segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Povo que me cerca!

Passei os olhos rapidamente sobre a minha sorte orkuteana. Na grande maioria das vezes (para não dizer todas. Aliás, por que não dizer já que todas?), é uma grande baboseira. Mas tem lá a sua utilidade. Assim como o tarô. Cética ferrenha como sou, porém vejo sempre os dois lados da moeda (ou da lua, se tiver uma pitada de romantismo). Não acredito e bato meu pezinho três vezes no chão, que exista alguma prática a mostrar-me, no aqui e agora, o meu futuro. A minha sorte (com pitada de azar... mas já repararam, o azar pode trazer sorte? O contrário também tá valendo). Porém, a cousa lhe faz matutar a respeito. "Uai, o que tem a ver cu com rola? Isso aí não se encaixa em nada na minha pacata e turbulenta vidinha!" (ok, a expressão, "o que tem a ver cu com rola, no fundo, tem lá o seu encaixe; contudo, não questionemos o bordão popular). E naquilo de tentar encontrar alguma conexão com a realidade concreta, você acaba mergulhando em si e encontrando respostas para muitas indagações. Talvez aí sim, o futuro vai sendo delineado.
Bão, li lá: "o homem arquiteta a sua morte". Opa! Está hoje mais cru e ferrenho, ó grande oráculo? Achei a mensagem a mim dirigida por deveras encafifadora. E mais significante às demais já lidas quando se abre o perfil. O homem arquiteta a sua morte... Sim, posso concordar com o augúrio internético. Dia após dia, consciente ou inconscientemente, vou construindo o meu fim. Se acostumo-me a bebericar água que passarinho no toma todo santo final-de-semana, já é uma ação colaboradora ao meu desfecho; se me mantenho geração-saúde-uhuuuu, meu fim já será outro; se me afasto de tudo e de todos, ninguém pra puxar uma novena no meu velório (aliás, mesmo que não me afaste, puxo o pé de quem rezar. Não sou Deus pra agüentar ladainha nas zoreias).
Li o que não estava escrito na realidade. A rapidez inerente ao meu sentido da visão pregou-me uma peça. Válida, friso. O escrito era "o homem arquiteta a sua sorte". O que não deixa de ter um paralelo à primeira leitura. Se acostumo-me a bebericar água que passarinho no toma todo santo final-de-semana, já é uma ação colaboradora a minha sorte futura; se me mantenho geração-saúde-uhuuuu, meu fim já serei agraciada de outra forma; se me afasto de tudo e de todos, ninguém pra puxar uma novena no meu velório... vou para outra dimensão sem ter aquelas vozes insistentes martelando na minha cabeça... O inferno são os outros. Até mesmo enquanto você está se dirigindo para algum círculo infernal.
Outra sentença válida, lida não sei onde: "Para ser popular é preciso ser medíocre."
Se eu soubesse me equilibrar sobre saltos, usar-los-ia. Ficam bonito nos pés, além de ter lá o seu apelo sexual. Sim... venho chegando à conclusão que tudo feito pelo homem (no geral, incluindo na saca a mulher também) tem em vista o prazeroso ato de trepar, sem rococoamente falando. Vá me dizer que não, mizifim? Lá dentro, pode ser que haja um interesse instintivo de passar adiante os genes (vida eterna até que se perpetue). Porém, de acordo com cada gosto que lhe convém, é bom ser atraente a outra pessoa. E atração é o quê? Prelúdio à dança do acasalamento. Fazer amor... Ahhhhhhh! Que horror! Fazer amor... prefiro Fazer terror.
Bom, aos saltos. Mulheres, minhas queridas: se não sabem andar nas alturas, não inventem. Faça como moá: a boa e velha sapatilha. Ou, um tenisinho básico, leve e, de preferência, já meio gasto pelo tempo. As pernas dobradas ao andar... os passos dados como se a rua estivesse infestada de baratas... Nada bonito! Ou motivo de riso, ou motivo de compadecimento, pois a imagem transfigurada pela dor causada pelo incômodo instalado nos pés deixa evidente a via sacra. Além do fato de atrapalharem o trânsito de pedestres. Quantas vezes, firulei atrás de uma elegante e sofrível dama pois esta dava passos de tartaruga? Ligava a seta e nada de conseguir ultrapassar. Time is money, honey! No meu caso, o dinheiro não se tem feito tão presente assim, mas tempo é para ser gasto, em sua grande maioria, com algo interessante à alma. Não vacilando na rua, sob um sol de rachar mamona. É válida sua intenção, mesmo feita de modo doloroso (cá entre nós, uma caminhada de 10 minutos, mais ou menos, tendo apenas uma parte da sola do pé como apoio a toda máquina, não deve ser mui confortável). Porém fazê-la, sem observações maiores sobre a sua capacidade ou oportunidade, apenas por que a grande maioria faz transformando a atitude em lei geral, é ser popular.
Para ser medíocre é preciso não arquitar a sorte. Ou morte. O homem arquiteta ser popular. Isso é morte, longe de sorte.
OBS.: ainda sobre orkut. Meu caro, jogo ao ventilador: a minha nudez só interessa a mim. Não quero retratá-la tampouco mostrá-la ao mundo. Pelo menos, algum segredo há de ser só meu; cabendo a mim a quem revelá-lo. Um apenas. Quanto a retratá-la, tão somente, não quero ter nada gravado meu, atrapalhando-me a saborear minha decadência. Ficarei presa àquela imagem do que um dia já fui.

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