- Me falaram que ontem o alarme ficou ligando-desligando-ligando-desligando sem que ninguém triscasse no controle. Cê pode dar uma olhadinha pra mim?
- Ok! Vou resetar, talvez resolva. Desligo a corrente elétrica, religando logo após. Você só vai precisar gravar as rádios novamente.
- Tá bom, então.
11h15, logo após ter visitado a sobrinha recém-nascida, enfio-me novamente no carro. Hora de labuta. Ponho o som... necas! Pede-me um código, o aparelho. Que raio de código é esse, penso. E lembro que, numa das raras vezes em que me entretenho com manuais e leio-os, o do rádio se referia ao tal código, fornecendo o maledito número. Ok! Vou sem música ou informação hoje. Estaria mais pra música, acordei com a Rita Lee nesta segunda-feira, vinte e dois de setembro de 2008. Há quinze dias, se a matemática não me trair, saboreio os 33.
De início, vir sem som algum para distrair meus neurônios, causou-me uma espécie de aflição. Estaria eu comigo mesma. Não haveria nada para desviar a atenção da Maura, fazendo com que ela não me reprovasse ou fizesse uma observação inconveniente como outras tantas milhares de vezes fez. Maura é meio má comigo e não me deixa rir pra platéia com a cara lambrecada de torta. Maura, por vezes, também é meio doidinha da cachola. Quer porque quer que eu leve safanões. Ou, que colida.
Colisões. Surge, obrigatoriamente, delas algo novo. A forma, ou essência, ou composição, inicial não é preservada, havendo uma liberação de energia e uma reorganização do espaço. Maura, fã de carteirinha da física, sopra aos meus ouvidos: bata! Bata! Bata! A vontade que tenho é acelerar o tanto que for e... crash! Ou, correr... correr... correr... e, de repente, dar com o corpo numa parede sólida. Preciso me reorganizar. Alterar-me. Partir-me em n pedaços e remontar.
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