Como invariavelmente faz, Dona Helena entrou aqui no meu cubículo, protegido por persianas e uma porta, a qual posso fechar se tudo estiver calmo, encostando minha cabeça sobre a mesa, deixando sobre o móvel a marca indelével da baba "Maura esteve aqui e dormiu". Notei logo estar vestida com um uniforme diferente. Não estava carimbado sobre seu corpo, sua função aqui no edifício: funcionária da limpeza. Sorridente, veio me mostrar toda orgulhosa. Agora, copeira.
Dona Helena é uma mulher admirável. Nossos contatos se resumem tão unicamente às suas vindas aqui na minha sala. Achou-me, ela, simpática por increça que parível. Tenho um probleminha com isso aí: acharem-me próxima logo de primeira. Como todo bom tímido, colocados em um ambiente novo e inexplorado, fecho-me feito tatu-bola quando tocado. O nariz parece estar mais empinado. Fico quieta, analisando o redor, antes de proferir algo. Sentir segurança para abrir a boca. Aliás, para grande parte dos meus atos, preciso sentir os pés no solo antes de concretizá-los. Friso: para grande parte... não tudo...
Trocamos, assim, algumas palavras. Seu horário de almoço não lhe permite ficar mais que dez minutos de prosa. Traz balinha ou paçoca para mim. Ahhh, Dona Helena! Tô tentando cortar esses açúcares, pois sabe né? Depois dos 30, o metabolismo é cruel num corpo feminino. Mas, ok! Dê-me! E troquemos algumas míseras palavras, mas o suficiente para conhecermos uma a outra.
Nas primeiras trocas, notei ser ela uma mulher muito religiosa. Pela insistência em chamar Jesus na causa, evangélica. Pelo olhar inquiridor sobre minhas tatuagens (muitos símbolos e répteis, que não são bem vistos religiosamente), evangélica praticante. Contudo, nossa amizade não ficou abalada pela minha pré-imagem. Quis ela acrescentar-se com minhas idéias e me dar a chance de me acrescentar com as suas.
Seu filho é usuário de crack. Tem uns 16 anos. Ô idade difícil! Bom, talvez todas tenham lá suas dificuldades peculiares. Minha Dona Rita vive me dizendo, quando me encontra num dia muito bom devido aos excessos da noite anterior. E numa espécie de oráculo, prevê sem eu ter solicitado a adivinhação: "Você verá, Maura, quando os seus crescerem!". Como devo me preparar para a fatídica cena? Mato essa versão maurística, bancando, futuramente, a hipócrita? Passo a dica sobre o que se fazer durante uma ressaca infernal (ou seja, nada... só água... ou o tal soro caseiro... e, principalmente, não tentar se lembrar do que, porventura, acontecera durante a noite)? Ou pergunto se posso ir também?
Ah, Dona Helena! Façamos o melhor que está ao nosso alcance, não? Aliás, estando em alcance ou não, é a verdade.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Quem arcará?
No melhor estilo "pegue seu banquinho e saia de mansinho", retirei-me. Parecia ter em mim, algo semelhante àquela bomba de encher pneu de bicicleta e ia inflando... inflando... inflando... Antes dos pedaços fumegantes de massa cinzenta grudassem nos cabelos recém feitos luzes e chapinha de muitas, casquei fora.
Passei no moço da pipoca. Fome muita, trocados poucos, tentei engabelar o estômago ranzinza. Antigamente, quando eu comprava só o pacote de dois reais, o senhor oferecia uma manteiguinha derretida por cima. Agora, novamente com a onda de cortar comilança (preciso me enfiar numa academia para voltar a deglutir o mundo... talvez, daqui a algum tempo, essa conclusão se estenda ao outro sentido também), pago o de um. Sem beiços brilhando, moça. Ok! Enfie esse tubo no... Ah, obrigada! Menos calorias ingeridas durante a semana. Eu prefiro à margarina mesmo.
Histórias rondam o estacionamento. Antes fossem referentes a alguma alma penada, ou a alguma Loira do Banheiro perdida de do seu habitat natural. Os fantasmas são de carne e osso mesmo. Às vezes, não tão menos sanguinários quanto ao Freddy Krueger.
Saio, em marcha atlética, rumo ao meu mad max. Se eu não me forço a reparar onde estacionei o carro assim que chego a algum lugar, é uma luta encontrá-lo depois. Já precisei ficar para lá e para cá, entre dois estacionamentos, até encontrar o vermelhinho. Cansada e receosa de que alguém percebesse a barata tonta motorizada, parei, concentrei e refiz, mentalmente, todo o caminho feito desde a minha chegada ao lugar. Pimba! Uma luz se fez.
À luz da noite, não me permito tal esquecimento. A estrada é longa e o caminho é deserto.... e o Lobo Mau anda aqui por perto.
Maura. Rua. 22h30. Isso significa mariposear ou, God, casa! A primeira opção só é marcada quando o dinheiro dá o seu aval e estou pouco me lixando se amanhã, trabalharei. Há pouco, tempo, sob pressão, recordei das propagandas do Ministério da Saúde ensinando a fazer soro caseiro. Na copa, há sal, açúcar e água filtrada. Voilà! Aos goles e sob promessas-que-sei-muito-bem-não-cumprir-alguma, reanimo-me.
Essas mesmas rotas seguidas todo santo dia tiram-me, um pouco, as cores da vida. "No colors anymore I want them to turn black". Tento fazer a minha parte, procurando desobedecer num ato minúsculo diante todo o contexto sufocante. "Hoje, tô que tô e dou dedo pra tudo isso! Vou quebrar por aquele outro caminho e ver de qualé!". Não é de grão em grão que a galinha enche o papo? Se partir logo para modificar um grande todo, a tarefa é mais árdua e corre-se o risco de dar com os burro n'água. Além de enfrentar algo grande e desconhecido, a exposição é maior. Alguém poderia notar. E se, justamente esse alguém, não deseja transformações significativas, tirando-o da sua zona de conforto... Assim, sob a fantasia de moita, pequenos atos são postos em prática, desfazendo, peça por peça, o quebra-cabeça montado. O gigante está ali, sem nem notar. Surpresa!!!
Vou de churrasquinho hoje.
Se eu pedisse um, mais incrementado, haveria farofinha passada na carne, de graça?
Um adendo: a estória se passa, inicialmente, quando estou eu a cascar fora da faculdade.
Saio, em marcha atlética, rumo ao meu mad max. Se eu não me forço a reparar onde estacionei o carro assim que chego a algum lugar, é uma luta encontrá-lo depois. Já precisei ficar para lá e para cá, entre dois estacionamentos, até encontrar o vermelhinho. Cansada e receosa de que alguém percebesse a barata tonta motorizada, parei, concentrei e refiz, mentalmente, todo o caminho feito desde a minha chegada ao lugar. Pimba! Uma luz se fez.
À luz da noite, não me permito tal esquecimento. A estrada é longa e o caminho é deserto.... e o Lobo Mau anda aqui por perto.
Maura. Rua. 22h30. Isso significa mariposear ou, God, casa! A primeira opção só é marcada quando o dinheiro dá o seu aval e estou pouco me lixando se amanhã, trabalharei. Há pouco, tempo, sob pressão, recordei das propagandas do Ministério da Saúde ensinando a fazer soro caseiro. Na copa, há sal, açúcar e água filtrada. Voilà! Aos goles e sob promessas-que-sei-muito-bem-não-cumprir-alguma, reanimo-me.
Essas mesmas rotas seguidas todo santo dia tiram-me, um pouco, as cores da vida. "No colors anymore I want them to turn black". Tento fazer a minha parte, procurando desobedecer num ato minúsculo diante todo o contexto sufocante. "Hoje, tô que tô e dou dedo pra tudo isso! Vou quebrar por aquele outro caminho e ver de qualé!". Não é de grão em grão que a galinha enche o papo? Se partir logo para modificar um grande todo, a tarefa é mais árdua e corre-se o risco de dar com os burro n'água. Além de enfrentar algo grande e desconhecido, a exposição é maior. Alguém poderia notar. E se, justamente esse alguém, não deseja transformações significativas, tirando-o da sua zona de conforto... Assim, sob a fantasia de moita, pequenos atos são postos em prática, desfazendo, peça por peça, o quebra-cabeça montado. O gigante está ali, sem nem notar. Surpresa!!!
Vou de churrasquinho hoje.
Se eu pedisse um, mais incrementado, haveria farofinha passada na carne, de graça?
Um adendo: a estória se passa, inicialmente, quando estou eu a cascar fora da faculdade.
sábado, 7 de agosto de 2010
Xeque mate!
E então, escutei: adoro quando a mulher faz um certo jogo. Jogo?!? Sim, jogo... escutei... quando há certa manipulação - sem duplo sentido, embora caiba no assunto aqui escrito. O colega de sala disse ser interessante a mulher não se "render" logo. É mais incitante "quero dar, mas não agora". Pensei. Ruminei. Avaliei. Calma.
Coca-cola zero choca, alguém aceita?
Vai um pastel de queijo murcho também.
Bom. Jogos... do tipo, o cara tá subindo a mão, na hora dos amassos, rumo às tetas e você faz um "ohhhh, não..." e, com as mãos, afasta o tato explorador de campo, porém doida para que lhe aperte os bicos? Se a mulé estiver interessada em algo a mais, então, é melhor fazer isso?
Dei uma golada no traçado.
Né mole impor-se não. Ainda mais quando o comum não é seguido. Quando você pinta sua buceta dentro do surrealismo... ou cubismo... ou outra escola de vanguarda qualquer. Menos barroco. Assim sou: decifra-me ou te devoro. E mando às favas tudo e qualquer gente/situação querendo me diminuir porque me imponho. E assumo. Entendo muitos na sua desconfiança e... e... falha-me o nome. Pé atrás? Sim... ficar sempre na defensiva. Compreendo bem isso.
Dei a mim, hoje, o direito de passar o dia inteiro de camisola, enterrada num colchão jogado no chão da sala. Claro, não poderia me esquecer do edredon. Desliguei-me de tudo. De almoço, até. Nada como uma caixa de nuggets-salva-vidas na geladeira. E um pacote de macarrão. Voilà. O almoço está na mesa. Melhor, na mão. Se quiser, há um pano de prato para servir de apoio e não queimar a mão. Se bem que, no caso, com tal menu, a comida não estaria tão quente.
Adoro desenhos. Se reparar bem, os de hoje em dia não são feitos tão somente para crianças. Meu pequeno adorou a estória dentro daquilo que a sua vivência permite. A minha me permitiu ver outras coisas. Havia um hamster preso num bola transparente... muito fã do protagonista em questão, resolveu, dentro da bolha mesmo, seguir seu ídolo, ajudando-o a cumprir a missão. A certa altura, no auge, ele saiu da prisão plástica e enfrenta, com os próprios punhos, o perigo surgido. Vence. Por conta do costume, volta à proteção esférica.
Saí da minha bolha craniana. Posso concordar contigo num ponto, caro colega. Experiência própria. Dei tanto para quem com a qual gostaria de ter algo. Assim como foi com alguém "de uma noite só" (mas sempre fiz questão de ir deixando bem claro ter ido não por conta de sua lábia - que tal conversarmos sós? Mais à vontade? - fui porque quis e gostaria de que a pessoa soubesse disso. Fora escolha minha. Aliás, diria mais da natureza...). Contudo, digo sem pestanejar: muito melhor quando se há afinidade... algum sentimento... alguma ligação... algum interesse futuro... alguma conectividade, sem trocadilhos à palavra.
Sim, caro colega. Quiçá, possa existir algo além do preferir ao jogo. Ou seja, o jogo se traduz na vontade de ver a moça, ou moço, mais outras tantas vezes. Pode ser. Contudo, como a lua, há outra face. Não ter feito jogo algum e ter se permitido não significa ausência de vontade posterior. Ou respeito. Ou... sei lá! Religião, futebol e sexo são assuntos complexos. Ao menos, com relação ao primeiro, já resolvi. Ele lá. Eu cá. E fiquemos um a rir do outro. Futebol, por mais que eu assista, não entra na minha pobre cabeça quando se dá o impedimento (talvez, nem juízes, a julgar pelos comentaristas). Sexo... a velha pergunta: dar ou não dar logo? Eis a questão.
Mas, se tudo indica que a pessoa aparecerá mais vezes...
Maldita maçã!
Mas, se tudo indica que a pessoa aparecerá mais vezes...
Maldita maçã!
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