É disso que estou precisando: que alguém me morda. Que crave em mim toda a sua arcada dentária. Que feche as mandíbulas como se a dor que também sentisse o fissesse cerrar mais e mais dos dentes... É isso que quero.
Pensei que, com o término do semestre, eu melhorasse um pouco. As idéias entrando nos eixos. Porém, creio que meus eixos estejam desalinhados. E não creio que haja retorno. Vontade de descer morro abaixo, sem controle algum, e ninguém que possa me segurar. Imagino. Topo. Ladeira abaixo. Nenhum obstáculo. Um pé a frente... Início. A inclinação faz com que a velocidade se torne maior a cada passada... Minhas pernas perderam o controle. Corro, então. Sem direção. Sem pit stop. Sem parada. Que prazer imenso sentir minhas pernas descontroladas... correndo... correndo...
Não sei se quero a cura também.
Olha só, para mim e aos que me lêem e, porventura, conhecem-me: sou bicho-do-mato mesmo. Fim. Ponto. E pronto! Quanto mais vejo, leio, escuto, matuto, mais eu me fecho. Ficar presa na minha torre foi como descobri ficar incólume a tudo. Ver o mundo me dói por deveras. Não se trata de desabafo de uma futura suícida. Não. Amo demais meus filhos para me tirar da vida deles, causando-lhes dor, embora seja perfeitamente "sobrevivível" com a minha ausência. Meu amor por eles me mantém nos trilhos tortos. Neles, vejo algum significado nesta luta toda. Há um porquê pra lutar. Para que cresçam e eu, então, contemple a minha obra, já dizendo adeus a minha existência. Ou para que me considere um fracasso total. Eu vim pra isso: parir e criar. E amá-los para que o desespero não me abata. Ou, que ao menos, eu possa combater ilusioriamente esse desespero.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
Passou
Estava eu a tecer um comentário no blog de um amigo meu. Seu texto fez emergir uma antiga matutação minha. Apaguei as minhas palavras e as reproduzo aqui. A bolinha descendo montanha abaixo, transformando-se numa baita bola de neve, derrubando tudo pela frente. Algo tão insignificante no início que se torna violenta no final. Violenta... o termo certo para se descrever, pois alterações profundas foram provocadas ao final. Quase sempre acompanhadas pela dor. Viver dói. Fato. Acostume-se, pois senão dói ainda mais. Consolo: por vezes, aparece alguém pra soprar.
Então. Pergunto-me como estaria caso não tivesse me aboletado, naquele 2 de novembro de 1994, na calçada, acompanhada por uma amiga, rindo, conversando abobrinhas, vendo o tempo passar. E passou. Acompanhado por um rapaz que insistentemente me olhava. E eu retribuía. Até que num dia, não muito depois, ele parou o carro e puxou conversa. Morador da mesma e conhecido do meu irmão, não poderia representar perigo algum. Bom... se eu não tivesse sentado na calçada naquele dia 2... hoje eu não teria meu moleque, o Guiga. E minha vida estaria melhor? Um filósofo conhecido aí diz que entre passado e algo inexistente não diferença alguma. Hummmmm... ambos pertencem à esfera do abstrato... hummmm... Olha só: sim e não (no dia em que houver uma opinião minha 100% , estarei morta). Sim, para os casos em que se derramam lágrimas sobre o leite derramado. O que foi, foi. Simples. Taí: lamento alguns murros em ponta de faca, porém não sofro por tê-los dado. Agora entra o não: com as mãos enfaixadas, vejo que tinha que ser assim. Para eu estar assim hoje, e confesso não praguejar nem um pouco sobre minha atual condição, considero-me phoderosa, tinha que passar por aquilo mesmo. Assim, o passado, considerado inexistente, ainda vive. Se eu pudesse voltar atrás, sabendo como seria hoje, faria as mesmas coisas, pois estas coisas me transformaram no que sou hoje, embora muitas vezes eu não saiba quem eu sou devido a coisas que estão a acontecer.
Bão!
Meio repetitivo este lance de não saber quem eu sou, non? Vou mudar de disco.
Então. Pergunto-me como estaria caso não tivesse me aboletado, naquele 2 de novembro de 1994, na calçada, acompanhada por uma amiga, rindo, conversando abobrinhas, vendo o tempo passar. E passou. Acompanhado por um rapaz que insistentemente me olhava. E eu retribuía. Até que num dia, não muito depois, ele parou o carro e puxou conversa. Morador da mesma e conhecido do meu irmão, não poderia representar perigo algum. Bom... se eu não tivesse sentado na calçada naquele dia 2... hoje eu não teria meu moleque, o Guiga. E minha vida estaria melhor? Um filósofo conhecido aí diz que entre passado e algo inexistente não diferença alguma. Hummmmm... ambos pertencem à esfera do abstrato... hummmm... Olha só: sim e não (no dia em que houver uma opinião minha 100% , estarei morta). Sim, para os casos em que se derramam lágrimas sobre o leite derramado. O que foi, foi. Simples. Taí: lamento alguns murros em ponta de faca, porém não sofro por tê-los dado. Agora entra o não: com as mãos enfaixadas, vejo que tinha que ser assim. Para eu estar assim hoje, e confesso não praguejar nem um pouco sobre minha atual condição, considero-me phoderosa, tinha que passar por aquilo mesmo. Assim, o passado, considerado inexistente, ainda vive. Se eu pudesse voltar atrás, sabendo como seria hoje, faria as mesmas coisas, pois estas coisas me transformaram no que sou hoje, embora muitas vezes eu não saiba quem eu sou devido a coisas que estão a acontecer.
Bão!
Meio repetitivo este lance de não saber quem eu sou, non? Vou mudar de disco.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Oh yeah, I'll tell you something...
I think you'll understand.
When I'll say that something
I wanna hold your hand,
I wanna hold your hand,
I wanna hold your hand.
Não. Não. Não se trata de nenhuma mensagem secreta não. Não há dia em que acordamos com alguma música em mente? Graças à Shiva, hoje não é nenhum lixo-cultural-chiclete (tenho até medo de citar um exemplo e a praga grudar, jogando pra escanteio os Beatles. Mas, vá lá, eu rio na cara do perigo mesmo... "Se tem uma coisa que me deixa passaaaada, é brigar comigo, sem eu ter feito naaaaada"). Acho tão bonitinha esta música... I wanna hold your hand... I wanna hold your hand... Vez ou outra, assumo, bate aquela saudadinha do arrepio espinha acima. Encostar o braço no outro durante o filminho no cinema... aquela angústia em saber se é pra valer ou não... a voz número 89 ao telefone (por que cargas d'água não se fala normalmente com a pessoa?). Quero um amor assim, à la Beatles na fase do iê-iê-iê.
Quero?
Bão. Café. E xixi. Instante.
Ahhhh, café! Um dia hei de comprar uma máquina de expresso para mim. Sonho da fase adulta. E outra, de descascar laranja. Sonho de infância. Adoro esta fruta, mas tenho uma preguiça danada de descascá-la. E se descasco, não posso "machucá-la". Perde a graça, além de ser uma lambança que só, pois parte do suco escapa pelo "machucado".
Hoje, falaremos sobre amenidades. Tô e não tô a fim de matutar. Segundo Dona Rita, minha mãe, ando meio estressada mentalmente. Agora mesmo, tive um indício de que isso pode ser verdade. Fui re-comentar algo com a Adelaide, moça que trabalha aqui na copa, achando não ter dito antes a mesma coisa. Como pensar faz mover engrenagens cá dentro, provocando até mesmo nós na massa cinzenta, vamos evitar esforços maiores e divagar sobre o nada. Não, o nada é por deveras complexo, pois ele não é nada, pois já é algo em si: o nada. Além do fato de sempre existir algo por trás do nada. Mudemos. Ultimamente, volto minhas atenções às regras do jogo. Procuro entender os mecanismos da Economia: bolsa de valores, ações, investimentos e outros patatis-patatás seguidos de cifrões. Já que isso influi tanto na minha vida, até mesmo nas conclusões tiradas que, aparentemente, nada tem a ver com as engrenagens econômicas - como se há felicidade ou não - desconhecer significa não deter controle algum, embora, no fundo, a gente não o detenha mesmo. Mas ao menos, iludir-se pensando ter as rédeas da situação. Vá ver, a ilusão é algum mecanismo de autodefesa, tal como os glóbulos brancos. Algo para manter a integridade mental e física. Confesso que, por vezes, sinto estar a um passo da loucura para que eu não exploda com tantas reviravoltas dentro de mim. Ilusão igual loucura? Voltemos à economia.
Economia. Estudá-la, mais uma vez sou levada à constatação mais óbvia do mundo: tudo está entrelaçado. Minha pacata passagem sobre o solo terrestre está à mercê de vários. Uma assinatura posta num contrato lá na Conchichina, faz-me adiar uma viagem, ou afundar-me nos livros em busca do diploma perdido, ou até mesmo querer outro filho. Minha noção de unidade é desfeita e me sinto um ser múltiplo. Múltiplo, porém uno: um grande bloco humano.
Alguém segure a minha mão!
When I'll say that something
I wanna hold your hand,
I wanna hold your hand,
I wanna hold your hand.
Não. Não. Não se trata de nenhuma mensagem secreta não. Não há dia em que acordamos com alguma música em mente? Graças à Shiva, hoje não é nenhum lixo-cultural-chiclete (tenho até medo de citar um exemplo e a praga grudar, jogando pra escanteio os Beatles. Mas, vá lá, eu rio na cara do perigo mesmo... "Se tem uma coisa que me deixa passaaaada, é brigar comigo, sem eu ter feito naaaaada"). Acho tão bonitinha esta música... I wanna hold your hand... I wanna hold your hand... Vez ou outra, assumo, bate aquela saudadinha do arrepio espinha acima. Encostar o braço no outro durante o filminho no cinema... aquela angústia em saber se é pra valer ou não... a voz número 89 ao telefone (por que cargas d'água não se fala normalmente com a pessoa?). Quero um amor assim, à la Beatles na fase do iê-iê-iê.
Quero?
Bão. Café. E xixi. Instante.
Ahhhh, café! Um dia hei de comprar uma máquina de expresso para mim. Sonho da fase adulta. E outra, de descascar laranja. Sonho de infância. Adoro esta fruta, mas tenho uma preguiça danada de descascá-la. E se descasco, não posso "machucá-la". Perde a graça, além de ser uma lambança que só, pois parte do suco escapa pelo "machucado".
Hoje, falaremos sobre amenidades. Tô e não tô a fim de matutar. Segundo Dona Rita, minha mãe, ando meio estressada mentalmente. Agora mesmo, tive um indício de que isso pode ser verdade. Fui re-comentar algo com a Adelaide, moça que trabalha aqui na copa, achando não ter dito antes a mesma coisa. Como pensar faz mover engrenagens cá dentro, provocando até mesmo nós na massa cinzenta, vamos evitar esforços maiores e divagar sobre o nada. Não, o nada é por deveras complexo, pois ele não é nada, pois já é algo em si: o nada. Além do fato de sempre existir algo por trás do nada. Mudemos. Ultimamente, volto minhas atenções às regras do jogo. Procuro entender os mecanismos da Economia: bolsa de valores, ações, investimentos e outros patatis-patatás seguidos de cifrões. Já que isso influi tanto na minha vida, até mesmo nas conclusões tiradas que, aparentemente, nada tem a ver com as engrenagens econômicas - como se há felicidade ou não - desconhecer significa não deter controle algum, embora, no fundo, a gente não o detenha mesmo. Mas ao menos, iludir-se pensando ter as rédeas da situação. Vá ver, a ilusão é algum mecanismo de autodefesa, tal como os glóbulos brancos. Algo para manter a integridade mental e física. Confesso que, por vezes, sinto estar a um passo da loucura para que eu não exploda com tantas reviravoltas dentro de mim. Ilusão igual loucura? Voltemos à economia.
Economia. Estudá-la, mais uma vez sou levada à constatação mais óbvia do mundo: tudo está entrelaçado. Minha pacata passagem sobre o solo terrestre está à mercê de vários. Uma assinatura posta num contrato lá na Conchichina, faz-me adiar uma viagem, ou afundar-me nos livros em busca do diploma perdido, ou até mesmo querer outro filho. Minha noção de unidade é desfeita e me sinto um ser múltiplo. Múltiplo, porém uno: um grande bloco humano.
Alguém segure a minha mão!
domingo, 6 de julho de 2008
I'm God!
Não gosto que nada me atrapalhe nessa hora. Eu e meu reino. Eu e meu trono. Momento minuciosamente pensado. Eu, eu mesma e Maura. Porta fechada, girada a chave para que não corra perigo de interrupção inesperada. Zzzzzzzzzz... Zzzzzzzzzzz... Uma mosca barulhenta faz questão de pertubar o silêncio reinante, terra proprícia para que meus pensamentos se multipliquem. Zzzzzzz.... Zzzzzz... E a arma para o lazer, torna-se letal: pá! Certeiro. A revista acerta, num primeiro ataque, o maldito inseto. O cadáver ali no piso, perto do ralo. A tranqüilidade reinante outra vez. Mas eu não estou tranqüila. Tirar a vida de alguma coisa pesou sobre mim. Pá! Eu me armei, mirei e, com vontade, acertei. Matei o que me incomodava. Tirei a vida de algo. Estão captando o peso sentido? Tirei a vida. Vida. Era e já não é mais. Boba, eu? Eu tirei uma vida porque eu quis! É um poder que está dentro de mim. E que outros haverão escondidos cá dentro? Sob quais situações, eles poderão sair? Tenho medo de mim.
Melhor, a partir do momento que partes de mim me são mostradas, vou perdendo o medo de mim.
Ao lanchar num shopping, penso em sugerir às lanchonetes que providenciem cabines para que seus clientes possam degustar à vontade seus produtos. Se você tá a fim de se lambrecar de óleo, ser vendada e amarrada, levar tapas, etc e tal na hora H (melhor, na hora F, de foda), é meio empata-trepa perceber a presença de alguém estranho à situação. Ou seja, é algo íntimo. O mesmo vale para comer. Pedir aquele ultra-mega-fucking sanduba, cheio de maionese, que ao pegá-lo, o bichão se desmonta todo, meter a bocona aberta, sujar a ponta do nariz com o molho, limpar com a língua pedaços de alface entre os dentes... Descobrir que há alguém observando este momento, faz perder o tesão. E não dá para tascar uma revista na testa do chato que parece nunca ter visto alguém se entregando ao pecado da gula.
Pá!
Melhor, a partir do momento que partes de mim me são mostradas, vou perdendo o medo de mim.
Ao lanchar num shopping, penso em sugerir às lanchonetes que providenciem cabines para que seus clientes possam degustar à vontade seus produtos. Se você tá a fim de se lambrecar de óleo, ser vendada e amarrada, levar tapas, etc e tal na hora H (melhor, na hora F, de foda), é meio empata-trepa perceber a presença de alguém estranho à situação. Ou seja, é algo íntimo. O mesmo vale para comer. Pedir aquele ultra-mega-fucking sanduba, cheio de maionese, que ao pegá-lo, o bichão se desmonta todo, meter a bocona aberta, sujar a ponta do nariz com o molho, limpar com a língua pedaços de alface entre os dentes... Descobrir que há alguém observando este momento, faz perder o tesão. E não dá para tascar uma revista na testa do chato que parece nunca ter visto alguém se entregando ao pecado da gula.
Pá!
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Quem é vivo, tá sempre respirando!
Opa! Quanto tempo não piso por estas bandas, non? Uma poeirinha aqui... outra acolá... Conclusões que já viraram questionamentos... Questionamentos que já os deixei de lado pois são inquestionáveis... Que maravilha o ser humano! Mutação ambulante. Enfim.
Minha broxisse é para lá de sensível. Ou seja, sou facilmente levada à ela. Idéias pipocam, sempre, mas quando acá colo olhos e dedos, elas fogem da cabeça como que crianças que estão aprontando quando são surpreendidas pela mãe brava. Puff! E isso me levou à conclusão (que logo mais já não é tão conclusivo assim) de, frente a muitas coisas, meu pau amolece. E fico me questionando: cadê o tesão que há pouco quase me fez explodir as calças? Cacete! Eu me empolgo e me desempolgo com uma facilidade assustadora. Frise-se: não estou me referindo no lado sexual da coisa, apesar da grande parte do insucesso amoroso ter suas raízes fincadas aí. Um dia, amo de paixão. Noutro, quero distância. Pois bem, numa época, empolgo-me com uma idéia mirabolante; passado algum tempo, já acho ser uma idéia de girico. Oh, céus!
O lado amoroso... Depois de ter me separado judicialmente em meados de 97, só fui namorar firme e forte em 99-quase-2000. Desde então, acabou namoro, não levava mais de 3 meses para engatar outro relacionamento. Sim, porque tinha que ser algo oficial. Este lance modernoso (bom, já nem é tão moderno assim dado o tempo que vem sendo posto em prática) de ficar com um ali, ficar com outro acolá, e assim se vai ciscando, caminhando, cantando e seguindo a canção. Isso nunca me encheu a pança não. Tava a fim de beijar, sair, dar? tinha que ser com um oficial. Um único. Firmar contrato.
Desde ano passado, começo de setembro, se não me falha a memória, estou só. Um amigo meu, nas nossas conversas messengerianas, aconselhou-me que melhor era ser sozinho mesmo. Se batesse "aquela" vontade, uma punheta resolveria (no caso dele, já que no meu, meus punhos não entram em ação). Eu achava isso tão frio. O legal do ato sexual em si era o contato pele-a-pele, o beijo, o abraço, romantizava eu. E como viver é um eterno reavaliar conceitos, até que a morte os separe, meu nobre colega está coberto de razão. Isso ficou tão cristalino para mim. Nu e cru. Trata-se de satisfação de um prazer, apenas, cujo resultado, acompanhado pela mão ou por uma outra pessoa, é o mesmo. A "verdade verdadeira da vida" é por demais incômoda para alguns. Para mim, soa como carta de alforria dada pela razão. Eu não sinto falta de ter alguém ao meu lado. Enxergo minha solidão como algo natural e normal. Não a encaro com medo, temor e desespero, fazendo-me com que eu plantasse árvores infrutíferas. Fazendo-me com que eu procurasse, sôfrega, enganar-me sobre a realidade. Uma festa na sexta, em junho, fez com que eu visse que sou incapaz de amar de fato. A não ser aqueles que carregam parte de mim na sua carga genética.
E só.
Minha broxisse é para lá de sensível. Ou seja, sou facilmente levada à ela. Idéias pipocam, sempre, mas quando acá colo olhos e dedos, elas fogem da cabeça como que crianças que estão aprontando quando são surpreendidas pela mãe brava. Puff! E isso me levou à conclusão (que logo mais já não é tão conclusivo assim) de, frente a muitas coisas, meu pau amolece. E fico me questionando: cadê o tesão que há pouco quase me fez explodir as calças? Cacete! Eu me empolgo e me desempolgo com uma facilidade assustadora. Frise-se: não estou me referindo no lado sexual da coisa, apesar da grande parte do insucesso amoroso ter suas raízes fincadas aí. Um dia, amo de paixão. Noutro, quero distância. Pois bem, numa época, empolgo-me com uma idéia mirabolante; passado algum tempo, já acho ser uma idéia de girico. Oh, céus!
O lado amoroso... Depois de ter me separado judicialmente em meados de 97, só fui namorar firme e forte em 99-quase-2000. Desde então, acabou namoro, não levava mais de 3 meses para engatar outro relacionamento. Sim, porque tinha que ser algo oficial. Este lance modernoso (bom, já nem é tão moderno assim dado o tempo que vem sendo posto em prática) de ficar com um ali, ficar com outro acolá, e assim se vai ciscando, caminhando, cantando e seguindo a canção. Isso nunca me encheu a pança não. Tava a fim de beijar, sair, dar? tinha que ser com um oficial. Um único. Firmar contrato.
Desde ano passado, começo de setembro, se não me falha a memória, estou só. Um amigo meu, nas nossas conversas messengerianas, aconselhou-me que melhor era ser sozinho mesmo. Se batesse "aquela" vontade, uma punheta resolveria (no caso dele, já que no meu, meus punhos não entram em ação). Eu achava isso tão frio. O legal do ato sexual em si era o contato pele-a-pele, o beijo, o abraço, romantizava eu. E como viver é um eterno reavaliar conceitos, até que a morte os separe, meu nobre colega está coberto de razão. Isso ficou tão cristalino para mim. Nu e cru. Trata-se de satisfação de um prazer, apenas, cujo resultado, acompanhado pela mão ou por uma outra pessoa, é o mesmo. A "verdade verdadeira da vida" é por demais incômoda para alguns. Para mim, soa como carta de alforria dada pela razão. Eu não sinto falta de ter alguém ao meu lado. Enxergo minha solidão como algo natural e normal. Não a encaro com medo, temor e desespero, fazendo-me com que eu plantasse árvores infrutíferas. Fazendo-me com que eu procurasse, sôfrega, enganar-me sobre a realidade. Uma festa na sexta, em junho, fez com que eu visse que sou incapaz de amar de fato. A não ser aqueles que carregam parte de mim na sua carga genética.
E só.