segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Batida em retirada


Já que o amigo não pôde me levar dentro da mala, ao menos ele me enviou fotos de lugares que, com certeza, eu visitaria em Paris. À tona, um ladinho meio bocó meu: emocionar-me por tocar, ver, imaginar que ali, no lugar onde eu estaria no momento, figuras célebres passaram por lá. Assim foi numa exposição cá nesta terra donde JK perdeu as botas. Um pedaço de coluna do palácio romano. "- Eiiiiita, imperador Fulano de Tal passou acá!". E a imagem do cidadão vem-me à mente, a sua toga, as sandálias, cercado por funcionários, amigos ou puxa-sacos, discutindo uma importante decisão a ser tomada. Perco-me na minha imaginação. Assim foi, também, com a foto, embora o frio na barriga não tenha vindo pois eu não estava tete-à-tete com a lápide. Seis anos depois, morria Simone. Terá ela sofrido muito com a partida de Sartre? Ou a idéia nua e crua da nossa existência nos tira um pouco a dor? Anos de nascimento tão próximos, assim como os de morte. Olhá só, nascimento, diferença de 3 anos (se a minha visão não me trair. Esqueci o óculos. Estou cegueta total!). Morte, 6. São múltiplos!!! Ohhhh! O que isso conta? Bom, não conta nada, mas nessa arte de decorar números de telefones porque não há caneta por perto, desenvolvi a técnica de achar alguma relação entre eles, facilitando a memorização. Néctar, distribuidora de bebidas, que entrega coca-cola geladinha em casa, mesmo na compra de uma somente: 3032-2005. 30, idade que eu tinha em 2005 (matei dois coelhos com uma machadada só). 32... 32... Bom, 32, idade que eu tinha quando decorei tal número. Pronto! 30 32 2005.
Encaixotando minha existência, encontrei uma cópia da certidão de nascimento do meu pai numa pasta de documentos. Não fazia a mínima idéia sobre os nomes dos meus bisavós paternos e maternos. Mesmo lendo, não os decobrei, exceto de um bisavô... que também me falta à memória se era por parte do pai ou da mãe... Mauro Santos. Então, minha graça não adveio diretamente do meu pai, mas do meu bisavô. E como terá sido essa figura? Faltam-me mais bases para imaginá-lo. Ou não! Imagino-o meio Maura-bisneta... meio Mauro-neto... Afinal, foi onde seus genes tocaram.
Caixas... mudança... fase nova. Ou, novo modo de olhar a fase. Sei lá! Só sei que eu não tinha a mínima idéia de tanta quinquilharia que carrego comigo!

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