, de primeiro, não me abalou em nada. Já é de casa. O complemento que me fez soltar um putaquepariu. Seus pais vieram também. Eu tô zonza. Eu tô descabelada. Eu tô... tô... Oi, prazer! (estarei eu com um certo bafinho?).
Depois da cena reveillonística, novamente através de comentários captados, a vinda da pobre moça a minha casa, para passar tempinho coçando o saco e tricotando com a minha irmã, não é livre de reprimenda, bronca, horário para voltar e vigília. Acredito ter a minha figura contribuído um pouco com isso. Como se fosse eu um perigo, ideologicamente falando, às boas meninas de família.
Que perigo ofereço eu? Minhas idéias são ruins? Sinceramente, se tivesse uma filha, gostaria que fosse como a mãe. Que cometa os mesmos erros! Que não tenha pena da mão e esmurre pontas de facas! Que não seja perfeita e conviva em paz com os seus defeitos, cultivando-os até. Pois, dependendo da situação, as mazelas da alma são poderosas armas. Pareço não ter moral? O que é moral? Por que cargas d'água tenho que seguir a dos outros se é algo tão pessoal? Sei lá... não me julgo ser uma péssima influência. Até mesmo porque, butiquim-namente falando, todas as influências são ruins a partir do momento que a pessoa influenciada não consegue ser ela mesma. Ahhhhhhhhhhhh... sei lá! Só sei que, bem, ao bem da verdade, cago e ando para quem me condena em seu julgamento particular sem conhecimento profundo da causa. Sinto pela menina, pois, para que possa ser liberada a assistir a um show, minha irmã foi até sua casa conversar com o pai, dizendo, para garantir o bom andar da carruagem noite adentro, que tudo estará ok pois eu vou levá-las ao tal evento. Fudeu!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Ensaboa, mulata, ensaboooa...
Todos os dias são 1º de janeiro pra mim. Se não me trai a memória, é nesse dia que rituais e mais rituais para atrair bons frutos o resto dos 364 dias (ou 365, se bissexto) são praticados por aqueles que não se conformam que a vida é uma bosta.
Opa! Não encare isso negativamente. Confesse: (vamos adentrar num terreno escatológico, aviso) a menos que esteja com algum distúrbio que prejudique o andar natural da cousa, não é ruim cagar, não é? Vá. Una-se a mim, que já chutei o balde da discrição, autopreservação, privação e outros çãos. Sentar-se no trono. Pegar qualquer papel que contenha letras. Silêncio. Nada lá fora que faça quebrar esse momento íntimo. Nem outros querendo usar o gabinete. Ou que possam usar logo assim que saia, causando-lhe um certo constrangimento por conta do vestígio aromático. É bom fazer cocô! Tão bom e necessário é que muitos, agoniados, apelam para ameixas, mamão, leite de magnésia, iogurte... Assim, é a vida. Necessária. Bom vivê-la. Pô-la pra fora. Mesmo se deparando com algumas características desagradáveis que lhe são inerentes.
Então, muitos encharcam-se de desinfetante espiritual tentando burlar acontecimentos ruins que estão gravados para acontecer na sua existência. Como etê procurando se adaptar ao comportamento humano, que sou (quero participar das rodinhas de conversa), todo dia lavo minha escadaria. Toda espuminha grudada na parede do banheiro é lavada. Vá, minha sujeira, vá ralo abaixo. Termino abstraída. Checo se há algum vestígio da minha sujeira cerâmica acima ou abaixo. Pronto, tô pronta para mais uma batalha.
Que venham os mouros! Para que eu possa passar pro lado deles...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
É sim e não!
Yes, baby... vamos a elas novamente. Meu assunto predileto. Minha fonte de encafifações: contradição. Para ficar melhor, pois são várias pipocando, e para concordar com o início do texto ("vamos a elas novamente"): contradições. Ahhhhh, terreno fértil! Fonte de neuroses e conflitos. Como já havia dito, fazendo uma leve e profunda alteração na fala shakepeariana, ser E não ser, heis a questão!
Não assumo o posto de rainha das contradições, pois todos as detém em maior ou na mesma quantidade que eu. Impossível mensurar para ver quem merece o posto. Só que não assumem. Ou batem de frente com elas. Isso aí é um erro fatal, mizifim. Elas são fortes. Têm o poder de desnorteá-lo. Tiram-lhe o chão sob os pés. Fazem-no querer sumir por não saber lidar consigo mesmo, afinal, elas são você. Somos todos uma santa trindade sem pé nem cabeça. Nunca entendi aquele lance de Filho, Espírito Santo e Deus serem três e um ao mesmo tempo. Muito contraditório isso. Porém, ao constatar e digerir minha santíssima trindade particular, Minha Carne, Minhas Contradições e Eu, essencialmente falando, compreendo melhor tal dogma católico. Minha Carne age por vezes comandada por algo que não sou eu. É algum resquício ou ele em sua totalidade, mostrando que anos e anos de evolução em nada o abalou: o instinto. Não sou eu, mas sou eu. Minhas Contradições fazem-me dizer e me contradizer logo depois, ficando em suspenso uma conclusão decisiva. Talvez elas não queiram conclusões-ponto-final e, assim, forçam-me a sempre lutar com os moinhos, procurando uma idéia exata que não existe de fato. Não sou eu (como hei de me definir entre sim e não?), mas sou eu. E por fim, Eu, que é constituído de vários eus (trindade já não cabe aí. Centenariedade... Milenariedade... ). Não sou eu, mas sou eu.
Até em atos tão inculcados, em relação aos quais não nos colocamos sentados sob uma árvore, mastigando um galhinho e matutando. Roupa. Por que usamos roupa? Qual a lógica? Proteção? Pudor? Moral? Como foi tirada a decisão entre a vontade de se cobrir (ou necessidade) e a vontade de se mostrar? Sim, por que para muitos a roupa serve para se mostrar aos outros para que os admirem. Para a grande maioria. Porém, não se daria exposição maior andando nu? Talvez a roupa sirva para esconder não a carcaça que nos cobre, mas sim o que há dentro... uma infinita bagunça que nos deixa desorientados. Nu, não só a carne está despida.
Sou eu.
I'm high but I'm grounded
Às vezes, no intuito de me proteger, procuro não ler. Não vi. Tampouco quero ouvir nem falar nada. As palavras vão sendo digeridas, incrustadas na carne cá dentro e me envenena. Meus olhos continuam vendo como sempre viram. Porém, os dados são processados de forma dolorida ao peito. Cada vez dói mais quando se constata que nada pode ser feito. Sou inútil diante daquilo que tanto me incomoda e aflige. Não adianta sacolejar os braços, pois não se trata de uma inofensiva mosca. É algo maior e muito mais poderoso: o ser-humano.
Já citei outras tantas vezes o meu desejo de viver isolada. Não, não quero que as pessoas se afastem de mim. Que continuem no meu campo de visão, esses seres escolhidos para pertencerem ao meu círculo. O quê, por vezes, gostaria é não ter contato com aqueles desconhecidos que me trazem desconforto em notá-los. Fazer algo como um dotô faz: casa-carro-garagem privativa-gabinete-garagem privativa-carro-casa. Uma bolha ambulante. Fecham-se os vidros. Liga-se o ar-condicionado. Coloca-se música para desviar a atenção dos olhos e ouvidos. Pensar nos cocktails. Na viagem ao exterior. No meu rabo.
Parei no sinal. Como sempre, eu, eu mesma e Maura no carro. Musiquinha incapaz de desviar-me de mim. Janelas abertas. O mesmo menino que outras tantas vezes eu já vi vendendo jujubas no semáforo. A imagem dele já havia me cutucado todos os outros momentos. Antes, ele vinha acompanhado por um outro, que deve ter mais ou menos a mesma idade, que não creio ser irmão dele. Diferem muito um do outro. Havia me fixado neles pois além do aspecto físico, algo incorpóreo captado. Alguma coisa que me fazia esquecer a minha espera pela luz verde... algo que pesava dentro do peito, causava desconforto, e era belo ao mesmo tempo. Talvez fosse a amizade explicitamente implícita entre os dois moleques. Não... talvez, sim, fosse a solidariedade entre ambos, na miséria, que me fez querer poder colocar tal sentimento nobre num contexto menos penoso. Hoje, ao revê-lo só, cabelinho penteado, decência mantida na medida do possível, carregando a caixa com os doces, sob um sol escaldante, contive-me para não chorar, deixando externar aquele peso que tal imagem criou em mim. Chorar por quê? Não é filho meu doente... não é parente... qual o motivo do meu choro, que até agora ainda resta dentro de mim?... Sinto a garganta se fechar... os olhos umedecerem... Não é meu rabo!!! Quero minha bolha. Ou não... talvez não queira perder o que há de humano dentro de mim.
Sentimentos são belos e doloridos.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
There's blood in my spoon
Algo como entrevista bate-e-volta típica de programas de auditório com público não seleto, respondo a quem possa me perguntar "O que faz escondido que morre de vergonha?": xereto ego.com.br (site de celebridades. Irc! Ce-le-bri-da-de... ô terminho brega! Cheira a "fazer amor", "sexy", "meu esposo" e por aí vai. Há vocábulos que merecem música do Wando de fundo, ao serem pronunciados) e venho somente eu dentro do carro quando me dirijo à faculdade ou ao trabalho. Duas coisas que sujam o meu currículo. Gostar de sentir o cheiro do próprio pum não é nada diante desses dois fatos.
Aliás, por que me envergonharia confessar que gosto do cheiro do meu pum? Taí, EU GOSTO DO CHEIRO DO MEU PUM! Orgulho-me dele! Fui eu quem fiz! Obra minha e merece toda a minha admiração como ato não depreciativo. Eu me amo!
Friso: do meu. De outro ou outros, é nojento! Sinto dizer!
Mudei-me. Casa nova. Maura nova. Bom, não se trata de um novo eu, porém, permissão para que um outro eu, desconhecido por mim, viesse à tona. Esse eu sempre esteve acá dentro, só não tinha desabrochado. Saí do armário. Aliás, saí, desmontei, carreguei e montei o armário. Não entendam isso sexualmente falando. Desde uma comparação visualmente falando com a Samantha Ronson - dá-lhe Ego! Ô vergonha! :( - dito e repito para quem julga baseado na aparência, que eu gosto de meninos. Aliás, para quem julga com base no exterior, foda-se! E nessa, incluo eu também: fodo-me.
Por falar em foda, comprei Calígula. Não comprei o filme por conta das trepas, digo. Foi por conta do ator, Malcom McDowell, aquele do Laranja Mecânica. Sim, sim... o sexo explícito no dvd chama a atenção. Aliás, diria que chama muito. É mais interessante que filme pornô propriamente dito e fabricado. Não vejo graça em filmes eróticos. Peraí, vejo sim: são por deveras engraçados. O finjimento é cômico. As cenas tão falsas... Definitivamente, filmes de sacanagem não surtem efeitos colaterais algum em minha pessoa. A não ser o riso. Não seria boa idéia assistir na hora H. O moço se sentiria constrangido e não entenderia minhas gargalhadas.
Bão. Voltemos à foda. Não à foda em si. Porém, a foda do "Eu sou foda!". Cada vez mais, vejo-me de tal modo. Tô chutando mesmo o balde da modéstia. Tal vestimenta nunca coube perfeitamente em mim.
Não consigo me lembrar se já comentei ou não... Ando seguindo muito o modo shinyashiki de viver: faça do limão, uma caipiroska (não gosto de limonada. Suco, respondo eu perante a platéia, só se for de mamão, melão, laranja... E, bem, caipiroska e não caipirinha, pois vodca émenos calórico que aguardente). Inevitavelmente, pego um trânsito congestionado (putz! E eu só dentro do carro!). Estou aprendendo a gostar deste tempo eu, eu mesma e Maura. Momento introspectivo. Canto em voz alta sem ter filho por perto rindo da minha voz... falo sozinha... matuto. Principalmente, matuto. E, analisando sobre minha pacata-nem-tão-pacata existência, vi que de um ano pra cá, venho atravessando um furacão. Sinceramente, não sei se a teoria do caos aplicar-se-á no meu caso. Não sei se diante à bagunça aparente, haverá ordem. Talvez, a ordem é a desordem... Nessa bagunça, tiro-me... construo-me... admiro-me... Porra, eu sou uma pusta mulher! Tenho sim, meus momentos mulé-zinha de ser. Afinal, carrego os cromossomos XX. Entretanto... sou forte, sou inteligente, sou não-bundona, sou mãezona, sou dona de mim... Sou, sou... Sou fodasticamente foda!!! Isso me orgulha!
9h06... depois de bater uma punheta em público (eu sei que tal termo não se aplica às mulheres, mas, pelamordedeus, siririca é horrível! Soa-me como alguém que tá subindo pelas paredes. Bater punheta vem aos meus ouvidos como um ato deliberado. Algo movido não tão somente pela necessidade, mas pela vontade explícita do prazer solitário. O poder de poder dar prazer a si próprio. Olha só que poderoso!), vou-me. O dever me chama!
Ao alto e avante!
Sigam-me os maus!
Ahhhh... não comprei Calígula pra ver Malcom nuzinho não. Gosto desse ator pela sua cara de desajustado. Por conta disso, tenho curiosidade sobre ele.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Fotos e nada mais.
Gosto de me inquietar. Por isso, perceber que tudo se acalmou dentro de mim ou ao meu redor... perceber que minha vida se encaixou em uma rotina... tudo me aflige. E aflita, começo um novo ciclo: futucando-me. Algo semelhante à reação inconsciente à dor. Tá doendo? Reaja. E quero que doa, doa, doa...
Algumas vezes, a bebida – até certo ponto – funcionou para mim como algo que pudesse esmiúçar a ferida. Aparentemente legal, só quero relaxar? Aparentemente. Cá dentro, vapores exercendo pressão contra as paredes, criando aumento da temperatura interna, querendo, a qualquer custo, sair... escapar... Piiiiiiiiiiiiii! Sentimentos com os quais não sei lidar afloram. Agora, é a hora do teste. Sinta tudo que lhe foge à razão consciente. Sinta-se perdido com emoções desconhecidas e, por isso mesmo, temidas. E agora?
Capto a real interpretação a este bolo criado dentro do meu estômago. Não é resultado da vodca tomada com o intuito de me cutucar. Tampouco, para alívio da minha honra adulta, medo de enfrentar tete-à-tete a vida. Definitivamente, não é este último. Dá um certo frio na barriga sim, admito. Entretanto, sinto um outro lado meu que julgava não ser tão expressivo: forte, decidido, ao alto e avante!
O desconforto tem origem naquilo que acontece com todos, um dia. Durante muito tempo, não entendia a tristeza da minha mãe ao lembrar de sua infância, das suas irmãs, dos risos, do medo, do pai chegando tarde após mais um dia de trabalho exaustivo na obra. A mim, era apenas uma narração de como era sua infância e adolescência. Eu não sentia aperto no peito algum.
Hoje, com a minha vida em caixas, sinto. Não por sair. Mas por, agora sim, ver que distanciar-se é conseqüência natural. E as lembranças passarão a doer.
Reajo.
Algumas vezes, a bebida – até certo ponto – funcionou para mim como algo que pudesse esmiúçar a ferida. Aparentemente legal, só quero relaxar? Aparentemente. Cá dentro, vapores exercendo pressão contra as paredes, criando aumento da temperatura interna, querendo, a qualquer custo, sair... escapar... Piiiiiiiiiiiiii! Sentimentos com os quais não sei lidar afloram. Agora, é a hora do teste. Sinta tudo que lhe foge à razão consciente. Sinta-se perdido com emoções desconhecidas e, por isso mesmo, temidas. E agora?
Capto a real interpretação a este bolo criado dentro do meu estômago. Não é resultado da vodca tomada com o intuito de me cutucar. Tampouco, para alívio da minha honra adulta, medo de enfrentar tete-à-tete a vida. Definitivamente, não é este último. Dá um certo frio na barriga sim, admito. Entretanto, sinto um outro lado meu que julgava não ser tão expressivo: forte, decidido, ao alto e avante!
O desconforto tem origem naquilo que acontece com todos, um dia. Durante muito tempo, não entendia a tristeza da minha mãe ao lembrar de sua infância, das suas irmãs, dos risos, do medo, do pai chegando tarde após mais um dia de trabalho exaustivo na obra. A mim, era apenas uma narração de como era sua infância e adolescência. Eu não sentia aperto no peito algum.
Hoje, com a minha vida em caixas, sinto. Não por sair. Mas por, agora sim, ver que distanciar-se é conseqüência natural. E as lembranças passarão a doer.
Reajo.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Batida em retirada

Já que o amigo não pôde me levar dentro da mala, ao menos ele me enviou fotos de lugares que, com certeza, eu visitaria em Paris. À tona, um ladinho meio bocó meu: emocionar-me por tocar, ver, imaginar que ali, no lugar onde eu estaria no momento, figuras célebres passaram por lá. Assim foi numa exposição cá nesta terra donde JK perdeu as botas. Um pedaço de coluna do palácio romano. "- Eiiiiita, imperador Fulano de Tal passou acá!". E a imagem do cidadão vem-me à mente, a sua toga, as sandálias, cercado por funcionários, amigos ou puxa-sacos, discutindo uma importante decisão a ser tomada. Perco-me na minha imaginação. Assim foi, também, com a foto, embora o frio na barriga não tenha vindo pois eu não estava tete-à-tete com a lápide. Seis anos depois, morria Simone. Terá ela sofrido muito com a partida de Sartre? Ou a idéia nua e crua da nossa existência nos tira um pouco a dor? Anos de nascimento tão próximos, assim como os de morte. Olhá só, nascimento, diferença de 3 anos (se a minha visão não me trair. Esqueci o óculos. Estou cegueta total!). Morte, 6. São múltiplos!!! Ohhhh! O que isso conta? Bom, não conta nada, mas nessa arte de decorar números de telefones porque não há caneta por perto, desenvolvi a técnica de achar alguma relação entre eles, facilitando a memorização. Néctar, distribuidora de bebidas, que entrega coca-cola geladinha em casa, mesmo na compra de uma somente: 3032-2005. 30, idade que eu tinha em 2005 (matei dois coelhos com uma machadada só). 32... 32... Bom, 32, idade que eu tinha quando decorei tal número. Pronto! 30 32 2005.
Encaixotando minha existência, encontrei uma cópia da certidão de nascimento do meu pai numa pasta de documentos. Não fazia a mínima idéia sobre os nomes dos meus bisavós paternos e maternos. Mesmo lendo, não os decobrei, exceto de um bisavô... que também me falta à memória se era por parte do pai ou da mãe... Mauro Santos. Então, minha graça não adveio diretamente do meu pai, mas do meu bisavô. E como terá sido essa figura? Faltam-me mais bases para imaginá-lo. Ou não! Imagino-o meio Maura-bisneta... meio Mauro-neto... Afinal, foi onde seus genes tocaram.
Caixas... mudança... fase nova. Ou, novo modo de olhar a fase. Sei lá! Só sei que eu não tinha a mínima idéia de tanta quinquilharia que carrego comigo!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Vendaval
Ahhhh, Full Throttle! Alguém sabe me informar onde consigo tal jogo? Ele é das antigas (bem, não tanto das antigas assim). Queria jogá-lo novamente. Se bem que... Bom, queria de novo pois à época que o zerei, eram tempos agradáveis. Agradável me cheira a meia-bomba (tá bom? ahhhh... está agradável!). Reformulemos: eram dias legais. Fase platônica que não se esmoreceu diante à confusão particular instaurada na minha vida. Ainda desempregada. Guiga com 1 ou 2 aninhos. E o ventinho de liberdade, um mundão a frente para ser organizado, batendo-me no rosto. Recém separada graças a lampejo de racionalidade. Não estava dando certo, para quê encompridar o causo? Bater na mesma tecla sendo que não havia possibilidade alguma de dar certo? Pelo menino? Mais vale cada um prum lado feliz... Creio que isso sim, faz a diferença.Ao bem da verdade, não sei se o cara está feliz. Sumiu.
Eu tô. O quê? Feliz. Problemas pipocando, cansaço, correndo, mas contente da vida. Aproveitando seja lá como for cada instante da minha passagem pela terra antes de virar uma árvore (já avisei, quero que plantem uma sobre o meu túmulo. Quero ser árvore!). Seja momento bom ou ruim... alguma coisa sobra. Não digo que dos tempos esquenta-cuca, tiro uma grande lição de vida. Porra nenhuma! Daqui a pouco, tô pronta pra outro baque, só que pouco mais gabaritada, vamos assim dizer.
E vou dançando sobre a terra. Conforme a música.
Quero Full Throttle! Ou não. É, melhor não. Deixe Maura de 1990 e poucos quietinha lá. Subindo ao almirante da Torre de Tv, vi ser melhor lembrar, apenas, das sensações boas de outrora. Não procurar reativá-las, pois o mesmo frio na barriga não ressurgirá. Certeza! Lembrando da Maura titubeando em encostar as mãos na grade e ver Brasília lááááááá embaixo, broxei quando vi que nenhum bambear de pernas brotaria. Que saco! Esse trem não era tão alto?
Quando finalmente consegui As Sete Faces do Dr. Lao, não o consegui enxergá-lo como antes... Céus! Não quero perder isso!
Assim como não quero perder meus acasos. Eles, os fatos inesperados, que dão uma signifação maior aos acontecimentos que são, no fundo, bobos. Se eu não tivesse me aboletado na porta de casa, para ver a banda passar, teria eu, hoje, o meu Guilherme? Não. E eu sou o que sou por causa dele também. O acaso... O que será que esta minha ação de agora, seja escrever acá, ou xeretar ali, ou tomar outro caminho rumo pra casa, modificará lá pra frente? Bom, se houver algo a ser modificado - o que enseja a determinação, desde já, do futuro... destino - pois, para mim, o maior exemplo de como a vida é e anda, é aquela pluminha no filme Forrest Gump. A gente vai indo... vai indo... tomando rumo de acordo com a direção do vento... ou de quem assopra...
Fuuuuuuuuuuu!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Ahhh, não sei!
Num livrinho de psicologia da Dona Rita, há um teste sobre personalidade. Aliás, a obra aborda características essencialmente femininas e masculinas. Como se isso ajudasse em alguma coisa para desvendar o que a diaba quer! Ou o diabo! Fi-lo. Respondi com toda a sinceridade que me fosse possível. Sem querer me encaixar naquele perfil que eu acho mais legal. Sim, pois através das perguntas e respectivas opções para respondê-las, dá para se ter uma idéia qual seria o perfil correspondente. Se o meu ego tá pedindo para que eu seja uma sexy fatal, respondo na lata que, se a noite pedisse, amarraria meu parceiro com fitas vermelhas e testaria seu paladar com o meu corpo (uiá!); se o momento pede que eu seja introspectiva intelectual, marco que o meu programa predileto é ficar quieta em casa, num dia chuvoso, acompanhada pelos meus livros. Definitivamente, tais testes não me ajudam a montar minha personalidade. Ou, sim, ajudam sim: não há o que montar, pois ela não ecziste!Ao livro de mamãe. "-Maura, faça aí! Mas responde honestamente!". Ok. Feito o somatório dos pontos atribuídos às opções escolhidas, localizando o total no gráfico, descubro-me homem. Ou seja, a marca alcançada por mim me coloca numa área masculinizada intelectualmente. Penso feito homem. Com isso, posso concordar... explica algumas coisas. No gráfico, quem se diz hetero pertencendo à tal região, um dia sairá do armário. Há também a zona do "vou-não-vou", aquelas situações indefinidas, nem-isso-nem-aquilo. E há também a zona super rosa. Mulheres tatibitati... que vestem a fantasia e saem por aí colando adesivos de Meninas Superpoderosas, ou Penelope Charmosa, ou Betty Boop, ou gatinha no carro.
Well, expressões externas do meu gênio podem encaixar no jeitinho macho de ser, como já anuí. Porém... olha só... Admiro muito o homem. Tanto que não poderia evitá-lo, querendo me relacionar com uma outra mulher. Deve ser necessária muita paciência para se ter uma companheira. Bão, desde que saiba escolher... Eu, por exemplo, sou a perfeição-imperfeita em pessoa. Não digo ideal, pois se assim me autoproclamasse, teria que admitir minha inexistência.
Definitivamente, não sou homo. Eu gosto de meninos.
Por que lembrei do livro? Não, não foi por conta de uma luta no gel com outra mulher não... Foi diante a minha falta de tato para se montar uma casa. Saio rumo às Americanas para comprar alguns apetrechos... Putz! Que cor? O que falta? Ah, panela é panela... Tantas opões e minha única vontade é pegar a primeira coisa, olhando se é a mais em conta... Roupa de cama? Precisa? Toalhas? Pano de prato? Toalha de rosto? Baldinho e rodinho pra pia? Ahhhhhhhhh! Estou me sentindo torturada em fazer tais compras. Não sei. Pra decorar a sala fica esquisito não seguir alguma linha? Combina cartaz de filme com almofadas coloridas? Ah, não! Mesmo que não combine, estará lá, na parede, meu pôster recém adquirido. O Curinga. Comprei outros 2. Aí, sim, senti uma alegria tremenda em encontrá-los.
Fogão? Ahhhh... não seria mais útil uma baita televisão para assistir filme e jogar videogame? Eu vi uma... Eu quero! Eu quero! É outra coisa! Mente sã em corpo são. Alivio a tensão jogando... não como, pois não há fogão... permaneço magra...
- Maura Luiza, você troca este fogão autolimpante, com acendimento automático, quatro bocas, por esta televisão de plasma, 42' mais playstation com dois joysticks?
- Sim, siiimmmmm!
Raios de idade adulta. A gente acaba escolhendo aquilo que não corresponde muito com o querer. Aqui não se aplica a liberdade dos testes psicológicos: ser quem quer ser.
Olha só, veio-me ao fim do texto. Quer saber? Que vão à merda os estereótipos! Mania mais irritante dos humanos em classificar. E coisa irritante também julgar. Grudem seus adesivos oncinhapintadazebrinhalistradacoelhinhopeludovãosefuder... Gosta? Então tá valendo! Que saco!
Só que ainda não dá pra fazer a troca. Estou atada à realidade através dos meus bambinos. Fica pra próxima, Sílvio!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Minha mãe me falou que eu preciso casar...

... pois eu já fiquei mocinhaaaaa... Procurei um alguém que me dissesse meu bem...
Nossas fases são marcadas por fases passadas pela vagina? Primeira menstruação? Virou mocinha agora. Primeira trepa? Agora é mulher (também, dependendo do gosto, cachorra, piranha, vagabunda... vai! vai! vai! Bão, isso aí costuma não ser de primeira não. Leva um certo tempinho). Tá jararaca? TPM (ok, isso aí é alteração hormonal, mas está intimamente relacionada à Ela. Sim, com e maiúsculo.). Não se interessa mais pela cousa ou, fazendo acá uma homenagem à Adelaide, a moça que trabalha na copa, que me veio com mais uma expressão a ser incorporada no meu dialeto, aposentou o facão? Menopausa (a não ser que se faça reposição hormonal... mais uma vez, a questão aqui são hormônios, mas tá ligado ao assunto).
Dou o meu braço a torcer! Acho até que já o dei por estas bandas acá, TPM ecziste! Estou sentindo o trem burbulhar cá dentro. Ao menos, a minha vontade de aniquilação não recai sobre outras pessoas. Recai sobre mim mesma. Fase dura. Aponto sem dó nem piedade meus defeitos, como se pudessem ser suprimidos e eu passaria a ser perfeita. Pô, não sou! E cá entre nós, Maura, também não estou a fim de ser, embora possa concordar com você sobre alguns pontos. Ahhhhhhhhhhhhh! Coisa mais clichê! Tpm... humpft!
Mas tô com a macaca!
Cheiro de merda. Vamos a ele?
Tô precisando sentir. Sim, claro, todo o dia (sou um reloginho), sento-me e contemplo meu reino, ou fico a bolar ações estratégicas para defendê-lo, porém, como já havia dito, desse modo não há sinal algum por trás (sob um determinado ângulo, há sim; porém estou me referindo a um fato que nos leva a crer em acontecimentos, bons ou maus, futuros). É preciso ser assim, PÁ! Estou andando na rua e, de repente, passa por mim o cheiro da merda. Também não vale se pisou na caca de cachorro (caso eu fosse louca de criar um, sempre carregaria uma pazinha e saquinho de lixo. Não imporia a ninguém a desagradável surpresa). Ou se entrou em um banheiro que acabou de ser usado. Não, não. Um aroma inesperado, é assim que funciona. Func... func... Opa, coisa boa vindo! Batata! Ainda não li uma explicação lógica para tal pressentimento (lógica... pressentimento... não combinam muito, é vero!). Há anos, conversando com um cara via internet (tenho pra mim, até, que era um ex disfarçado reavivando o papo comigo), contei-lhe sobre. Ele (tava legal conversar com um ex assim, ele disfarçado... só fudeu quando começou com palhaçadas atacando diretamente a minha inteligência. Aí, break!) enxergou que, o sentimento bom ligado ao cocô dever ser porque a bosta é, na verdade, tudo aquilo não aproveitado pelo corpo. Ou seja, o organismo expele o ruim. Deparar-me com a caca humana, ou o cheiro dela, significaria o fim de uma fase negativa. Lembremos do ciclo... fim de uma fase, início de outra... Bingo!
Menstruação. Deveria ver algum lado positivo nela. Na religião muçulmana, se não me faia a memória, mulheres menstruadas nem entram no templo... algo assim... precisam se purificar... Puta merda, hein, Eva? Espero que Adão não tenha sido meia-bomba pra ter feito valer a pena o castigo.
Merda... será o sinal!
Não o sangue.
Obs.: assim como uma grande admiradora dos ditados populares, sou também das expressões. Um dia, vindo pro trabalho cedinho - havia trocado o turno - vim ouvindo uma rádio popular. Os causos sanguinolentos da cidade. Então, uma mulher que foi lá pedir algum favor aos compadecidos ouvintes, diz, para frisar bem a sua miséria, ter tomado no seu desjejum, apenas café com língua. Café com língua... boa essa! Incorporei. Assim como o "pendurar o facão". Estávamos eu e Dona Adelaide conversando sobre o fogão sentido por algumas mulheres quando se alcança uma certa idade (pra mim, culpa da reposição hormonal). A mãe dela tinha um carinho especial pelos mais novos, que davam conta do recado. Não só do recado como da prosa toda. Numa última conversa, a carinhosa senhora confessa ter pendurado o facão. Pendurar o facão, Adelaide? Hummmm.... Ah! Deixou de cortar o pau... deitá-lo.... Boa! Boa!
Hey, how... let's go!
De início, não estava mui a fim de ir não. Fim de tarde dominical, cara amassada por conta da dormidinha pós rango (um desperdício não curtir aquela preguicinha que se origina no centro da barriga e se irradia pelo resto do corpo.É um sacrilégio não gozar com aquilo que a natureza oferece de graça, sem precisar de investidas maiores) e uma irmã doida pra ir a um showzinho de rock.
Ok! Mantendo minha fama de irmã superlegal (sou de fato), às 17h30 saio de casa levando comigo uma mocinha felizarda em ter alguém que lhe dê guarita numa hora dessa. Eu, nessa idade, sem irmãos mais velhos para pegar carona, penava. Minha mãe sempre me manteve sob suas vistas. Sair à noite? Necas. Show de rock? Necastrofe! Lembro-me, com pesar no coração, de uma vinda do Faith No More à Brasília. Mike Patton, assim, pertinho de moá? O que escutei foi uma resposta negativamente zombeteira: " - Faith? No more!".
Se adiantou tanta proteção? Hummmmm, não sei. Talvez o lado bom foi a minha atual aparência. Não parento ter a idade que tenho. Noites bem dormidas. Nada de álcool precocemente. Como eu sempre digo, toda coisa ruim tem o seu lado bom. O mesmo vale para o inverso da questão, no bom há ruim tomém. Considero-me um pouco jeca para determinadas coisas, mas tenho a cútis preservada!
Fomos. Há certas pessoas que, para não se sentirem velhas ou porque já não há assuntos em comum com seus contemporâneos que já estão no quinto aniversário de casório, falam em investimentos, vida do casal, viagens com a família, enfim, já vestiram a fantasia de ser adulto, acabam firmando contato com pessoas mais novas. Grande parte das pessoas que conheço são alguns anos mais novas que Dona Maura. Alguns, podemos resumir o lapso temporal em uma década. Só que não, não me fazem sentir mais nova. Ali, no bar, não me controlando e pulando feito pulga, por vezes batia uma angústia: "- Maura, controle-se! O povo a verá assim, meio descontrolada ao som dos riffs, e a avaliará do mesmo modo como já avaliou outros pobres mortais como você!". Eu não sei pr'onde correr. No meio da tchurma, sinto-me mais velha como sou de fato. No meio da turma, sinto-me infantil como sou de fato. Donde finco meu guarda-sol?
Gritei pela liberdade à ilha de Fidel Castro, ou seja, uma Cuba Libre!, por favor. Mandei-me tomar no cu (certas horas, a gente merece), assim como todas as pessoas que, porventura, pudessem estar me olhando com os olhos que já tive (nada melhor que um dia-atrás-do-outro... rever os conceitos... pena que só acontece sob momentos egoístas, quando lhe convém... mas, bom, mesmo assim está valendo).
Cuba libre... Rum e coca-cola. Cuba seria o rum, acredito. Coca-cola... Bom, coca-cola é símbolo dos Esteites (EUA). Hummmm... norte-americano sempre teve esse lance de freedom... Mensagem oculta aí?
sábado, 27 de setembro de 2008
Diei-quei
Passeiozinho cívico hoje. Aliás, matei minha curiosidade. Nunca antes fora ao Memorial JK. Interessante o trem. Sou meio besta. Quando me deparo com algo que pertencera, fora tocado, usado, por alguma figura notória, fico, assim, boquiaberta... boba... estática frente à coisa. Assim foi com o pijama de Juscelino, exposto em um salão andar acima, todo escuro, onde há roupas dele e de D. Sarah. Pô, Juscelino usava pijama!
Não, não ria de mim. Isso o torna tal como eu, que também uso pijama! E, JK, suas ceroulas não estavam expostas lá, mas caso as usassem, bingo! Estamos mais próximos do que eu imaginava. Quando não é um pijaminha, tenho duas samba-canção muito legais e, o melhor, confortáveis, para dormir. Presentes de um ex-namorado. Não, não... uma só que foi. A outra, comprei para um outro, que também está na qualidade de ex, para quando fosse dormir lá em casa. Foram-se os amores, ficaram as cuecas.
Não, não me estranhe. Pijamas porque são mais confortáveis que camisola, que, aliás, também as tenho. De algodão. Cuecas... bom, cuecas porque restaram. Servem como short. Ahhh, sou uma pessoa que preza muito o conforto. Não gosto de nada pinicando, apertando, entrando. Aqui caberia uma piadela, porém reservo-me.
Desde criança, acho graça constatar que pessoas "importantes" fazem coisas que nem eu. "- Manhêêêêê, o presidente Sarney faz cocô?", "- Sim, Maura, ele faz também!", "- É mesmo? Eiiiiita!". E lá ia Dona Maura imaginar o presidente sentado, pegando o papel higiênico e limpando. Caramba! Mas... mas... ele também faz isso?
Garota imaginativa. Sempre tive imaginação de sobra. Dona Rita fala que eu tinha uma amiga imaginária, a Boa (boa de boazinha, friso). Consigo me lembrar de uma vez que conversei com ela. Acho que eu estava comendo arroz com feijão e comentei com a minha mãe que a minha amiga Boa não gostava daquele tipo de feijão.
Ehhhhh, Boa, velhos tempos aqueles, não? Se eles soubesse que você ainda me acompanha.
Juscelino.... "fundador".... "capital da esperança".... Uma placa com algumas palavras falava sobre Juscelino e tais palavras estavam entre aspas. Aspas muda tudo. Pegou mal. Juscelino é o "fundador" da "capital da esperança".
"Maura"
Não, não ria de mim. Isso o torna tal como eu, que também uso pijama! E, JK, suas ceroulas não estavam expostas lá, mas caso as usassem, bingo! Estamos mais próximos do que eu imaginava. Quando não é um pijaminha, tenho duas samba-canção muito legais e, o melhor, confortáveis, para dormir. Presentes de um ex-namorado. Não, não... uma só que foi. A outra, comprei para um outro, que também está na qualidade de ex, para quando fosse dormir lá em casa. Foram-se os amores, ficaram as cuecas.
Não, não me estranhe. Pijamas porque são mais confortáveis que camisola, que, aliás, também as tenho. De algodão. Cuecas... bom, cuecas porque restaram. Servem como short. Ahhh, sou uma pessoa que preza muito o conforto. Não gosto de nada pinicando, apertando, entrando. Aqui caberia uma piadela, porém reservo-me.
Desde criança, acho graça constatar que pessoas "importantes" fazem coisas que nem eu. "- Manhêêêêê, o presidente Sarney faz cocô?", "- Sim, Maura, ele faz também!", "- É mesmo? Eiiiiita!". E lá ia Dona Maura imaginar o presidente sentado, pegando o papel higiênico e limpando. Caramba! Mas... mas... ele também faz isso?
Garota imaginativa. Sempre tive imaginação de sobra. Dona Rita fala que eu tinha uma amiga imaginária, a Boa (boa de boazinha, friso). Consigo me lembrar de uma vez que conversei com ela. Acho que eu estava comendo arroz com feijão e comentei com a minha mãe que a minha amiga Boa não gostava daquele tipo de feijão.
Ehhhhh, Boa, velhos tempos aqueles, não? Se eles soubesse que você ainda me acompanha.
Juscelino.... "fundador".... "capital da esperança".... Uma placa com algumas palavras falava sobre Juscelino e tais palavras estavam entre aspas. Aspas muda tudo. Pegou mal. Juscelino é o "fundador" da "capital da esperança".
"Maura"
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Rapidim!

Não sou uma boa fotógrafa. Esse lance de jogo de luzes, posição, ângulo... Quer saber? Tira toda a naturalidade do momento. Fica algo artificial. A naturalidade não suporta tantas regrinhas. Expanda isso aí às outras cousas também. Aliás, expanda tudo. Estou chegando à conclusão que todas as conclusões não ficam inscritas, somente, àquele fato. Uma pitada aqui, uma pitada acolá e... voilà!
Estou presa na minha torre. E é torre sim, a sua denominação. Torre A, sala 631/634. Tiro a foto, na esperança de conseguir captar a luz que baixa lááá no horizonte. Lindo! (não, não é uma exclamação meio hiponga). Viro o rosto. Baixo a foto para o computador. Viro novamente (sempre me pego voando lá fora). Acabou a luz! Tão rápido! Mais uma vez, expandindo, muitas coisas são assim... flash! Você contempla, vira o rosto por conta de uma outra coisa besta qualquer, e quando vai ver novamente: puff!
Tem um prédio ali pertinho. Quantas vezes não suspirei, querendo estar lá... Morando lá? Viria à pé todo santo dia, livrando-me do carro. Inspire. Expire. Mundo porco capitalista! Oscar Niemeyer não planejou esta joça aqui para todos vivermos feitos iguais? O deputado ao lado do copeiro? Cadê o meu quinhão?
Xeretemos a vida alheia. Não, não sou consumidora de Caras, Contigo e afins. Muito mais interesssante a vida de quem eu já conversei tete-à-tete. Meus personagens têm músculos, ossos e fluidos. Vejo num orkut, mais ou menos assim: "Você deletou seu perfil antigo? Nem percebi!" (ela se referia ao fato dele tê-la re-adicionado). Ahhhhhhhhhh, pô! Isso é coisa que se diga, mizifinha? Então, quer dizer que seu amigo, para o qual escreveu o recado, não cheira nem fede. Surge a incompatibilidade do termo amigo. Eu sei perfeitamente quem deletou perfil, quem se mantém meio longe, quem acessa todo dia. Embora (agora eu pratico minha ação predileta, contradizer-me), alguns não sejam amigos-amiiiiiiigos meus. É bem menos pior que um amigo-que-você-diz-amiiiigo e que você nem nota que o cara sumiu, não é?
As pessoas costumam dizer coisas sem pensar antes. Também, se pensar, é tal qual todos os procedimentos adotados antes de tirar uma foto. Perde-se o momento. A espontaneidade. Talvez (contradizendo-me again - estou viciada nisso) seja positivo. A panela é destampada.
Hummmmm... É! Mantenham-se assim, terráqueos! Não pensem antes de falar. Talvez o meu amigo (olha só, eu havia notado, sim, que você havia se suicidado orkuteanamente) agora saiba que pessoas podem não lhe prestar a atenção devida.
- É seu filho?
- Sim, sim. O mais velho.
- Tão bonito! O pai dele é bonito?
(Ééééé, não sou tão bonita quanto mamãe dizia!)
Sete de Setembro

Para quem não sabe que figura ser esta: "Emblema da Sociedade Teosófica (a suástica ou cruz gamada no topo do selo teosófico é um antigo símbolo religioso do Oriente, não tendo aqui nenhum tipo de conotação nazista. A suástica da S.T. representa evolução espiritual, enquanto que a suástica nazista é invertida, possuindo uma outra simbologia associada)." Palavras da Santa Wikipedia, amém!
Não. Não pertenço à sociedade alguma. Bem, em específico. No geral, inevitável não estar inserida em uma. Que Maura surgiria no meio do nada? Assim, num lugar isolado, sem pessoa alguma por perto? Sim, pois com certeza surgiria outra pessoa que acá, dentro de mim, se esconde. Se algum produtor lançar um reality show do tipo, reclamem a minha autoria por mim!
Foco, Maura, foco! (como se, graças, sou portadora de ceratocone? Depois, caso haja paciência e saco - tanto real quanto imaginário - perguntem-me o porquê do graças).
Bueño. Não se pode dizer que Dona Maura Luiza é uma pessoa "andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá". Ou seja, crença zero. Pessimismo alto. Porém, todavia, contudo e entretanto, queria saber que relação oculta é essa entre eu e a serpente engolindo o próprio rabo. Uróboro. Geralmente, minhas tatuagens surgem assim, do nada. Pinta a idéia. Acho que tem alguma relação comigo e mando gravar na pele. Somente três não foram assim, embora duas tenham lá uma proximidade com as demais neste quesito.
Estou pegando uma mania chata da citações. Maior crítica de mim mesma, vejo como se fosse falta do quê falar. E não é. Creiam-me: há mais assuntos entre minha boca e o cérebro do que possa julgar sua vã filosofia. Enfim, pesquisando e cantando e seguindo a canção, Motivo universal de uma serpente enrolada em um círculo, mordendo a própria cauda. Como tal, ela “se mata, se casa e se engravida a si própria. É um homem e uma mulher, procriando e concebendo, devorando e gerando, ativo e passivo, acima e embaixo ao mesmo tempo” (Neumann, 1954). Como símbolo, o uroboro sugere um estado primevo envolvendo escuridão e autodestruição, bem como fecundidade e criatividade potencial. Representa o estágio anterior ao delineamento e separação dos OPOSTOS. Segundo Jung e Neumann, o uroboro é usado por alguns psicólogos analíticos como uma METÁFORA primária para um estágio precoce do DESENVOLVIMENTO da personalidade. O INSTINTO DE VIDA e o INSTINTO DE MORTE não estão ainda delineados, nem o estão o amor e a agressividade; a identidade de GÊNERO é informe; a falta de experiência da CENA PRIMÁRIA sugere fantasias de partenogênese ou concepção imaculada. Não há distinção entre alimentador e alimentado, existe só uma boca devorando perpetuamente. Não que eu não já soubesse, afinal, meu lado futucador não permitiria dar a pele ao tatuador sem ter uma estorinha para o desenho. Sabia eu que era algo relacionado ao término e começo de fases. Assim mesmo como é posto no texto que control-vezei aqui: há momentos na vida que fases se misturam, não sendo possível distingui-las, mas que são muito distintas entre si. Uma loucura, uma bagunça, que eu adoro. Não sei se já expus isso acá, sou uma grande fã das controvérsias e do caos. Eles sempre me cheiram a coisa boa. Assim como merda. Sempre que sinto cheiro dela - por acaso e não com hora marcada (yes, não preciso tomar Activia) - tenho a sensação que coisa boa virá. Anotem mais essa aí para me cobrarem depois, caso alguém me leia - sei que há - e levante-se no meio à multidão - sim, um ataque meio faltou-modéstia agora. Estou me forçando a ter foco. Foco, Maura, foco.
Devorando perpetuamente. Devorar... vou anotar esta palavra também. Carne, devorar, língua... palavras que puxam o gemido de Maura.
Foco, Maura, foco.
Assim, hoje vim decidida a enrolar. A Santa Wikipedia (amém!) ajudou-me prontamente nesse propósito (ainda confundo nesse com neste. Quando o s ou o t devem ser usados? Nesse, coisa longe. Neste, coisa perto. É um assunto que acabei de falar, então seria o neste? Mas, na realidade, é algo que já passou há algumas horas... é nesse? Céus!!!). Quer uma dica maneira para as tardes de ócio (que muitas delas não deveriam ser)? Ahhhh, por favor, não me revelem que já fazem isso, pois hoje, na hora do almoço, fui dar uma superdica e a pessoa disse que já fazia isso. Devia ter ficado feliz por que encontrei um igual (ou um pouco)? Ou devo esmorecer, pois não sou única? Mais um assunto, a superdica, anotem!
Eis a dica: jogar a data de nascimento na procura. Se quiser ver se tem algo mais específico, jogue a data completa. Só coloquei 7 de setembro. Geralzão mesmo. Não por conta de tentar esconder a idade não. Era pra ver até aonde a saga do 7 de setembro espicharia seus tentáculos. (Por via das dúvidas, não me cobrem o ano que omiti na busca. Ainda tento me acostumar ao fato!)
Em nascimentos, temos Elizabeth I (yeah! A rainha da Inglaterra!), Paulo Autran, Gloria Gaynor e outras tantas personalidades; em mortes, José Orozco, Geoffrey Plantageneta - Conde de Anjou e Uziel Gal, desenhador de armas e inventor da Uzi (será que morreu com um tiro?); eventos históricos, Independência do Brasil (dãããã!), primeira transmissão de rádio no Brasil com discurso do presidente Epitácio Pessoa... e um que me chamou a atenção pelo nome da mulher. Helena Petrovna Blavatsky funda a Sociedade Teosófica. Fui ler a história da Helena.
Casou-se muito jovem com um homem bem mais velho para obter logo sua maioridade. Enveredou-se pelo caminho do ocultismo. E quando o texto começou a sair da biografia para entrar sobre o assunto que tanto fascinou Helena, meu saco deu o ar de sua graça. Mesmo a figura representativa da tal sociedade ter chamado minha atenção, não adentrei a fundo. A serpente engolindo a própria cauda. Madame Blavatsky fundou o grupo de estudos no dia 7 de setembro. No dia 7 de setembro de 19... ahhhhhhhhhh! Não, não tenho problemas quanto a isso! Não tenho! Sou madura... quase podre... ahhhhhhhhhhh! Foco! Então, uróboro criando coincidências.
Havia um outro ponto. Não consigo lembrar... Ah, como tenho raiva disso! Firmo um assunto e dentro deste assunto aparecem vários caminhos que também quero trilhar. Quero fazer tudo ao mesmo tempo. Quântica, ajuda-me!
Conversando - também faz parte da enrolação - disse que todos temos um pouco de Mr. Hyde. Ou seja, uma maldadezinha posta em concreto, meio que escondido já que o nosso papel social não permite certas regalias prazerosas. Pergunto pra moça da copa: "- E aí, Adelaide, você tem alguma coisa que queria fazer mas não faz por que é mal visto?". Ela titubeou de início. Viu que o ambiente favorecia à liberdade de expressão. Confessou que, numa certa ida ao cinema, tirou seus sapatos deixando o "doce aroma campestre" subisse. Riu, intimamente, do incômodo certo sentido pelos demais. Assim como riu de certa vez que flatulou e não mostrou sua mão amarela, deixando ser uma incógnita o autor... quando sujou a blusa branquinha de um rapaz - ele veio de esbarrão nela enquanto ela tomava um sorvete de chocolate... Ehhh, maldade é algo interessante! As minhas?!? Olha, nasci em 1975!
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