sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Rapidim!


Não sou uma boa fotógrafa. Esse lance de jogo de luzes, posição, ângulo... Quer saber? Tira toda a naturalidade do momento. Fica algo artificial. A naturalidade não suporta tantas regrinhas. Expanda isso aí às outras cousas também. Aliás, expanda tudo. Estou chegando à conclusão que todas as conclusões não ficam inscritas, somente, àquele fato. Uma pitada aqui, uma pitada acolá e... voilà!
Estou presa na minha torre. E é torre sim, a sua denominação. Torre A, sala 631/634. Tiro a foto, na esperança de conseguir captar a luz que baixa lááá no horizonte. Lindo! (não, não é uma exclamação meio hiponga). Viro o rosto. Baixo a foto para o computador. Viro novamente (sempre me pego voando lá fora). Acabou a luz! Tão rápido! Mais uma vez, expandindo, muitas coisas são assim... flash! Você contempla, vira o rosto por conta de uma outra coisa besta qualquer, e quando vai ver novamente: puff!
Tem um prédio ali pertinho. Quantas vezes não suspirei, querendo estar lá... Morando lá? Viria à pé todo santo dia, livrando-me do carro. Inspire. Expire. Mundo porco capitalista! Oscar Niemeyer não planejou esta joça aqui para todos vivermos feitos iguais? O deputado ao lado do copeiro? Cadê o meu quinhão?
Xeretemos a vida alheia. Não, não sou consumidora de Caras, Contigo e afins. Muito mais interesssante a vida de quem eu já conversei tete-à-tete. Meus personagens têm músculos, ossos e fluidos. Vejo num orkut, mais ou menos assim: "Você deletou seu perfil antigo? Nem percebi!" (ela se referia ao fato dele tê-la re-adicionado). Ahhhhhhhhhh, pô! Isso é coisa que se diga, mizifinha? Então, quer dizer que seu amigo, para o qual escreveu o recado, não cheira nem fede. Surge a incompatibilidade do termo amigo. Eu sei perfeitamente quem deletou perfil, quem se mantém meio longe, quem acessa todo dia. Embora (agora eu pratico minha ação predileta, contradizer-me), alguns não sejam amigos-amiiiiiiigos meus. É bem menos pior que um amigo-que-você-diz-amiiiigo e que você nem nota que o cara sumiu, não é?
As pessoas costumam dizer coisas sem pensar antes. Também, se pensar, é tal qual todos os procedimentos adotados antes de tirar uma foto. Perde-se o momento. A espontaneidade. Talvez (contradizendo-me again - estou viciada nisso) seja positivo. A panela é destampada.
Hummmmm... É! Mantenham-se assim, terráqueos! Não pensem antes de falar. Talvez o meu amigo (olha só, eu havia notado, sim, que você havia se suicidado orkuteanamente) agora saiba que pessoas podem não lhe prestar a atenção devida.
- É seu filho?
- Sim, sim. O mais velho.
- Tão bonito! O pai dele é bonito?
(Ééééé, não sou tão bonita quanto mamãe dizia!)

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