quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sapos e pererecas

Que eu sou uma pessoa contraditória e ambígua (entenda isso em vários sentidos), isso já foi jogado várias vezes ao ventilador acá. Não pretenda enxergar em mim uma pessoa decidida e firme em seus ideais. Eles dançam conforme a maré. O que há dentro de mim que me faz deslizar entre dois opostos? Talvez o resultado do choque me chame atenção. Ou, sou uma pessoa viciada em turbilhões, que embora me façam fechar-me em mim, presa dentro desta carcaça por algum tempo, eles me põem em movimento. "Reaga, Maura, reaga!". E assim, vou inspirando e expirando.
Que eu tenho um sério problema com a humanidade, também é fato mais que esfregado na cara voluntária ou involuntariamente. A multidão me cansa, embora goste de observá-la, inserindo-me dentro dela. Eis uns dos motivos do meu desejo latente (e, espero, daqui a pouco realizado) de me esconder em Sum Paulo.
Que eu sinto um tédio tecnológico quando acesso o orkut e não sei por que cargas d'água fiz uma conta no twitter já foi falado a tantos outros ouvidos. Por que eu os tenho se nada, nadica, me acrescentam? Talvez, fonte de material humano. Xereto e analiso mesmo, como muitos devem fazer comigo (tenho uma curiosidade quanto a essas análises sobre moá). Mas, cá matuto...
Controlo meu impulso de fazer uma conta no tal facebook. Já sei de antemão que será tão chato quanto os outros dois (aliás, se não me falha a memória, não são somente dois... acho que tenho perdidos nessa rede, um myspace e um lastfm... esqueci as senhas). Porém, tenho lá minha vontade. E fico ruminando quais seriam os motivos que levam tantos a se inscreverem num mar sem fim de sites de relacionamento. Necessidade de se verem cercados de gente, mesmo virtualmente? Ou se destacar dentre vários tijolos no muro (escutei muito Pink Floyd quando criança)? Hey, hey... estoy acá! Alguém me veja por favor!
Estar mergulhado e ser um. Não apenas um, mas o um. Tarefa hercúlea.
Às vezes, tanto virtual quanto fisicamente, cerca-se de pessoas é meio... meio... meio opressor. A obrigação de estar sempre à vista... ou de estar bem, para que outros não te enxerguem como um chato de galocha e afastem... estar sempre à mão... não conseguir se ver só. Eu sou só, mas cercada. E, assumo, gosto de estar assim. Rodeada de gente que sabe da minha chatura à flor-da-pele, dos meus enclausuramentos repentinos, e não se importam com isso. Continuam me cercando e que assim permaneçam. Eu também os cerco.
Só, igual à um. O tal "o" um.
Opa! Que ser isso? Última tendência fashion? Peraí... essa camisa tá meio estranha... os braços não saem para fora das mangas? Hã... o jeito de vesti-la é cruzando os braços na frente? Hummm... peraí... por que estão amarrando as mangas aí atrás? Uai... amarrar, eu gosto... mas isso tá meio esquisito aí... Hey!!!!
Opa, café pronto! Puta merda! Como é bom esse líquido preto fumegante escorrendo garganta abaixo! Chego à conclusão que toda necessidade satisfeita há sua recompensa: o prazer. Sim, café é necessidade para mim (e veneno para meu estômago gastritenicamente atacado). Gozo a cada golada. Comer... cagar... mijar... trepar... dormir... até mesmo respirar... Vá me dizer que não é muito bom o alívio sentido quando matamos a "sede"?
Bom... vestida com pele de tigre, pegarei minha clava e sairei batendo nos cocurutos pela rua. Quem me interessar, levo para casa.
Má rapá! Num blog de uma grande amiga minha, deparei-me com outra descrição desta pessoa que vos digita. Eis o link: http://igrejadoodio.blogspot.com/2009/05/o-homem-odio-por-felipe-aka-comediante.html
Daqui a pouco, volto!

Um comentário:

Anônimo disse...

Não se incomode em ser uma pessoa contraditaria e ambígua, querida Maura, 99% da humanidade é. Embora saiba que sua reflexão é fruto da sua acurada auto-análise, fica aqui meu pitaco. Como já dizia o filósofo, “convicções são cárceres”. Na verdade, continuo fã do seu lado virginiano/INTJ. É difícil encontrar uma indie bonita e gente boa como você. Sim, a humanidade é um porre, mas se esconder em São Paulo pra fugir das massas? rsrs... Também acho desnecessário me cadastrar em tudo que é site de relacionamento. Talvez eu tenha um perfil no orkut pra interagir um pouco e me manter informado. Contudo, logo logo estou apagando-o. Já conheci os balzaquianos, os solteiros e solteiros do DF, os vegetarianos do DF, os góticos, os rappeleiros. Tá bom. O motivo de tal demanda interativa na população? Bem, talvez seja vazio existencial, tédio, incapacidade de se concentrar em alguma coisa, complexo de celebridade, solidão. Cada um sabe onde o calo aperta. Também adoro café, mas até eu que não tenho problema de gastrite ou úlcera, sofro com as conseqüências. Então parei. Que aquele cheirinho de café é bom, isso é. Aquela energia... Mas troquei pelo pó de guaraná. Desejo tudo de bom pra você na sua viagem, amiga. Sucesso pra você! Fica registrado aqui o carinho do seu amigo que te admira, seja pela sua inteligência, senso crítico, bom gosto musical e literário, o jeito irreverente (diante de todos os desafios), a responsabilidade, a beleza, seja por outras cositas mais. Beijão! Guilherme Souza