terça-feira, 8 de julho de 2008

Passou

Estava eu a tecer um comentário no blog de um amigo meu. Seu texto fez emergir uma antiga matutação minha. Apaguei as minhas palavras e as reproduzo aqui. A bolinha descendo montanha abaixo, transformando-se numa baita bola de neve, derrubando tudo pela frente. Algo tão insignificante no início que se torna violenta no final. Violenta... o termo certo para se descrever, pois alterações profundas foram provocadas ao final. Quase sempre acompanhadas pela dor. Viver dói. Fato. Acostume-se, pois senão dói ainda mais. Consolo: por vezes, aparece alguém pra soprar.



Então. Pergunto-me como estaria caso não tivesse me aboletado, naquele 2 de novembro de 1994, na calçada, acompanhada por uma amiga, rindo, conversando abobrinhas, vendo o tempo passar. E passou. Acompanhado por um rapaz que insistentemente me olhava. E eu retribuía. Até que num dia, não muito depois, ele parou o carro e puxou conversa. Morador da mesma e conhecido do meu irmão, não poderia representar perigo algum. Bom... se eu não tivesse sentado na calçada naquele dia 2... hoje eu não teria meu moleque, o Guiga. E minha vida estaria melhor? Um filósofo conhecido aí diz que entre passado e algo inexistente não diferença alguma. Hummmmm... ambos pertencem à esfera do abstrato... hummmm... Olha só: sim e não (no dia em que houver uma opinião minha 100% , estarei morta). Sim, para os casos em que se derramam lágrimas sobre o leite derramado. O que foi, foi. Simples. Taí: lamento alguns murros em ponta de faca, porém não sofro por tê-los dado. Agora entra o não: com as mãos enfaixadas, vejo que tinha que ser assim. Para eu estar assim hoje, e confesso não praguejar nem um pouco sobre minha atual condição, considero-me phoderosa, tinha que passar por aquilo mesmo. Assim, o passado, considerado inexistente, ainda vive. Se eu pudesse voltar atrás, sabendo como seria hoje, faria as mesmas coisas, pois estas coisas me transformaram no que sou hoje, embora muitas vezes eu não saiba quem eu sou devido a coisas que estão a acontecer.

Bão!

Meio repetitivo este lance de não saber quem eu sou, non? Vou mudar de disco.

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