
quinta-feira, 27 de março de 2008
Ai!

terça-feira, 25 de março de 2008
Alguém me acompanha na granola?
Maura momento capitalista selvagem.
Estava lendo: o melhor investimento está sendo em commodities.
Compraria, também, um bando de imóveis comerciais.
Daria um apê pra Ieda, pro meu irmão e pro meu pai.
Acho que não largaria o trabalho não. Talvez uma licença para tratar de assuntos particulares, de três anos, sem vencimento, pra poder viajar, viajar e viajar. Ilha de Páscoa, Macchu Picchu, Cuba, Nova York, Paris, Holanda...
Caridade? Não, não...
Acha-me uma pessoinha egoísta? Foda-se. Sou sim. Se eu não me amo primeiro, quem me amará?
E não me venha com a tal justiça divina por conta do que sou. Os meus defeitos regados e postos ao sol todo santo dia. Nem vou tocar no ponto da minha descrença. Se não acredito, como poderia temer? Tocarei na questão de que é interessante para poucos que muitos não cultivem desejos considerados nada cristãos dentro de si. A ambição. O egoísmo. A vontade de salvar o seu e ir adiante. Crescer. Evoluir. Entrar na briga.
Seleção natural. Maltus dando braço a Darwin. A população cresce em progressão geométrica, já a comida, em progressão aritmética. Os mais fortes sobrevivem.
Não foi eu quem disse.
Por conta do biocombustível, acredita-se que os alimentos terão um aumento significativo de preços, pois sua quantidade diminuirá no mercado. Um bom exemplo disso é o milho. Aliás, tem termos de commodity, foi dele a valorização maior.
O que uma simples aposta faz com a alma humana? Esta não sou eu.
Eu sou a que ganhou 11 milhões!!!
OBS: um plus ao papo: só acredito em coisas que me interessam. O que são desinteressantes, não perco tempo avaliando se existem ou não.
segunda-feira, 24 de março de 2008
É pra chutar?
Que fiz eu em vidas passadas, se é que elas existem? Devo ter sido uma pessoa mui má e o foda é que na próxima encarnação, se é que ela existe, tô duplamente lascada. Ou, melhor, varias vezes lascada. Não sei por quantas vezes precisei parar aqui para pagar alguma dívida anterior. Putaquepariu, que raio de lugar é este que vim parar? Pessoas feias. Pessoas ignorantes. Pessoas pobres. Pessoas burras. A cada saída minha, seja para ir ao supermercado, para levar filho à escola, para colocar o lixo na rua, um desespero cai sobre mim. Não há como escapar. Há? Sinto que acá estou amarrada. Ou seria comodismo meu? Preciso fomentar mais a revolta e tomar uma atitude. A revolta, se bem canalizada, é algo benéfico à alma, se é que ela existe. Conformismo é para os fracos. Um dia, retrucaram-me após ter dito que não compreendia como uma pessoa poderia ser feliz vivendo num buraco. Só porque a pessoa não tem muitas condições, ela, necessariamente, precisa ser infeliz?, perguntaram-me. Eu não seria. E digo com um certo conhecimento de causa, pois já roí a beira do pinico. Reformulo: pessoas conformadas, eis o mal. Aceitam de bom grado aquilo que lhes é mastigado. O sistema educacional está aos frangalhos? Ahhhh, cê viu quem saiu no último paredão? O hospital está sem médico? Pô, me acabei no créu!
As pessoas me irritam deverasmente.
Tic... tic... Bum!
Enrolei ao máximo na cama. Não estava a fim de me levantar. Cumprir o roteiro matinal: ligar computador - cozinha - quarto de novo. Com uma xícara de café na mão, cá me instalo e escrevo. Não estava pra bom dia. Responder como foi meu feriado. Opinar sobre o almoço. Não, não. Não estou disposta a travar conversa com ninguém. Lugar comum culpar a segunda-feira pelo meu mal-humor. Caso não tenha consciência, sim... eles nos jogam num ciclo vicioso para que não pensemos além. Também não é devido à tpm. Posso até concordar em variações hormonais e suas conseqüências, como peitos doloridos, dor nas pernas e por aí vai. Entretanto, continuo a achar que dedicar o azedume à tensão pré-menstrual é uma pusta frescurada. Reaja. Isso... reagir! Reaga, Maura, reaga! Voltando: não sei... Desde ontem, deu creck. Como Cristo, morri.
Pressão multiplicado por volume sobre temperatura: lei elementar da física. Estudo dos gases. Isto deve servir para ilustrar meu estado. Mantendo a temperatura constante, se você aumenta a pressão, o volume diminui proporcionalmente. O contrário acontece: aumentado o volume, a pressão decai. Bom, senti-me ontem como o arzinho dentro de uma seringa, com a extremidade vedada e o êmbolo sendo empurrado a todo vapor. Não me sentia carne, ossos e fluidos. Mas ar, ou algo semelhante... que exercia pressão sobre as "paredes", querendo explodir...
Putaquepariu!
domingo, 23 de março de 2008
Liberdaaaaade, liberdaaaade... abre as asas sobre nós!
Não gosto de chegar a este nível...
Vinde a mim as ilusões, religiões, convicções, paixões... Amor?
Criador e criatura... acredito, pois, que eu tenha amor... apesar de saber que, quando não mais aqui estiver, tudo continuará a seguir seu rumo. Acredito que amor deve ser assim: ele vem, se instala, cria raízes profundas, entretanto não impede que outros prossigam adiante. Quando dentro da ambulância, atordoada, não acreditando que pudesse estar ali, a dor que sentia e que me mantia acordada, o incômodo sentido ao abrir os olhos e nada enxergar, desesperei-me com a idéia de estar morrendo... meus filhos... como eles ficariam sem mim? Concluí que seria um choque sim... e de alguma forma, ficariam marcados, porém sobreviviriam... viveriam... Que talvez fosse eu quem mais sofresse com a idéia da minha morte e, com isso, a nossa separação que eles futuramente...
Certos livros não fazem bem a mim.
Pensar demais não é bom.
Vou dançar o créu.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Macaco sabido, roubou...

Dica para quem interessar possa sobre presente de aniversário (acho que Dia das Mães não caberia aqui): uma coleção de revistinhas do Carlos Zéfiro. Se aquecida está minha massa cinzenta, havia estorinhas dele impressas na Playboy. Com tal revista em mãos, eu passava pelas mulé pelada (dava uma olhada sim, afinal, o nu chama atenção), lia algum continho batido (todos são a mesma coisa. Acreditam que falar palavrinhas como bucetinha, pau, cu e por aí vai, já fazem o conto em si. Tá, tá... tais palavras podem até ser usadas no ato; porém no ato, há outros elementos envolvidos que completam. Nas estorinhas de sacanagem contadas pelos demais, já que nenhum outro sentido é tocado diretamente, tem que ser... Pulemos pra fora do parênteses)
Pronto. Bom, leitura legal sobre os prazeres da carne está no Kama Sutra - muitos só vêem as suas figuras - Anaïs Nin e por aí vai. É arte! Se é arte, o corpo responde ao estímulo, deixando-se mesclar à obra.
Yes, yes, yes, yeeeessssss!
Adonde estava eu? Oh, sim... na Playboy. Enfim, adorava ler os quadrinhos de Zéfiro. Folheando a Piauí, vi um anunciozinho sobre a sua coleção. Completa. Quarenta e cinco pilas. Pô! Com quarenta e cinco pilas dava pra comprar um tênis pro Ian... camiseta pro Gui... ou bermurda... ou cuequinhas... Oh, Jesus Christ, uma mãe não tem direito a uma sacanagenzinha?!?
O povo tem mania de enxergar a gente, mães, como santas... Voltamos a sermos virgens, até! Santa o caralho, meu nome é Zé Pequeno! Poooxa, quero ser o que minha carga genética definiu: humana. Com qualidade e defeitos cultivados a anos. Quero que meus moleques me enxerguem assim: uma mulher que os ama demais. Não hei de escrever no-novamente sobre meu interesse pelos defeitos. Já tirei a casquinha aqui sobre. Acho. Defeitos... nos singularizam. Humano. Demasiadamente humano. Interessante ser humano, apesar de muitas vezes, ele me dá no saco. Porém, mesmo me irritando, é fascinante.
Achei. Ainda está lá. Uma das poucas participações minhas em comunidades orkuteanas, rabisquei um texto e joguei-o à cova dos leões. Assunto que faz ponte com o que comecei a escrever aí em cima. Situando-o no tempo, eu acabara de retornar da licença-maternidade. Meu caçulinha era novo no pedaço. Ei-lo:
"Coragem, Maura!
Há alguns tópicos atrás, vi que uma jovem corajosa postou um texto de sua autoria. Então, vô entrar na roda também. Ah, sim... Não tão certa quanto à grafia do seu nome, mas Chrys, admiro por você ter dado o primeiro passo e eu estou acá copiando você. Oh, yes, e gostei do seu texto também! Ai, jisuis... lá vou eu!
Maternidade não rima com santidade
Preciso tomar cuidado com a minha boca. Ela, de vez em quando, revolta-se e, na sua revolução, trai a confiança do manda-chuva, o senhor cérebro. Não são todos os ouvidos, capazes de captar o que realmente quis eu dizer. Bactérias conseguiram invadir o corpinho do meu caçula. Estamos atravessando a primeira ziquizira dele. E num bebê de cinco meses, a coisa é bem estressante. Mas, güento firme. Afinal, foi pra isso que assinei o contrato. Well, não sei quanto as outras mães, mas eu não sou de ferro. Sou feita de carne, osso e algumas gordurinhas estrategicamente distribuídas pelo corpo. Essa semana foi pauleira, até sabermos o porquê da rebordosa e entramos para o maravilho mundo da alopatia. Eu amo antibióticos. Sigamos.Nesta semana, sou um monte de caquinhos colados porcamente. Como aquele bibelô que ficava em cima da mesa e num movimento qualquer, você o jogou ao chão. Com medo da reação materna, pegamos o primeiro superbonder, durepox, pelo-amor-de-deus algo que cole, e nos enfiamos na arte da restauração. Lógico que dá para sacar que o trem quebrou, porém nosso inconsciente-consciente fala que tá tudo certo! Nos livramos daquela bronca... Vortemos ao assunto! Estava eu a conversar sobre meu esgotamento físico e psíquico pela manhã e digo que, ao escutar meu pobre filho chorando pela milionésima vez à noite, tive vontade de jogá-lo contra a parede, virar pro lado e voltar a dormir. Você assustou também ao ler isso? Quem escutou ao vivo e na hora, sim! E isso me fez matutar...Quando viramos mãe; vem o bebê, vai a nossa identidade. "O que é você? Ah, sou mãe!" "Como você está? Ah, meus filhos estão ótimos!". Revestem-nos com o manto da santidade. Mãe é coisa sagrada. Sou santa o escambau! Amo demais meus filhos. É um amor que dói cá dentro. E com esse amor, vi que tal sentimento é o pior do mundo. Faz-me sofrer quando a minha paranóia catastrófica me assola. Vi que amor traz sofrimento. Quisera eu ser sozinha, não me preocupando com ninguém. Nem comigo mesma. Com filhos, passei a cuidar de mim. Que
Que será dos dois, sem moá? E eu que tava precisando tanto me perder nestes últimos dias! Porém, a maternidade não me curou da personalidade múltipla. Eu-mãe não é a mesma que eu-filha, que não é a mesma que eu-amiga, que não é a mesma que eu-namorada, eu-empregada, eu-safada... E todas querem a sua vez!Além do fato de ser mãe cansa pra burro. Às vezes, não é uma tarefa fácil, que se cumpra sempre com um sorrisinho nos lábios. A gente pensa besteira sim. Desabafa. Uma válvula de escape. Má, pera lá! Tem o seu lado legal, esse papel. Tudo vale a pena quando neguinho acorda com um baita sorrisão nos lábios, faz carinho nocê, dá beijos ou manda uma cartinha com um "Mãe, eu te amo!". Sei lá. Enquanto escrevo, analiso: vá ver temos um lado masoquista. Divagarei mais a fundo sobre o tema. Queria eu apenas desabafar o cansaço. Só isso! E ao círculo de e-mails de sacanagem, aceitem-me de volta, caso alguém da confraria leia meu texto. Pôxa, não tô recebendo mais as fotinhas de amadores! Eu tô viva!!!!!"
Ai, ai... acho interessante me ler depois de algum tempo. Parece ser outra pessoa... Além da minha dica sobre "todo mundo precisa duma maniazinha, loucurinha particular", há outra guardada para depois, "todo mundo precisa de rotina"... luto veementemente contra esta, porém reconheço que ela, de pouco em pouco e despercebidamente, se instala dentro da minha vida... sinto-me como ratinho de laboratório. Bom, mas bola da vez em termos de dica é: "todo mundo precisa conversar consigo mesmo". Esperando minha mãe resolver questões na boca do caixa e, depois, comprar revistas numa banca, um senhor passou por mim e pela minha irmã... estava conversando, sozinho. Sozinho, não. Corrijo-me: com ele mesmo. No fundo, todo mundo faz isso, porém poucos, como o senhor, tem coragem de fazê-lo em público e externamente. Eu o faço aqui. E tanto lá, no homem, quanto cá, comigo, há respostas. Tem respostas melhores que aquelas tiradas por você mesmo?
Respondo: não tem.
terça-feira, 11 de março de 2008
Gato de Schrödinger
Overhead the albatross hangs motionless upon the air
And deep beneath the rolling waves in labyrinths of coral caves
The echo of a distant tide comes willowing across the sand
And everything is green and submarine
And no one show us to the land
And no one knows the wheres or whys
But something stares and something tries
And starts to climb towards the light
Strangers passing in the street
By chance two separate glances meet
And I am you and what I see is me
And do I take you by the hand
And lead you through the land
And help me understand the best I can
And no one calls us to move on
And no one forces down our eyes
And no one speaks
And no one tries
And no one flies around the sun
Cloudless every day you fall upon my waking eyes
Inviting and inciting me to rise
And through the window in the wall comes streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning
And no one sings me lullabies
And no one makes me close my eyes
So I throw the windows wide
And call to you across the sky
Sentiu o barato? Tô sentindo até agora. Maura sai do corpo... toca o céu... mergulha terra adentro... bate papo com o Diabo... dá as costas pros céus... Pé em Deus e fé na tábua! Nããããooo... preste atenção, pô! "And I am you and what I see is me And do I take you by the hand And lead you through the land And help me understand the best I can"... Nada ainda? Não é possível que a insensibilidade reine diante da parte "And no one sings me lullabies... and no one makes me close my eys... So I throw the windows wide... and call to you across the sky" ? Voar.... minha vontade maior... voooooaarrrr... não poderia haver outra palavra para descrever o ato. Foram feitos uma para o outro... repare (novamente): vvvvvoooooaaaarrrrr.... Necas? Cada um tem um jacaré azul que o acompanha. Depende do seu estado se o vê ou não. Não conseguiu visualizar seu fiel companheiro? Ehhhhh... bancarei Sócrates e farei o parto de sua alma. Sem depender de nada e de ninguém, apenas de você mesmo. Conversemos.
Algumas coisas me tocam profundamente, e não estou me referindo sexualmente. Algumas músicas... algumas pinturas... algumas esculturas... algumas pessoas... alguns livros... algumas teses... E assim, vou indo. Joguei hoje acá o testamento de Beethoven. Senti-me próxima a ele. Muitas vezes, afastei-me de tudo e de todos por conta de algum creck interno. A virtude... ser bom é ser feliz. Ou ser feliz é ser bom. Sócrates acreditava nisso aí. O conhecimento leva a descobrir a bondade dentro de si mesmo. Nada é mais importante à alma que o conhecimento, que trás como bônus, a bondade aflorada. Sim, porque todos somos bons, basta resgatar isso aí de dentro.
Concordo com Sócrates? Bom, uso-o para responder: só sei que nada sei...
Ehhh... meio complicado separar o joio do trigo, ou seja, criar esta dicotomia entre o bom e o mau. Como no Gato de Shrödinger... o bichano tá morto e vivo dentro da caixa... dependendo do observador.
Por que o azedinho faz fechar os olhos?
Acho que não arrumarei namorado enquanto meus cabelos estiverem abaixo dos ombros. Oh, no! Nada relacionado à preferência masculina por longas madeixas... Quero variar um pouco! E quando arrumo alguém para me chamar de meu bem, naquelas oscilações naturais a qualquer namoro, cut-cut-cut... lá vai meu cabelinho chão afora no salão. Por que desconto neles? Por que mulher, quando tá maus, corta o cabelo?
"Ohhh... the future's uncertain and the end's always near"... Yeah!
Termino acá com Jim Morrison! E a lua não é de queijo! Mas as nuvens são de purê de batata!
Testamento de Heilingenstadt

Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: “Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo”. Perdoai-me se me vedes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava!
Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita o Teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz consola-se quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever a minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade.
Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se era vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei.
Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade."
Sede felizes!"
Helligenstadt, 6 de Outubro de 1802.
Ludwig van Beethoven.
Obtido em "http://pt.wikisource.org/wiki/Testamento_de_Heilingenstadt"
segunda-feira, 10 de março de 2008
Não quatro, mas vinte.

domingo, 9 de março de 2008
Sobrevivência
Outro equipamento essencial à sobrevivência é manter o Manual do Batman. Olha, esta dica era confidencial até o presente momento. São poucas as pessoas para as quais contei sobre o manual. Manual do Batman me acompanha desde os primórdios da minha adolescência. E sempre procuro mantê-lo atualizado. Não é só de física, literatura, matérias da faculdade, ciência, patatis e patatás culturais que alimento minha pobre alma. De besteiras e futilidades também. Ahhhh, creio que estas últimas são as mais importantes. Distraem-me. Fazem-me rir. E não pensar com profundidade sobre de onde viemos, para quê estamos aqui, para onde vamos. Ponha sua mão frente aos olhos. Repare minuciosamente. Não é esquisito? Não dá um tilt dentro de você? Da mão, passe ao ambiente... as pessoas... a rotina... as construções... os valores... carros... luta por dinheiro... É tudo muito louco! Cadê o porquê? Ok, ok... eu já li que é para passar os genes adiante... E isto é muito louco. Toda a correria para propagar a você mesmo e todos que vieram antes... mãe, pai, avós, bisavós... Tanta tecnologia e voltamos ao ponto zero: o instintivo. O mais forte sobrevive... O Manual do Batman me salva. Preciso completá-lo com informações tão encafifadoras quanto as que mencionei pouco atrás: por que eu arroto logo depois dum espirro?
Numa pesquisa com ratinhos, eles descobriram que a droga é potencializada ou não de acordo com a música. Deram aos tais mamíferos de laboratório, ecstasy. Um grupo, ficou num ambiente com música clássica... Outra parte, com música eletrônica. Os deste, tiveram algum revertério... ficaram mui elétricos... Os daquele, nada aconteceu. Manual do Batman, página 654.
Quando estou retornando do trabalho, estresse à flor-da-pele, e venho escutando algum som mais agitado, vamos assim dizer, bate-me uma vontade de ser o motorista do Carmagedon. Se a música é mais suave, dou passagem ao pobre que está ali, encalacrado no retorno... gentileza gera gentileza e isso salvará a humanidade...
Ahummmmmm...
sábado, 8 de março de 2008
Deep Throat
Aliás, não sou fã de ganhar flores não. Leia-se buquê. Flor morta. E não adianta me vir com vasinho com alguns exemplares vivos, pois não sei cuidar. O lance não é só sol, água, conversa... umas precisam de mais água, outras menos... Jardinagem é plano para a minha aposentadoria. Vou precisar ocupar minhas mãos com algo... elas são inquietas... acompanham a massa cinzenta fumegante aqui.
Geralmente eu releio o que escrevi... Sou muito contraditória: se estivesse eu, com esta cabeça, vivendo a tempos atrás, estava fudida! Pago minhas contas, assumo minhas besteiras (as mais íntimas até), dois filhos, solteira e nenhum problema quanto a isso. No fundo, orgulho muito de mim mesma. Minha familinha perfeita! Estou dando conta do recado. Porra, como sou forte! Não chego a ser um homem... mas sou uma mulher que toda mulher deveria ser: sem rosa!
Egocêntrica? Megalomaníaca? Narcisa? Oh, no, baby! Reconheço o meu valor sempre, sem precisar dum dia específico para que me reconheça...
Sou chata sim, concordo! Obrigada!
quinta-feira, 6 de março de 2008


Sete e pouco da manhã. Estou acá, sentada, frente ao computador, a tevê ligada num jornaleco local. Sempre a mesma coisa. Violência, hospital, reclamação. Sempre.Os pais de VanGogh deram a ele o mesmo nome do seu irmão já falecido à época do seu nascimento: Vincent VanGogh. O pobre menino sempre tropeçava na lápide com o seu nome inscrito. E ele cresceu. Não se mostrou muito são de cabeça. Cortou sua orelha. Deu um tiro no próprio estômago. Não alcançou, quando vivo, o reconhecimento merecido. Eu o admiro, VanGogh. E a humanidade é sim, deveras burra. Tento imaginar a sensação ao ver um túmulo com o seu nome, sem tirar nem pôr letras. Pessoas digerem diferentemente o que se passa ao seu redor. Uns, passam batido. Outros, sentem algo a mais numa cena corriqueira. Oh, não! Não tento eu me aproximar da genialidade em traduzir o mundo para a sua língua, de Vincent. Infelizmente, não chego a tanto. Talvez seja melhor assim. Isso mantém minha carioteca incólume. Mantém-me dentro do meu limite, mesmo que eu me debata dentro dele. Às vezes, os acontecimentos me tocam de uma outra forma. Uma mulher se arrastando debaixo do sol forte até chegar a algum lugar... o cara do carrão que parou ao meu lado, no sinal... a loucura que se instala nas pessoas em épocas como Natal... Páscoa... Acho tudo muito estranho e triste. E belo. A condição pura de ser humano. Tão diferentes. Tão iguais. Sinto-me como se não fosse feita de carne, ossos, fluidos; mas de sensações que se chocam feito elétrons... cargas iguais... força fraca que as mantém presas ao núcleo... qualquer energia recebida, faz algumas delas aflorarem...
Bão!
Certa vez, eu sonhei que estava num campo... e ventava fortemente... de repente, sinto meus pés saírem do chão... o vento querendo me levar e eu querendo ser levada por ele... minha pobre mãe se agarrava aos meus pés, desesperada, querendo evitar aquilo que eu e o sr. vento queríamos fazer... Tem certos sonhos que ficam marcados. Os meus são sombrios... escuros... sem cor. Freud explica? Não, não quero que explique. Desde pequena tenho disso: deixe-me que eu própria chegue as minhas conclusões. Às vezes, o resultado de tantas matutações chegam a mesma coisa já alcançada por algum pensador conhecido. Não me frustro por não ter sido a primeira a fincar a bandeira em território recém-descoberto. Sonhos... em alguns, alguma cor predomina dentre os tons de cinza, preto e branco. Costumo dizer que eles são ambientados em Gotham City. Eu me sinto bem neles. Talvez, sob R.E.M, eu entre em contato com o meu planeta.
Oh, céus! Hoje eu estou com a macaca. Perguntam-me se tais palavras me traduzem. Bom, sim. Tentei explicar, complicando, que acá sou eu e não sou. Como assim, cara-pálida? Well... iceberg. Permito pegar como exemplo o tal edifício de gelo, que deu cabo no Titanic. Há uma ponta que todo mundo vê (ou não, como o pobre Capitão do navio). Mas debaixo d'água há muita coisa. Para quem me vê, eu existo apenas sob a forma da ponta. A grande parte que não é vista, não existe. Logo, não sou eu. Como posso ser aquilo que não existe? Mas eu tenho ciência de que ela existe. E sei que sou eu. Sou a junção daquilo que sou, perante todo o povo, e daquilo que não sou, mas sou, porque eu sei que há.
E se quer "plus" à complicação, posso dizer que sou aquilo que não vêem (nada, nem a ponta) + aquela porção que vêem + o todo que eu vejo. Já cantei esta pedra, somos muitos dentro de um só.
Entenderam?
Ainda há vaga no Asilo Arkham?
Espero encontrar o Coringa por lá!
quarta-feira, 5 de março de 2008

Meleca! Acabo de deixar cair uma gota de café sobre a blusa... Ahhhh, café! Meu único e sadio vício! Sadio? Vício? Contradições, vá se acostumando a viver com elas sem dar tilt dentro da cachola. Tatuagem: não é legal se não doer! Quase chorei quando a maquininha deslizava sobre a minha costela. Sinto saudades! Prazer e dor estimulam a mesma área cerebral. Ou... posso estar errada... prazer e dor são conseqüências da mesma área cerebral quando estimulada. Bom, prazer e dor, mesmo campo de origem. Isso deu margem a interpretações sobre a minha pessoa... Terá eu perdido o controle da privacidade? Ah, foda-se! Aliás, fodam-se! Todo mundo... no mal (para quem merece) e no bom (para quem merece) sentido!
Realmente, algo foi acrescentado dentro de moá. Algo está em progresso... pena que quando eu estiver no clímax, o caminho coincide com o pico, daí é descidona. Meu contato com o mundo externo começou com a cabeça baixa e o cabelo sobre a cara. "- Ehhh, eu queria um envelope de aspirina por favor!". E o moço da farmácia, filho do Seu Silveira, que minhas tias tanto insistiam que ele estava olhando diferente para mim, ficava sem saber se a recíproca era verdadeira. Como eu tremia nas bases! Ainda tremo em determinadas situações... Porém, hoje, Dona Maura pechinchou! Eu, pechinchando??? "- Vem cá, se for à vista, tem desconto?". E levei a bota com um certo abatimento. Yes! Quero me testar mais!
Break on through! To the other side!
Não, não... não tenho medo da velhice. Não luto infrutiferamente contra o passar do tempo marcado sobre mim. Posso pensar em me submeter a uma plástica qualquer... afinal, tenho lá algumas vaidades que não chegam a ser doentias. É o tal de se sentir bem consigo mesmo, aliado a pusta preguiça de fazer os poucos reparos à base de exercícios físicos. Ahhh, minha caminha! Para me botar em movimento, teria eu que abandoná-la cedo. Bão, vou envelhecer mesmo. Não adianta eu passar a morar no 20º e tantos andar, pois o efeito da gravidade também está lá. Firme e forte. Bom, talvez se eu resolvesse virar astronauta... Em órbita, o tempo reflete menos que numa pessoa acá, com os pés fincados na crosta terrestre... Maura ficará velhinha. Só uma coisa me dá medo em relação ao tal fato: perder o raciocínio. Será eu xingada, à voz baixa, quando for pagar uma conta no caixa eletrônico? Putz! Eu não agüento... é uma morosidade... uma lentidão... nada de pá! pá! pá! Paguei! É tec.... tec... tec.... Uai? Não é falta de respeito não. Ou é. Foda-se! Pensando bem, vou cobrar dos moleques sim, por eu ter feito o diabo para criá-los e ter dado condições para enfrentar a selva: vão pagar minhas contas e retirar uma graninha pra mim lá no banco... além de me levar ao aeroporto, para que eu viaje pela 10ª vez no ano... E quando a cousa apertar... eu me desligar de vez do mundo, restando apenas a carcaça presente, podem, sem sentimentos de culpa, me colocar num asilo. Um asilo decente, pois minha pensão dá para pagar. Não é justo filho dar um pause em sua vida por conta de pai ou mãe que já precisam de cuidados maiores. Se quiser, podem ir me visitar...
A vida.
Tanta coisa por fazer antes de que meu organismo me aliene de mim mesmo...
Pá! Pá! Pá!
terça-feira, 4 de março de 2008
Uhuuuu!

segunda-feira, 3 de março de 2008
Diferente
