
Sabe duma cousa? Sou uma hiena. Malhada. Com um grande clitóris que mede 20 cm. Por vezes, pensam que sou macho. Mas, no fundo, sou fêmea. Com um clitóris. Grande. Tal qual um cacete, sem levarmos em conta as medidas particulares de cada XY. Anos e anos procurando uma definição a minha pessoa.
Nada mulherzinha. Atraída pelo sexo masculino. Gosto de ter nascido XX. E, sinceramente, na próxima encarnação - essa vida não foi o suficiente para ter aprendido porra nenhuma - que eu venha munida de uma buceta. Não invejo o falo com suas supostas facilidades vindas de brinde pelo fato de tê-lo. Ok, ao homem é dada a vantagem de comer e ser comido. A mim, só resta a última opção. Não posso sentir como é estar dentro de alguém. Mesmo adquirindo uma daquelas cintas vendidas na sexshop.
Taí, corrijo-me. Talvez a única coisa proporcionada ao homem e, naturalmente, vedada a mim, a qual gostaria de sentir, fazendo-me querer, só por um instante - instante, não. Por algumas horas, melhor - é isso: estar dentro de uma outra pessoa. Como será a sensação proporcionada pelo canal vaginal ou pelo reto? Nãããoooo... sexo não combina com termos científicos. Reformulemos: como será a sensação de ter o pau, em toda sua extensão, fincado numa buceta ou em um cu? Eu tenho os dedos, que poderiam me dar uma noção. Sinceramente, um pequena noção. Talvez nada.
Certa vez, fui chamada de machista por dizer que elogiar deveras a raça masculina. Oh, no! Longe disso. Tampouco, feminista. Gosto de ser mulher, admirando muito o sexo masculino. Não pretendo, assim, usurpar papel algum. Acho que a mulher tem uma tendência feladaputa em ser chata. Mesmo aquelas que se encontrem na mesma situação que moá - dotadas de uma excrescência carnuda e eréctil na parte anterior e superior da vulva caralhamente desenvolvida - por vezes, o par de cromossomos característico dá o seu berro de existência.
Daí, é só lamberem o clitóris, para que ele fique duro, vindo à tona o tipo de mulher que sou: hiena malhada.
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