quarta-feira, 3 de junho de 2009

Baba

Quando estava eu prenha do meu último filhote, na sala de espera do médico, ficava a observar as fêmeas que me cercavam, escutando seus papos. Barriga pesada, não via a hora de parir logo, o marido que perdia a paciência, os enjôos... Matutava eu: nunca haveria de namorar um especialista em xoxotas. Além das reclamações comuns a quem passa por uma gravidez, ouvia declarações implícitas de uma certa paixão pelo doutor. Mulher é um bicho frágil, ainda mais passando por determinadas fases. O cara chega, todo gentil, parece entender dos seus problemas (os físicos, na verdade, mas que acabam andando de mãos dadas aos emocionais), conversa, sorri e ainda pega dos seus peitos de uma maneira tão gentil! Toca de leve, aperta os bicos... sem contar outro exame mais íntimo. Como ele consegue ser tão delicado ao introduzir aquela espátula até o colo do útero? Era tudo que a mizifinha pediu a Buda, naquele momento difícil e carente! Não, não. Não teria confiança o suficiente para agüentar o bando de mulherada apaixonada pelo meu quinhão.

Generalizar não é o meu negócio. Bem como foi gritado pelo megafone aqui, prezo pela individualidade, custe o que custar! Bão, mas, não sei se ouso dizer que todos, temos uma mania feladaputa de depositar no outro, a solução de quase (por vezes, todos) os problemas particulares. Um certo filósofo das antigas, dizia que a incapacidade de digerir os males mundanos e espirituais, leva o sicrano à loucura. Ou seja, ruminar o que se passa, finca nossos pés na realidade, sem sofrimentos maiores (sempre há de doer, mizifim... respirar, dói!). Não sei. Em algumas situações, sou, voluntariamente, trancafiada no meu mundico particular. Onde tudo é verde com bolinhas azuis e eu converso com as minhas pedrinhas. Elas sacam de mim. Assim, eu consigo me manter sã. Mas, porém, contudo e entretanto, em algumas situações, costumo fugir para alguém mesmo. E isso me faz esquecer um pouco de mim e de toda a bagagem que carrego na cacunda. Tomo da outra pessoa, as suas angústias, tentando resolvê-las. Afinal de contas, quem tá de fora não tem uma visão mais ampla? Assim, tenho pra mim um tempinho meio away... desvencilho-me das minhas balas feito o Neo... e, toc! toc! toc! Quem bate? Os seus fantasmas! Ok, vamos lá! Sou eu mesma, não dá para ficar fugindo. Que eu seja uma caça-fantasma!
Cadê meu aspirador de espectros?

Um comentário:

Mitras disse...

respirar, dói, iáiá, realmente, a gente passeia por aqui e ali, e desprevenidamente acha frases ue se somam a textos que nos agradam.
muito bom.