Sou uma pobre fresca, admito. Não gosto de carne de 2.ª e conto meu dinheirinho na carteira para comprar a mais recente invenção da indústria alimentícia: waffles congelados. Uma breve aquecida no forno convencional e, após, uma camada (generosa ou não, dependendo da época do mês) de nutella. Voilà.
Talvez eu tenha me dado o direito à frescura depois de ter roído não só a beira mas o pinico inteiro. Lembro-me perfeitamente de certos itens de nossa cesta atual serem valiosos. Artigos caros que nem um cata geral na bolsa possibilitaria adquiri-los. Sucrilhos, maçãs, peras, até o yakult. O tempo passou e com ele veio a economia estabilizada (com meus parcos conhecimentos econômicos e confiando nas notícias ouvidas, assim eu creio), a entrada de minha mãe no mercado de trabalho (fruto do seu esforço e vontade de contornar a situação drástica) e, tempos após, o meu início na contagem regressiva para a aposentadoria (restam-me 12 anos). Estes e outro produtos tornaram-se acessíveis.
Acessíveis por conta de mais pessoas terem maior poder aquisitivo (inflação controlada), estimulando a procura e a compra; futucando as indústrias a produzirem mais; desejando preços maiores nesse aumento de produção (e assim fazem), ficando os estoques lotados pois, “Ok! Agora podemos comprar tais itens, mas há outras coisas por fazer e se comprometermos a renda com eles, teremos problema. Tem aquela outra marca, que não é uma Brastemp, mas dá para quebrar o galho!”.
Para não arcarem com prejuízos, os antes com preços altos, caem em promoção – forçados pela diminuição na procura – encontrando um valor ótimo para demanda e oferta. E a demanda aumenta, forçando o preço para cima, e os produtores produzem mais, querendo mais, e o povo apela, novamente, para alternativas, forçando a queda do preço e o aumento da produção daqueles substitutos... e aí... e aí... Onde estava?
Lei da ação e reação. Nada melhor para compreender este simples e intrincado círculo. Ou a teoria do caos, se preferir. O bater de asas, lá nos EUA, de uma borboleta causa furacões no sul do continente (a ideia é essa, certeza... o mesmo não posso dizer das palavras). O meu aumento do poder aquisitivo, juntamente a outros milhares de brasileiros, estimulou a produção de determinados setores da economia. Aliás, observando promoções de IPI zero por aí, acho que em determinados momentos somos direcionados a comprar determinado produto e aquecer o setor correspondente... tudo caso pensado. Enfim, a gente compra mais e se um bem aumenta demais de preço, partimos para outro similar que satisfaça tal qual. Há também ofertas entre grandes centros varejistas que forçam a queda, temporariamente, dos preços praticados (adoro folhetos com o dizer “cobrimos a oferta do concorrente”). E se o aparelho de fondue tá tão em conta, compra-se mais queijos especiais ou chocolates (depende do freguês) e um momento tão chic alcança muitos que também querem ser chics. Na economia, entendo eu, uma modificaçãozinha aqui provoca reações acolá. Eu até estenderia além as consequências econômicas de um dado momento. Nos índices de violência... nos desejos... no meio ambiente...
Bom. Carne de 2ª não, quando mergulho de cabeça nas oscilações da economia e a chuva ou seca acabaram com o pasto. Se no domingo não servimos uma alcatra ou filé mignon, há, graças à oferta do Wal Mart, um camarão empanado, cujo pacote de 500g foi comprado por 14 e poucos reais.
Um adendo: concordo que a carne, feita na panela de pressão, é uma delícia.