sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Danço conforme a música


 Sou uma pobre fresca, admito. Não gosto de carne de 2.ª e conto meu dinheirinho na carteira para comprar a mais recente invenção da indústria alimentícia: waffles congelados. Uma breve aquecida no forno convencional e, após, uma camada (generosa ou não, dependendo da época do mês) de nutella. Voilà.
Talvez eu tenha me dado o direito à frescura depois de ter roído não só a beira mas o pinico inteiro. Lembro-me perfeitamente de certos itens de nossa cesta atual serem valiosos. Artigos caros que nem um cata geral na bolsa possibilitaria adquiri-los. Sucrilhos, maçãs, peras, até o yakult. O tempo passou e com ele veio a economia estabilizada (com meus parcos conhecimentos econômicos e confiando nas notícias ouvidas, assim eu creio), a entrada de minha mãe no mercado de trabalho (fruto do seu esforço e vontade de contornar a situação drástica) e, tempos após, o meu início na contagem regressiva para a aposentadoria (restam-me 12 anos). Estes e outro produtos tornaram-se acessíveis.
Acessíveis por conta de mais pessoas terem maior poder aquisitivo (inflação controlada), estimulando a procura e a compra; futucando as indústrias a produzirem mais; desejando preços maiores nesse aumento de produção (e assim fazem), ficando os estoques lotados pois, “Ok! Agora podemos comprar tais itens, mas há outras coisas por fazer e se comprometermos a renda com eles, teremos problema. Tem aquela outra marca, que não é uma Brastemp, mas dá para quebrar o galho!”.
Para não arcarem com prejuízos, os antes com preços altos, caem em promoção – forçados pela diminuição na procura – encontrando um valor ótimo para demanda e oferta. E a demanda aumenta, forçando o preço para cima, e os produtores produzem mais, querendo mais, e o povo apela, novamente, para alternativas, forçando a queda do preço e o aumento da produção daqueles substitutos... e aí... e aí... Onde estava?
Lei da ação e reação. Nada melhor para compreender este simples e intrincado círculo. Ou a teoria do caos, se preferir. O bater de asas, lá nos EUA, de uma borboleta causa furacões no sul do continente (a ideia é essa, certeza... o mesmo não posso dizer das palavras). O meu aumento do poder aquisitivo, juntamente a outros milhares de brasileiros, estimulou a produção de determinados setores da economia. Aliás, observando promoções de IPI zero por aí, acho que em determinados momentos somos direcionados a comprar determinado produto e aquecer o setor correspondente... tudo caso pensado. Enfim, a gente compra mais e se um bem aumenta demais de preço, partimos para outro similar que satisfaça tal qual. Há também ofertas entre grandes centros varejistas que forçam a queda, temporariamente, dos preços praticados (adoro folhetos com o dizer “cobrimos a oferta do concorrente”). E se o aparelho de fondue tá tão em conta, compra-se mais queijos especiais ou chocolates (depende do freguês) e um momento tão chic alcança muitos que também querem ser chics. Na economia, entendo eu, uma modificaçãozinha aqui provoca reações acolá. Eu até estenderia além as consequências econômicas de um dado momento. Nos índices de violência... nos desejos... no meio ambiente...
Bom. Carne de 2ª não, quando mergulho de cabeça nas oscilações da economia e a chuva ou seca acabaram com o pasto. Se no domingo não servimos uma alcatra ou filé mignon, há, graças à oferta do Wal Mart, um camarão empanado, cujo pacote de 500g foi comprado por 14 e poucos reais.
Um adendo: concordo que a carne, feita na panela de pressão, é uma delícia.  

domingo, 12 de agosto de 2012

Para mim, para você, para nós.

Maura não deveria contar com mais de 6 anos, pois aos 7, mãe, pai e os 2 filhos estavam em terras mineiras. Certamente, seria uma data importante para a ausência ser tão dolorosamente sentida. A lembrança do dia, qual era, não é totalmente confiável, contudo tudo leva a crer se tratar do segundo domingo de agosto. 
Era costume dormir, vez ou outra, na casa da tia que morava em Cruzeiro Velho. Apesar da falta apertada da mãe e irmão que ficaram em casa, a casa da tia sempre era uma tentação. Lá estavam os primos, brincadeiras, árvores com cipós (ela sempre empacava no primeiro galho, perguntando-se por que havia inventado de subir, atrás da prima. "E agora, como desço?", tremia). Era muito divertido. E naquela noite, em especial, além da mãe e irmão estarem longe, mais longe estaria o pai. Aquela noite a ausência dele doía. O momento era de todos os filhos ficarem com seus pais, dando-lhes aquele desenho feito com tanto orgulho... ou a lembrancinha de escola... alguma coisa qualquer que simbolizasse a importância daquela pessoa para aquela outra pessoa. O tio virou e disse: "Então, já que o seu pai está longe, faz de conta, hoje, que sou seu pai, tá?". As lágrimas secaram. Pôs nele, a figura paterna, como se ali enxergasse seu pai, para que, depois, pudesse abraçá-lo... quando quilômetros e quilômetros de distância fossem percorridos.

Essa lembrança veio forte e involuntária a minha cachola. Plim! Tudo veio à tona. 

De certa forma, eu achava, até há pouco tempo, ser um exagero o discurso família que o meu irmão pregava. Proximidade não mediria amor e importância sentidos por uns a respeito de outros. Eu me mantinha distante, amando-os. Esse era o meu jeito. Pieguice tal qual, eram as comemorações de dias especias. O da mãe, o do pai, o das crianças... 

Até há pouco tempo, eu achava que tinha direitos acima de tudo. Direito a me divertir como bem quisesse. Direito a ter segunda, terceira, quarta e quantas forem chances. Dedicava-me ao que realmente importa superficialmente. Um brinquedo ali. Uma saidinha acolá. Uma preocupação acá. Sobre mim, o foco principal. Não poderia passar pela vida sendo apenas mãe. Eu me mantinha distante, deixando de me amar.

Na vida, é preciso pegar a situação e virá-la de ponta-cabeça para enxergarmos e senti-la de várias formas. Dentro delas, há uma dentro da qual se encaixe confortavelmente. Depois da vinda dos meus três homens, burrice pensar que poderia fazer o que bem entendesse comigo. Não posso. Sou deles. Essa constatação não me assusta mais. Assustava e muito. A liberdade indo embora. Pois que vá, embora ela, realmente, não exista tenho você filho ou não. O retorno do amor que dedico a eles vale mais. 

Meu irmão tinha toda a razão. Quando todos juntos, é uma sensação maravilhosa enxergarmos sendo uma corrente. Cada um de nós, um elo. Vi a tempo e não levarei comigo a amarga sensação de ter deixado o trem partir.

Pouco tempo depois, na mesma época, Maura não chorou a ausência. Ela pode viver os melhores momentos de sua vida ao lado de um pai. Ali, entre as montanhas, seguindo trilho abandonado de trem, soltando pipa, vendo-o matar aranhas com tochas... ali era um pai. Algum tempo depois, voltaram para Brasília. Os quatro. Mais algum tempo depois, ela voltou a sofrer pela distância. E não poderia contar com o tio para tomar emprestado o papel, pois não havia mais quilômetros e quilômetros separando pai e filha. Estavam lado a lado. Ele havia perdido o trem.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

I'm survivor!

Acho que vai mais uma xícara de café. Frank ou Nardélio, quem estiver mais a mão, atenderá de prontidão meu singelo pedido por mais café. Esta deve ser a quarta xícara depois do almoço.
Escuto aqui da minha sala, um deles dizendo que fará um café novinho, logo após ter sido avisado pela copeira sobre a minha ligação pedindo um cafezinho. Meu estômago já reclama da overdose cafeinística.
Ontem, joguei ao ventilador o endereço desse blogue. Mudei o seu nome, por isso as pessoas não o encontravam mais no penopinico.blogspot.com. Fiquei estressada com a tamanha falta de inspiração para escrever. Minha vida sofrendo alterações importantes e outras nem tão importantes, e nada do comichão atacar o conjunto mente-dedos. Senti-me paralisada. Meio morta. Larguei de mão. Porém, não o deletei. O que considero ser um grande avanço no meu crescimento espiritual. Tinha uma mania incrível de deletar-me. Vá ver era algo simbólico, pois havia uma sincronização entre a morte virtual (seja orkut, facebook, fotolog, blog) e o momento conturbado.
Porra, não sei se o café já veio adoçado ("Seis gotinhas de adoçante, por favor!"). Lasquei mais 6 aqui.
Sentenciava à morte as mauras de cada um desses espaços virtuais. Condenava-as por conta do seu fracasso, medo, covardia, aflição. E o crime maior: deixar tudo isso visível. A ferida aberta, exposta ao livre arbítrio de quem quer que passasse os olhos sobre mim.
Mal sabia eu ser bom a futucada sobre a casquinha nova com a pontinha do palito. Melhor ainda, quando você encontra passada de mão frente a uma cagada notória, mas você queria escutar "Ahhh, não fique assim; afinal, não foi tão merda desse jeito!". Seja como for, é não se isolando que somos postos diante de nós mesmos. Tenho facetas sim e todas elas juntas sou eu.
Não sei porque fulanos, ao atacar o outro, diz "Você tem duas caras!". Ótimo, oras. E que tenha três, quatro, cinco... e a utilize em cada situação. Burro é quem não consegue enxergá-lo através delas.
Depois de tanto tempo, estou curiosa por me reler. Lembrei do blog. Lembrei de ter trocado o nome. Lembrei do motivo do nome novo. E descobri mais uma faceta minha, confeccionada por o outro. Gostei do ar meio divindade intocável, embora eu queira encontrar alguém que me toque sim e que me deixe descobrir-me através dele.
Uma das raras vezes que fico à mercê de bate-papo virtual, um amigo veio me contar a respeito de um sonho tido noite passada. "-Hummm, sonhou comigo? Qual contexto?". De início, não quis ele me contar. Estava envergonhado. Confessou-me a vergonha de fato. Diante o rosto corado (eu o imaginei assim, pois ao dizer estar envergonhado, deve ter lembrado do sonho e assim, logo surgiu um risinho... um vermelhinho nas bochechas... enfim), lancei: "- Opa! Vergonha? Má rapá, me conte o que foi que eu fiz pelamordedeus!". Relatou que lá, em sua cachola, durante a madrugada, ele havia transado comigo. Depois do ato, ele olhou para mim, surpreso, meio que não acreditando muito, e disse: "- Meu Deus! Eu fiz sexo com a Maura!".
"- Puxa, mas foi ruim para você?", "- Não, nada disso! Mas, cara, era você. Eu fiz sexo com a Maura!".
Eu fiz sexo com a Maura... Naquele momento, creio ter feito também. E me vi tão foda, com direito ao trocadilho óbvio aqui.
É um disperdício deletar-me.
É um diperdício não me conceder a chance de ser humana (com todas as suas fraquezas) e pouco me importar se beltrano vai apontar o dedo ou não.

*Pusta preguiça de revisar o texto, como sempre. Se errei, tô na política do foda-se mesmo, então foda-se!