
Talvez, não uma só coisa, ou outras poucas dela, tão igualmente grandes e notáveis, nos definam. Os pequenos pedaços. Eu nunca prestei atenção neles. Pode ter sido ao extenso conjunto deles. Deu-me preguiça de analisá-los. Entretante, esses sim, são os que me desenham e, se der uma olhadinha aos que já estão sendo julgados no pretérito perfeito do indicativo, é possível ver-me no futuro do presente.
Como não prestei atenção ao sagrado café com leite tomado assim que chegava da escola? Era batata: ao meio-dia e pouco, entrava sala adentro, guiava-me à cozinha, pegava um copo de requeijão escalonado, após o consumo total de seu conteúdo original, para outra função, abria a geladeira, pegava o leite frio, pegava a garrafa térmica, completava o volume com café quente. Eis a Maura!
Para que me enfiar numa terapia se as respostas estão dentro de mim? Basta me chafurdar. E pra isso, é necessário que algo doa. Não é papo de masoquista não, embora eu admita alguns traços em mim de Leopold von Sacher Masoch. Doer é necessário. Perdoa-me se estou fazendo chover no molhado. Se já está com o bolo pronto e eu ainda estou levando a farinha. A dor sempre me instigou, por isso é pauta constante de minhas matutações. E, por causa disso, vira-e-mexe, bato na mesma tecla. Dor. Lembro dos castigos divinos. Prometeu e suas vísceras devoradas diariamente por uma águia. As Danaides e o seu poço sem fundo. A dor de Cristo... e por aí, vai. Dor. Dor, então, é educativo. Faz-nos lembrar dos erros cometidos. E enquanto está doendo, a ferida aberta, somos obrigados a enxergar donde o angu começou a encaroçar. Não incomodando mais, guarda-se alguma fatia para casos futuros.
Muito lógico. Tão evidente que se torna tão vergonhoso quanto jogar acá a grande descoberta: para toda ação, ecziste uma reação.
Dor.
Café com leite.
Eu.
Há uma linha que liga dois opostos. Para alguns, essa linha é longa. Sabem, sem confusão alguma, em qual parte se situar. O quente e o frio são como água e óleo. Não se misturam. É fácil e reconfortante distinguir. A outros, aí eu me incluo, a distância entre dois extremos quase não há. Penso acreditar em algo, porém o contra-algo toca meu braço e já não sei se o primeiro é tão convincente assim. Então, avalio eu que os dois podem viver harmoniosamente juntos. Cada um dando o seu pitaco, sem que confusão alguma se crie e desenvolva entre os sulcos da minha massa cinzenta. É uma questão de costume. Ou, resignação.
Não é tão fácil assim, cara-corada! Um pé no quente e a mão no frio e o meu cérebro no meio. E isso, dói. Doendo, lembro-me da causa. A causa, sou eu. Devia eu tentar o impossível (que muitas vezes, é possível sim), fugir de mim, escapando da sensação dolorosa. Porém, a inquietude faz-me com que eu mergulhe ainda mais dentro das minhas contradições. Expondo-me nua e cruamente a mim mesma. Perdendo-me dentro de mim para que, enfim, eu me encontre.
Não procuro fugir dela, a tal dor. Eu a procuro insistentemente para que eu possa me enxergar e saber o que faço de mim.
Como não prestei atenção ao sagrado café com leite tomado assim que chegava da escola? Era batata: ao meio-dia e pouco, entrava sala adentro, guiava-me à cozinha, pegava um copo de requeijão escalonado, após o consumo total de seu conteúdo original, para outra função, abria a geladeira, pegava o leite frio, pegava a garrafa térmica, completava o volume com café quente. Eis a Maura!
Para que me enfiar numa terapia se as respostas estão dentro de mim? Basta me chafurdar. E pra isso, é necessário que algo doa. Não é papo de masoquista não, embora eu admita alguns traços em mim de Leopold von Sacher Masoch. Doer é necessário. Perdoa-me se estou fazendo chover no molhado. Se já está com o bolo pronto e eu ainda estou levando a farinha. A dor sempre me instigou, por isso é pauta constante de minhas matutações. E, por causa disso, vira-e-mexe, bato na mesma tecla. Dor. Lembro dos castigos divinos. Prometeu e suas vísceras devoradas diariamente por uma águia. As Danaides e o seu poço sem fundo. A dor de Cristo... e por aí, vai. Dor. Dor, então, é educativo. Faz-nos lembrar dos erros cometidos. E enquanto está doendo, a ferida aberta, somos obrigados a enxergar donde o angu começou a encaroçar. Não incomodando mais, guarda-se alguma fatia para casos futuros.
Muito lógico. Tão evidente que se torna tão vergonhoso quanto jogar acá a grande descoberta: para toda ação, ecziste uma reação.
Dor.
Café com leite.
Eu.
Há uma linha que liga dois opostos. Para alguns, essa linha é longa. Sabem, sem confusão alguma, em qual parte se situar. O quente e o frio são como água e óleo. Não se misturam. É fácil e reconfortante distinguir. A outros, aí eu me incluo, a distância entre dois extremos quase não há. Penso acreditar em algo, porém o contra-algo toca meu braço e já não sei se o primeiro é tão convincente assim. Então, avalio eu que os dois podem viver harmoniosamente juntos. Cada um dando o seu pitaco, sem que confusão alguma se crie e desenvolva entre os sulcos da minha massa cinzenta. É uma questão de costume. Ou, resignação.
Não é tão fácil assim, cara-corada! Um pé no quente e a mão no frio e o meu cérebro no meio. E isso, dói. Doendo, lembro-me da causa. A causa, sou eu. Devia eu tentar o impossível (que muitas vezes, é possível sim), fugir de mim, escapando da sensação dolorosa. Porém, a inquietude faz-me com que eu mergulhe ainda mais dentro das minhas contradições. Expondo-me nua e cruamente a mim mesma. Perdendo-me dentro de mim para que, enfim, eu me encontre.
Não procuro fugir dela, a tal dor. Eu a procuro insistentemente para que eu possa me enxergar e saber o que faço de mim.
Um comentário:
A dor sempre presente no seu blog. E eu gosto desses posts. No meu caso, o egoísmo que está sempre presente. Adoro pensar nele.
E adoro opostos também. Como se encontram, se tocam. No fim, é tudo uma questão de quem vê. Nada é tão errado ou tão certo assim. Nem tão esquerdo nem tão direito. Mas o que pensamos torna as coisas assim e dependendo de quem pensa, a linha entre um e outro é maior ou menor.
Quanto tempo não comentava no seu blog, Jésuis!! :P
Bjukas dona Maura.
E ótima a imagem do post.
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