domingo, 7 de setembro de 2008

Bunda!

Uma bunda? Uma grande e suculenta bunda? Aquela que faz com que grande parte dos homens (talvez todos até) sonhem estar dentro dela? Acho que partes ressaltadas pelo dono, do seu corpo humano, traduzem o que ele é. Melhor que perguntar quem é? é observar. Uma bunda... passo longe. Minha genética não favoreceu a retaguarda. Tampouco eu a desenvolvi até então. E nem penso correr atrás do preju. Deixe-a assim, como está: pequena, branca, na dela. Peitos? Incomodam-me os decotes. Acho estranho tê-los. Ombros baixos... água quente cabeça abaixo... olhos grudados nos dedões dos pés... Por que um é diferente do outro? Irmãos bivitelinos? Bucha e sabão em punho, começo o trabalho. O último do dia. Ensabo-os. A vaca tem. A cadela tem. A ratazana tem. A ornitorrinca, seja lá qual é a flexão de gênero desse bicho, a ornitorrinca tem. E eu tenho. Milhões de anos de seleção natural, de luta, de desenvolvimento, e pequenas óbvias observações me estapeiam, dizendo-me que ainda sou um animal. Os seios me traduzem bem diferentemente de muitas outras do meu reino-filo-classe-ordem-gênero-espécie. Talvez as estrias estouradas no meu ventre, ao gestar meu primeiro filho... meus pés doloridos... meus olhos já não tão eficazes, precisando do auxílio de lentes... a carne já sucumbindo ao tempo... a mente cansada, mas ativa... e ativa... E ativa... São partes que dizem quem é a Maura. Quem será a Maura.

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