Vem cá! A palavra desavermelhar ecziste? Soltei essa ontem, no melhor estilo mineirês, e a minha ouvinte achou graça do meu manejo da língua pátria. Fiquei encafifada. Falei errado eu? Essa minha mania de inventar palavras aliada a minha característica de ter o pensamento mais rápido que a fala deixam-me em maus lençóis. Trupico ao soltar as palavras ao vento. Sim, trupico. Não tropeço, trupico mesmo.
Ontem, enquanto as aguias estavam espetadas no meu pobre pé torcido (aguuuuuias, não águias), em um dos poucos momentos relax da minha pacata vida terrestre, veio-me uma constatação. Eureka! Sente aí. Veja se não estou certa. Tá... tá... pode haver uma ou outra contestação ao meu momento filosófico brilhante. Se, por acaso, algum outro notório já havia sacado a grande sacada, por favor, deixe-me ignorante a esse fato. Permita-me iludir a mim mesma ter sido moá fantástica ao chegar a tal ponto, fazendo-me acreditar no potencial desta pessoa que vos digita. Vai uma chávena de café? Vamos lá!
Passado. Passado não existe mais. Até aí, tudo óbvio, não? Futuro. Futuro não existe ainda. Pare! Não existe mais... não existe ainda... Pegou? Não existem!!! Não me importam o mais e o ainda, mas o produto da intersecção dos dois tempos: não existem. E por que cargas d'águas me encasqueto (eu e muitos outros) com eles? Por que me tiram horas preciosas de sono? Por que me criam cá dentro do peito uma ansiedade angustiante? É como se eu tivesse medo de olhar debaixo da cama, no meio da madrugada, e me deparar, fuça-a-fuça, com um jacaré. Que eu deixe a vida me sugar um dia de cada vez, na melhor política dos grupos anônimos por aí. Um dia de cada vez... Só por hoje... Isso! Só por hoje, não vou matutar sobre o passado tampouco sobre o futuro. Farei o melhor, talvez o pior também, a cada 24 horas que me são apresentadas. E assim, meu futuro vai se revelando a mim aos poucos como uma moça, em busca de alguns grandes trocados, na boate Queens. Primeiro, as luvas. Uma rebolada. As meias. Mais uma rebolada. O primeiro colchete do "seu tião". Tchá... tchará... tcharááá... Após mais algumas encenações, pimba! Os dias nus e crus reservados a mim, mostram-se por inteiro.
Viva eu o presente!
Outra matutação e aqui faço explícito o meu equívoco. Não, não. Não é, a grande maioria, vazia como enxergava eu. Grande parte das pessoas são cheias. Repletas de afazeres, diversões e pensamentos que as fazem esquecerem de si mesmas. Vazia sou eu. O que me obriga a lutar, dia-a-dia, no ringue, comigo própria.
Soc! Tóin! Crash! Powwwww!
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