Paul Klee e o anjo. Bem legais figuras assim. Simples. Sem cor. Linhas, apenas. Minhas tatuagens seguem mais ou menos o estilo. Hummm... este desenho dá samba.
Estava eu procurando no santo google de cada dia, algum texto relacionado àquela experiência - ou procedimento, pois também é usado para condicionar animas... Taí! Condicionamento! Agora devo achar! Pulemos para depois do traço - agora, sim. Bom, estava eu procurando algum estudo sobre condicionamento. Aquele lance de jogar a galinha sobre uma chapa quente ao som de Vivaldi (se bem que prefiro Wagner ou Beethoven... mais bélicos). Se, depois, sem quentura alguma sob os pés, tocar As Quatro Estações (ou a Cavalgada das Walkirias... ou a Symphonia n.º 9), a bichinha começa a saltitar. Vem à sua pequena mente a necessidade de se livrar do calor que a queima.
Joguei chapa, quente, psicológico e galinha. O oráculo googleano me respondeu: ovocausto. Ovocausto? Quê ser ovocausto?
Pausa para o café. Alguém aceita? Meu vício cultivado dia após dia. Como sempre digo, para um ser humano ser normal, algum viciozinho tem que cultivar. Assim como uma mania. Troquemos o normal por são. Melhor. Normal não há e, para toda regra há exceção, se há, é mui sem graça.
Ao ovocausto! É breve o texto e muito interessante.
O sistema de gaiolas convencionais, ou gaiolas de bateria, é um elemento da avicultura industrial que obriga as galinhas a passarem uma vida curta e miserável em gaiolas minúsculas, empilhadas como caixas até o teto de galpões lúgubres. Presas em companhia de outras galinhas, claustrofobicamente imprensadas umas contra as outras, elas não podem sequer esticar suas asas. No Brasil a cada galinha é dado 330 cm2, mais ou menos a metade de uma folha A4. A ave é tratada como uma mera unidade de produção, e não como uma criatura senciente que sofre de dor e medo.
Essas condições causam imenso sofrimento psicológico e físico às galinhas e impede a manifestação de qualquer comportamento natural. Ciscar, exercitar-se, pousar, abrir a asa, rolar na poeira são instintos que essas prisoneiras têm mas que são perenemente frustrados pelo confinamento. Seus instintos sociais também são frustrados. A vida é uma constante agonia; muitas não toleram e morrem, solitárias e doentes.Esse ambiente tenso de granjas superlotadas (dezenas de milhares de galinhas fazendo um barulho desesperado) é um verdadeiro pandemônio. O ar é nauseante por causa da concentração de amônia emitida pelo excremento dos animais. Osteoporose e ossos fraturados são comuns por causa da alta produção de ovos. Os pés muitas vezes se prendem no chão de arame e se deformam pois à medida que as unhas crescem, vão-se enrolando no arame. Pernas e pés danificados pioram ainda mais a chance de uma galinha fazer qualquer exercício e às vezes as impedem de alcançar água e comida.
Por causa de tanta frustração, dor e proximidade uma com a outra, as galinhas começam a se bicar. Esse processo pode resultar em canibalismo. Para prevenir essas manifestações de comportamento anti-social, os avicultores removem um terço do bico da ave com uma chapa quente, sem anestesia, uma medida destinada a tratar o sintoma ao invés de eliminar a causa do problema. Quando sua vida útil termina, essas galinhas são jogadas em latões onde elas sufocam vagarosamente uma em cima da outra, ou são levadas para o matadouro onde chegam com seus ossos frágeis ainda mais danificados durante o transporte bruto.
Essas condições causam imenso sofrimento psicológico e físico às galinhas e impede a manifestação de qualquer comportamento natural. Ciscar, exercitar-se, pousar, abrir a asa, rolar na poeira são instintos que essas prisoneiras têm mas que são perenemente frustrados pelo confinamento. Seus instintos sociais também são frustrados. A vida é uma constante agonia; muitas não toleram e morrem, solitárias e doentes.Esse ambiente tenso de granjas superlotadas (dezenas de milhares de galinhas fazendo um barulho desesperado) é um verdadeiro pandemônio. O ar é nauseante por causa da concentração de amônia emitida pelo excremento dos animais. Osteoporose e ossos fraturados são comuns por causa da alta produção de ovos. Os pés muitas vezes se prendem no chão de arame e se deformam pois à medida que as unhas crescem, vão-se enrolando no arame. Pernas e pés danificados pioram ainda mais a chance de uma galinha fazer qualquer exercício e às vezes as impedem de alcançar água e comida.
Por causa de tanta frustração, dor e proximidade uma com a outra, as galinhas começam a se bicar. Esse processo pode resultar em canibalismo. Para prevenir essas manifestações de comportamento anti-social, os avicultores removem um terço do bico da ave com uma chapa quente, sem anestesia, uma medida destinada a tratar o sintoma ao invés de eliminar a causa do problema. Quando sua vida útil termina, essas galinhas são jogadas em latões onde elas sufocam vagarosamente uma em cima da outra, ou são levadas para o matadouro onde chegam com seus ossos frágeis ainda mais danificados durante o transporte bruto.
Duas observações minhas:
1) Galinhas. Sempre envolvidas em decisões radicais na minha vida. Já comentei sobre o acidente com o caminhão que estava repleto delas em alguma publicação já finada (tenho o péssimo hábito de me matar). Algumas mortas no asfalto, outras agonizando, outras presas, aflitas e outras perdidas, andando sem rumo pela pista, ora atropeladas por outro carro, ora pegas por alguém que não perdeu a oportunidade de garantir o almoço de segunda. Cá matutei: será que elas sentiram algum pavor pré-morte? E se sim, isso passa pra carne? Senti-me mal. Cortei a carne do meu cardápio. Sucumbi ao primeiro filé com gordurinha sapecada. Graças aos Mythbusters, voltei ao vegetarianismo. O cadáver do porquinho, ali, pendurado, sendo alvo de tiros, foi mui impressionante aos meus olhos.
Assim como o povo se amontoando frente ao freezer para aproveitar a grande promoção do supermercado. Cena meio surrealista. Meu corpo deve fabricar algum tipo de droga, aposto. Minhas portas da percepção estão sempre abertas.
Já não mastigo carne. Agora, partir-me-ei aos ovos.
2) Vivemos meio assim, não? Presos em cubículos; muitos em lugares insalubres; sem higiene; sem dignidade; sem espaço para abrir as asas, exercitar-se, rolar na poeira (isso aí é muito bom. Já fiz quando criança. Causo para outra estória). Porém, são essenciais à produção. E são tratados assim para a produção. Massa. Isso, massa! Não vejo como "massa" possa ter significado positivo. Creio que não haja. Como não há como passar por isso e ser sadio, física e mentalmente, começam a bicarem uns aos outros. Antropofagismo. Comportamento anti-social. Sei que há paralelos ao corte do bico com chapa quente, para o nosso caso.
O quê fazem com a gente? Huxley já cantou essa pedra... Admirável mundo novo...
Não consigo fechar as janelas da sala donde trabalho sem sentir um certo temor. E tremor. Inconscientemente ou, melhor, é consciente, já que meu cérebro opera a ação, porém é sem minha ciência... me compreendes? Bão, minha mão, ao tentar alcançar a alça para puxá-la, titubeia na certeza de levar um choquinho. Explico: tempo seco nesta terra abençoada por Deus (se fosse pelo Anjo Caído, isso aqui seria repleto de tentações), as coisas costumam dar choques. Já levei um bocado ao tocar nas janelas, para fechar meu carro, para fechar o portão... Cá pensei eu! Que livro de auto-ajuda o quê! Que mané "pra esquecer de um amor, só outro amor"! O grande lance é pegar uma foto do sujeito ou sujeita, mandar ampliar, recortá-la, fazer uma máscara e pedir para que o novo alguém a use, por favor, sim? Pronto! Você não conseguirá chegar perto! Algo como choquinhos... você receia tocar...
Condicionamento!
Ou bique desde já.

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