quinta-feira, 15 de julho de 2010

Polvo careca

Aqui, denuncio a minha tenra idade: a primeira faz tchan. A segunda, tchun. E tchantchantchaaannnn! Após um trabalho difícil... nada ecológico, conotativamente ou denotativa, já que muitos minutos debaixo da água quente foram utilizados, entre o momento da reflexão e ação... Enxerguei-a. Logicamente, a metade do ciclo vital já percorrido imprimiu sua marca. Nela. E aos meus olhos.
Fiquei no carro enquanto alguém resolveria alguma coisa em alguma barraquinha. Feira da Torre de Tv. Quem foi criança nesta terra donde JK perdeu as botas, há de localizar e entender. Àquele, a sorte de ter nascido e se criado longe deste Planalto Central (desculpem-me os amantes de Brasília, mas nada vejo de atrativo aqui. Podem esfregar meus olhos em um rol extenso de qualidades puxadas às duras penas, mas aqui não hei de espalhar minhas cinzas), tente imaginar uma torre enorme. Ferros e parafusos tocando o céu. Era assim para a criança. Dentro do carro, olhando para cima, tinha a sensação de que ela, tão grande, estaria prestes a cair sobre várias cabeças. Anos... décadas... se passaram. Subi ao almirante, esperando um friozinho na barriga. Vertigem. O mundo ao seus pés. Nada.
Nada além da constatação de que, agora, o tão esperado arrepio e medo de encostar na grade, perderam-se. Donde eu os perdi? Quem me fez perdê-los? Ser adulto é isso? Perder a pança gelada... o tremor... ? Isso me aguçava. Corrigindo o tempo verbal, aguça-me ainda. Sentir-me instigada pelo o que está por vir.
Quis ver como estava. Depois de tanto tempo, tenha lá o meu receio de não mais reconhecê-la. Acompanhamos cada uma o crescimento (por que não chamar desenvolvimento) da outra. Mantinhamos uma certa distância, apesar de estarmos unidas. E, apesar, de novo, o agir de uma influenciasse a ação da outra. Por muito tempo, achei ter sido eu meio déspota, impondo-lhe um pensar racional. Tal pensamento, foi logo embora. Ela expressa perfeitamente a natureza, submissa aos seus instintos. Não é preciso haver luta, necessariamente. Instinto x racional. Um completa o outro. Não há antagonismos, tampouco em um, há a obrigação de suplantar o outro.
Cresci. Ao menos, cronologicamente. Ainda tinha guardada numa das gavetas da cachola, a imagem pura e imaculada. Como não poderia deixar de ser, a contagem regressiva do tempo também llhe imprimiu marcas próprias do avanço.
Não é mais como antes. A sua aparência me transmite uma fome. Vontade de engolir o mundo. Uma expressão de um outro eu. Outra sensação...
De posse dela, ela me dá frio na espinha.

Um comentário:

Dmitri Tsirbala disse...

o problema de se tornar adulto são as contas a pagar. céus, da vontade de ser criança novamente. o problema de brasília é a água. bebeu, fodeu. não dá para sair mais dessa ilha. eu já tentei duas vezes e acabei voltando em todas elas.