terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ahhh, não sei!

Num livrinho de psicologia da Dona Rita, há um teste sobre personalidade. Aliás, a obra aborda características essencialmente femininas e masculinas. Como se isso ajudasse em alguma coisa para desvendar o que a diaba quer! Ou o diabo! Fi-lo. Respondi com toda a sinceridade que me fosse possível. Sem querer me encaixar naquele perfil que eu acho mais legal. Sim, pois através das perguntas e respectivas opções para respondê-las, dá para se ter uma idéia qual seria o perfil correspondente. Se o meu ego tá pedindo para que eu seja uma sexy fatal, respondo na lata que, se a noite pedisse, amarraria meu parceiro com fitas vermelhas e testaria seu paladar com o meu corpo (uiá!); se o momento pede que eu seja introspectiva intelectual, marco que o meu programa predileto é ficar quieta em casa, num dia chuvoso, acompanhada pelos meus livros. Definitivamente, tais testes não me ajudam a montar minha personalidade. Ou, sim, ajudam sim: não há o que montar, pois ela não ecziste!
Ao livro de mamãe. "-Maura, faça aí! Mas responde honestamente!". Ok. Feito o somatório dos pontos atribuídos às opções escolhidas, localizando o total no gráfico, descubro-me homem. Ou seja, a marca alcançada por mim me coloca numa área masculinizada intelectualmente. Penso feito homem. Com isso, posso concordar... explica algumas coisas. No gráfico, quem se diz hetero pertencendo à tal região, um dia sairá do armário. Há também a zona do "vou-não-vou", aquelas situações indefinidas, nem-isso-nem-aquilo. E há também a zona super rosa. Mulheres tatibitati... que vestem a fantasia e saem por aí colando adesivos de Meninas Superpoderosas, ou Penelope Charmosa, ou Betty Boop, ou gatinha no carro.
Well, expressões externas do meu gênio podem encaixar no jeitinho macho de ser, como já anuí. Porém... olha só... Admiro muito o homem. Tanto que não poderia evitá-lo, querendo me relacionar com uma outra mulher. Deve ser necessária muita paciência para se ter uma companheira. Bão, desde que saiba escolher... Eu, por exemplo, sou a perfeição-imperfeita em pessoa. Não digo ideal, pois se assim me autoproclamasse, teria que admitir minha inexistência.
Definitivamente, não sou homo. Eu gosto de meninos.
Por que lembrei do livro? Não, não foi por conta de uma luta no gel com outra mulher não... Foi diante a minha falta de tato para se montar uma casa. Saio rumo às Americanas para comprar alguns apetrechos... Putz! Que cor? O que falta? Ah, panela é panela... Tantas opões e minha única vontade é pegar a primeira coisa, olhando se é a mais em conta... Roupa de cama? Precisa? Toalhas? Pano de prato? Toalha de rosto? Baldinho e rodinho pra pia? Ahhhhhhhhh! Estou me sentindo torturada em fazer tais compras. Não sei. Pra decorar a sala fica esquisito não seguir alguma linha? Combina cartaz de filme com almofadas coloridas? Ah, não! Mesmo que não combine, estará lá, na parede, meu pôster recém adquirido. O Curinga. Comprei outros 2. Aí, sim, senti uma alegria tremenda em encontrá-los.
Fogão? Ahhhh... não seria mais útil uma baita televisão para assistir filme e jogar videogame? Eu vi uma... Eu quero! Eu quero! É outra coisa! Mente sã em corpo são. Alivio a tensão jogando... não como, pois não há fogão... permaneço magra...
- Maura Luiza, você troca este fogão autolimpante, com acendimento automático, quatro bocas, por esta televisão de plasma, 42' mais playstation com dois joysticks?
- Sim, siiimmmmm!
Raios de idade adulta. A gente acaba escolhendo aquilo que não corresponde muito com o querer. Aqui não se aplica a liberdade dos testes psicológicos: ser quem quer ser.
Olha só, veio-me ao fim do texto. Quer saber? Que vão à merda os estereótipos! Mania mais irritante dos humanos em classificar. E coisa irritante também julgar. Grudem seus adesivos oncinhapintadazebrinhalistradacoelhinhopeludovãosefuder... Gosta? Então tá valendo! Que saco!
Só que ainda não dá pra fazer a troca. Estou atada à realidade através dos meus bambinos. Fica pra próxima, Sílvio!

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