terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ahhh, não sei!

Num livrinho de psicologia da Dona Rita, há um teste sobre personalidade. Aliás, a obra aborda características essencialmente femininas e masculinas. Como se isso ajudasse em alguma coisa para desvendar o que a diaba quer! Ou o diabo! Fi-lo. Respondi com toda a sinceridade que me fosse possível. Sem querer me encaixar naquele perfil que eu acho mais legal. Sim, pois através das perguntas e respectivas opções para respondê-las, dá para se ter uma idéia qual seria o perfil correspondente. Se o meu ego tá pedindo para que eu seja uma sexy fatal, respondo na lata que, se a noite pedisse, amarraria meu parceiro com fitas vermelhas e testaria seu paladar com o meu corpo (uiá!); se o momento pede que eu seja introspectiva intelectual, marco que o meu programa predileto é ficar quieta em casa, num dia chuvoso, acompanhada pelos meus livros. Definitivamente, tais testes não me ajudam a montar minha personalidade. Ou, sim, ajudam sim: não há o que montar, pois ela não ecziste!
Ao livro de mamãe. "-Maura, faça aí! Mas responde honestamente!". Ok. Feito o somatório dos pontos atribuídos às opções escolhidas, localizando o total no gráfico, descubro-me homem. Ou seja, a marca alcançada por mim me coloca numa área masculinizada intelectualmente. Penso feito homem. Com isso, posso concordar... explica algumas coisas. No gráfico, quem se diz hetero pertencendo à tal região, um dia sairá do armário. Há também a zona do "vou-não-vou", aquelas situações indefinidas, nem-isso-nem-aquilo. E há também a zona super rosa. Mulheres tatibitati... que vestem a fantasia e saem por aí colando adesivos de Meninas Superpoderosas, ou Penelope Charmosa, ou Betty Boop, ou gatinha no carro.
Well, expressões externas do meu gênio podem encaixar no jeitinho macho de ser, como já anuí. Porém... olha só... Admiro muito o homem. Tanto que não poderia evitá-lo, querendo me relacionar com uma outra mulher. Deve ser necessária muita paciência para se ter uma companheira. Bão, desde que saiba escolher... Eu, por exemplo, sou a perfeição-imperfeita em pessoa. Não digo ideal, pois se assim me autoproclamasse, teria que admitir minha inexistência.
Definitivamente, não sou homo. Eu gosto de meninos.
Por que lembrei do livro? Não, não foi por conta de uma luta no gel com outra mulher não... Foi diante a minha falta de tato para se montar uma casa. Saio rumo às Americanas para comprar alguns apetrechos... Putz! Que cor? O que falta? Ah, panela é panela... Tantas opões e minha única vontade é pegar a primeira coisa, olhando se é a mais em conta... Roupa de cama? Precisa? Toalhas? Pano de prato? Toalha de rosto? Baldinho e rodinho pra pia? Ahhhhhhhhh! Estou me sentindo torturada em fazer tais compras. Não sei. Pra decorar a sala fica esquisito não seguir alguma linha? Combina cartaz de filme com almofadas coloridas? Ah, não! Mesmo que não combine, estará lá, na parede, meu pôster recém adquirido. O Curinga. Comprei outros 2. Aí, sim, senti uma alegria tremenda em encontrá-los.
Fogão? Ahhhh... não seria mais útil uma baita televisão para assistir filme e jogar videogame? Eu vi uma... Eu quero! Eu quero! É outra coisa! Mente sã em corpo são. Alivio a tensão jogando... não como, pois não há fogão... permaneço magra...
- Maura Luiza, você troca este fogão autolimpante, com acendimento automático, quatro bocas, por esta televisão de plasma, 42' mais playstation com dois joysticks?
- Sim, siiimmmmm!
Raios de idade adulta. A gente acaba escolhendo aquilo que não corresponde muito com o querer. Aqui não se aplica a liberdade dos testes psicológicos: ser quem quer ser.
Olha só, veio-me ao fim do texto. Quer saber? Que vão à merda os estereótipos! Mania mais irritante dos humanos em classificar. E coisa irritante também julgar. Grudem seus adesivos oncinhapintadazebrinhalistradacoelhinhopeludovãosefuder... Gosta? Então tá valendo! Que saco!
Só que ainda não dá pra fazer a troca. Estou atada à realidade através dos meus bambinos. Fica pra próxima, Sílvio!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Minha mãe me falou que eu preciso casar...


... pois eu já fiquei mocinhaaaaa... Procurei um alguém que me dissesse meu bem...


Nossas fases são marcadas por fases passadas pela vagina? Primeira menstruação? Virou mocinha agora. Primeira trepa? Agora é mulher (também, dependendo do gosto, cachorra, piranha, vagabunda... vai! vai! vai! Bão, isso aí costuma não ser de primeira não. Leva um certo tempinho). Tá jararaca? TPM (ok, isso aí é alteração hormonal, mas está intimamente relacionada à Ela. Sim, com e maiúsculo.). Não se interessa mais pela cousa ou, fazendo acá uma homenagem à Adelaide, a moça que trabalha na copa, que me veio com mais uma expressão a ser incorporada no meu dialeto, aposentou o facão? Menopausa (a não ser que se faça reposição hormonal... mais uma vez, a questão aqui são hormônios, mas tá ligado ao assunto).
Dou o meu braço a torcer! Acho até que já o dei por estas bandas acá, TPM ecziste! Estou sentindo o trem burbulhar cá dentro. Ao menos, a minha vontade de aniquilação não recai sobre outras pessoas. Recai sobre mim mesma. Fase dura. Aponto sem dó nem piedade meus defeitos, como se pudessem ser suprimidos e eu passaria a ser perfeita. Pô, não sou! E cá entre nós, Maura, também não estou a fim de ser, embora possa concordar com você sobre alguns pontos. Ahhhhhhhhhhhhh! Coisa mais clichê! Tpm... humpft!
Mas tô com a macaca!
Cheiro de merda. Vamos a ele?
Tô precisando sentir. Sim, claro, todo o dia (sou um reloginho), sento-me e contemplo meu reino, ou fico a bolar ações estratégicas para defendê-lo, porém, como já havia dito, desse modo não há sinal algum por trás (sob um determinado ângulo, há sim; porém estou me referindo a um fato que nos leva a crer em acontecimentos, bons ou maus, futuros). É preciso ser assim, PÁ! Estou andando na rua e, de repente, passa por mim o cheiro da merda. Também não vale se pisou na caca de cachorro (caso eu fosse louca de criar um, sempre carregaria uma pazinha e saquinho de lixo. Não imporia a ninguém a desagradável surpresa). Ou se entrou em um banheiro que acabou de ser usado. Não, não. Um aroma inesperado, é assim que funciona. Func... func... Opa, coisa boa vindo! Batata! Ainda não li uma explicação lógica para tal pressentimento (lógica... pressentimento... não combinam muito, é vero!). Há anos, conversando com um cara via internet (tenho pra mim, até, que era um ex disfarçado reavivando o papo comigo), contei-lhe sobre. Ele (tava legal conversar com um ex assim, ele disfarçado... só fudeu quando começou com palhaçadas atacando diretamente a minha inteligência. Aí, break!) enxergou que, o sentimento bom ligado ao cocô dever ser porque a bosta é, na verdade, tudo aquilo não aproveitado pelo corpo. Ou seja, o organismo expele o ruim. Deparar-me com a caca humana, ou o cheiro dela, significaria o fim de uma fase negativa. Lembremos do ciclo... fim de uma fase, início de outra... Bingo!
Menstruação. Deveria ver algum lado positivo nela. Na religião muçulmana, se não me faia a memória, mulheres menstruadas nem entram no templo... algo assim... precisam se purificar... Puta merda, hein, Eva? Espero que Adão não tenha sido meia-bomba pra ter feito valer a pena o castigo.
Merda... será o sinal!
Não o sangue.
Obs.: assim como uma grande admiradora dos ditados populares, sou também das expressões. Um dia, vindo pro trabalho cedinho - havia trocado o turno - vim ouvindo uma rádio popular. Os causos sanguinolentos da cidade. Então, uma mulher que foi lá pedir algum favor aos compadecidos ouvintes, diz, para frisar bem a sua miséria, ter tomado no seu desjejum, apenas café com língua. Café com língua... boa essa! Incorporei. Assim como o "pendurar o facão". Estávamos eu e Dona Adelaide conversando sobre o fogão sentido por algumas mulheres quando se alcança uma certa idade (pra mim, culpa da reposição hormonal). A mãe dela tinha um carinho especial pelos mais novos, que davam conta do recado. Não só do recado como da prosa toda. Numa última conversa, a carinhosa senhora confessa ter pendurado o facão. Pendurar o facão, Adelaide? Hummmm.... Ah! Deixou de cortar o pau... deitá-lo.... Boa! Boa!




Hey, how... let's go!

De início, não estava mui a fim de ir não. Fim de tarde dominical, cara amassada por conta da dormidinha pós rango (um desperdício não curtir aquela preguicinha que se origina no centro da barriga e se irradia pelo resto do corpo.É um sacrilégio não gozar com aquilo que a natureza oferece de graça, sem precisar de investidas maiores) e uma irmã doida pra ir a um showzinho de rock.
Ok! Mantendo minha fama de irmã superlegal (sou de fato), às 17h30 saio de casa levando comigo uma mocinha felizarda em ter alguém que lhe dê guarita numa hora dessa. Eu, nessa idade, sem irmãos mais velhos para pegar carona, penava. Minha mãe sempre me manteve sob suas vistas. Sair à noite? Necas. Show de rock? Necastrofe! Lembro-me, com pesar no coração, de uma vinda do Faith No More à Brasília. Mike Patton, assim, pertinho de moá? O que escutei foi uma resposta negativamente zombeteira: " - Faith? No more!".
Se adiantou tanta proteção? Hummmmm, não sei. Talvez o lado bom foi a minha atual aparência. Não parento ter a idade que tenho. Noites bem dormidas. Nada de álcool precocemente. Como eu sempre digo, toda coisa ruim tem o seu lado bom. O mesmo vale para o inverso da questão, no bom há ruim tomém. Considero-me um pouco jeca para determinadas coisas, mas tenho a cútis preservada!
Fomos. Há certas pessoas que, para não se sentirem velhas ou porque já não há assuntos em comum com seus contemporâneos que já estão no quinto aniversário de casório, falam em investimentos, vida do casal, viagens com a família, enfim, já vestiram a fantasia de ser adulto, acabam firmando contato com pessoas mais novas. Grande parte das pessoas que conheço são alguns anos mais novas que Dona Maura. Alguns, podemos resumir o lapso temporal em uma década. Só que não, não me fazem sentir mais nova. Ali, no bar, não me controlando e pulando feito pulga, por vezes batia uma angústia: "- Maura, controle-se! O povo a verá assim, meio descontrolada ao som dos riffs, e a avaliará do mesmo modo como já avaliou outros pobres mortais como você!". Eu não sei pr'onde correr. No meio da tchurma, sinto-me mais velha como sou de fato. No meio da turma, sinto-me infantil como sou de fato. Donde finco meu guarda-sol?
Gritei pela liberdade à ilha de Fidel Castro, ou seja, uma Cuba Libre!, por favor. Mandei-me tomar no cu (certas horas, a gente merece), assim como todas as pessoas que, porventura, pudessem estar me olhando com os olhos que já tive (nada melhor que um dia-atrás-do-outro... rever os conceitos... pena que só acontece sob momentos egoístas, quando lhe convém... mas, bom, mesmo assim está valendo).
Cuba libre... Rum e coca-cola. Cuba seria o rum, acredito. Coca-cola... Bom, coca-cola é símbolo dos Esteites (EUA). Hummmm... norte-americano sempre teve esse lance de freedom... Mensagem oculta aí?

sábado, 27 de setembro de 2008

Diei-quei

Passeiozinho cívico hoje. Aliás, matei minha curiosidade. Nunca antes fora ao Memorial JK. Interessante o trem. Sou meio besta. Quando me deparo com algo que pertencera, fora tocado, usado, por alguma figura notória, fico, assim, boquiaberta... boba... estática frente à coisa. Assim foi com o pijama de Juscelino, exposto em um salão andar acima, todo escuro, onde há roupas dele e de D. Sarah. Pô, Juscelino usava pijama!
Não, não ria de mim. Isso o torna tal como eu, que também uso pijama! E, JK, suas ceroulas não estavam expostas lá, mas caso as usassem, bingo! Estamos mais próximos do que eu imaginava. Quando não é um pijaminha, tenho duas samba-canção muito legais e, o melhor, confortáveis, para dormir. Presentes de um ex-namorado. Não, não... uma só que foi. A outra, comprei para um outro, que também está na qualidade de ex, para quando fosse dormir lá em casa. Foram-se os amores, ficaram as cuecas.
Não, não me estranhe. Pijamas porque são mais confortáveis que camisola, que, aliás, também as tenho. De algodão. Cuecas... bom, cuecas porque restaram. Servem como short. Ahhh, sou uma pessoa que preza muito o conforto. Não gosto de nada pinicando, apertando, entrando. Aqui caberia uma piadela, porém reservo-me.
Desde criança, acho graça constatar que pessoas "importantes" fazem coisas que nem eu. "- Manhêêêêê, o presidente Sarney faz cocô?", "- Sim, Maura, ele faz também!", "- É mesmo? Eiiiiita!". E lá ia Dona Maura imaginar o presidente sentado, pegando o papel higiênico e limpando. Caramba! Mas... mas... ele também faz isso?
Garota imaginativa. Sempre tive imaginação de sobra. Dona Rita fala que eu tinha uma amiga imaginária, a Boa (boa de boazinha, friso). Consigo me lembrar de uma vez que conversei com ela. Acho que eu estava comendo arroz com feijão e comentei com a minha mãe que a minha amiga Boa não gostava daquele tipo de feijão.
Ehhhhh, Boa, velhos tempos aqueles, não? Se eles soubesse que você ainda me acompanha.
Juscelino.... "fundador".... "capital da esperança".... Uma placa com algumas palavras falava sobre Juscelino e tais palavras estavam entre aspas. Aspas muda tudo. Pegou mal. Juscelino é o "fundador" da "capital da esperança".

"Maura"

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Rapidim!


Não sou uma boa fotógrafa. Esse lance de jogo de luzes, posição, ângulo... Quer saber? Tira toda a naturalidade do momento. Fica algo artificial. A naturalidade não suporta tantas regrinhas. Expanda isso aí às outras cousas também. Aliás, expanda tudo. Estou chegando à conclusão que todas as conclusões não ficam inscritas, somente, àquele fato. Uma pitada aqui, uma pitada acolá e... voilà!
Estou presa na minha torre. E é torre sim, a sua denominação. Torre A, sala 631/634. Tiro a foto, na esperança de conseguir captar a luz que baixa lááá no horizonte. Lindo! (não, não é uma exclamação meio hiponga). Viro o rosto. Baixo a foto para o computador. Viro novamente (sempre me pego voando lá fora). Acabou a luz! Tão rápido! Mais uma vez, expandindo, muitas coisas são assim... flash! Você contempla, vira o rosto por conta de uma outra coisa besta qualquer, e quando vai ver novamente: puff!
Tem um prédio ali pertinho. Quantas vezes não suspirei, querendo estar lá... Morando lá? Viria à pé todo santo dia, livrando-me do carro. Inspire. Expire. Mundo porco capitalista! Oscar Niemeyer não planejou esta joça aqui para todos vivermos feitos iguais? O deputado ao lado do copeiro? Cadê o meu quinhão?
Xeretemos a vida alheia. Não, não sou consumidora de Caras, Contigo e afins. Muito mais interesssante a vida de quem eu já conversei tete-à-tete. Meus personagens têm músculos, ossos e fluidos. Vejo num orkut, mais ou menos assim: "Você deletou seu perfil antigo? Nem percebi!" (ela se referia ao fato dele tê-la re-adicionado). Ahhhhhhhhhh, pô! Isso é coisa que se diga, mizifinha? Então, quer dizer que seu amigo, para o qual escreveu o recado, não cheira nem fede. Surge a incompatibilidade do termo amigo. Eu sei perfeitamente quem deletou perfil, quem se mantém meio longe, quem acessa todo dia. Embora (agora eu pratico minha ação predileta, contradizer-me), alguns não sejam amigos-amiiiiiiigos meus. É bem menos pior que um amigo-que-você-diz-amiiiigo e que você nem nota que o cara sumiu, não é?
As pessoas costumam dizer coisas sem pensar antes. Também, se pensar, é tal qual todos os procedimentos adotados antes de tirar uma foto. Perde-se o momento. A espontaneidade. Talvez (contradizendo-me again - estou viciada nisso) seja positivo. A panela é destampada.
Hummmmm... É! Mantenham-se assim, terráqueos! Não pensem antes de falar. Talvez o meu amigo (olha só, eu havia notado, sim, que você havia se suicidado orkuteanamente) agora saiba que pessoas podem não lhe prestar a atenção devida.
- É seu filho?
- Sim, sim. O mais velho.
- Tão bonito! O pai dele é bonito?
(Ééééé, não sou tão bonita quanto mamãe dizia!)

Sete de Setembro



Para quem não sabe que figura ser esta: "Emblema da Sociedade Teosófica (a suástica ou cruz gamada no topo do selo teosófico é um antigo símbolo religioso do Oriente, não tendo aqui nenhum tipo de conotação nazista. A suástica da S.T. representa evolução espiritual, enquanto que a suástica nazista é invertida, possuindo uma outra simbologia associada)." Palavras da Santa Wikipedia, amém!
Não. Não pertenço à sociedade alguma. Bem, em específico. No geral, inevitável não estar inserida em uma. Que Maura surgiria no meio do nada? Assim, num lugar isolado, sem pessoa alguma por perto? Sim, pois com certeza surgiria outra pessoa que acá, dentro de mim, se esconde. Se algum produtor lançar um reality show do tipo, reclamem a minha autoria por mim!
Foco, Maura, foco! (como se, graças, sou portadora de ceratocone? Depois, caso haja paciência e saco - tanto real quanto imaginário - perguntem-me o porquê do graças).
Bueño. Não se pode dizer que Dona Maura Luiza é uma pessoa "andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá". Ou seja, crença zero. Pessimismo alto. Porém, todavia, contudo e entretanto, queria saber que relação oculta é essa entre eu e a serpente engolindo o próprio rabo. Uróboro. Geralmente, minhas tatuagens surgem assim, do nada. Pinta a idéia. Acho que tem alguma relação comigo e mando gravar na pele. Somente três não foram assim, embora duas tenham lá uma proximidade com as demais neste quesito.
Estou pegando uma mania chata da citações. Maior crítica de mim mesma, vejo como se fosse falta do quê falar. E não é. Creiam-me: há mais assuntos entre minha boca e o cérebro do que possa julgar sua vã filosofia. Enfim, pesquisando e cantando e seguindo a canção, Motivo universal de uma serpente enrolada em um círculo, mordendo a própria cauda. Como tal, ela “se mata, se casa e se engravida a si própria. É um homem e uma mulher, procriando e concebendo, devorando e gerando, ativo e passivo, acima e embaixo ao mesmo tempo” (Neumann, 1954). Como símbolo, o uroboro sugere um estado primevo envolvendo escuridão e autodestruição, bem como fecundidade e criatividade potencial. Representa o estágio anterior ao delineamento e separação dos OPOSTOS. Segundo Jung e Neumann, o uroboro é usado por alguns psicólogos analíticos como uma METÁFORA primária para um estágio precoce do DESENVOLVIMENTO da personalidade. O INSTINTO DE VIDA e o INSTINTO DE MORTE não estão ainda delineados, nem o estão o amor e a agressividade; a identidade de GÊNERO é informe; a falta de experiência da CENA PRIMÁRIA sugere fantasias de partenogênese ou concepção imaculada. Não há distinção entre alimentador e alimentado, existe só uma boca devorando perpetuamente. Não que eu não já soubesse, afinal, meu lado futucador não permitiria dar a pele ao tatuador sem ter uma estorinha para o desenho. Sabia eu que era algo relacionado ao término e começo de fases. Assim mesmo como é posto no texto que control-vezei aqui: há momentos na vida que fases se misturam, não sendo possível distingui-las, mas que são muito distintas entre si. Uma loucura, uma bagunça, que eu adoro. Não sei se já expus isso acá, sou uma grande fã das controvérsias e do caos. Eles sempre me cheiram a coisa boa. Assim como merda. Sempre que sinto cheiro dela - por acaso e não com hora marcada (yes, não preciso tomar Activia) - tenho a sensação que coisa boa virá. Anotem mais essa aí para me cobrarem depois, caso alguém me leia - sei que há - e levante-se no meio à multidão - sim, um ataque meio faltou-modéstia agora. Estou me forçando a ter foco. Foco, Maura, foco.
Devorando perpetuamente. Devorar... vou anotar esta palavra também. Carne, devorar, língua... palavras que puxam o gemido de Maura.
Foco, Maura, foco.
Assim, hoje vim decidida a enrolar. A Santa Wikipedia (amém!) ajudou-me prontamente nesse propósito (ainda confundo nesse com neste. Quando o s ou o t devem ser usados? Nesse, coisa longe. Neste, coisa perto. É um assunto que acabei de falar, então seria o neste? Mas, na realidade, é algo que já passou há algumas horas... é nesse? Céus!!!). Quer uma dica maneira para as tardes de ócio (que muitas delas não deveriam ser)? Ahhhh, por favor, não me revelem que já fazem isso, pois hoje, na hora do almoço, fui dar uma superdica e a pessoa disse que já fazia isso. Devia ter ficado feliz por que encontrei um igual (ou um pouco)? Ou devo esmorecer, pois não sou única? Mais um assunto, a superdica, anotem!
Eis a dica: jogar a data de nascimento na procura. Se quiser ver se tem algo mais específico, jogue a data completa. Só coloquei 7 de setembro. Geralzão mesmo. Não por conta de tentar esconder a idade não. Era pra ver até aonde a saga do 7 de setembro espicharia seus tentáculos. (Por via das dúvidas, não me cobrem o ano que omiti na busca. Ainda tento me acostumar ao fato!)
Em nascimentos, temos Elizabeth I (yeah! A rainha da Inglaterra!), Paulo Autran, Gloria Gaynor e outras tantas personalidades; em mortes, José Orozco, Geoffrey Plantageneta - Conde de Anjou e Uziel Gal, desenhador de armas e inventor da Uzi (será que morreu com um tiro?); eventos históricos, Independência do Brasil (dãããã!), primeira transmissão de rádio no Brasil com discurso do presidente Epitácio Pessoa... e um que me chamou a atenção pelo nome da mulher. Helena Petrovna Blavatsky funda a Sociedade Teosófica. Fui ler a história da Helena.
Casou-se muito jovem com um homem bem mais velho para obter logo sua maioridade. Enveredou-se pelo caminho do ocultismo. E quando o texto começou a sair da biografia para entrar sobre o assunto que tanto fascinou Helena, meu saco deu o ar de sua graça. Mesmo a figura representativa da tal sociedade ter chamado minha atenção, não adentrei a fundo. A serpente engolindo a própria cauda. Madame Blavatsky fundou o grupo de estudos no dia 7 de setembro. No dia 7 de setembro de 19... ahhhhhhhhhh! Não, não tenho problemas quanto a isso! Não tenho! Sou madura... quase podre... ahhhhhhhhhhh! Foco! Então, uróboro criando coincidências.
Havia um outro ponto. Não consigo lembrar... Ah, como tenho raiva disso! Firmo um assunto e dentro deste assunto aparecem vários caminhos que também quero trilhar. Quero fazer tudo ao mesmo tempo. Quântica, ajuda-me!
Conversando - também faz parte da enrolação - disse que todos temos um pouco de Mr. Hyde. Ou seja, uma maldadezinha posta em concreto, meio que escondido já que o nosso papel social não permite certas regalias prazerosas. Pergunto pra moça da copa: "- E aí, Adelaide, você tem alguma coisa que queria fazer mas não faz por que é mal visto?". Ela titubeou de início. Viu que o ambiente favorecia à liberdade de expressão. Confessou que, numa certa ida ao cinema, tirou seus sapatos deixando o "doce aroma campestre" subisse. Riu, intimamente, do incômodo certo sentido pelos demais. Assim como riu de certa vez que flatulou e não mostrou sua mão amarela, deixando ser uma incógnita o autor... quando sujou a blusa branquinha de um rapaz - ele veio de esbarrão nela enquanto ela tomava um sorvete de chocolate... Ehhh, maldade é algo interessante! As minhas?!? Olha, nasci em 1975!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Derretendo

Ô preguiça que me consome a alma! Vontade de não estar aqui. Aliás, vontade de não estar dentro de mim! Alguém me expulse de mim, por favor! Tá, escuto a piadela numa naice. Pr'eu ser expulsa, alguém tem que entrar, não? Pode entrar. Sirva-se de café, só há isso para distrair as mãos e a boca... também os pensamentos, pois ficamos nos perder no líquido preto fumegante enquanto nenhuma voz é dita. Silêncio.


Foto minha. Momento "vou mostrar o meu". Foto de hoje, 25/9/2008.




Estes óculos ficaram enorme na minha cara. Talvez porque eu tenha emagrecido. Cortei o cabelo. Hummm, não sei.
Chamaram-me de fujona. Fujona? Não, não sou fujona. Só estou sem pique. Algumas poucas coisas me fazem "picar" ultimamente. Fujona... assim como o sufixo inha ("ahhh, você é bonitinha! Uma gracinha! Teteinha! Inha! Inha! Inha! Que merdinha!"), passo a não gostar do ona também. Não por conta de ser chamada de Fujona. Repare, mijona, cagona, mandona, bobona (se bem que nada tenho contra a minha classe, a de bobos), respondona... o ona também carrega um quê de negativo. Não somente o diminutivo, mas o aumentativo também pode expressar algo ruim. Gosto do aça/aço: fodaça, bonitaça... não cite palhaça, pois aí não se trata de uma variação em grau. Mordidaça. Bandidaça (creia-me, isso aí pode ter um sentido bom). Há uma exclamação boa incutida aí, do tipo Ohhhhh!
Fujona não, please! Furona, sim, assumo.
Café novo pronto. Agora vou distrair minha mente!

À Lua Nova

Esta pintura me futuca cá dentro. Talvez por eu ser mãe. Vejo eu e meu Ian. Dormimos ainda juntinhos. O seu cheirinho vale a pena correr o risco de acordar molhada. Na verdade, não é o filho que se acostuma mal dormindo com a mãe; mas a mãe que se acostuma mal dormindo com o filho. Contorço-me para abraçar um e pegar na mão de outro, já que este não cabe mais na cama junto a mim e ao seu irmão. E dormirmos todos felizes.

Isso tá para acabar. Com a mudança iminente. Cada um no seu quadrado. Ai! Como hei de dormir?
Bom. Mas, querida Lua Nova, por que sumiu? Ou será querido? Apesar do e-mail colocado junto ao comentário postado acá, com um nome feminino, acredito que não seja do sexo que indica ser. Minha intuição diz. Se bem que muitas vezes, ela me prega peça.
"ah...moça inteligente e modesta.No mundo azul falso e colorido do orkut,vc faz a diferença,lúcida e humana entre pobres terráqueos q se "acham" f~e~l~i~z~e~s...maravilhosos...brilhantes...ai...ai...Salve vc!!!adoro td q escreve!Pode me chamar de....luanova"
Meu ego, muito sensível, logo se inflou perante ao elogio. Minha mente, tão sensível o quanto, logo se excitou perante uma desconhecida (?) que fez inflar seu subalterno. E tratou logo de escrever, para o tal endereço de e-mail, puxando assunto. Travando um contato maior. Fonte à vista de boas matutações.
Não houve resposta. A massa cinzenta não se quietou e ficou a confabular mais ainda. E outras questões foram alcançadas pelos tentáculos: quantos acá não param, passam a me conhecer (pois quem aqui está, de fato, c'est moi) e eu nem imagino quem é!? Estou nua perante uma platéia! Tacam-me ovos? Flores? Aplaudem? Ou vaiam? Toda manifestação é válida. Como já disse, não tenho medo de me expor, não tenho o quê temer, não acredito que isso se tornará uma arma contra mim mesma. Sou eu e eu já sei qual é a tática de guerrilha da Maura. Só não vale criticar a bunda pequena. Isso me afeta! Faltam-me carnes.
Ou, quantos já passaram por mim e aqui vêm para me espiar?
Ou, eu já estou me achando demais?
É o meu ego. Não reparem. Voltemos a você, Lua Nova.
Estou tal qual Sherlock Homes. Pela ausência de resposta, acredito que se encaixe na segunda hipótese acima explanada. A vida já nos apresentou e tratou de nos separar. Deve ser uma pessoa que participou direto em alguns trechos, por isso não mais se pronunciou, a identificação seria rápida, sem necessidade de recolher impressões digitais. Acertei ou preciso eu ler mais Hercule Poirot? (na verdade, prefiro Agatha Christie a Sir Arthur Conan Doyle. Uma das poucas mulheres que admiro).
Levante a mão aí quem me destesta? E quem me ama? "Fedo nem cheiro"?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Chapa quente!

Paul Klee e o anjo. Bem legais figuras assim. Simples. Sem cor. Linhas, apenas. Minhas tatuagens seguem mais ou menos o estilo. Hummm... este desenho dá samba.

Estava eu procurando no santo google de cada dia, algum texto relacionado àquela experiência - ou procedimento, pois também é usado para condicionar animas... Taí! Condicionamento! Agora devo achar! Pulemos para depois do traço - agora, sim. Bom, estava eu procurando algum estudo sobre condicionamento. Aquele lance de jogar a galinha sobre uma chapa quente ao som de Vivaldi (se bem que prefiro Wagner ou Beethoven... mais bélicos). Se, depois, sem quentura alguma sob os pés, tocar As Quatro Estações (ou a Cavalgada das Walkirias... ou a Symphonia n.º 9), a bichinha começa a saltitar. Vem à sua pequena mente a necessidade de se livrar do calor que a queima.
Joguei chapa, quente, psicológico e galinha. O oráculo googleano me respondeu: ovocausto. Ovocausto? Quê ser ovocausto?
Pausa para o café. Alguém aceita? Meu vício cultivado dia após dia. Como sempre digo, para um ser humano ser normal, algum viciozinho tem que cultivar. Assim como uma mania. Troquemos o normal por são. Melhor. Normal não há e, para toda regra há exceção, se há, é mui sem graça.
Ao ovocausto! É breve o texto e muito interessante.
O sistema de gaiolas convencionais, ou gaiolas de bateria, é um elemento da avicultura industrial que obriga as galinhas a passarem uma vida curta e miserável em gaiolas minúsculas, empilhadas como caixas até o teto de galpões lúgubres. Presas em companhia de outras galinhas, claustrofobicamente imprensadas umas contra as outras, elas não podem sequer esticar suas asas. No Brasil a cada galinha é dado 330 cm2, mais ou menos a metade de uma folha A4. A ave é tratada como uma mera unidade de produção, e não como uma criatura senciente que sofre de dor e medo.
Essas condições causam imenso sofrimento psicológico e físico às galinhas e impede a manifestação de qualquer comportamento natural. Ciscar, exercitar-se, pousar, abrir a asa, rolar na poeira são instintos que essas prisoneiras têm mas que são perenemente frustrados pelo confinamento. Seus instintos sociais também são frustrados. A vida é uma constante agonia; muitas não toleram e morrem, solitárias e doentes.Esse ambiente tenso de granjas superlotadas (dezenas de milhares de galinhas fazendo um barulho desesperado) é um verdadeiro pandemônio. O ar é nauseante por causa da concentração de amônia emitida pelo excremento dos animais. Osteoporose e ossos fraturados são comuns por causa da alta produção de ovos. Os pés muitas vezes se prendem no chão de arame e se deformam pois à medida que as unhas crescem, vão-se enrolando no arame. Pernas e pés danificados pioram ainda mais a chance de uma galinha fazer qualquer exercício e às vezes as impedem de alcançar água e comida.
Por causa de tanta frustração, dor e proximidade uma com a outra, as galinhas começam a se bicar. Esse processo pode resultar em canibalismo. Para prevenir essas manifestações de comportamento anti-social, os avicultores removem um terço do bico da ave com uma chapa quente, sem anestesia, uma medida destinada a tratar o sintoma ao invés de eliminar a causa do problema. Quando sua vida útil termina, essas galinhas são jogadas em latões onde elas sufocam vagarosamente uma em cima da outra, ou são levadas para o matadouro onde chegam com seus ossos frágeis ainda mais danificados durante o transporte bruto.
Duas observações minhas:
1) Galinhas. Sempre envolvidas em decisões radicais na minha vida. Já comentei sobre o acidente com o caminhão que estava repleto delas em alguma publicação já finada (tenho o péssimo hábito de me matar). Algumas mortas no asfalto, outras agonizando, outras presas, aflitas e outras perdidas, andando sem rumo pela pista, ora atropeladas por outro carro, ora pegas por alguém que não perdeu a oportunidade de garantir o almoço de segunda. Cá matutei: será que elas sentiram algum pavor pré-morte? E se sim, isso passa pra carne? Senti-me mal. Cortei a carne do meu cardápio. Sucumbi ao primeiro filé com gordurinha sapecada. Graças aos Mythbusters, voltei ao vegetarianismo. O cadáver do porquinho, ali, pendurado, sendo alvo de tiros, foi mui impressionante aos meus olhos.
Assim como o povo se amontoando frente ao freezer para aproveitar a grande promoção do supermercado. Cena meio surrealista. Meu corpo deve fabricar algum tipo de droga, aposto. Minhas portas da percepção estão sempre abertas.
Já não mastigo carne. Agora, partir-me-ei aos ovos.
2) Vivemos meio assim, não? Presos em cubículos; muitos em lugares insalubres; sem higiene; sem dignidade; sem espaço para abrir as asas, exercitar-se, rolar na poeira (isso aí é muito bom. Já fiz quando criança. Causo para outra estória). Porém, são essenciais à produção. E são tratados assim para a produção. Massa. Isso, massa! Não vejo como "massa" possa ter significado positivo. Creio que não haja. Como não há como passar por isso e ser sadio, física e mentalmente, começam a bicarem uns aos outros. Antropofagismo. Comportamento anti-social. Sei que há paralelos ao corte do bico com chapa quente, para o nosso caso.
O quê fazem com a gente? Huxley já cantou essa pedra... Admirável mundo novo...
Não consigo fechar as janelas da sala donde trabalho sem sentir um certo temor. E tremor. Inconscientemente ou, melhor, é consciente, já que meu cérebro opera a ação, porém é sem minha ciência... me compreendes? Bão, minha mão, ao tentar alcançar a alça para puxá-la, titubeia na certeza de levar um choquinho. Explico: tempo seco nesta terra abençoada por Deus (se fosse pelo Anjo Caído, isso aqui seria repleto de tentações), as coisas costumam dar choques. Já levei um bocado ao tocar nas janelas, para fechar meu carro, para fechar o portão... Cá pensei eu! Que livro de auto-ajuda o quê! Que mané "pra esquecer de um amor, só outro amor"! O grande lance é pegar uma foto do sujeito ou sujeita, mandar ampliar, recortá-la, fazer uma máscara e pedir para que o novo alguém a use, por favor, sim? Pronto! Você não conseguirá chegar perto! Algo como choquinhos... você receia tocar...
Condicionamento!
Ou bique desde já.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Calafrio



Senti os vírus tomando, aos poucos, meu organismo. No início da tarde, apenas a garganta reclamava sua existência. Os poucos, tenho a sensação do meu rosto estar mais inchado. Pouco mais, o corpo dói e prevejo a febre. Gosto de senti-la, a febre, assim como a dorzinha gostosa de se sentir nas juntas. Comentando com os colegas, descubro que não estou só neste meu estranho gosto: um outro também curte uma ao som de uma alta na temperatura corporal como estratégia de combate ao organismo estranho.
19h00, hora de fechar o boteco. Recolher a bolsa. O celular. Dar uma ligadinha pra casa avisando que a estrada é longa e o caminho é deserto. Hoje não haverá aula. Ou eu própria me enganei com a vontade expressa de me enganar e seguir pra cama. Melhor lugar para curtir o barato febril.
Buzino. Abrem o portão. Digo oi. Esquento alguma coisa pra devorar. Dou dinheiro pra coca-cola (gelada, vamos atiçar com vara curta). Sigo pro banho.
Banho quente. Como já escrevi, não sigo o conselho de beleza passado pela bisavó. Segundo a avó, sua mãe quando falecera, os seios eram pêras. Segredo? Água fria. Lambuzo-os de óleo hidratante na tentativa de amenizar o efeito da água quente. Pelando. Hoje não tem figuras na parede, para a minha decepção. A claridade nem o desenho do azulejo ajudam. Só vejo letrinhas esparramadas pela porta do box, como se alguém estivesse vindo com uma tigela de sopa com aquele macarrõezinhos; tropeçou no tapete e derramou. Tento juntá-las e decifrar a mensagem. Não é hoje. Sento-me.
Tento ver algo na espuma, então. Eu preciso ver algo. Não, não é hoje. Os vírus não permitem visões. O pedaço de bucha no chão. Olho fixamente. Quem sabe não consigo movê-lo? Transformar-me-ia em super. Telecinética. Por várias vezes já tentei grudar meus olhos no objeto, desviar-me de quaisquer pensamentos a não ser a vontade da massa cinzenta mostrar seu poder de atingir o meio externo sem fazer uso de instrumento algum, seja as mãos, pés, braços...
Nem um milímetro. Por que não me deitar? Uma vozinha filhadaputa, que outras tantas vezes jogou-me água fria, diz que não. E por que não? Não há razão que me impeça se estou a fim. Há? Sinto, mas não é o suficiente pra mim. Muitas vezes lancei-me noutros caminhos para futucá-la. Não dá? Deu. A água lá de cima bate no meu peito. Fecho os olhos.
Que o mundo acabe!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A vida pode ser rascunho por vezes

Eu tenho eguinho, assumo sem culpa alguma. E gosto, sim, de massageá-lo. Dá-me um enorme prazer. Por vezes, sentir-se foda é necessário à sobrevivência. Não em cima dos outros. Se bem que, bom, há momentos (friso, momeeeeeeentos, me compreendes?) que é bom sentir-se foda em cima. Bão, quando acá pairo e vejo quantas abobrinhas plantei, meu ego infla. Meio perigoso isso, pois a quantidade influi na qualidade. Sentença absoluta? Muitas vezes, matutei eu que a quantidade leva ao aperfeiçoamento, quando nos referimos às ações. Produções.

Bão, mas os rascunhos não me davam a dimensão exata do feitio. Juntei-os num só texto, diferenciado-os pelos títulos e datas. Há um sem título. Porém, todos datados. Releio-me. Algumas coisas mudaram. E isso torna interessante o ato da auto-releitura. Olha só... eu tava assim!... Putz, essa fase foi triste!... Rá! Hoje eu tô é querendo amarrar meu burro à sombra!...

Ei-los:


Só sei que nada sei... (8/4/2008)
Direito penal, direito comercial, direito processual civil, direito constitucional... os direitos quebram as asas da minha imaginação. Nos poucos momentos sozinha comigo mesma, mal tenho ânimo para pensar. E não penso. Penso: preciso jogar mais na megasena. Só fiz uma fezinha... se eu continuasse a jogar os mesmos números, quem sabe?
Dizia Platão que o que vemos é reflexo do mundo das idéias. Uma visão malformada daquilo que realmente é. E o que é? Não importa se a caneta é azul, preta, vermelha, com escrita fina, ponta grossa, Mon Blanc, Bic, tudo é caneta. A idéia principal define aquele objeto como sendo uma reles esferográfica. Não importa se é preto, branco, amarelo, cabelo liso, encaracolado, rico, pobre, homem, mulher... tudo é ser-humano. A idéia principal define como sendo humano. Qual é a idéia? Isso me desanima. Numa luta incessante na procura do meu eu, na ânsia em me diferenciar da massa, saber quem eu sou, constatar uma carioteca em torno de mim, mantendo-me estável internamente, acabo por chegar na triste conclusão de que somos todos iguais, essencialmente. Alguns já desvendaram isso e assume numa boa seus medos, erros, maldades, bondades, desejos... Outros, procuram meios que os ceguem diante da inevitável verdade. Mergulham na religião, no fanatismo, no amor. Amor... amor... amor... de certa forma, sinto-me liberta. Por que acabamos por achar que, realmente, precisamos de outra pessoa para sermos felizes?

Amor, pesado amor. (29/5/2008)
Abri uma brechinha. Não, não é uma brechinha assim, corpo, para não dar outros nomes, porém, brecha = intervalo no meu corrido tempo. Livro de Constitucional aberto cá ao meu lado. Digo, Penal (para se ter uma idéia de como estou aplicada nos estudos aqui). Sou fraca às tentações. Notebook aberto. Acesso à internet. Fui xeretar. Ahhh, "cuide de sua vida!" ? Eu estou cuidado, pode apostar nisso. E por isso mesmo, resolvi esquecer um pouco dela, deliciando-me com a dos outros. Adonde há vida ultimamente? Dou um doce para quem adivinhar! Ahá... orkut. Sim, sim. O feitiço poderá ser voltado contra o feiticeiro e, com certeza, e a certeza não me assusta, deve haver pessoas que procuram esquecer de suas vidas olhando a minha. Coitadas! Ultimamente, não tem tido nada de muito interessante, mas se a análise psicológica desta pessoa aqui distrair em algo, estará valendo. Clico aqui. Clico acolá. Reclamo pelas páginas de recados trancadas (aaara, quem tá no orkut é pra se molhar! Admito que já fiz isso, mas... o mundo é uma troca, se eu faço por que não haveria de deixar o outro fazer?). Então leio: eu te amo! Engraçado. O amor não foi declarado a mim, porém eu estremeci pela pessoa. Lembrei quantas vezes eu não disse isso.- Beijo, amor! Eu te amo.- Bom dia! Eu te amo.- Yes...yes... yeeeeeeeeessssssss... eu te amo!- Vamos ao cinema? Eu te amo.- Passa-me a manteiga, eu te amo.- Porra! Por que você fez isso? Eu te amo.Posso dizer que já amei muito. Para todos os meus namorados, um dia já lhes disse eu te amo. E amei mesmo na época. Fuuuuu... passou. Não me sinto capaz de dizer isso novamente. Talvez encontre uma expressão mais adequada para ser dita na despedida, no desligar do telefone, durante a foda... Amor eu só acredito no meu para com meus genes propagados. E mesmo assim porque é algo imposto quando se tem filhos. Amo e sou escrava desse amor que me faz tremer quando vislumbro algum infortúnio com os meus moleques. Não é um sentimento que quero impor a alguém que não seja naturalmente imposto. Nem quero que me imponham. Ter o amor de alguém é uma carga por deveras pesada para ser levada na cacunda por livre e espontânea vontade. Ou necessidade. Eu me amo.

Incapaz (2/6/2008)
Parte de mim foi embora junto com o sangue que escorria pernas abaixo, levado pela água quente do chuveiro. Talvez liberdade. Talvez condenação

(14/6/2008)
Com a sacolinha aberta discretamente, pude ver o conteúdo vermelho dentro dela. Uma lingerie. Uma fantasia. Pronta para pecar, com chifrinho e tudo. Admiro mulheres assim, destemidas de si próprias. Eu preciso me testar mais para que possa vestir algo do tipo. Por enquanto, quem se aventurasse a ser namorado meu, teria que fazer um esforço para ver algo sexy na calçola à la vovó e camiseta furadinha... Tá, tá, visto uma mais nova, pode ser? Eu sou a maior crítica de mim mesma.

Vou firmar com Shiva...

Vou firmar com Shiva que eu tomo prumo. Ahhhh, se tomo! Apostilas ali em frente para serem lidas. Melhor desembuchando, ali em frente para que os olhos corram por cima delas. Oh, céus! Por que, meu Buda, por que deixo tudo para última hora? Porque sou masoquista (sim, sim, estou a bater na mesma tecla). Sinto o estômago antropófago devorar-me por dentro. Uma agonia sem fim. Uma vontade de explodir. Ou, chorar mesmo! Ahhhhhhhh! Céus, TPM? Putaquepariu! Coisa de mulherzinha, isso é, Mestre Yoda!

TPM ou não, vamos aos fatos!

Não aos fatos que me levaram a este pré-ataque, pois hei de controlar e não será ataque propriamente dito. Se for, será a mim mesma pois ninguém é obrigado a agüentar isso. Um fato já é de conhecimento daqueles que, aqui, pararam: provas. Tenho um certo problema com avaliações. Desejo sair bem nelas, não importanto de ondem vieram. Aaaaaara, fodam-se! Se sou bem-vista ou não, nota 10 ou não, fodamos todos nós! Tenho que parar com isso.

Well... meus trinta e poucos foram marcados: comprei meu primeiro potinho de creme anti-rugas. Um noturno e outro diurno. E, pasmem, estou conseguindo manter o tratamento diário. Está virando algo como uma neurose benéfica: não consigo durmir ou passar o dia sem empastelar meu rosto na vã esperança que os pezinhos de galinha tardem a aparecer. Eles hão de dar o alô de sua graça, se é que alguns já não chegaram. Meus olhos estão infectados pela minha crença meio highlander. Olho-me e vejo a mesma pamonha de há 10/15 anos atrás.

Ao menos, terei eu tentado. Isso vale também. Algo semelhante à política Why not? Sim... Why not? Vou nadar pelada. Mudar-me de estado. Tingir meu cabelo de azul (isso é pra quando estiver mais velhinha. Velhinho pode tudo). Hummmm... tatuagens já tenho. Talvez uma lipoaspiração nos lombinhos. Silicone nos peitos? Se bem que acho mais formosinhos seios pequenos. Praticar boxe. Mandar neguinho que torra meu saco tomar no cu. Sim, why not?

Eu já comentei sobre venda? Não venda de vender. Porém, venda de vendar. Suspeito que sim. Não sei que fixação minha é esta por órgãos do sentido. Talvez seja admiração pelo trabalho árduo deles. Captar o mundo para que o cérebro o digira. Então, na minha vinda sem som algum (leia post abaixo), tentei imaginar o que sentiria uma pessoa que lhe fossem retiradas quaisquer fontes de captação. Olhos vendados. Mãos protegidas com luvas e atadas juntas. Presa num cubículo sem aroma algum, sonoricamente isolada também. E então? Desenvolver-se-iam outros órgãos absorventes? Quero me propor o teste.

Alguém, por favor, feche o cadeado!

Crash!

- Me falaram que ontem o alarme ficou ligando-desligando-ligando-desligando sem que ninguém triscasse no controle. Cê pode dar uma olhadinha pra mim?
- Ok! Vou resetar, talvez resolva. Desligo a corrente elétrica, religando logo após. Você só vai precisar gravar as rádios novamente.
- Tá bom, então.

11h15, logo após ter visitado a sobrinha recém-nascida, enfio-me novamente no carro. Hora de labuta. Ponho o som... necas! Pede-me um código, o aparelho. Que raio de código é esse, penso. E lembro que, numa das raras vezes em que me entretenho com manuais e leio-os, o do rádio se referia ao tal código, fornecendo o maledito número. Ok! Vou sem música ou informação hoje. Estaria mais pra música, acordei com a Rita Lee nesta segunda-feira, vinte e dois de setembro de 2008. Há quinze dias, se a matemática não me trair, saboreio os 33.

De início, vir sem som algum para distrair meus neurônios, causou-me uma espécie de aflição. Estaria eu comigo mesma. Não haveria nada para desviar a atenção da Maura, fazendo com que ela não me reprovasse ou fizesse uma observação inconveniente como outras tantas milhares de vezes fez. Maura é meio má comigo e não me deixa rir pra platéia com a cara lambrecada de torta. Maura, por vezes, também é meio doidinha da cachola. Quer porque quer que eu leve safanões. Ou, que colida.

Colisões. Surge, obrigatoriamente, delas algo novo. A forma, ou essência, ou composição, inicial não é preservada, havendo uma liberação de energia e uma reorganização do espaço. Maura, fã de carteirinha da física, sopra aos meus ouvidos: bata! Bata! Bata! A vontade que tenho é acelerar o tanto que for e... crash! Ou, correr... correr... correr... e, de repente, dar com o corpo numa parede sólida. Preciso me reorganizar. Alterar-me. Partir-me em n pedaços e remontar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bate! Bate! Bate!

Olha só, vou admitir de peito aberto: sou masoquista mesmo. Era pra ter desconfiado disso por conta das idas ao tatuador. A maquininha... o barulhinho... a dorzinha batendo na porta... Sou, sou sim. Um sentido filosófico à cousa, para ficar menos estranho à degustação? Hummmm, a dor me acorda? Como já escrevi, é uma ação para que haja reação? Dor, prato de jiló para depois vir a sobremesa.

Bom, eu adoro jiló.

Ou, giló?

Estou entrando em dúvida nas coisas mais elementares da vida. Esta ou aquela poltrona no cinema? Rá! Ainda entra o fator: o que pensará sobre mim? Se for muito no fundo, "Aháááá! Más intenções, hein?". Se for na frente, "Hummmm, quer distância total!". Gostaria de ser mais decidida, vamos assim dizer. Tô a fim do oito não. Quero o oitenta!

Uma pusta preguiça de devorar livros e apostilas. Devorar demanda fome. Fome de tais matérias não anda fazendo roncar minha pança. Sem tesão, não há solução. Já tentei me friccionar aqui... Necas! Feche os olhos, Maura... você é capaz... imagine-se doutora... Doutora? Ao fim desta joça não deterei doutorado algum... Não, imagine-se com o canudo na mão (bem propício em se tratando de fazer surtir em si o tesão)... Promotora... Fuerza, jovem!

Eu não bebo, não fumo, não fod... Bem, tô bem quieta ultimamente. Estava a matutar, enquanto dirigia vindo pra cá, pro trabalho... Faz um ano sem namorado. Não que ter alguém para chamar de seu (mesmo por um breve tempo) signifique que, só então, vá beber, fumar, e fod... Bem, no meu caso, as duas primeiras opções poderiam perfeitamente serem concretizadas, caso quisesse. A primeira não rola. Traz rugas ao redor da boca. Não que eu não vá ser tocada pela velhice e seus traços característicos, mas não é bom cutucá-la, não? But, ahhhhhhh! Tem que haver um fator motivador por trás (entenda isso no bom sentido). Aquele friozinho na barriga. O frisson. Imaginar o amor (que dá a impressão de existir) concreto e duradouro. A bebida fica com mais graça... A fod... fica com mais graça. A emoção. É disso que começo a sentir falta. Mesmo a emoção do término. A dor-de-cotovelo. A raiva contida. Aquela música (você já não mais escuta a que faz inflar o peito... sorrir feito besta pro retrovisor enquanto dirige pensando nela, no melhor estilo caminhoneiro) que lhe faz sentir fodasticamente foda (tenho trauma de me referir a fod... com outro sentido diverso de Pô! É foda!). Acabou? Se fodeu, pois sou foda! Sim, com direito a todo pleonasmo.

Tão bom se sentir foda, tanto no início quanto no fim. Note que em ambos os casos, o sentido difere.

Ehhh... tô necessitando ser mais humana.

Bate-me!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Quanto tempo, hein?


Tarefas diversas me afastaram deste meu mundico acá. Um puxão de orelha, devo levar (segundo Mestre Yoda), já que, regrinha do bem-viver, não se deve deixar de lado coisas que dão prazer nesta vida, fazendo-nos esquecer um pouco a sua inata falta de sentido. A não ser, propagar os genes (acho que que escrevi sobre isso). É meio revoltante isso, não? Tanta lutcha... tanto desgosto... tanta levada de carrinho de supermercado no calcanhar, pra só botar os bichinhos no mundo. Bom, é uma tarefa e tanto essa de educar outro ser humano. Ensinar-lhe como se caça, como prepara o alimento, como se produz a cerâmica... Depois, lá vai ele passar pro seu filho, e este pro seu filho, e este pro seu filho. Algo meio matrioshka, aquela bonequinha russa que carrega outra dentro, que carrega outra dentro, que carrega outra dentro. Taí, mais um pensamento que me encafifa: carregamos dentro de nós algo desconhecido mas ao mesmo tempo parte da gente. Não posso dizer que conheço 100% meus moleques. Mas há parte de mim ali.
Outra coisa que me encafifa aos borbotões é a teoria do caos. Numa aparente bagunça generalizada, há a ordem. Porém, venha cá... Se é aparente, não é bagunça de fato. É aparente. É a ordem camuflada, vamos assim botar. Não é? As palavras pregam peças na gente. Devemos ir além. Parar. Ver. Mastigar. Listerine mantém os seus dentes mais brancos. Li enquanto pousava de flor no banheiro (se esqueço de carregar revista, analiso os rótulos ao alcance da mão). Peraí... matuto... Se mantém não cabe o mais, tcherto? Mantém os dentes brancos. Algo estanque. Ou seja, manter não leva ao mais... Se é mais, a coisa não foi mantida.
Donde estava? Oh, sim... sobre os prazeres que nos salvam. Eu aprendi a não mais buscar, sôfrega, prazeres que me livrassem do vazio que há. Sinto prazer em sentir que tudo é absurdo. Louco. Sem sentido. Estou eu vendada, amarrada na cadeira, na expectativa à flor-da-pele em sentir o que o outro fará comigo. Assim me sinto. E futuco.
Mas, hey... sim, sim... finco o pé no meu propósito inicial. Deixe-me ver. Pela milionésima vez, eu me contradisse. Disse que não se deve deixar os prazeres de lado por conta do corre-corre plantado no dia-a-dia (motivo pelo qual, pulverizei-me). Logo adiante, disse não mais correr atrás deles. Contradições... um contra outro e no choque deve surgir algo...
Futuco-me.

domingo, 7 de setembro de 2008

Bunda!

Uma bunda? Uma grande e suculenta bunda? Aquela que faz com que grande parte dos homens (talvez todos até) sonhem estar dentro dela? Acho que partes ressaltadas pelo dono, do seu corpo humano, traduzem o que ele é. Melhor que perguntar quem é? é observar. Uma bunda... passo longe. Minha genética não favoreceu a retaguarda. Tampouco eu a desenvolvi até então. E nem penso correr atrás do preju. Deixe-a assim, como está: pequena, branca, na dela. Peitos? Incomodam-me os decotes. Acho estranho tê-los. Ombros baixos... água quente cabeça abaixo... olhos grudados nos dedões dos pés... Por que um é diferente do outro? Irmãos bivitelinos? Bucha e sabão em punho, começo o trabalho. O último do dia. Ensabo-os. A vaca tem. A cadela tem. A ratazana tem. A ornitorrinca, seja lá qual é a flexão de gênero desse bicho, a ornitorrinca tem. E eu tenho. Milhões de anos de seleção natural, de luta, de desenvolvimento, e pequenas óbvias observações me estapeiam, dizendo-me que ainda sou um animal. Os seios me traduzem bem diferentemente de muitas outras do meu reino-filo-classe-ordem-gênero-espécie. Talvez as estrias estouradas no meu ventre, ao gestar meu primeiro filho... meus pés doloridos... meus olhos já não tão eficazes, precisando do auxílio de lentes... a carne já sucumbindo ao tempo... a mente cansada, mas ativa... e ativa... E ativa... São partes que dizem quem é a Maura. Quem será a Maura.