sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sigam-me os maus!

Ouvia muito sobre como eram os pais da menina. Aos olhos genitores, seu irmão menor, bem mais novo, merecia toda a atenção e carinho. Ainda me baseando em relatos ouvidos aqui em casa, ela era considerada problemática ao demonstrar desinteresse em freqüentar a missa. Ou querer passar a tarde papeando com minha irmã. Ou querer participar de um time melhor patrocinado de voleibol. Pais complicados. Pessoas que, não digo com certeza, pois como haveria de tê-la se nada é 100%?... pessoas que presumidamente não me veriam como alguém que pudesse acrescentar algo de positivo a sua cria. E, presumidamente, não me viram. O ponto de referência para análises conclusivas sobre minha pessoa é incompatível com aquele que tomo para minhas concepções e ações. Escolheram um péssimo momento para passar lá em casa, levando a mocinha para desejar feliz ano novo a sua amiga, que é minha irmã. Ainda dividindo meio-a-meio todas as despesas do lar, minha mãe havia viajado. Fiquei eu cuidando da patota num pré-teste a nossa atual vida. Incorporando adolescente que tenta enganar os pais, estava tomando uma coca-cola adulterada. Calça jeans velha transformada em short. Camiseta regata velha. Pezão no chão. O quê mais um ser-humano pode querer? Várias outras coisas, é certo. Porém, dadas as possíveis opções, eu estava feliz. E tonta.
Alguém vem me avisar que a menina chegou. Ok! Ela já veio outras vezes. A notícia, de primeiro, não me abalou em nada. Já é de casa. O complemento que me fez soltar um putaquepariu. Seus pais vieram também. Eu tô zonza. Eu tô descabelada. Eu tô... tô... Oi, prazer! (estarei eu com um certo bafinho?).
Depois da cena reveillonística, novamente através de comentários captados, a vinda da pobre moça a minha casa, para passar tempinho coçando o saco e tricotando com a minha irmã, não é livre de reprimenda, bronca, horário para voltar e vigília. Acredito ter a minha figura contribuído um pouco com isso. Como se fosse eu um perigo, ideologicamente falando, às boas meninas de família.
Que perigo ofereço eu? Minhas idéias são ruins? Sinceramente, se tivesse uma filha, gostaria que fosse como a mãe. Que cometa os mesmos erros! Que não tenha pena da mão e esmurre pontas de facas! Que não seja perfeita e conviva em paz com os seus defeitos, cultivando-os até. Pois, dependendo da situação, as mazelas da alma são poderosas armas. Pareço não ter moral? O que é moral? Por que cargas d'água tenho que seguir a dos outros se é algo tão pessoal? Sei lá... não me julgo ser uma péssima influência. Até mesmo porque, butiquim-namente falando, todas as influências são ruins a partir do momento que a pessoa influenciada não consegue ser ela mesma. Ahhhhhhhhhhhh... sei lá! Só sei que, bem, ao bem da verdade, cago e ando para quem me condena em seu julgamento particular sem conhecimento profundo da causa. Sinto pela menina, pois, para que possa ser liberada a assistir a um show, minha irmã foi até sua casa conversar com o pai, dizendo, para garantir o bom andar da carruagem noite adentro, que tudo estará ok pois eu vou levá-las ao tal evento. Fudeu!

Um comentário:

Anônimo disse...

Essa de julgar as pessoas pela roupa é fria!
Já ouviu aquela que um cara de chinelo de dedo no pé vai ao banco e é super mal tratado pelo balconista? No fim das contas, todo mundo descobre que o cara era um ricaço da cidade...
Fora que os padres católicos tão por aí, todos vestidos com suas lindas e longas batinas e assediando crianças e adolescentes.
Êh, mundinho porqueira, esse!!
Cheiiinho de gente que não tem moral nenhuma, mas que tem peito pra julgar os outros.
Vamos mandá-los todos à m...!
Bjos!