domingo, 9 de março de 2008

Sobrevivência

Acredito que todo mundo tem que ter uma maniazinha. Uma loucurinha. Alguma coisa que o torne singular na vastidão deste grande bloco de massa cinzenta. Uma coisa que, dentro de si, você se torne único. Tá, pode ter outras pessoas que tenham as mesmas manias (alguém aí tira a espuma do sabão grudada na cerâmica do box do banheiro? Não??? Yes!!!) e isto pode balançar a sua singularidade. Mas poucos saem por aí, jogando ao ventilador, suas particularidades (poucos, como eu, o fazem). O que os ouvidos não captam, o coração não sente. Você continua sendo um, numeral. Ou o, artigo definido. Se por azar, você descobriu que o colega de seção tem a mesma coisa de doido que tu, leve em consideração as causas. Não é possível que até elas sejam idênticas. Eu tenho a mania de endireitar os tapetes colocados na porta de entrada porque... porque... nem eu sei ao certo (ótimo, assim não corro o risco mesmo de alguém que pense igual estragar o meu barato)... talvez para que eu enxergue tudo andando corretamente ao meu redor... ou porque uma vozinha vem ao meu ouvido e faz premonições horrorozas caso eu não conserte o tapete... tipo "se você não o endireitar, vai acontecer um acidente". Opa! Será que deixei algum tapete torto na manhã do dia 26/08/2007?

Outro equipamento essencial à sobrevivência é manter o Manual do Batman. Olha, esta dica era confidencial até o presente momento. São poucas as pessoas para as quais contei sobre o manual. Manual do Batman me acompanha desde os primórdios da minha adolescência. E sempre procuro mantê-lo atualizado. Não é só de física, literatura, matérias da faculdade, ciência, patatis e patatás culturais que alimento minha pobre alma. De besteiras e futilidades também. Ahhhh, creio que estas últimas são as mais importantes. Distraem-me. Fazem-me rir. E não pensar com profundidade sobre de onde viemos, para quê estamos aqui, para onde vamos. Ponha sua mão frente aos olhos. Repare minuciosamente. Não é esquisito? Não dá um tilt dentro de você? Da mão, passe ao ambiente... as pessoas... a rotina... as construções... os valores... carros... luta por dinheiro... É tudo muito louco! Cadê o porquê? Ok, ok... eu já li que é para passar os genes adiante... E isto é muito louco. Toda a correria para propagar a você mesmo e todos que vieram antes... mãe, pai, avós, bisavós... Tanta tecnologia e voltamos ao ponto zero: o instintivo. O mais forte sobrevive... O Manual do Batman me salva. Preciso completá-lo com informações tão encafifadoras quanto as que mencionei pouco atrás: por que eu arroto logo depois dum espirro?

Numa pesquisa com ratinhos, eles descobriram que a droga é potencializada ou não de acordo com a música. Deram aos tais mamíferos de laboratório, ecstasy. Um grupo, ficou num ambiente com música clássica... Outra parte, com música eletrônica. Os deste, tiveram algum revertério... ficaram mui elétricos... Os daquele, nada aconteceu. Manual do Batman, página 654.

Quando estou retornando do trabalho, estresse à flor-da-pele, e venho escutando algum som mais agitado, vamos assim dizer, bate-me uma vontade de ser o motorista do Carmagedon. Se a música é mais suave, dou passagem ao pobre que está ali, encalacrado no retorno... gentileza gera gentileza e isso salvará a humanidade...

Ahummmmmm...

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